Grafic Novel =)

A grafic novel O Curioso Caso de Benjamin Button, baseado na obra de Scott Fitzgerald de mesmo nome, com 128 páginas, conta a história de um nascimento diferente: o bebê nasce com cerca de setenta anos e vai “rejuvenescendo” até virar um bebê de verdade. Todos os problemas com a comunidade, a escola, sua esposa envelhecendo e ele cada vez mais jovem, deixa o leitor grudado na história pra saber como o autor irá resolver esse problema. Com as ilustrações por Kevin Cornell, a história fica mais engraçada do que dramática. O filme de 2009 com elenco famoso, vencedor de vários prêmios, mas muito longo com três horas de duração.

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Somos Todos E.T.s

O livro As Crônicas Marcianas do autor americano Ray Bradbury, escrito em 1950 com prólogo de Jorge Liz Borges, é um livro de ficção científica, com histórias que se passam no Planeta Marte, onde vivem os humanos que foram enviados ou se mudaram pra lá. Também aparecem os marcianos, mas o autor gosta de colocar aquela dúvida se somos humanos ou extra-terrestres, portanto, em Marte, os ETs, somos nós. Algumas histórias são amorzinho e dá vontade de morar lá em Marte. Algumas histórias são creepy! Minhas favoritas são A Manhã Verde e Usher II que ele cita vários autores de histórias de terror e suas histórias, como a que dá nome a essa crônica inspirada em Poe.

Trechos do Livro: “Eles provavelmente não se importam de estarmos aqui…talvez tudo isso nos torne melhores.” “Será que eram ancestrais do homem da Terra, surgidos há dez mil anos? E será que tinham amado e odiado os mesmos amores e ódios, e feito as mesmas coisas tolas quando faziam coisas tolas?” “Se a arte não passava de uma expressão frustrada de desejo, se a religião não passava de ilusão, para que servia a vida?” “Os marcianos descobriram o segredo da vida entre os animais. O animal não questiona a vida. Simplesmente a vive. Sua única razão para viver é a vida.”

 

Proibido para Menores de 30. =0

O livro Laranja Mecânica do autor britânico Anthony Burguess, conta em 274 páginas (nesta edição comemorativa com 342 pág, com textos extras) a história de Alex e o livre arbítrio. Alex é um jovenzinho de 15 anos que tenta formar um grupo de desordeiros com mais três rapazes para “aterrorizar” o bairro onde mora. No começo da história, contada por ele mesmo,  ficamos sabendo que ele já foi preso anteriormente por esse motivo. E aí ele conta detalhes do sadismo, perversidade e anomalia do ser meio-humano que ele é. E não comete essas atrocidades porque está em grupo, não. Ele conta o estupro de crianças que ele pratica sozinho. E conta sobre a omissão de seus pais sobre sua conduta, quando deixa de ir à aula ou traz dinheiro pra casa. Então, ao ir novamente preso, pede pra participar de um programa do Governo que fará com que saia da cadeia pra nunca mais voltar. Esse sistema é um tipo de “hipnose/lavagem cerebral” que associa sensações físicas ruins quando ele pensa ou fala ou tenta fazer coisas ruins. E funciona. Ele sente vontade de vomitar e se sente doente toda vez que vê uma imagem das coisas que ele fez. Mas aí começa a briga dos “eleitores contra o Governo”, dizendo que esse método vai contra o livre-arbítrio do cidadão.

Problemática: A fala do personagem é transcrita toda numa gíria inventada por eles, o que torna o texto cansativo e às vezes chato. Parece que você está falando com um bebê: da-da-dá-gu-gu-gu.Se é apenas parte do texto, ok, mas abandonei Grandes Sertões por esse motivo: escrever conforme a fala, o livro TODO. A capa e a diagramação em papel diferenciado incentiva pegar o livro, mas as ilustrações são horríveis. Os textos extras também são bons.

Porque é bom? A escrita do autor, quando não usa palavras inventadas, é muito boa. Ele te convence a simpatizar com o monstro do Alex. Como faz isso? Fazendo ele usar palavras cultas, gostar de música clássica onde a Nona Sinfonia de Beethoven faz o fundo musical dessa história. E mostrando que tirar o livre-arbítrio da pessoa, pode tirar a parte ruim, mas leva a parte boa junto. O filme, do ótimo diretor Stanley Kubrick, peca por escolher atores tão velhos para o papel, mas já virou um clássico! (O livro é de 1962 e o filme de 1971.)

 

Trechos do Livro: “…a tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluida e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios…afirmo que a tentativa de impor leis…” “A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro…bondade é algo que se escolhe.” “Pode não ser bom ser bom. Ser bom pode ser horrível. E quando digo isso a você, percebo o quão auto-contraditório isso soa.”

Muita Metafísica, Goodbye Mr. Hawking!

 

Esse post deveria se chamar: “Estragando o romantismo da bolha de sabão!” =/

O livro Uma Breve História do Tempo do Físico inglês Stephen Hawking (1942-2018) é um livro acessível pra quem gosta do assunto sobre como o universo foi criado. Em 238 páginas ele conta suas pesquisas e muita teoria sobre os assuntos da física que o tornaram muito famoso na área acadêmica. A teoria sobre os irmãos gêmeos é fantástica. Seus livros e sua vida, transformados em filmes, o tornaram celebridade, auxiliando no caríssimo tratamento para sua doença genética, que esse livro nos faz esquecer por um momento. O filme A Teoria de Tudo  de 2014 baseado em um livro, me fez ver o quanto de”gênio” e de “genioso” ele foi. O documentário mostra suas pesquisas. Dizem que a música Neutron Star Colision foi inspirada na página 144 desse livro.

Trechos do livro: “…em 340 a.C., o filósofo grego Aristóteles foi capaz de apresentar em sua obra Sobre o Céu, dois bons argumentos para a crença de que a terra era uma esfera redonda , e não um prato achatado.” “em um universo infinito, todo ponto pode ser considerado o centro, pois todo ponto tem um número infinito de estrelas de cada lado.” “O único modo de evitar a conclusão de que o céu noturno devia ser tão brilhante quanto a superfície do sol seria supor que as estrelas não brilhavam desde sempre, mas que haviam sido acesas em algum momento finito no passado.” “Laplace …sustentou…que o universo era totalmente determinista…e presumiu que havia leis semelhantes governando tudo o mais, incluindo o comportamento humano.” “…da interferência no caso da luz é o das cores que vemos em bolhas de sabão. Elas são causadas pelos reflexos da luz nos dois lados da fina película de água que forma a bolha.” “…em princípio a mecânica quântica nos permite prever quase tudo o que vemos à nossa volta, dentro dos limites estabelecidos pelo princípio da incerteza.” “Aristóteles acreditava que toda a matéria do universo era feita de quatro elementos básicos – terra, ar, fogo e água. Esses elementos eram regulados por duas forças: gravidade (tendência da terra e da água de afundar) e leveza (tendência do ar e do fogo de subir).” “Pode haver antimundos e antipessoas totalmente feitos de antipartículas.” “De onde elas (as pessoas) vieram? A resposta é que, na teoria quântica, as partículas podem ser criadas de energia, na forma de pares de partícula/antipartícula. Mas isso apenas nos leva a perguntar de onde veio a energia.” “…o que chamamos de tempo real é apenas fruto de nossa imaginação…”

Um Livro que Cumpre Todos os Desafios Literários! =D

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O livro A Misteriosa Chama da Rainha Loana, do escritor italiano Umberto Eco, com 447 páginas, consegue cumprir vários, se não todos os desafios literários. O que pode ser encontrado nele?

  1. Livro com figuras
  2. História em quadrinhos
  3. Poesia
  4. Música
  5. Romance Ilustrado
  6. Jornal
  7. Guerra
  8. Política
  9. Religião
  10. História
  11. Filosofia
  12. Cinema
  13. Coleção de Selos

O autor conta a história de um livreiro que perde a memória e após voltar do coma, com a ajuda da família, retorna à casa de sua infância para tentar recuperar os acontecimentos através da biblioteca de jornais, livros e revistas de seu avô. Contada em primeira pessoa por um desmemoriado (narrador não-confiável), que consegue se lembrar de vários textos decorados de seus autores favoritos, mas não consegue se lembrar de sua família e seus amigos. O autor mostra que novamente ele usou uma extensa pesquisa sobre Acervos do período da segunda guerra. Tem uma comparação do esquecimento com a névoa que é citada em vários autores clássicos, como um mistério a ser desvendado. Tem piada machista, racismo, ironia sobre religiões, ironias sobre a guerra. O título do livro veio de uma Hq que ele compara a chama aos impulsos elétricos  da memória.

Trechos do Livro: “Você lembra de idéias e hábitos, mas não de sensações, que no entanto são as coisas mais suas.” “Desculpe. Não consigo dizer nada que me venha do coração. Não tenho sentimentos, só ditos memoráveis.” “…prateleiras cheias de livros… Pela primeira vez tinha a impressão de estar num lugar onde me sentia à vontade.” “…as citações são meu único farol na neblina.” “…você tem uma memória de papel. Não de neurônios, de páginas.” “…um psicólogo lhe contou que em toda sua carreira nunca encontrara uma criança neurotizada por um filme (mortos-vivos), exceto uma vez…irremediavelmente…fora arruinada por Branca de Neve” “Não me espanto com o que aprendo, que só confirma o que compreendi sozinho. Mas o pensamento de que alguém me surpreenda enquanto leio, e perceba que percebi…” “Sonhamos falsas lembranças. Por exemplo, lembro que sonhei mais de uma vez que finalmente voltava a uma casa que não visitava há muito tempo…percebia que a lembrança pertencia ao sonho…nos sonhos nos apossamos das recordações de outros.

“Mas aonde vais bela da bicicleta

tão depressa pedalando com fervor

tuas pernas esbeltas, torneadas, lindas

em mim já semearam

no coração esse ardor.

Mas onde vais c’os cabelos ao vento

o coração contente e o sorriso

encantador…

Se quiseres, e quando quiseres,

chegaremos ao limite do amor.”

Literatura LGBT

Primeiro eu li o livro, depois eu vi o filme. Minha edição é essa da Editora Siciliano, com o título Carol, com 247 páginas da autora Patricia Highsmith. Em outros países ele foi publicado com o título original: The Price of Salt, publicado nos EUA em 1952. O livro conta a história de Therese (que é o personagem principal), que trabalha numa loja no período de natal e conhece uma mulher rica que aparece pra comprar um presente para a filha. Ela se sente atraída e faz de tudo para vê-la de novo. Apesar de ter um romance com seu primeiro namorado, um personagem sem graça, ela vê na Carol, a oportunidade de mudar o que está vivendo e a está deixando incomodada: o emprego, o namorado, os amigos, a cidade. Então ela faz uma road-trip com Carol e aí as duas se envolvem emocionalmente e fisicamente.

O livro mostra mais o ponto de vista da Therese, apesar de contado em terceira pessoa. Então vemos como ela abandona tudo pra ficar com Carol e como Carol não pode abandonar o ex-marido por causa da filha, e toda a raiva de Theresa por não entender a mulher casada e com filha, já que ela só tem dezenove anos. O filme mostra a vida das duas, o que cada uma perde e ganha, quando resolvem se envolver numa época em que a sociedade aceitava esse fato como argumento para a perda da guarda de uma criança.

Nesse livro tem um Posfácio escrito pela autora, ela assume que a personagem Therese é baseada em sua esperiência. Mas o jornalista Jim Dawson, do The Guardian revelou na época do filme que …”Houve outra inspiração para o personagem de Carol: Virginia Kent Catherwood, a ex-amante de Highsmith, uma socialite elegante e endinheirada da Filadélfia, cujo divórcio na década de 1940 tinha mantido colunistas de fofocas em Nova York em um estado de delírio escandalizado com a sua intriga lésbica… Catherwood tinha perdido a custódia de seu filho depois de uma gravação feita dela em um quarto do hotel com outra mulher e usada no processo contra ela.”

Trechos do Livro: “…eram os procedimentos complicados …a sensação de que todo mundo estava…vivendo num plano completamente errado…” “Acho quue o sexo flui em nós mais devagar do que a gente acredita, principalmente do que os homens…as primeiras aventuras…nada mais são que satisfação de uma curiosidade…” “Tinha inveja dele. Invejava-lhe a fé de que sempre haveria um lugar, um lar, um emprego, alguém para ele. Invejava-lhe esta atitude. Quase que se ofendia com ela.”

Veja o filme, Leia o livro.

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O livro O Som e a Furia do autor americano William Faulkner, ganhador do prêmio Nobel,  é totalmente diferente de todo tipo de narrativa conhecida por mim. Em 331 páginas o autor conta a história de uma família, onde todos os envolvidos – criados, netos, agregados, pais e filhos – têm algum problema, algum desajuste e cada movimento é em direção à decadência. Um dos filhos é deficiente mental, o outro é egoista, a filha engravida fora do casamento em pleno 1929, e acontece desde machismo, incesto, suicídio, roubo, vingança e racismo. É uma história muito boa, bem escrita, mas a forma inovadora de contar, primeiro pelo ponto de vista do filho deficiente mental, que conta o presente, indo e voltando entre sua infância e juventude, sem definir o que está acontecendo e o que são lembranças, deixa o livro cansativo. Tudo se mistura nessa primeira parte e me pareceu ser um erro da tradução. Mas, não.

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Então, para não desistir do livro, resolvi assistir o filme de James Franco, de 2014. O filme também é dividido como o livro. Assisti a primeira parte e voltei a ler o livro. Ficou mais fácil entender os nomes dos personagens e o quê exatamente estava se passando na história. A segunda parte do livro é contada pelo personagem Quentin, irmão do deficiente e apaixonado pela própria irmã. A terceira parte é contada pelo outro irmão Jason, o personagem mais asqueroso, repulsivo, que manda castrar o próprio irmão, engana a mãe doente, e tem sua cota de maldades devidamente vingadas. A última parte é contada em terceira pessoa e retoma todos os personagens e suas histórias. Em 1959 foi lançado um filme baseado nessa história com os famosos Yull Brinner e Joanne Woodward.

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Trechos do livro: “Mudar de nome n]ao vai ajudar ele nem um pouco. Nem atrapalhar. Isso de trocar de nome não dá sorte pra ninguém.” “Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo o seu fôlego tentando conquistá-lo.” “O pai disse que antigamente se conhecia um cavalheiro pelos livros dele…” “Veja o que seu avô fez com aquele preto velho…agora ele pode ficar desfilando em tudo que é parada. Se não fosse o meu avô, ele teria que trabalhar igual aos brancos.” “As mulheres nunca são virgens. A pureza é um estado negativo e portanto contrário à natureza.”