Os homens são maus :/

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O livro Te Tratarei como Uma Rainha da autora espanhola Rosa Montero conta em 192 páginas a história de Bela, que trabalha num bar onde além de limpar e servir os drinks, também toca piano e canta boleros. Não realizou seus sonhos de vida – ser famosa, nem seus sonhos de amor – se casar com o namorado de quando era adolescente. Antônio ainda está solteirão, baixinho e com um sorriso bonito, seu hobby é se envolver com mulheres casadas infelizes no casamento. Seu intuito é mostrar (e ouvir) que ele é um perfeito cavalheiro. Mas quando elas querem uma vida com ele, ele some, deixando as mulheres sofrer por amor. Ele tem uma irmã Tônia que está virgem e solteirona. Ela deixou a mãe no interior e veio morar na cidade perto do irmão que é dono de uma perfumaria. Ele a odeia porque é gorda. Ela se envolve com o vizinho adolescente, que é convocado pelo exército e vai embora. Um outro personagem é Pouco. Mora no escritório do bar onde Bela trabalha. Misterioso, renova as esperanças dela quando a convida a ir para Cuba onde conhece o dono do famoso bar Tropicana. Mostra uma carta-convite. Mas quer levar Vanessa, uma garota linda que frequenta o bar para arranjar clientes. Mas ela odeia Pouco porque é velho, pobre e feio. Ela se envolve com Antonio que é o ex de Bela. Está formado um círculo com todos os personagens que não são o que aparentam.

⚠️Spoiler!

Problemas: Me incomoda quando a sinopse mente. A pessoa que escreve a orelha devia ler a história toda e não somente o 1° capítulo para passar a idéia do livro. Ele ( a pessoa que escreveu) diz que Damian é irmão da Antonia: eles são amantes e ele não é charmoso: é adolescente e estrábico. Não há assassinato nenhum e saberia se tivesse lido a história toda. Na última capa diz que a irmã é caridosa: ela não faz nenhuma caridade o livro inteiro!! A editora Nova Fronteira nem se deu ao cuidado de escolher entre tanta gente boa na internet que teria escrito a orelha de graça.

Trechos do Livro: “…seu homem poderia esperá-la na saída do trabalho e defendê-la dos perigos da rua, mas quem a defenderia, depois, do seu homem?” “O tempo dela também tinha se acabado…Mas há anos que não tinha lembranças, há anos que todos os dias eram o mesmo dia… Há anos que tinha deixado de esperar que algo acontecesse.” “…sabia que o amor só podia existir assim, envolvido em sua própria mentira, isolado da realidade e do contexto, uma espiral de sonho com final previamente estabelecido.”

A mágica e a Montanha

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A edição desse livro é portuguesa, Coleção Dois Mundos de Lisboa, então algumas palavras estão escritas de forma diferente da nossa – nada que atrapalhe a leitura da Montanha Mágica ( no original em alemão Der Zauberberg) de Thomas Mann que conta a passagem do jovem Hans Castorp por um sanatório que fica situado numa montanha nos Alpes Suiços. As 749 páginas contam a passagem de mais ou menos três anos em que o jovem esteve ali internado, primeiro como visitante de seu primo e depois como paciente. Todos os acontecimentos de cada paciente, são contados de forma a criar conhecimento no jovem. Ele que veio a passeio, acaba por se ver doente e também internado como paciente. E acaba por gostar do local, com muitos almoços, muita fartura, muitas festas, muitos passeios. 🏔

A minha impressão é de que o médico responsável pelo sanatório não entendia muito bem do assunto e resolvia internar todo mundo. As pessoas não parecem se importar de chegar saudável e de repente, estar com a mesma doença dos outros pacientes. Na realidade se parece com um resort, onde quem tem muito dinheiro para se “hospedar”, vai ficando. Os “pacientes” comem muito, bebem muito, dançam, assistem jogos de inverno, passeiam pela cidade, fumam charutos, se apaixonam. É como se eles criassem seu próprio mundo ali em cima, na montanha. Até a página 100 se passam apenas dois dias da visita do jovem Hans. Todos o convencem que a doença engrandece a alma. Para o primo do Hans, medir o tempo é uma questão de sensibilidade. Na página 229 se passaram sete semanas. E o jovem decide ficar. Ele começa a se interessar por medicina e lê tudo o que pode para aprender. A partir da página 390 ele está há umano na montanha e muda seu interesse por botânica: plantas, flores e seus chás. 🌲

O livro está cheio de personagens interessantes, como Setembrini, o italiano (pobre) que tem muitas discussões filosóficas com o indiano Naphta (rico), e que faz o jovem Hans aprender muito. Tem a estrangeira Sra Claudia que é casada, mas vai e volta do santório e em sua última vinda, traz um russo a tiracolo que é seu amante. Isso divide Hans que a ama, mas acaba gostando da amizade com o homem. Tem as pessoas que chegam e que partem, os que chegam e que morrem. Após dois anos na montanha ele aprende a skiar.⛷️

Depois da morte de seu primo ele se interessa pelo jogo de cartas, principalmente por “paciencia”. Depois da chegada do gramofone ele se interessa por música clássica. 🎶 Já se passaram três anos e ele abandona a admiração pelo italiano e começa a ficar entediado. Começa a participar de sessões mediúnicas. Eele resolve gastar o resto de suas forças na guerra.
Trechos do Livro: “…Hans Castorp representava um produto genuíno da sua terra: gostava de viver bem, e apesar da sua aparência anémica e refinada, agarrava-se com fervor e firmeza, tal como um lactante deliciado pelos seios da mãe, aos prazeres físicos que a vida lhe oferecia.” “Isso não quer, no entanto, dizer que ele amasse o trabalho; disso não era capaz, por mais que o respeitasse, simplesmente pela razão de não se dar bem com ele.” ” Um dia sem tabaco seria para mim o cúmulo da insipidez, um dia totalmente vazio, sem o mínimo atractivo, e se eu qualquer dia despertasse sabendo que não poderia fumar, acho que não teria coragem nem para me levantar.” “…quando se presta atenção ao tempo, ele passa muito devagar.” “…gostava do seu pequeno gabinete de estudos no inverno, amava-o de todo o coração e fazia questão que o mantivessem a uma temperança de, pelo menos vinte graus…” “A música… como meio supremo de provocar entusiasmo, como força que nos arrasta para frente…Sozinha, a música é perigosa.” ” O sintoma da doença era uma actividade amorosa disfarçada, e toda a doença era metamorfose do amor.”

Romance ou apenas uma junção de Contos?

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O livro Oratório de Natal do autor sueco Göran Tunström conta em 346 páginas apenas uma história, mas cada parte é a história de um personagem que vão se conhecendo e todos estão relacionados. A história se passa parte na região sueca de Värmland e outra parte na Nova Zelândia. A escrita do autor é meio fragmentada, até se acostumar com o estilo de escrita, com a realidade e a imaginação, demora. Não conseguia saber se todos os personagens eram loucos ou apenas alguns. O tal oratório do título aparece apenas no começo e depois lá nas últimas páginas. Parece que é a música que une a família de Solveig a pianista que ensaia o coral, Aron o pai que faz lápides de mármore para os túmulos e os dois filhos. Aron fica viúvo e se apaixona por uma mulher “por correspondência” Viaja à Nova Zelândia para encontrá-la, abandonando os filhos, porque pensa ser ela a reencarnação de sua mulher que morreu. Enlouquece e pula no mar durante a viagem de navio. O filho adolescente se envolve com uma mulher muito mais velha e tem um filho com ela. A moca que correspondia com seu pai enlouquece após a morte de Aron. O último da família Victor ensaia o Oratório de Natal. Uma homenagem.

Não fiquei envolvida com a história, tem partes interessantes, muito teor adulto e demorei mais de um mês pra finalizar a leitura, significando que não vou lê-lo novamente.

Trechos do Livro:”Toda a família Bach trabalhava em conjunto e não se pode distinguir a caligrafia de Johann Sebastian da de sua esposa…” “Pode perambular pela floresta de palavras onde a luz espalha beleza e atrás de cada curva, no texto, descobrir algo novo: palavras como abóbada arqueada, como coroa das árvores, como troncos e línguas de fogo.” “Existem seres humanos cuja alma é multifacetada. Conseguem duplicar, sim, ou até multiplicar por dez sua existência, sua presença.” “…Fanny suspira. Tem trinta e seis anos e nenhum ser vivente até hoje sabe que sob seu seio direito existe uma marca de nascença, uma pequena mancha negra. Tem o cabelo preso para cima, trançado, e nenhum ser jamais o vira solto e nem sabe o seu comprimento. ” ” Acontece a mesma coisa…quando penso em meu pai, que ele não tem pernas e que é um pedaço de gente que mal pode aparecer na cidade. ..Que ele é como um pequeno fardo…Mas sou eu que o carrego nos braços e não o contrário. ..” “_Com certeza, nenhuma garota vai me querer. _Você quer dizer porque você lê. ..livros e coisas assim? ” “Hoje eu sou metade de um ser humano. Talvez algo que viesse preencher o vazio de minha vida seria saber que, de tempos em tempos, haveria uma carta para ser buscada, uma terra longínqua que pode ser idealizada. ..” “. ..sigo sob um disfarce, que meu nome não é meu, que meus pensamentos, meus verdadeiros sonhos não podem ser liberados pelo meu eu verdadeiro.” ” Era como se a tivessem tirado de um quadro da renascença italiana e colocado sob a luz de um poste numa rua de Sunne e ela ainda não tivesse despertado daquela viagem.” “Ser inteligente é fingir que aquilo que se faz é muito importante. ” ” Todos os seres criados serão representantes imperfeitos da criação. “

The Phantom

 

O livro The Phantom of the Opera do autor francês Gaston Leroux  recontada por Jennifer Basset é um dos livros da coleção Oxford Books Stage 1, que conta em 40 páginas a história de uma cantora de ópera  que se vê envolvida em um triângulo amoroso: de um lado um Visconde e de outro um fantasma que habita o teatro. O livro é escrito em linguagem simples facilitando a leitura em inglês para quem é iniciante. O texto já se transformou em filme e ópera em vários países.

 

 

De livro à Ópera

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O livro Manon Lescaut do autor francês Abade Prevost, conta a deliciosa história publicada em Amsterdã em 1731 – Manon é uma bela moça muito frívola que sempre esquece seu grande amor, no caso nosso personagem principal, para ficar com qualquer um que tenha muito dinheiro para bancar suas vontades. É um romance em que as mulheres se sentem vingadas: um homem apaixonado que vira tapete dessa mulher e aceita todos os erros e desculpas só pra ficar à seu lado ❤ . Essa história foi incompreendido na época e depois se tornou montagem de várias óperas, sendo a montagem de Puccini a mais famosa. Também foi “cantada” por Pavarotti, Placido Domingos e Maria Callas.

Lana Del Rey Book Tag

Lana Del Rey Book Tag

A cantora Lana tem um estilo vintage de cantar e suas músicas fizeram parte de uma fase musical retrógrada que tive. Essa tag consiste em relacionar um título de livro a cada uma das 15 músicas da Lana Del Rey, que vi nessa lista no blog Fabrica dos Convites:

1. National Anthem – Um Clássico: Crime e Castigo do Dostoiévsky

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2. Born To Die – Um livro que o(s) protagonista(s) morre(m): Ghostgirl 

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3. Ride – Um livro que se passe na estrada:

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4. Florida Kilos – Um livro ambientado na Flórida

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5. Young & Beautiful – Um livro sobre juventude:

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6. Without You – Um livro que não dá pra viver sem (ler):

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7. Shades Of Cool – Um livro com uma história de amor complicada (várias):

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8. Summertime Sadness – Um livro que tenha passado no Verão:

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9. Um livro que me deixou triste:

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10. Cola – Um livro ousado:

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11. Gods & Monsters – Um livro com personagens marcados (emocionalmente) durante a vida:

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12. Lolita – Um livro que te marcou:

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13. Million Dollar Man – Um livro com protagonista milionário:

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14. This Is What Makes Us Girls – Um livro feminista:

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15. Music To Watch Boys To – Um livro sobre atração à primeira vista:

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Do Drama à Comédia

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O livro de literatura tcheco-eslovaca A brincadeira, de Milan Kundera, conta em 402 páginas a história de um rapaz que em pleno regime comunista faz uma brincadeira com uma colega escrevendo-lhe um bilhete, que serve depois como prova de sua traição ao regime. Ele é enviado à prisão, enviado para trabalhar nas minas junto com outros traidores e sua idéia é sair de lá e se vingar. Depois de começar sua vingança, a história cai para uma comédia pastelão e fim. Esse livro foi uma releitura, mas na época não pude absorver toda o contexto do pós-guerra contido nos traços dos personagens.

Claro que o autor descreve muito bem as carências humanas, o que faz de cada um, um ser único, e que o comunismo, não consegue tornar comum. Os personagens seguem o regime, mas não compartilham com a idéia e até compara o comunismo ao cristianismo quando esse “lembra ao crente seu estado fundamental e permanente de pecador.” Também diz que o comunismo inflingia despersonalização humana. Sendo o personagem músico no começo da história, tudo é comparado à música: o tempo, o som dos passos, das batidas das ferramentas. Na página 179 ele faz uma bela comparação da música eslava com os véus retirados pela mulher nas histórias das Mil e Uma noites. Ele cita principalmente a Ária de Bártok:

Trechos do Livro: ” Você acha que as destruições podem ser belas?” “…se atravessasse essa fronteira, deixaria de ser eu, me tornaria outra pessoa, não sei quem…essa terrível mutação me assusta…” “Pus-me a vigiar um pouco meus sorrisos…eu era aquele que tinha muitas caras…” “…compreendi que a imagem de minha pessoa…era infinitamente mais real do que eu mesmo; que ela não era de maneira alguma minha sombra, mas que eu era a sombra de minha imagem; que não era possível acusá-la de não se parecer comigo…” “…tive vergonha de invocar…meus privilégios perdidos, quando edificara minhas convicções precisamente sob a recusa de privilégios.” “Vlasta me censura por ser sonhador. Parece que eu não vejo as coisas como elas são…Não é à toa que existe o imaginário. É dele que é tecido nosso mundo interior.” “…nossa disputa, que me parecia sempre tão viva e presente, eu via fecharem-se as águas consoladoras do tempo, que, como todos sabem, apaga as diferenças entre épocas inteiras.”