A Mágica Descoberta do Brasil 🇧🇷

O livro A Descoberta do Novo Mundo da autora Nacional Mary Del Priore, conta de forma mágica, em 109 páginas cheias de lindas ilustrações de João Lin, uma viagem em que dois órfãos Pedro e Paulo passam por várias aventuras no navio que os traz à Terra de Santa Cruz. Foi uma viagem marcada por tempestades, privações até serem ajudados por um outro navio que passava. Ouviram histórias macabras sobre o lugar: índios canibais, serpentes com cara de cachorro, monstros. Eles estavam adorando viver as aventuras, mas foram entregues aos jesuítas quando aportaram. Ele falava do pecado de olhar as índias nuas, fazia-os se auto mutilar para não pensar no pecado. Eles resolvem fugir. Ao encontrar os “selvagens”, vêem que a história é diferente, que eles são pacíficos, limpos e as índias são lindas.

#paraleremumdia

Trechos do Livro: “Lutar pela fé católica. Tornar-se, talvez, um santo. Ninguém lhe explicou onde era o ‘longe’. Quem eram os selvagens e se queria virar santo.” “…eles usariam a mesma roupa meses à fio e esta só seria lavada pela água da chuva.” “Doente e com febre, um passageiro lançou-se ao mar em completo estado de alucinação. Morreu de sede em pleno oceano.”

Três livros de poesia moderna

1. Sementes de Sol do autor nacional Carlos Queiroz Telles com 63 páginas. Lançado em 1992, pela Editora Moderna, sua ficha catalográfica diz literatura infanto-juvenil. Devia ser apenas poesia-juvenil. Com desenhos de May Shuravel, as poesias falam de crianças, adolescentes e amor não correspondido. São poesias que falam da diversidade de gênero, de raça, de não se sentir bem na própria pele. Bom para trabalhar com a última série do ensino fundamental ou ensino médio.

2. Brincando de Amor da autora nacional Ilka Brunhilde Laurito também tem ilustrações de May Schuravel e uma dedicatória ao autor do livro 1. Ficha catalográfica também dizendo que a linguagem é infanto-juvenil, mas com uma linguagem jovem, não tem nada de infantil. Como no título diz, as poesias falam do amor dos jovens de antigamente, que tinham limites mais rígidos que os atuais. Não atende requisitos infantis e é muito infantil pros jovens.

3. COM fissões é um livro diferente, conceitual, curioso. Da autora mineira Josely Bittencourt usa das invenções de palavras novas pra falar de relações. Ela é Mestre em Estudos Literários e nesse livro reinventa a separação de sílabas, a ortografia e os significados das palavras. Com divisões como “superfíssie“, ela quebra regras de escrita e de métrica. Mas por ousar demais, peca em entregar uma poesia desconexa, sem emoção, sem deixar marcas no leitor. E com conteúdo adulto, não recomendo para usar em sala de aula do ensino fundamental.

Aventura nacional

O livro O Perigo me Procura do autor nacional Wilson Rocha, conta em 159 páginas a história de Messer, herdeiro da tia rica, com quem vive na Europa, suas aventuras vêm de seus muitos livros. Para quebrar essa segurança toda, aparece para uma visita, seu primo brasileiro. Traz toda uma mudança de rotina para a casa e para a vida dos dois. George é expansivo, alegre, divertido, gosta de garotas e festas. Acontece um acidente e a tia de Messer (e também de George) morre. Então Messer se vê embarcando junto com o primo numa aventura rumo ao Brasil.

A história tem um cunho social e ecológico, mostrando o abandono social que a tia rica faz ao escolher um sobrinho pra levar pra Europa e deixar o outro no orfanato e os efeitos desse abandono no jovem. Ao colocar a aventura na Amazônia, coloca em pauta toda a devastação das terras, as queimadas, a venda ilegal de árvores, a briga entre os índios e os madeireiros. Continua atual mesmo tendo sido escrito em 1998. O autor que foi um dos roteiristas do Sitio do Picapau Amarelo, faleceu em 2014.

Problemas: esse não é um livro “infanto-juvenil” como marcado na ficha catalográfica. Juvenil sim, porque adolescentes já entendem o certo e errado.

Trechos do Livro: “Todos têm o direito de optar por se manterem fracos-dizia ela-Ninguém é obrigado a viver disputando medalhas para provar que é melhor que outros!” “Messer não utilizava mais o cérebro. Desistira por completo de pensar, refletir, raciocinar, calcular, imaginar. Rendera-se ao inevitável, odiando-se por sua fragilidade, por seu despreparo para a aventura.”

Autor Nacional

O livro A Janela do Tempo do autor nacional Iran Ibrahim Jacob conta em 126 páginas a história de um artista que senta em sua janela para pintar seus quadros. Em frente à sua casa há uma parada do trem. As pessoas que descem ali são convidadas à entrar e conversar. O pintor busca sua inspiração nas pessoas que por ali passam e nas montanhas que ele vê atrás da estação. Um dia sonha que esta viajando nesse trem e conhece uma moça, que decide ser sua “alma gêmea”. A partir daí o livro narra toda a trajetoria – viagens, conversas, lendas – para encontrar sua alma gêmea e finalmente pintar seu retrato.

O livro me lembra um outro livro que o personagem faz uma viagem e as pessoas que encontram lhe dão lições de vida, como em uma parábola. Eu achei o texto meio “cliché-machista” onde todos os homens são sábios (as moças só sabem ser bonitas, dançar e ouvir conselhos de um rapaz que parece perdido) e as moças só querem casar. O autor tenta fazer uma filosofia sobre o tempo (“vou te esperar o tempo que for necessário” ) mas senti o foco na busca do amor.

Trechos do Livro:” A vida está cada vez mais apressada e o homem é escravo do tempo. Ainda bem que tenho minha janela para ver o trem passar.” “…o artista concluiu que dois bilhões de pessoas dando dois grãos de arroz por dia, obter-se-ia…oitenta toneladas de arroz para alimentar os irmãos carentes.” “As flores só podem existir na primavera. É uma lei que tem sua razão de ser. Não se deve contrariar a lei de Deus. O que a rosa deseja está além das leis naturais. O prazo dela já se esgotou…” “Mona Lisa representa o amor perfeito. O sorriso enigmático pode simbolizar a felicidade plena e absoluta do encontro dos verdadeiros pares perfeitos, os pares ideais.” “No exato instante deste encontro divino, há uma fusão completa e forma-se um ser que não é nem espermatozóide, nem óvulo, mas ambos. Dentro de cada ser existe um par, somos homens e mulheres ao mesmo tempo.” “A liberdade não se conquista; é um estado de espírito. Você pode estar preso numa jaula e sentir-se livre; pode estar voando como um pássaro e sentir-se preso.”

Outros livros com títulos parecidos:

A utopia e a realidade

O livro A Festa no Castelo do autor nacional Moacir Scliar, conta duas histórias que se transformam em uma só em 133 páginas. Uma das histórias se passa no presente – anos 60 – e a outra no século passado.

Uma parte conta a história da festa do conde que é vegetariano, mas tem que comer a carne de um  javali que faz parte da festa, pois foi morto durante a caçada real. Uma quadrilha que rouba dos ricos pra dar aos pobres invade a festa.

A outra parte é um jovem que estuda pra ser advogado, vê seu pai chegar todo dia estressado por causa da crise no país e reclamando dos empregados de sua pequena loja. Esse jovem conversa com o vizinho, um sapateiro italiano que coloca em sua cabeça idéias socialistas: tudo vai melhorar quando o socialismo imperar. E resolvem criar uma fábrica socialista.

Claro que tudo vai por água abaixo: tanto no império, quanto no “tirar dos ricos pra dar aos pobres” também no socialismo. ….

Muito atual, o texto mostra que o que importa é ter equilíbrio.

Trechos do livro : ” Nunca poderia entender os meus sentimentos, por isso zombava; por isso desperdiçava sua vida em festinhas. ..eu agora estava acima daquilo tudo… que só seria possível quando o socialismo eliminasse toda a falsidade interposta pelo capitalismo entre o homem e a mulher.” “…sonhava…o rosto radiante, falava de sociedade sem classes, todos vivendo como irmãos, compartilhando o pão e o vinho.” “Me pareciam muito deprimidos, melancólicos. Seria possível construir o socialismo com uns tipos como aqueles? E se a gente os substituísse por elementos jovens, ideologicamente firmes, ainda que não-afeitos ao trabalho físico?”

Um Romance Histórico muito Bom!

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A Longa História do autor nacional Reinaldo Santos Neves é uma história medieval e não conta apenas uma, mas dezenas de pequenas histórias. Em 607 páginas conhecemos Grim, um noviço que nunca saiu do mosteiro de Dru, que recebe generosas ofertas da Condessa, uma senhora muito idosa que gosta de ouvir histórias.  Descobre que a unica historia que não conhece é a do monge Posthumos que fez voto de silêncio e mora num mosteiro do outro lado do continente. Para conhecer a longa história,  ela pede que o Abade envie copistas para trazer-lhe a história.  Uma confraria  é formada e um desses copistas é Grim nosso personagem principal, que reclama não querer sair do mosteiro. Durante essa jornada ficamos conhecendo seus  companheiros de viagem, as histórias que cada um conta, as histórias das cidades aonde passam, os perigos, os amores e finalmente conhecemos a longa história já no final do livro. O autor transforma sua história na própria história a ser contada, e que toda história é formada de pequenas histórias.  Brilhante. Nada é clichê,  há muitas surpresas, mesmo quando acontece algo comum, como um noviço se apaixonar,  o desfecho não é o esperado. Tem muito humor, violência,  religiosidade e linguística.

Trechos do livro: “Uma história é como um navio. Nele embarca o autor…embarcam os personagens como passageiros. …embarcam ouvintes como tripulantes. ..Cada capítulo é um porto em que a história faz escala…” “…arrebata o espirito de quem a ouve…” “…o rei enviou-o para fora do país numa missão estranha…que fosse até o país que ninguém sabia onde ficava e trouxesse de lá a coisa que ninguém sabia o que era.” “…porque as vítimas da heresia são os rústico e os ingênuo s que carecem de inteligência para compreender as falácias dos hereges.” “Porque são todos vícios e não virtude s, e por isso fazer uso deles é como pecar contra a doutrina da boa retórica. Para que entendas o dano de que são capazes, deixa-me apresentar algum deles. Pleonasmo, por exemplo,  é o acréscimo de palavras desnecessária ….” “…declarando que tudo que queria na vida era uma pequena casa com jardim em pleno campo, um moço para cuidar dele e trazer-lhe pena e pergaminho,  e amigos com quem compartilhar seus livros e seu vinho.” “…aquelas facilidades e regalias tinham sido compradas com o corpo de Lollia…o corpo dela provera-os de alimento, de vinho,  de teto, de vestimenta. ..”

 

 

Vamos contar um conto? =D

Esta minha edição do livro A Árvore que Dava Dinheiro do autor Domingos Pelegrini, com 93 páginas faz parte da Coleção Veredas da Editora Moderna para o público infanto-juvenil está na 35ª edição.

A história é o que o título promete: uma árvore resolve distribuir dinheiro para a cidade.  E aí ninguém quer trabalhar mais, ninguém cozinha, ninguém lava, e o povo da cidade resolve ir morar na cidade grande. Acabou? Não. Aí recomeça outro conto: o dinheiro vira pó quando sai da cidade. A televisão vem e os turistas querem aproveitar a cidade. Todos os moradores aproveitam pra ganhar dinheiro de verdade. E criam restaurantes, hotéis, passeios. E os turistas acabam com a cidade, jogam sujeira nos rios, nas praças e as árvores páram de dar dinheiro. Acabou? Não. Aí começa outro conto: Eles resolvem destruir todas as árvores, retomar a cidade. E as que nasceram começaram a dar frutos. E eles venderam doces, geléias, bolos….

Qual a moral da história?

Bem, começando pelo título, já que a árvore pára de dar dinheiro no meio do livro. Uma das capas, mostra os três personagens “principais”: um morre no começo, a outra some da cidade e só volta no final, o outro parece inteligente e depois…não diz a que veio. Já a outra capa mostra a mesma cidade em duas situações: o bem e o mal causado pela ganância. Acho melhor.

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