Grafic Novel =)

A grafic novel O Curioso Caso de Benjamin Button, baseado na obra de Scott Fitzgerald de mesmo nome, com 128 páginas, conta a história de um nascimento diferente: o bebê nasce com cerca de setenta anos e vai “rejuvenescendo” até virar um bebê de verdade. Todos os problemas com a comunidade, a escola, sua esposa envelhecendo e ele cada vez mais jovem, deixa o leitor grudado na história pra saber como o autor irá resolver esse problema. Com as ilustrações por Kevin Cornell, a história fica mais engraçada do que dramática. O filme de 2009 com elenco famoso, vencedor de vários prêmios, mas muito longo com três horas de duração.

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Literatura LGBT

Primeiro eu li o livro, depois eu vi o filme. Minha edição é essa da Editora Siciliano, com o título Carol, com 247 páginas da autora Patricia Highsmith. Em outros países ele foi publicado com o título original: The Price of Salt, publicado nos EUA em 1952. O livro conta a história de Therese (que é o personagem principal), que trabalha numa loja no período de natal e conhece uma mulher rica que aparece pra comprar um presente para a filha. Ela se sente atraída e faz de tudo para vê-la de novo. Apesar de ter um romance com seu primeiro namorado, um personagem sem graça, ela vê na Carol, a oportunidade de mudar o que está vivendo e a está deixando incomodada: o emprego, o namorado, os amigos, a cidade. Então ela faz uma road-trip com Carol e aí as duas se envolvem emocionalmente e fisicamente.

O livro mostra mais o ponto de vista da Therese, apesar de contado em terceira pessoa. Então vemos como ela abandona tudo pra ficar com Carol e como Carol não pode abandonar o ex-marido por causa da filha, e toda a raiva de Theresa por não entender a mulher casada e com filha, já que ela só tem dezenove anos. O filme mostra a vida das duas, o que cada uma perde e ganha, quando resolvem se envolver numa época em que a sociedade aceitava esse fato como argumento para a perda da guarda de uma criança.

Nesse livro tem um Posfácio escrito pela autora, ela assume que a personagem Therese é baseada em sua esperiência. Mas o jornalista Jim Dawson, do The Guardian revelou na época do filme que …”Houve outra inspiração para o personagem de Carol: Virginia Kent Catherwood, a ex-amante de Highsmith, uma socialite elegante e endinheirada da Filadélfia, cujo divórcio na década de 1940 tinha mantido colunistas de fofocas em Nova York em um estado de delírio escandalizado com a sua intriga lésbica… Catherwood tinha perdido a custódia de seu filho depois de uma gravação feita dela em um quarto do hotel com outra mulher e usada no processo contra ela.”

Trechos do Livro: “…eram os procedimentos complicados …a sensação de que todo mundo estava…vivendo num plano completamente errado…” “Acho quue o sexo flui em nós mais devagar do que a gente acredita, principalmente do que os homens…as primeiras aventuras…nada mais são que satisfação de uma curiosidade…” “Tinha inveja dele. Invejava-lhe a fé de que sempre haveria um lugar, um lar, um emprego, alguém para ele. Invejava-lhe esta atitude. Quase que se ofendia com ela.”

Veja o filme, Leia o livro.

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O livro O Som e a Furia do autor americano William Faulkner, ganhador do prêmio Nobel,  é totalmente diferente de todo tipo de narrativa conhecida por mim. Em 331 páginas o autor conta a história de uma família, onde todos os envolvidos – criados, netos, agregados, pais e filhos – têm algum problema, algum desajuste e cada movimento é em direção à decadência. Um dos filhos é deficiente mental, o outro é egoista, a filha engravida fora do casamento em pleno 1929, e acontece desde machismo, incesto, suicídio, roubo, vingança e racismo. É uma história muito boa, bem escrita, mas a forma inovadora de contar, primeiro pelo ponto de vista do filho deficiente mental, que conta o presente, indo e voltando entre sua infância e juventude, sem definir o que está acontecendo e o que são lembranças, deixa o livro cansativo. Tudo se mistura nessa primeira parte e me pareceu ser um erro da tradução. Mas, não.

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Então, para não desistir do livro, resolvi assistir o filme de James Franco, de 2014. O filme também é dividido como o livro. Assisti a primeira parte e voltei a ler o livro. Ficou mais fácil entender os nomes dos personagens e o quê exatamente estava se passando na história. A segunda parte do livro é contada pelo personagem Quentin, irmão do deficiente e apaixonado pela própria irmã. A terceira parte é contada pelo outro irmão Jason, o personagem mais asqueroso, repulsivo, que manda castrar o próprio irmão, engana a mãe doente, e tem sua cota de maldades devidamente vingadas. A última parte é contada em terceira pessoa e retoma todos os personagens e suas histórias. Em 1959 foi lançado um filme baseado nessa história com os famosos Yull Brinner e Joanne Woodward.

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Trechos do livro: “Mudar de nome n]ao vai ajudar ele nem um pouco. Nem atrapalhar. Isso de trocar de nome não dá sorte pra ninguém.” “Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo o seu fôlego tentando conquistá-lo.” “O pai disse que antigamente se conhecia um cavalheiro pelos livros dele…” “Veja o que seu avô fez com aquele preto velho…agora ele pode ficar desfilando em tudo que é parada. Se não fosse o meu avô, ele teria que trabalhar igual aos brancos.” “As mulheres nunca são virgens. A pureza é um estado negativo e portanto contrário à natureza.”

Mal de Amor…

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O livro Do Amor e Outros Demônios, do autor colombiano Gabriel Garcia Marquez, não é o meu favorito desse autor, mas é intrigante. Ele conta em 221 páginas a história de um padre que é chamado para exorcizar uma menina que foi criada por negros e por falar sua língua e cantar suas canções, é dada como possuída. Junte-se a isso uma mordida de cachorro que não foi curada e então ela é enviada para o convento para “melhorar”, tanto fisicamente como espiritualmente. É claro que o padre vai se apaixonar pela menina (olha aí o clichê), mas o final é surpreendente. Pena que quem lê a introdução excrita pelo autor, já fica sabendo desse final, de onde ele tirou toda essa história. Ele cita toda a parte das regras religiosas com muita ironia. Descreve várias cenas impróprias para menores mas sem ser vulgar – tudo cabe no contexto da história. A mãe que odeia a filha porque se vê nela. Um médico ateu que ajuda um padre a não perder a fé.

Trechos do Livro“Uma escrava de sete palmos não pesa menos de cento e vinte libras…e não há mulher nem negra, nem branca que valha cento e vinte libras de ouro…” “Os livros não servem pra nada…Passei a vida curando doenças causadas por outros médicos com os remédios que dão.” “quanto mais transparente é uma escrita, mais se vê a poesia.” “Não há remédio que cure o que a felicidade não cura.” “Nenhum louco é louco pra quem aceita as razões dele.” “Tome cuidado…às vezes atribuímos ao demônio certas coisas que não entendemos, sem cuidar que podem ser coisas que não entendemos de Deus.” “Procurou dissuadí-lo. Disse que o amor era um sentimento contra a natureza, que condenava dois desconhecidos a uma dependência mesquinha…”

A História da Aia

O livro A História da Aia voltou a ser assunto recorrente quando Donald Trump foi eleito presidente dos EUA em 2016, por ter sido usado como referências para os  recentes protestos feministas, incluindo a Marcha das Mulheres contra Trump realizada em janeiro de 2017.

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Escrito pela autora canadense Margaret Atwood em 1985, nesta edição da Marco Zero o livro tem 329 páginas, sendo o último capítulo “Comentários Históricos” onde acontece um Simpósio onde em 2195 está sendo mostrado esse estudo que conta a história da Aia em fitas cassetes. O palestrante tenta mostrar para a platéia que tentaram de todas as formas encontrar os personagens dessa história, mas falharam. Se ela começasse com esse capítulo, poucos iriam pra frente com a história, mas a autora começa com a própria Aia narrando sua história, onde ela vai nos apresentando todo o ambiente e as regras desse espaço/casa. Aos poucos vão aparecendo os personagens , partes da história de cada um. Como numa procura de peças num quebra-cabeça, a narradora conta um pouco do que acontece em seu presente e conta sobre as lembranças do passado, quando TUDO começou, mesmo que a gente não saiba o que é esse tudo, que começa a ser mostrado na página 187. Para manter o suspense a autora usa a forma desconectada de contar a história, como se não pudesse contar logo o que está acontecendo. A narradora conta a história como se estivesse dando uma entrevista, mas como se estivesse acontecendo naquele momento. É uma história que incomoda, depois de tantas lutas que as mulheres tiveram para ser donas do próprio nariz, ouvir que um governo pode retirar todos os seus direitos e que algumas mulheres vão ficar a favor disso! é a história de como tornar as mulheres invisíveis mas vigiadas.

Trechos do livro: “Gostaria de crer que estou contando uma história. Preciso acreditar nisso. Os que acreditam que essa história não passam de histórias têm mais chance.” “Tempo é o que não falta. Essa é uma das coisas para o qual eu não estava preparada: a quantidade de tempo sem preencher, os longos parênteses de vazio.” “Moira era como um elevador sem paredes. ..Já estávamos quase perdendo o gosto pela liberdade, quase confundindo aquelas paredes com segurança.” “O que me faz falta é a perspectiva. A ilusão de profundidade gerada por uma moldura…” “…olhando para a revista…eu me lembrava. O que elas continham eram promessas…de transformações; sugeriam uma série infinita de possibilidades…sugeriam uma aventura atrás da outra…” “Melhor nunca quer dizer melhor para todos, diz ele. Sempre quer dizer pior para alguns.” “Nossa área é separada por um cordão…vermelho. ..esse cordão nos segrega, nos separa, impede que as outras se contaminem…” “A humanidade é tão adaptável…” ” É preciso que se ofereçam alguns benefícios e liberdades, pelo menos para uns poucos privilegiados, em troca daqueles que se eliminam.”

Prêmio Nobel

 

O romance A Pérola, do Prêmio Nobel John Steinbeck, nos conta em apenas 114 páginas uma parábola, portanto existe uma mensagem por trás das palavras. Um homem, um pobre pescador, tem seu único filho mordido por um escorpião na cabana onde moram e vai com sua mulher atrás do médico, que nunca vem “a essa vila pobre”. Na grande casa do médico na cidade, eles não são recebidos porque não têem como pagar a consulta. Então ele vai pro mar e lá encontra uma grande pérola. E pensa que todos os seus problemas estão resolvidos.

O autor consegue contar cada passo dos personagens, contar cada pensamento, mostra que não há outra saída para o personagem. Parece que a mensagem é “há uma sabedoria em se conformar com a vida que tem.” E se você deseja muito dinheiro para acabar com os problemas, novos problemas surgirão. É uma história de emoção, coragem, aventura e resignação. Ele usa a música como metáfora pra mostrar se as situações são boas ou más. Não gostei do final, mas acho que ele não poderia ter feito de outra forma. Steinbeck se torna meu novo favorito. =)

Trechos do livro: “A essência da pérola se misturou com a essência dos homens e então um curioso resíduo negro se precipitou…e a pérola…passou a fazer parte dos sonhos, das especulações, das tramas…” “Dizem que os homens nunca se contentam e…sempre pedem um pouco mais. Dizem ainda em justificação que essa é uma das melhores qualidades da espécie e que a tornou superior aos animais, que se contentam com o que têm.”

Dois filmes foram lançados à partir dessa história- um em 1947 no México, um na França em 2001. Também passou um filme americano na tv.

 

A Luta Irreal

O livro  de literatura clássica  O Velho e o Mar do autor Ernest Hemingway, conta em apenas 126 páginas a história de um personagem descrito com estrutura física frágil e que enfrenta uma batalha , superior às suas forças, em alto mar, contra um peixe maior que sua embarcação. O autor consegue em poucas páginas, mostrar a história desse pescador, a ída para o mar sozinho, o aparecimento do peixe, a luta por dois dias esperando que o peixe perdesse as forças, o grand finale, e o aparecimento de tubarões, que fazem com que passe de caçador à caçado. O autor não dramatiza as cenas fortes, tem um estilo mais de demonstração de superação que de desânimo. A história se passa no mar do Caribe e tem toda uma descrição do mar, dos métodos de pesca, dos peixes.

Uma adaptação da história para a animação, ganhou o Oscar em 2000. Também há duas adaptações para o cinema – uma em 1958 com roteiro do proprio autor, e outra versão para Tv de 1990 com Antony Quinn.

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