Leia o Livro, veja a Série ;)

O livro O Caso da Crinolina Misteriosa da autora americana Nancy Springer conta em 160 páginas a história da irmã de Sherlock Holmes, que se sente tão sozinha que associa o fato de seu nome ser um anagrama de solidão. Ela sente falta de sua mãe que desapareceu. Ela mora com uma Senhora que é meio surda e que ouve as histórias misteriosas. Então um dia ela é sequestrada e Enola começa a investigar o quarto de sua senhoria para descobrir alguma pista. Ela não quer que seus irmãos descubram onde está morando, então não quer a polícia envolvida no caso e vai descobrir sozinha o paradeiro da Senhora e quem e porque aconteceram o crime.

Nas trilhas do sucesso da série Sherlock Holmes, a Netflix lançou a série Enola baseada nos livros.

AS EXPECTATIVAS DA VIDA \_(“/)_/

O livro Circo Invisível (1995) da premiada autora americana Jennifer Egan, conta em 319 páginas a história de uma adolescente que acaba de terminar o ensino médio e vai receber um bom dinheiro ao completar dezoito anos. Ela perdeu a irmã que estava viajando pela Europa há alguns anos. Seu pai também faleceu e deixou uns quadros pintados no porão, todos tendo sua irmã como tema. Ela resolve então repetir todos os passos de sua irmã, seguindo os postais que ela enviava, para descobrir o que de fato aconteceu.

Spoiler: Mais uma história da juventude riquinha, entediada, procurando emoções no perigo. Phoebe ama a irmã mas morre de inveja dela – tem ciúme dela com o pai. A história cobre a fase dos 8 aos 18 anos de Phoabe Ela é bem mais nova que a irmã e ainda é uma criança quando a irmã viaja com o namorado pra Europa e se suicida. Ela cresce meio desnorteada porque achava que a irmã era feliz nos cartões que enviava pra família. Ela tem inveja de quem vive no limite: “ela já tinha feito isso outras vezes, seguido pessoas que sentia poderem levá-la a lugares obscuros e interessantes” e “…sentiu uma súbita e estranha relutância em deixar o perigo para trás”. O título se refere a um grupo de drogados que aparece na casa dela na página 62. A irmã dela é autodestrutiva. Seguir os passos da irmã é uma forma de encontrar um motivo pra viver, já que ela não tem um propósito na vida, nem pensa no futuro.

Capa do Livro: acho interessante o conceito da capa brasileira, bom que não colocaram a capa do filme, uma cadeira vazia representando o vazio que o pai e a irmã deixam em Phoebe.

Trechos do Livro: “Mas Phoebe a amava mais como ela era agora: melancólica, fora de sintonia, a risada tingida sempre com tristeza, como se as coisas só fossem engraçadas sem querer.” “É claro que você está com medo…Não lute contra isso, esse é o truque. Vá ao encontro do medo. Deixe tudo para trás e você vai conseguir tudo de volta, prometo.” “Phoebe começou a se lembrar da velocidade terrível com um desejo perverso de experimentá-la de novo, não tanto com o cérebro…” “Ela sentiu uma onda de decepção furiosa…de Faith…por não cumprir com a expectativa.”

Tem um filme baseado no livro que é de 1999 com atores famosos no elenco:

 

SOB O SIGNO DE BELLA

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REVISITANDO TWILIGHT – VALE A PENA 😉

O livro faz parte da bem sucedida série Twilight, com quatro livros e cinco filmes; o primeiro lançado em 2005, o livro Crepúsculo da autora Stephenie Meyer, conta em 390 páginas a história de Bella, uma jovem de 17 anos que vai morar com seu pai numa cidade do interior de Washington, nublada e chuvosa. Ela está vindo Phoenix, cidade ensolarada, mas parece que seu estado de espírito combina mais com Forks, a cidade onde seu pai é chefe de polícia. Sua mãe se casou com um jogador de beisebol e vive viajando pelo país com ele. Ela é tão depressiva que atrai “acidentes” e a morte em forma de um ser letal. O livro contado em primeira pessoa por Bella é depressivo como ela. Ela não é o tipo de pessoa que “vê o lado bom da coisa”. Se alguém pensou em criar a antítese da Polliana, aqui está ela.

Penso que pra criar a Bella a autora decidiu o signo: cancer – pessoa chata, dramática, não fazem a linha da racionalidade, querem dar e receber provas de amor, temperamental, pessimista, desmotivados, mesmo sabendo que a personagem nasceu em setembro. :/

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Na página 203 ele diz pra ela: “Está tão deprimida com Forks que ficou suicida?” (a tradução é horrível!). Na página 259 ele diz: “Estava começando a pensar que você não tinha nenhum senso de autopreservação.” Na página 322 ela sai de perto de Jasper porque ele mantém as emoções sobre controle e ela quer “ceder aos temores terríveis… incapazes de vir à tona sob a supervisão cuidadosa de Jasper.” Vamos trocar a data de aniversário dela, por favor.

Sobre spoiler, não preciso me preocupar, porque todo mundo sabe que o rapaz é um vampiro, e apesar das críticas, eu gosto da mutação e diferenciação que a autora fez: poderem andar de dia, estudar junto com humanos, ter outros dons. Me incomoda a inconstância da cor dos cabelos e olhos e jeito de falar dos personagens – muda demais. Uma hora Bella tem cabelos castanhos escuro lisos, outra hora os cachos são castanho-avermelhados. Uma hora Edward é louro e depois os cabelos são dourados e depois com mechas claras. è muita mudança pra alguém que lê visualmente.

Os filmes fizeram muito sucesso e acho que vale a pena conhecer a história toda. #teamJacob.

O Ínfimo Meaulnes

O livro O bosque das Ilusões Perdidas (no original francês Le Grand Meaulnes, publicado em 1913) do autor francês Alan-Fournier, conta em 280 páginas a história de François Seurel, filho do professor da única escola da comunidade. Eles tem uma vida pacata, onde sua casa fica nos fundos da escola, então sua vida é toda misturada com o trabalho de seu pai. Todos os meninos gostam do horário das brincadeiras. Até aparecer um adolescente muito alto, vindo da cidade grande, que não gosta de brincar. Todos os meninos querem ser seu amigo, porque ele conta muitas histórias. Ele fica morando na casa de François e se tornam amigos. O seu nome é Augustin Meaulnes e durante uma viagem para buscar a avó de François, ele se perde na floresta e vai parar em um estranho castelo enfeitado para um casamento. Ali ele conhece Yvonne, irmã do noivo, por quem se apaixona perdidamente. Ele se perde dela também e ao voltar conta a François a sua história e seu desejo de reencontrar a trilha que o levaria de volta ao castelo. Todo o livro gira em torno de obsessão, mal-entendidos e juventude sem juízo.

Trechos do Livro: “Lembro de como o achei belo naquele momento…apesar de seu aspecto de cansaço e de seus olhos avermelhados…” “Sinto-me decepcionado, como um náufrago que achasse estar falando com um homem e depois descobrisse que se tratava de um macaco.” “Antes havia nele uma juventude tão cheia de orgulho que todas as loucuras do mundo lhe pareciam permitidas. Agora, sentíamo-nos levados, logo de cara, a sentir dó da sua pessoa por não ter tido sucesso na vida…”

O livro gerou um filme em 1967 de mesmo nome.

Um Processo contra a Literatura

 

O livro Madame Bovary do autor francês Gustave Flaubert, nessa edição da Nova Alexandria, tem além do texto em 360 páginas, uma apresentação sobre o autor e o texto, uma apresentação do processo que o autor sofreu pela consideração de escrita proibida sobre sexo e adultério e também notas de rodapé da tradutora  Fúlvia M.L. Moretto.

Para nossa época é um livro até leve: conta a história de Emma que se casa com o médico Bovary e tem em sua vida muito tédio. Então seu marido muda de cidade para que ela melhore. Por ser muito bonita, chama atenção dos homens, que vêem nela, a amargura do casamento. Ela tem uma filha, que fica com a ama, e começa a aceitar a cortesia com que os rapazes conversam com ela.

Trechos do livro: “Antes de casar, ela julgara ter amor;mas como a felicidade que deveria ter resultado daquele amor não viera, ela deveria ter se enganado, pensava.”

Spoiler ! Publicado em 1856, a história não é sobre as aventuras da senhora Bovary, é sobre como os homens nunca entenderam as mulheres. No final, em cima de um leito de morte, ela vê que na verdade nunca amou nenhum dos homens que passaram em sua vida – ela amava a beleza e a ternura do momento. E ansiava por momentos novos. Ela se tornou uma mãe e esposa relapsa por causa de homem e isso ainda é imperdoável no nosso tempo. Acho que ela seria muito julgada ainda hoje. É um livro triste, de uma mulher que arriscou por amor e quando precisou de ajuda, ninguém estendeu a mão.

Vários filmes foram feitos à partir do texto e também musicais e peças e outras histórias baseadas em Emma. O filme de 1949 é o que mais se aproxima do texto na minha visão.

A Desconstrução do Título

O livro A Mulher do Tenente Francês do autor americano John Fowles, conta em 444 páginas a história do biólogo Charles que está prometido a uma moça rica e bonita da Inglaterra no ano de 1867 e fica curioso com o caso de uma moça que foi abandonada pelo tenente do título do livro, que fica à beira-mar à sua espera. Sarah, parece um pouco depressiva, com uns problemas de subserviência com as pessoas à sua volta. Trabalha de governanta, cuidando da educação de crianças.

Spoiler!  O personagem principal é o Charles. O nosso narrador não-confiável, anda atrás dele por todas as páginas. Não sabemos o que se passa com outros personagens, apenas quando Charles está presente. A Sarah é uma mulher forte e determinada, sabe o que quer, quando ela consegue, ela deixa toda a vida de criada pra trás e vai viver em meio a artistas. E ser livre. O livro tem dois finais: um imaginado pelo Charles e outro oferecido pelo Narrador, que passa a ser um quase-personagem. O tenente do título nunca aparece; é apenas citado, mas que depois dá pra notar que ele foi “inventado” pela Sarah.

É claro que o título é pra fazer o leitor acreditar nas palavras do narrador, mas no final, o próprio narrador desconstrói todo o suspense. Essa história é sobre a perda: perda da riqueza porque seu tio casou-se; perda da liberdade porque vai se casar; perda do status; perda da pureza porque amou; perda da dignidade, por correr atrás de quem não o quer.

Trechos do Livro: “Os únicos momentos de felicidade que tenho é quando estou dormindo. Quando acordo, o pesadelo recomeça. Sinto-me abandonada numa ilha deserta, aprisionada, condenada por um crime que ignoro qual seja.”

O filme de mesmo título foi lançado em 1981 com os famosos Meryl Streep e Jeremy Irons,  é um drama que mostra duas histórias, uma das telas e uma da vida real.

História Italiana

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O livro O Leopardo do autor italiano Tomasi Di Lampedusa é um clássico ďos anos 60, contando a versão romanceada de fatos reais da história italiana. Muita trama política e religiosa numa história que começa em 1860 e vai até 1910, contando um pouco da vida do Príncipe Fabrizio e seu séquito. Fiquei meio decepcionada com a trama, por ter assistido ao filme do diretor Luchino Visconti filmado em 1963, que coloca o personagem do ator Alan Delon como principal. No livro ele quase não aparece, apenas serve de ponte para as histórias do Príncipe. Mas o autor era um crítico literário então ele escreve muito bem, fez uma pesquisa histórica para descrever os fatos políticos, apesar de demonstrar não querer falar mal de seu país.

Trechos do Livro: “Esperava que Tancredi também os notasse e que se desagradasse perante esses traços reveladores de uma diferença de educação. Trancredi já os havia notado mas, infelizmente, sem resultado. Deixava-se arrastar pelo estímulo físico que aquela belíssima mulher oferecia à sua juventude fogosa e, digamos, ainda pela excitação dos cálculos que aquela moça rica produzia em seu cérebro de homem pobre e ambicioso.”

O filme no original  Il Gattopardo é um premiado filme de 1963 do diretor italiano Luchino Visconti, e estrelado por Burt LancasterClaudia CardinaleAlain Delon e Mario Girotti (Terence Hill) entre outros, o filme foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento. 

O filme recria a atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o Risorgimento – longo processo de unificação dos Estados autônomos que originaram o Reino de Itália, em 1870. Essa parte é bem fiel ao texto do romance e o cenário político italiano é reconstituído com o intuito de interferir em dilemas dos personagens ficcionais.

.Retrospectiva.

O ano de 2019 não foi tão bom em leituras, não encontrei um favorito pra vida. Mas teve sim, bons livros, histórias interessantes e textos que valeram a pena do total de 58.

Comecei o ano lendo livros que troquei no sebo, que escolhi pela sinopse, então me decepcionei com a proposta do livro não corresponder com o blurb. Em fevereiro li Adorável Marquesa, que me surpreendeu: história deliciosa, romance no ponto certo. Também li uma peça de teatro do Moliére e achei divertidíssima! O drama O Amante também gostei muito. Li várias livros em inglês; apenas dois no original e os outros versões condensadas. O melhor deles foi The Birds.

Li vários livros com temas importantes: diversidade, feminismo, racismo, empoderamento, a mulher no trabalho. O melhor deles foi “O Ódio que Você Semeia” que se tornou filme.

Atualizei todas as listas de projetos de leituras e mudei alguns livros da coluna “quero ler” para “não vou ler”. Participei de Vários desafios de postagem no Instagram. Fiz sorteio de dois “kits” literários. E li o maior livro no primeiro semestre do ano: Battle Royale.

O segundo semestre começou com o Projeto de Leitura Compartilhada do livro em inglês “Judas, o Obscuro”, um drama lançado pela Tag Experiências literárias. Toda a playlist para o “shadowreading” está no Youtube. E também sobre o filme de mesmo título e textos de apoio.

Vi muitos filmes bons!! Livraria, This Beautiful Fantastic, Burlesque, Loja de Unicórnio, Fragmentado e A Grande Muralha.

“Vi” livros e filmes: 7 Minutos Depois da Meia-Noite: muito bom os dois!!

Vertigo (O Corpo que Cai) – Os dois muito bons.

Também fiz um review do livro da autora americana Tanya William: ela me enviou o livro através do app BookFunnel. Eu gostei da história, mas faz parte de uma série.

Duas séries do Netflix: Dark : é totalmente ” blowmind”, viagem no tempo, nos tempos. Eu me sentia viajando com tanta ida e vinda, mas tudo vai se encaixando.

The Witcher: fora mostrar mulheres seminuas 🙄, a idéia da história é muito boa e eu adoro sotaque britânico.

Que venha 2020 com coisas novas e mais livros e onde colocá-los. 💖

Um apanhado de histórias :/

O livro Leila Diniz da coleção “Personagens que Marcaram Época ” da revista de mesmo nome, é uma seleção de textos publicados em revistas e biografias da atriz Leila Diniz. Conhecida por ser uma mulher à frente de seu tempo, a primeira grávida a aparecer de biquíni na praia, a primeira a falar palavrão nas entrevistas, Leila marcou época sim, mas não se considerava feminista e até foi infeliz em algumas declarações sobre mulheres. O livro tem fotografias da atruz, mas também tem fotografias da época que não acrescentam nada à história.

Trechos do livro: “Só quero que o amor seja simples, honesto…sem as fantasias qie as pessoas lhe dão. ” “Todos os cafajestes que conheci na minha vida são uns anjos de pessoa.”

Primeiras Histórias

O livro Bom Dia, Tristeza da autora francesa Françoise Sagan é o seu primeiro livro escrito aos 18 anos. Já foi dito que é meio que autobiográfico. A história, que virou filme em 1957 com David Niven e Deborah Kerr, conta em 127 páginas as férias do verão de 53 da adolescente Cécile e seu pai viúvo bon vivant. Ela é uma adolescente mimada pelo seu pai que deixa ela beber, fumar, leva para os bares noturnos onde passam as noites. Ele arranja namoradas muito mais jovens pra se sentir garotão. E tudo muda quando uma amiga de sua mãe aparece pra passar uns dias com eles. Cécile tem medo de errar perto dela que é muito elegante, fina e aristocrática. Tudo diferente dos amigos hippies e modelos sem cérebro que fazem os amigos de seu pai. Ambígua, Cécile não decide se gosta mais de um ou outro tipo de vida. Fútil e frívola, arranja um namorado, trama com ele, ajudá-la a acabar o romance de seu pai com a Dama, depois que os dois confirmam casamento. E tudo acaba em tragédia.

Contado pela Cécile, temos a visão distorcida de todos os fatos. Nem a própria sabe o que não quer, mas o que ela quer é continuar irresponsável.

Trechos do Livro: “Aliás, não tínhamos as mesmas relações: ela frequentava pessoas finas, inteligentes, discretas, e nós, pessoas barulhentas, irrequietas, das quais meu pai exigia simplesmente que fossem belas ou engraçadas.” “Certas frases criam para mim um clima intelectual, sutil que me subjuga, mesmo se não as penetro em absoluto.” ” Pensei que tinha razão, que eu vivia como um animal, ao bel-prazer dos outros, que era pobre e fraca.” “A liberdade de pensar e de pensar mal e de pensar pouco, a liberdade de escolher minha própria vida…eu não era mais que uma pasta moldável…”