História Italiana

51MXVoRbihL

O livro O Leopardo do autor italiano Tomasi Di Lampedusa é um clássico ďos anos 60, contando a versão romanceada de fatos reais da história italiana. Muita trama política e religiosa numa história que começa em 1860 e vai até 1910, contando um pouco da vida do Príncipe Fabrizio e seu séquito. Fiquei meio decepcionada com a trama, por ter assistido ao filme do diretor Luchino Visconti filmado em 1963, que coloca o personagem do ator Alan Delon como principal. No livro ele quase não aparece, apenas serve de ponte para as histórias do Príncipe. Mas o autor era um crítico literário então ele escreve muito bem, fez uma pesquisa histórica para descrever os fatos políticos, apesar de demonstrar não querer falar mal de seu país.

Trechos do Livro: “Esperava que Tancredi também os notasse e que se desagradasse perante esses traços reveladores de uma diferença de educação. Trancredi já os havia notado mas, infelizmente, sem resultado. Deixava-se arrastar pelo estímulo físico que aquela belíssima mulher oferecia à sua juventude fogosa e, digamos, ainda pela excitação dos cálculos que aquela moça rica produzia em seu cérebro de homem pobre e ambicioso.”

O filme no original  Il Gattopardo é um premiado filme de 1963 do diretor italiano Luchino Visconti, e estrelado por Burt LancasterClaudia CardinaleAlain Delon e Mario Girotti (Terence Hill) entre outros, o filme foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento. 

O filme recria a atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o Risorgimento – longo processo de unificação dos Estados autônomos que originaram o Reino de Itália, em 1870. Essa parte é bem fiel ao texto do romance e o cenário político italiano é reconstituído com o intuito de interferir em dilemas dos personagens ficcionais.

.Retrospectiva.

O ano de 2019 não foi tão bom em leituras, não encontrei um favorito pra vida. Mas teve sim, bons livros, histórias interessantes e textos que valeram a pena do total de 58.

Comecei o ano lendo livros que troquei no sebo, que escolhi pela sinopse, então me decepcionei com a proposta do livro não corresponder com o blurb. Em fevereiro li Adorável Marquesa, que me surpreendeu: história deliciosa, romance no ponto certo. Também li uma peça de teatro do Moliére e achei divertidíssima! O drama O Amante também gostei muito. Li várias livros em inglês; apenas dois no original e os outros versões condensadas. O melhor deles foi The Birds.

Li vários livros com temas importantes: diversidade, feminismo, racismo, empoderamento, a mulher no trabalho. O melhor deles foi “O Ódio que Você Semeia” que se tornou filme.

Atualizei todas as listas de projetos de leituras e mudei alguns livros da coluna “quero ler” para “não vou ler”. Participei de Vários desafios de postagem no Instagram. Fiz sorteio de dois “kits” literários. E li o maior livro no primeiro semestre do ano: Battle Royale.

O segundo semestre começou com o Projeto de Leitura Compartilhada do livro em inglês “Judas, o Obscuro”, um drama lançado pela Tag Experiências literárias. Toda a playlist para o “shadowreading” está no Youtube. E também sobre o filme de mesmo título e textos de apoio.

Vi muitos filmes bons!! Livraria, This Beautiful Fantastic, Burlesque, Loja de Unicórnio, Fragmentado e A Grande Muralha.

“Vi” livros e filmes: 7 Minutos Depois da Meia-Noite: muito bom os dois!!

Vertigo (O Corpo que Cai) – Os dois muito bons.

Também fiz um review do livro da autora americana Tanya William: ela me enviou o livro através do app BookFunnel. Eu gostei da história, mas faz parte de uma série.

Duas séries do Netflix: Dark : é totalmente ” blowmind”, viagem no tempo, nos tempos. Eu me sentia viajando com tanta ida e vinda, mas tudo vai se encaixando.

The Witcher: fora mostrar mulheres seminuas 🙄, a idéia da história é muito boa e eu adoro sotaque britânico.

Que venha 2020 com coisas novas e mais livros e onde colocá-los. 💖

Um apanhado de histórias :/

O livro Leila Diniz da coleção “Personagens que Marcaram Época ” da revista de mesmo nome, é uma seleção de textos publicados em revistas e biografias da atriz Leila Diniz. Conhecida por ser uma mulher à frente de seu tempo, a primeira grávida a aparecer de biquíni na praia, a primeira a falar palavrão nas entrevistas, Leila marcou época sim, mas não se considerava feminista e até foi infeliz em algumas declarações sobre mulheres. O livro tem fotografias da atruz, mas também tem fotografias da época que não acrescentam nada à história.

Trechos do livro: “Só quero que o amor seja simples, honesto…sem as fantasias qie as pessoas lhe dão. ” “Todos os cafajestes que conheci na minha vida são uns anjos de pessoa.”

Primeiras Histórias

O livro Bom Dia, Tristeza da autora francesa Françoise Sagan é o seu primeiro livro escrito aos 18 anos. Já foi dito que é meio que autobiográfico. A história, que virou filme em 1957 com David Niven e Deborah Kerr, conta em 127 páginas as férias do verão de 53 da adolescente Cécile e seu pai viúvo bon vivant. Ela é uma adolescente mimada pelo seu pai que deixa ela beber, fumar, leva para os bares noturnos onde passam as noites. Ele arranja namoradas muito mais jovens pra se sentir garotão. E tudo muda quando uma amiga de sua mãe aparece pra passar uns dias com eles. Cécile tem medo de errar perto dela que é muito elegante, fina e aristocrática. Tudo diferente dos amigos hippies e modelos sem cérebro que fazem os amigos de seu pai. Ambígua, Cécile não decide se gosta mais de um ou outro tipo de vida. Fútil e frívola, arranja um namorado, trama com ele, ajudá-la a acabar o romance de seu pai com a Dama, depois que os dois confirmam casamento. E tudo acaba em tragédia.

Contado pela Cécile, temos a visão distorcida de todos os fatos. Nem a própria sabe o que não quer, mas o que ela quer é continuar irresponsável.

Trechos do Livro: “Aliás, não tínhamos as mesmas relações: ela frequentava pessoas finas, inteligentes, discretas, e nós, pessoas barulhentas, irrequietas, das quais meu pai exigia simplesmente que fossem belas ou engraçadas.” “Certas frases criam para mim um clima intelectual, sutil que me subjuga, mesmo se não as penetro em absoluto.” ” Pensei que tinha razão, que eu vivia como um animal, ao bel-prazer dos outros, que era pobre e fraca.” “A liberdade de pensar e de pensar mal e de pensar pouco, a liberdade de escolher minha própria vida…eu não era mais que uma pasta moldável…”

Uma piada séria =D

O livro Como Woody Allen pode mudar sua Vida do autor Eric Vartzbed deveria ser um livro de auto ajuda, já que o autor é doutor em psicologia. Mas em 103 páginas temos a biografia cinematográfica do gênio ensinando engraçadas lições de vida. Ele cita as mais famosas obras do Allen e de outros escritores e diretores de cinema, para “analisar” os relacionamentos, a religião, o dinheiro, a vida. É um livro divertido, recheado de informações e quando termina, dá vontade de ir correndo ver ou rever alguns filmes do Woody.

Trechos do Livro: “Embora casada, cercada de alunos e admiradores, ela se assemelha aos verdadeiros solitários, aqueles que, em meio a uma animada multidão, arrastam consigo o próprio deserto.” “”Quanto mais conhecimento, mais sofrimento”, suspirava o Eclesiastes…” “O humor… revela nossa ambiguidade moral…é o entusiasmo pela relatividade das coisas humanas, o estranho prazer derivado da certeza de que não há certezas.” “Woody Allen dá a impressão de pertencer sobretudo ao PC, “Partido Cético”. Pessimista desencantado, ele milita a favor da dúvida e se engaja no desengajamento.”

Suspense e mistério é possível!

20190826_195924-15668015496877331663.jpg

O livro Vertigo dos autores Boileau-Narcejac foi levado às telas do cinema por Alfred Hitchcock em 1958. Esta edição em capa dura com 192 páginas, da Editora Vestígio tem o subtítulo Um corpo que Cai, nome dado ao filme no Brasil. A história se passa durante a guerra: um advogado pobre é contratado por seu amigo rico pra seguir e vigiar sua esposa que anda muito esquisita. Ele começa a segui-la e a salva de um possível afogamento. Então ele se apaixona. Durante todo o tempo ele tenta reprimir a paixão mas continua saindo com ela. Até que ele acha que pode salvá-la da loucura. Mas ela se suicida na frente dele.

A segunda parte do livro se passa cinco anos depois, quando ele volta à Paris e descobre que seu amigo já faleceu e no período de investigação quase foi preso suspeito de matar a esposa. Novamente ele se culpa por não ter contado sobre sua paixão.

O final é surpreendente. 🙀

Trechos do livro:” …deixou que ela se afastasse um pouco. Chegou a pensar em voltar para casa. Mas o fato é que segui-la lhe dava uma sensação de embriaguez…” “…ela exercia sobre ele uma estranha influência; absorvia, literalmente, todas as suas forças; ele representava, junto a ela,…de certo modo, de doador de alma.” “… o segredo da sua indiferença. Ela tinha saído da vida sem nenhuma hesitação; caiu na terra, de cabeça, braços abertos, como para melhor possuí-la, afundar-se inteira nela. Não estava fugindo. Estava voltando para alguma coisa.”

A idade errada :/

O livro Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls) do autor Patrick Ness é baseado em uma história inacabada da autora Siobhan Dowd. Conta em 157 páginas a história de um adolescente de 14 anos. Ele têm os pais separados, a mãe doente e uma avó moderna. Ele têm inimigos na escola, um outro adolescente que bate nele, e ele nunca reage. E uma árvore na estrada do cemitério e da igreja se transforma num monstro pra mostrar algumas histórias que se repetem. Ele conta três histórias que se parecem com a vida do rapazinho e ele terá que contar a quarta história pro “Teixo” uma árvore venenosa. Essa história é sobre seu maior medo.

⚠️Spoiler Alert!

O filme segue a mesma premissa do livro, mas mostra um menino menor, mais compatível com a ingenuidade do personagem frente à doença da mãe. O filme é mais forte visualmente pir mostrar várias vezes o sonho do menino em que ele deixa a mãe cair no despenhadeiro!! É de partir o coração!!

Tanto o livro quanto o filme são dramáticos e não tem final feliz.