Uma história policial sem vencedores.

D_Q_NP_149225-MLB25400106559_022017-Q

O livro O Vencedor da autora Tami Hoag conta uma história policial ambientada no hipismo: cavalos caros, tratamentos Vip, pessoas com muito dinheiro pra gastar com supérfluos. A personagem principal era uma policial que não acatou uma ordem superior e por isso um colega morreu. Ela foi afastada da corporação e voltou pro ambiente hípico que conhecia bem. Esse fato não só causou a morte de seu parceiro na policia, como deixou cicatrizes, enxertos de pele e uma leve paralisia facial. Agora que ela quer esquecer o passado e trabalhar com cavalos, surge uma menininha pedindo ajuda para encontrar sua irmã que desapareceu. Ela aceita o desafio e então pessoas são assassinadas, cavalos morrem para que seus donos recebam o seguro milionário. Com a ajuda de um policial ela consegue informações para continuar no caso, mas como detetive. Com muito esforço ela resolve a situação e ajuda a menina.

Problemas: Na página 150 eu já desconfiava do suspeito. Essa tática de apontar como vilão todos os malvados e no final o mais doce e fraco ser o verdadeiro culpado. outro problema são os acontecimentos: muitas coisas acontecem juntas e que seria preciso mais tempo para executá-las. Em cinquenta páginas são descritas ações que se passam em vinte e quatro horas! Me lembrei de uma novela em que os personagens saíam da arábia e chegavam ao Brasil no mesmo dia. E nas últimas páginas tenta jogar toda a resolução do caso sem conseguir convencer o leitor da mudança dos personagens. O título mente, já que não há vencedores nessa história. A capa é feia, não remete à história.

Para comprar o livro clique Aqui: https://amzn.to/2IhrBeJ

Anúncios

Uma Outra Lolita :/

O livro O Amante da autora francesa nascida na Indochina Marguerite Duras, conta em 132 páginas uma narrativa construída sobre material autobiográfico. Esse livro foi lançado na França em 1984 e ganhou o Prêmio Goncourt. Essa história não é linear, a autora se permite ir e vir no tempo, repetindo a descrição de certas passagens do livro, mas dizendo de outra forma. Essas descrições não são cansativas apesar de repetitivas. Vamos à história:

Uma garota atravessa a balsa onde um homem dentro de uma limusine olha pra ela com olhar de posse. Ela é branca, ele chinês. Ela muito pobre, ele muito rico. Ela estuda num pensionato e ele a espera no portão. Ele a leva para um quarto. Ela é muito criança e as cenas mostram a falta de maturidade da menina, que é abusada e ainda acusada de culpada por ter causado desejo nele. Ele dá dinheiro, leva a menina em caros restaurantes. A mãe briga com ela, mas aceita o dinheiro. As meninas da escola são proibidas de falar com ela.

Sobre o ponto de vista da mulher idosa que relembra sua infância roubada, o livro é triste e bem escrito.

Trechos do Livro:”Eu queria matar meu irmão mais velho, queria matá-lo, derrotá-lo uma vez e vê-lo morrer. Para afastar dos olhos da minha mãe o objeto do seu amor…” “Vestem-se para nada. Elas se cuidam. Na sombra dessas mansões, preparam-se para mais tarde, acreditando viver um romance…Esse desrespeito que as mulheres têm por si mesmas sempre me pareceu um erro.” ” Compreendi que minha mãe era completamente louca…jamais a compreendi…Mas ela era. De nascença. Estava no sangue.” “O povo daqui gosta de estar junto, sobretudo os pobres, eles vêm do campo e preferem viver assim ao ar livre, nas ruas. E não se devem destruir os hábitos dos pobres.” “Em nossa família não comemoramos coisa alguma, nunca uma árvore de Natal…” “…comprado uma casa…Era o único bem que possuíamos. Ele joga. Minha mãe a vende para pagar suas dívidas. Mas isso não chega, nunca chega.”

Literatura oriental

O livro A Última Imperatriz do autor Da Chen, que nasceu na China mas foi estudar e escrever nos Estados Unidos, tem na ficha catalográfica “Romance Chinês”. Em 221 páginas ouvimos a história em primeira pessoa de um americano se apaixona por uma filha de missionários que viveu na China e após a morte dela, ele resolve seguir seus passos até aquele país do qual ela falava tão bem. E começam as aventuras quando ele consegue ser convidado para ser tutor do atual Imperador. Ao ir morar dentro dos muros do palácio, o narrador que ainda conversa com o fantasma de sua amada, vê na atual Imperatriz a reencarnação do amor que perdeu. Isso não traz muitos problemas já que a imperatriz anterior quer destronar seu enteado e procura situações para que isso aconteça.

Problemas: poderia ser um drama, que fala de vícios em drogas, incesto, pedofilia, perda do ser amado. Mas o autor quer contar na voz do narrador que parece não ter noção que é um estrangeiro, num país com cultura e leis diferentes, que fisicamente é impossível uma americana loura ser confundida com uma chinesa. Se não fosse a voz do narrador em primeira, poderia mostrar mais a loucura do personagem. Nem a luta pelo poder faz a história ter um final que seja coerente com a sinopse da contra-capa.

Tudo é verdade e nada é verdade.

50c468511d73913331c38445c02f2a92-22526186.jpg

O livro O Estrangeiro de Albert Camus, trata em 154 páginas de um livro de tribunal. Ele conta a história de um rapaz que um dia após o enterro de sua mãe, que ele colocou em um asilo, ele conhece Maria vai com ela à praia e depois do cinema dormem juntos. Alguns fins de semana depois, por causa do sol muito quente, ele comete um crime contra um árabe. O seu vizinho bateu na namorada que era irmã desse árabe e o irmão da moça queria ajustar contas. Mas a confusão já tinha acabado. E ele vai preso e é julgado pelo crime. Resultado: pena de morte.

O livro é absurdo, engraçado, brutalmente real e sarcástico. Comecei a ler em inglês, mas finalizei na versão em português. O autor também fez um livro para o personagem árabe que morreu nessa história.

Trechos do livro: ” Este mês comprei-te um vestido, dou-te vinte francos por dia, pago-te aluguel e tu passas as tardes a tomar café com as amigas. ..Portei-me bem contigo e tu não me pagas na mesma moeda. ” “…quando ela voltasse, teria relações com ela, como habitualmente e, “mesmo no fim”, cuspir-lhe-ia na cara e pô-la-ia na rua.” “É claro que gostava da minha mãe, mas isso não queria dizer nada. Todos os seres saudáveis tinham, em certas ocasiões, desejado, mais ou menos, a morte das pessoas que amavam. ” “Nessa altura pensei muitas vezes que, se me obrigassem a viver dentro de um tronco seco de árvore, sem outra ocupação. ..ter-me-ia habituado pouco a pouco. “

Foram lançadas grafic novel, filmes e séries baseados nessa história.

 

 

 

Quando o Blurb Mente =|

614587

O blurb diz “na mesma categoria de…” e cita meu livro favorito! Mas era uma fake news. As duas histórias se passam mais ou menos no mesmo período. Acabou a comparação. O livro do Umberto Eco começa com uma morte dentro de um mosteiro que deve ser desvendada. Não há um mistério a ser desvendado nesse livro. O livro do Eco tem um investigador inteligente lidando com um vilão inteligente. Nesse livro o vilão é só idiota com um irmão que ele internou com loucura e um “investigador” que é um carrasco do rei que quer tirar informações dele na base da tortura. O livro O Olho do Dragão da autora Patricia Finney não cumpre o blurb da editora.

Um lado bom? A autora sabe fazer descrições dos lugares e de como era a Londres medieval. A parte histórica em que a rainha não quer alianças com a Espanha é bem  desenvolvida nas conversas de todos os personagens. Mas senti falta da fantasia, porque um livro que tem dragão no título, devia fazer jus à ele! E o dragão é apenas uma peça de ferro e tecido que vai desfilar perante a rainha, e que será usado pelo vilão para atentar contra a vida dela.

 

Melhores livros que têm esse título:

Autora Premiada

701848

O livro A Verdade Sobre Lorin Jones da autora americana Alison Lurie, ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1984, conta em 369 páginas a história de uma mulher chegando aos 40 anos, com um filho adolescente, um divórcio em todos põem a culpa nela, decidindo escrever a biografia de uma artista que teve seus quadros super valorizados após sua morte ainda jovem. Ao fazer a pesquisa, ela se vê no lugar de Lorin a quem os homens se aproveitaram, primeiro seu ex-marido que sustentava sua criação para que ela só se preocupasse em pintar; seu marchand que vendia seus quadros caríssimos, seu pai que casou-se novamente logo após a morte da mãe. Mas ao fazer as entrevistas com os envolvidos, ela se vê odiando a personagem de seu livro e se arrependendo de ter escolhido escrever o livro. Ao conhecer as pessoas que conviveram com a artista e que elogiam seus quadros, ela descobre uma mulher bonita, egocêntrica e mimada. Muito parecida com a personagem principal da qual não gostei. E também não gosto de histórias sem finalização, do tipo que deixa pra imaginação do leitor pensar no que aconteceu. É que o que me fez continuar lendo foi a encruzilhada da escritora dizer a verdade sobre a artista ou escrever apenas sobre sua obra. E não há nenhuma explicação, decisão, resultado.

Trechos do Livro:”Você ainda acredita lá no fundo que se os homens realmente compreendessem o que sentimos eles ficariam surpresos e arrependidos….Você precisa entender que eles já sabem muito bem como nos sentimos. E eles não ligam…” “…porque bons homens eram mais raros que bons empregos.” “Só conseguimos suportar a idéia de que Van Gogh ou Virgínia Woolf, digamos, foram gênios e nós não se ficarmos lembrando que eram infelizes a maior parte do tempo. Até mesmo psicóticos.” “…você deve ter notado que as mulheres magras atraem um tipo de homem diferente do que é atraído pelas roliças.”

LolyPaisagensTT

Poe: Dois contos de Horror

O livro Os Assassinatos na Rua Morgue do autor Edgar Allan Poe é uma adaptação para a série Reencontro. O livro também traz o conto O Escaravelho de Ouro. Em 100 páginas temos um conto de horror e um de mistério. O assassinato de mãe e filha é descrito em todos os detalhes horríveis, e me lembrou Poirot. A resolução final do conto deixou a desejar. É como se ao final ele incluísse alguns personagens para conseguir dar um final misterioso. Até um macaco é suspeito!

Já o escaravelho, é uma busca ao tesouro de um pirata e uma história fantástica. Muito bom para apresentar o autor ao público infanto-juvenil. Essa é uma história com começo, meio e fim, trazendo a aventura em busca do tesouro perdido. Mesmo em poucas linhas, dá pra sentir a tensão de descobrir que estavam olhando o local errado, e então, encontram o lugar certo onde o baú foi enterrado.

Para o #mêsdohorror boa pedida!

9bfef24d-c3b1-48c1-b55c-cbc6762fcd70