Tudo é verdade e nada é verdade.

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O livro O Estrangeiro de Albert Camus, trata em 154 páginas de um livro de tribunal. Ele conta a história de um rapaz que um dia após o enterro de sua mãe, que ele colocou em um asilo, ele conhece Maria vai com ela à praia e depois do cinema dormem juntos. Alguns fins de semana depois, por causa do sol muito quente, ele comete um crime contra um árabe. O seu vizinho bateu na namorada que era irmã desse árabe e o irmão da moça queria ajustar contas. Mas a confusão já tinha acabado. E ele vai preso e é julgado pelo crime. Resultado: pena de morte.

O livro é absurdo, engraçado, brutalmente real e sarcástico. Comecei a ler em inglês, mas finalizei na versão em português. O autor também fez um livro para o personagem árabe que morreu nessa história.

Trechos do livro: ” Este mês comprei-te um vestido, dou-te vinte francos por dia, pago-te aluguel e tu passas as tardes a tomar café com as amigas. ..Portei-me bem contigo e tu não me pagas na mesma moeda. ” “…quando ela voltasse, teria relações com ela, como habitualmente e, “mesmo no fim”, cuspir-lhe-ia na cara e pô-la-ia na rua.” “É claro que gostava da minha mãe, mas isso não queria dizer nada. Todos os seres saudáveis tinham, em certas ocasiões, desejado, mais ou menos, a morte das pessoas que amavam. ” “Nessa altura pensei muitas vezes que, se me obrigassem a viver dentro de um tronco seco de árvore, sem outra ocupação. ..ter-me-ia habituado pouco a pouco. “

Foram lançadas grafic novel, filmes e séries baseados nessa história.

 

 

 

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Quando o Blurb Mente =|

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O blurb diz “na mesma categoria de…” e cita meu livro favorito! Mas era uma fake news. As duas histórias se passam mais ou menos no mesmo período. Acabou a comparação. O livro do Umberto Eco começa com uma morte dentro de um mosteiro que deve ser desvendada. Não há um mistério a ser desvendado nesse livro. O livro do Eco tem um investigador inteligente lidando com um vilão inteligente. Nesse livro o vilão é só idiota com um irmão que ele internou com loucura e um “investigador” que é um carrasco do rei que quer tirar informações dele na base da tortura. O livro O Olho do Dragão da autora Patricia Finney não cumpre o blurb da editora.

Um lado bom? A autora sabe fazer descrições dos lugares e de como era a Londres medieval. A parte histórica em que a rainha não quer alianças com a Espanha é bem  desenvolvida nas conversas de todos os personagens. Mas senti falta da fantasia, porque um livro que tem dragão no título, devia fazer jus à ele! E o dragão é apenas uma peça de ferro e tecido que vai desfilar perante a rainha, e que será usado pelo vilão para atentar contra a vida dela.

 

Melhores livros que têm esse título:

Autora Premiada

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O livro A Verdade Sobre Lorin Jones da autora americana Alison Lurie, ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1984, conta em 369 páginas a história de uma mulher chegando aos 40 anos, com um filho adolescente, um divórcio em todos põem a culpa nela, decidindo escrever a biografia de uma artista que teve seus quadros super valorizados após sua morte ainda jovem. Ao fazer a pesquisa, ela se vê no lugar de Lorin a quem os homens se aproveitaram, primeiro seu ex-marido que sustentava sua criação para que ela só se preocupasse em pintar; seu marchand que vendia seus quadros caríssimos, seu pai que casou-se novamente logo após a morte da mãe. Mas ao fazer as entrevistas com os envolvidos, ela se vê odiando a personagem de seu livro e se arrependendo de ter escolhido escrever o livro. Ao conhecer as pessoas que conviveram com a artista e que elogiam seus quadros, ela descobre uma mulher bonita, egocêntrica e mimada. Muito parecida com a personagem principal da qual não gostei. E também não gosto de histórias sem finalização, do tipo que deixa pra imaginação do leitor pensar no que aconteceu. É que o que me fez continuar lendo foi a encruzilhada da escritora dizer a verdade sobre a artista ou escrever apenas sobre sua obra. E não há nenhuma explicação, decisão, resultado.

Trechos do Livro:”Você ainda acredita lá no fundo que se os homens realmente compreendessem o que sentimos eles ficariam surpresos e arrependidos….Você precisa entender que eles já sabem muito bem como nos sentimos. E eles não ligam…” “…porque bons homens eram mais raros que bons empregos.” “Só conseguimos suportar a idéia de que Van Gogh ou Virgínia Woolf, digamos, foram gênios e nós não se ficarmos lembrando que eram infelizes a maior parte do tempo. Até mesmo psicóticos.” “…você deve ter notado que as mulheres magras atraem um tipo de homem diferente do que é atraído pelas roliças.”

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Poe: Dois contos de Horror

O livro Os Assassinatos na Rua Morgue do autor Edgar Allan Poe é uma adaptação para a série Reencontro. O livro também traz o conto O Escaravelho de Ouro. Em 100 páginas temos um conto de horror e um de mistério. O assassinato de mãe e filha é descrito em todos os detalhes horríveis, e me lembrou Poirot. A resolução final do conto deixou a desejar. É como se ao final ele incluísse alguns personagens para conseguir dar um final misterioso. Até um macaco é suspeito!

Já o escaravelho, é uma busca ao tesouro de um pirata e uma história fantástica. Muito bom para apresentar o autor ao público infanto-juvenil. Essa é uma história com começo, meio e fim, trazendo a aventura em busca do tesouro perdido. Mesmo em poucas linhas, dá pra sentir a tensão de descobrir que estavam olhando o local errado, e então, encontram o lugar certo onde o baú foi enterrado.

Para o #mêsdohorror boa pedida!

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Dois tempos, uma história

O livro O Azul da Virgem da autora americana Tracy Chevalier conta em 350 páginas duas histórias: uma se passa em 1572, período em que aconteceu o massacre de São Bartolomeu, e que cristãos e católicos brigaram pela Reforma. A personagem é católica e ama a virgem, e é chamada de bruxa. A família de seu marido é Calvinista e não a deixa ter um tecido que tem a cor do manto da virgem.

A outra história se passa no tempo atual em que um jovem casal se muda para a França porque ele arrumou um ótimo emprego. Ela começa a se sentir entediada, não conhece ninguém, não gosta do lugar, até que resolve descobrir sobre sua família que morou ali. Se envolve com o bibliotecário e descobre que o pesadelo que têm é sobre o azul da virgem.

As duas histórias acontecem paralelas: as duas são ruivas, tem o mesmo nome, envolvem com um homem, engravidam, ajudam a amiga que está grávida. A primeira história é contada em terceira pessoa e a história atual contada sobre o ponto de vista da personagem principal. Em um ponto ad histórias se tornam uma só.

A capa do livro é maravilhosa, retrato de Paul Cesar Helleu, que mostra uma menina ruiva. O Azul colocado em volta do retrato pelo Raul Fernandes -que faz ótimas capas- não remete ao azul real, que era a cor do manto da virgem.

Trechos do livro : ” Os homens foram saindo de perto da lareira até ouvirem os primeiros gritos de Marie: eram homens fortes, acostumados com o guincho dos porcos sendo sacrificados, mas o tom humano fez com que andassem depressa. ” “Foi exatamente nesse ponto que aconteceu: como aquelas criaturas unicelulares que de repente se dividem em duas sob o microscópio, sem qualquer motivo aparente, senti que estávamos nos separando em seres distintos com perspectivas diversas.”

Não confie no Título!

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O livro A Mecânica das Águas do autor E.L. Doctorow, conta em … páginas a versão de um jornalista para o desaparecimento de seu colaborador no jornal. A história se passa em 1891, quando a revolução industrial acontece. Um jovem deserdado pelo pai rico, vê seu pai passar num ônibus, mesmo após sua morte. Então começa uma investigação para saber o que está acontecendo e isso vai envolver os “donos da cidade”, um médico maluco que lembra dr Mengele e suas pesquisas racistas. A única referência ao título se dá na página 191 qdo o policial descobre documentos que incriminam um gangster no Departamento de Águas de Nova York. E depois numa perseguição num prédio dessa companhia em que ele ouve as engrenagens que movimentam as águas e sonha com isso.

Trechos do livro : ” A tinta de seu artigo estava borrada, as páginas estavam sujas de lama e havia, na primeira página, uma marca de mão que parecia ter sido feita com sangue.” “Nosso necrológio transformava o velho patife num americano exemplar, frugal e realista. Ele não proclamava o lugar que ocupa na vida comercial da cidade com escritórios luxuosos e ostentatórios…” “Nosso governo incorruptível levara anos para realizar a obra – para que a água possa fluir livremente, é preciso que antes flua muito dinheiro. ..” “…a cidade começava a preparar-se para a noite. Caminhávamos por entre homens de toda espécie. ..uma via por onde trafegava um ônibus branco cheio de fantasmas.” “…a inveja que tenho das histórias primitivas que contavam uns aos outros. ..” “Uma vez perguntei-lhe qual era sua religião. Ele teve uma formação luterana, mas vê o cristianismo como apenas um conceito poético. Nem se dá ao trabalho de criticá-lo, ou negá- lo, ou zombar dele.” “Constatei um fato interessante: a vida humana pode perder muita coisa. ..sem se transformar em morte. ” “Por outro lado um orfanato que fosse instituído para testar as modernas teorias na área do comportamento, ou da saúde. ..inevitável, levando-se em conta o ritmo atual de Nova York. ..” “Admito que talvez seja sentimentalismo achar que uma sociedade é capaz de ser espiritualmente purificada. ..de modo a se auto-educar…a subir…um degrau que seja…na escala do aperfeiçoamento moral.”

Somos os Livros que Lemos.

O livro Fahrenheit 451 do autor americano Ray Bradbury mistura em 203 páginas ficção científica, suspense e distopia, numa história que se tornou clássica, foi lançada em 1953 (com o nome The Fire Man), se tornou filme em 1966. O protagonista Montag (nome de uma fábrica de papel) é um bombeiro sem memória que queima livros. A sociedade não quer nada que as faça chorar ou pensar. Então ninguém quer os livros. Os que resolvem ler, são presos e os livros encontrados são queimados. Ao conhecer a adolescente vizinha, que lhe conta coisas filosóficas sobre a vida, Montag começa a se incomodar de não ter memória. E começa a descobrir que as memórias estão nos livros que ele ajuda a queimar. Com a morte da menina ele se torna um rebelde e começa a esconder livros e conhece outros rebeldes. A cena final é um reality show mostrando a sua caçada em tempo real. Só assisti ao primeiro filme e a versão do diretor Michel Moore para o 11 de Setembro.

O que entendi diferente de outros: Montag é sem noção. O chefe dele Beatty (que pode significar iludir) foi a segunda pessoa a tentar trazê-lo pra realidade. Ele cita vários livros, mostrando que gosta de lê-los, ele o provoca para que ele saia da apatia, porque do mesmo modo que Faber (nome de um fabricante de lápis), não tem coragem de mudar de vida. E prefere morrer. E o Montag se torna um vilão, do mal e os rebeldes dizem que tudo que ele fez foi para um bem maior. Não concordo. Ele botou os pés pelas mãos quando se torna pior do que os inimigos. O próprio autor disse que os roteiristas de filmes e teatro mudam o final para um “final feliz”. A Dior lançou um perfume de mesmo nome. As pessoas têm uma versão boa para o fogo: ele limpa purifica, se torna cinzas de onde renasce a fênix, aquece.

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Trechos do livro: “Ele se viu nos olhos dela, suspenso em duas gotas cintilantes de água límpida, uma imagem escura e minúscula, em ínfimos detalhes…como se os olhos dela fossem dois pedaços miraculosos de âmbar violeta…” “Não estava feliz…Usava sua felicidade como uma máscara e a garota fugira com ela pelo gramado e não havia como ir bater à porta para pedi-la de volta.” “A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e geografia pouco a pouco neglicenciadas, e , por fim quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda a parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?” ” Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados  de uma questão para resolver, dê-lhe apenas um.”