Romance Medieval com suspense :)

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O livro O Resgate do Morto da autora inglesa Ellis Peters, conta em 223 páginas mais um mistério resolvido pelo irmão Cadfael, um monge que vive em uma abadia, mas por ter conhecimento do mundo, é sempre convocado a resolver os mistérios que aparecem por la. Nessa história ele é convocado a descobrir porque um homem doente, entregue por um outro país é morto após ser colocado sob seus cuidados. A história se passa no séc XII durante a guerra entre os ingleses e galeses, e esse homem capturado é levado pelos galeses como moeda de troca por um prisioneiro que está com os inglese. Esse prisioneiro atacou o convento das freiras que fica próximo à abadia. Mas após ser entregue, o inglês é assassinado por alguém que está na abadia e todos se voltam para o jovem prisioneiro, que tinha permissão para andar entre os muros do castelo. Mas o experiente Cadfael faz uma investigação de observação e consegue concluir o que realmente aconteceu.

Um romance delicioso, de mistério sem ser de horror. Vale a pena a leitura

Trechos do livro: “…não seria melhor a irmã encontrar algum meio de exorcizá-la em sua nova vocação ou se a covinha não poderia ser a mais poderosa arma do arsenal da irmã.” “…por mais que demore, a justiça divina não devia falhar. No entanto, uma vez mais ela olhou para o lado e poupou o malfeitor.”

Existe uma série inglesa sobre essa série de livros:

Um Processo contra a Literatura

 

O livro Madame Bovary do autor francês Gustave Flaubert, nessa edição da Nova Alexandria, tem além do texto em 360 páginas, uma apresentação sobre o autor e o texto, uma apresentação do processo que o autor sofreu pela consideração de escrita proibida sobre sexo e adultério e também notas de rodapé da tradutora  Fúlvia M.L. Moretto.

Para nossa época é um livro até leve: conta a história de Emma que se casa com o médico Bovary e tem em sua vida muito tédio. Então seu marido muda de cidade para que ela melhore. Por ser muito bonita, chama atenção dos homens, que vêem nela, a amargura do casamento. Ela tem uma filha, que fica com a ama, e começa a aceitar a cortesia com que os rapazes conversam com ela.

Trechos do livro: “Antes de casar, ela julgara ter amor;mas como a felicidade que deveria ter resultado daquele amor não viera, ela deveria ter se enganado, pensava.”

Spoiler ! Publicado em 1856, a história não é sobre as aventuras da senhora Bovary, é sobre como os homens nunca entenderam as mulheres. No final, em cima de um leito de morte, ela vê que na verdade nunca amou nenhum dos homens que passaram em sua vida – ela amava a beleza e a ternura do momento. E ansiava por momentos novos. Ela se tornou uma mãe e esposa relapsa por causa de homem e isso ainda é imperdoável no nosso tempo. Acho que ela seria muito julgada ainda hoje. É um livro triste, de uma mulher que arriscou por amor e quando precisou de ajuda, ninguém estendeu a mão.

Vários filmes foram feitos à partir do texto e também musicais e peças e outras histórias baseadas em Emma. O filme de 1949 é o que mais se aproxima do texto na minha visão.

A Desconstrução do Título

O livro A Mulher do Tenente Francês do autor americano John Fowles, conta em 444 páginas a história do biólogo Charles que está prometido a uma moça rica e bonita da Inglaterra no ano de 1867 e fica curioso com o caso de uma moça que foi abandonada pelo tenente do título do livro, que fica à beira-mar à sua espera. Sarah, parece um pouco depressiva, com uns problemas de subserviência com as pessoas à sua volta. Trabalha de governanta, cuidando da educação de crianças.

Spoiler!  O personagem principal é o Charles. O nosso narrador não-confiável, anda atrás dele por todas as páginas. Não sabemos o que se passa com outros personagens, apenas quando Charles está presente. A Sarah é uma mulher forte e determinada, sabe o que quer, quando ela consegue, ela deixa toda a vida de criada pra trás e vai viver em meio a artistas. E ser livre. O livro tem dois finais: um imaginado pelo Charles e outro oferecido pelo Narrador, que passa a ser um quase-personagem. O tenente do título nunca aparece; é apenas citado, mas que depois dá pra notar que ele foi “inventado” pela Sarah.

É claro que o título é pra fazer o leitor acreditar nas palavras do narrador, mas no final, o próprio narrador desconstrói todo o suspense. Essa história é sobre a perda: perda da riqueza porque seu tio casou-se; perda da liberdade porque vai se casar; perda do status; perda da pureza porque amou; perda da dignidade, por correr atrás de quem não o quer.

Trechos do Livro: “Os únicos momentos de felicidade que tenho é quando estou dormindo. Quando acordo, o pesadelo recomeça. Sinto-me abandonada numa ilha deserta, aprisionada, condenada por um crime que ignoro qual seja.”

O filme de mesmo título foi lançado em 1981 com os famosos Meryl Streep e Jeremy Irons,  é um drama que mostra duas histórias, uma das telas e uma da vida real.

Série de Suspense Medieval

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O livro A Confissão do Irmão Haluin da autora inglesa Ellis Petters conta em 238 páginas  mais uma das histórias do monge Cadfael e se passa no século 12. Um dos internos cai de cima do telhado e em sua confissão conta para o Abade que quer fazer uma penitência que diz respeito a esse pecado. O Irmão Cadfael é indicado como seu acompanhante nessa viagem e descobre que o pecado do Irmão Haluin é mais simples do que parece.

Com um suspense leve, as histórias dessa autora podem ser lidas separadamente. Também já foi feita uma série de Tv sobre esses livros. Aqui no blog tem resenha de outros três livros da autora.

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Errou na idade…

O livro O Sol é Para Todos da autora americana Harper Lee é um clássico dos anos 60 e se tornou uma lenda por ter sido o único livro da autora, mesmo que seus rascunhos tenham gerado um segundo livro. Em 349 páginas conta na voz da menina de oito anos, a história de seu pai advogado que decide defender um negro, ficando contra toda a cidade. A história das brincadeiras da menina com seu irmão e um amigo, as idas para à escola, a falta da mãe suprida pela babá negra, à ida aos serviços religiosos. Toda a visão dela fica “envernizada” com um quê de adulto. Nenhuma menina de oito anos pensa assim. Por mais que os adultos tentam explicar porque não pode se vestir como menino e ela não entende, tenta salvar o pai de uma discussão conversando sobre moratória com o agressor. (!) Uma menina de oito anos que vê um homem mastigar tabaco e pergunta como a mulher dele consegue beijar ele!! Ela fala “num interrogatório não pergunte a uma testemunha sem saber de antemão a resposta era um princípio que eu conhecia desde que era bebê”. (?) Nem os estudantes de direito entendem isso de primeira, pelo amor!!

Passei a ler como se ela tivesse quinze. Foi o que salvou a história. =/ O título original “To kill a Mokinbird” remete à uma vizinha que deu uma bela lição nas crianças.

O filme tem seu foco no tribunal, no racismo e preconceito da cidade.

História Italiana

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O livro O Leopardo do autor italiano Tomasi Di Lampedusa é um clássico ďos anos 60, contando a versão romanceada de fatos reais da história italiana. Muita trama política e religiosa numa história que começa em 1860 e vai até 1910, contando um pouco da vida do Príncipe Fabrizio e seu séquito. Fiquei meio decepcionada com a trama, por ter assistido ao filme do diretor Luchino Visconti filmado em 1963, que coloca o personagem do ator Alan Delon como principal. No livro ele quase não aparece, apenas serve de ponte para as histórias do Príncipe. Mas o autor era um crítico literário então ele escreve muito bem, fez uma pesquisa histórica para descrever os fatos políticos, apesar de demonstrar não querer falar mal de seu país.

Trechos do Livro: “Esperava que Tancredi também os notasse e que se desagradasse perante esses traços reveladores de uma diferença de educação. Trancredi já os havia notado mas, infelizmente, sem resultado. Deixava-se arrastar pelo estímulo físico que aquela belíssima mulher oferecia à sua juventude fogosa e, digamos, ainda pela excitação dos cálculos que aquela moça rica produzia em seu cérebro de homem pobre e ambicioso.”

O filme no original  Il Gattopardo é um premiado filme de 1963 do diretor italiano Luchino Visconti, e estrelado por Burt LancasterClaudia CardinaleAlain Delon e Mario Girotti (Terence Hill) entre outros, o filme foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento. 

O filme recria a atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o Risorgimento – longo processo de unificação dos Estados autônomos que originaram o Reino de Itália, em 1870. Essa parte é bem fiel ao texto do romance e o cenário político italiano é reconstituído com o intuito de interferir em dilemas dos personagens ficcionais.

Primeiras Histórias

O livro Bom Dia, Tristeza da autora francesa Françoise Sagan é o seu primeiro livro escrito aos 18 anos. Já foi dito que é meio que autobiográfico. A história, que virou filme em 1957 com David Niven e Deborah Kerr, conta em 127 páginas as férias do verão de 53 da adolescente Cécile e seu pai viúvo bon vivant. Ela é uma adolescente mimada pelo seu pai que deixa ela beber, fumar, leva para os bares noturnos onde passam as noites. Ele arranja namoradas muito mais jovens pra se sentir garotão. E tudo muda quando uma amiga de sua mãe aparece pra passar uns dias com eles. Cécile tem medo de errar perto dela que é muito elegante, fina e aristocrática. Tudo diferente dos amigos hippies e modelos sem cérebro que fazem os amigos de seu pai. Ambígua, Cécile não decide se gosta mais de um ou outro tipo de vida. Fútil e frívola, arranja um namorado, trama com ele, ajudá-la a acabar o romance de seu pai com a Dama, depois que os dois confirmam casamento. E tudo acaba em tragédia.

Contado pela Cécile, temos a visão distorcida de todos os fatos. Nem a própria sabe o que não quer, mas o que ela quer é continuar irresponsável.

Trechos do Livro: “Aliás, não tínhamos as mesmas relações: ela frequentava pessoas finas, inteligentes, discretas, e nós, pessoas barulhentas, irrequietas, das quais meu pai exigia simplesmente que fossem belas ou engraçadas.” “Certas frases criam para mim um clima intelectual, sutil que me subjuga, mesmo se não as penetro em absoluto.” ” Pensei que tinha razão, que eu vivia como um animal, ao bel-prazer dos outros, que era pobre e fraca.” “A liberdade de pensar e de pensar mal e de pensar pouco, a liberdade de escolher minha própria vida…eu não era mais que uma pasta moldável…”