Poe: Dois contos de Horror

O livro Os Assassinatos na Rua Morgue do autor Edgar Allan Poe é uma adaptação para a série Reencontro. O livro também traz o conto O Escaravelho de Ouro. Em 100 páginas temos um conto de horror e um de mistério. O assassinato de mãe e filha é descrito em todos os detalhes horríveis, e me lembrou Poirot. A resolução final do conto deixou a desejar. É como se ao final ele incluísse alguns personagens para conseguir dar um final misterioso. Até um macaco é suspeito!

Já o escaravelho, é uma busca ao tesouro de um pirata e uma história fantástica. Muito bom para apresentar o autor ao público infanto-juvenil. Essa é uma história com começo, meio e fim, trazendo a aventura em busca do tesouro perdido. Mesmo em poucas linhas, dá pra sentir a tensão de descobrir que estavam olhando o local errado, e então, encontram o lugar certo onde o baú foi enterrado.

Para o #mêsdohorror boa pedida!

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Um final WTF? =D

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O livro Pines faz parte da The Wayward Pines Trilogy, do autor americano de sucesso Blake Crouch, se transformou em série da Fox. Ele é um autor consagrado com seus livros de suspense, e no prefácio ele conta que esse livro é inspirado na antiga série de TV Twin Peaks.

O livro conta a história de um nada inteligente agente especial do governo – aqueles homens de preto – que é enviado junto com outro agente para encontrar outros dois agentes desaparecidos. Então eles vão à essa cidade que dá nome à trilogia para descobrir o que aconteceu de fato com os dois desaparecidos. Ao chegar na entrada da cidade, eles sofrem um acidente de carro. Aí ele acorda no chão, no meio das árvores e desmemoriado. E então acontecem sequências de encontros, hospital, polícia, médico, tudo muito estranho e ele demora a perceber que tem algo errado acontecendo. A cidade é toda perfeita, as pessoas parecem saída de um filme dos anos 60, e o médico tenta fazê-lo crer que ele é que está com problemas. No momento em que prepara sua saída/fuga dessa cidade é que ele descobre que não há saída de Pines.

O livro também têm momentos em “outra dimensão” onde conta sobre como a mulher e o filho recebem a notícia do desaparecimento dele. Depois mostra a mulher e o filho nessa mesma “dimensão” que é a cidade de Pines.

Vejo um superhumanismo forçado nesse agente, que mesmo depois de drogado, sem se alimentar, ferido, infectado, cortado, quebrado, ainda consegue lutar, fugir, continuar. Quase parei a história. Mas o final justifica todas essas “falsas” derrapadas no texto. É só para tornar o enredo interessante, mas a explicação final justifica o que realmente aconteceu com ele.

Ainda não assisti a série de tv, dirigida pelo incrível M. Night Shyamalan.

Cultura Nativo-americana

 

 

 

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O livro Ladrões do Tempo do autor americano Tony Hillerman conta em 231 páginas a história de uma civilização perdida de uma tribo de índios-americanos, que vêm suas reservas serem invadidas por antropólogos e pesquisadores sobre sua cerâmica. Uma Doutora desaparece após descobrir sobre a origem desses potes; uma família que foi dizimada há muito tempo e só sobrou o pai desta família, único sobrevivente, também faz parte dessa história de mistério contada de forma lenta. E tudo se passa perto de uma comunidade mórmon que tenta converter os índios.

O problema é que o enredo é de suspense, mas apesar de dar um final para o desaparecimento dos personagens, o autor não explica realmente o final. Deixa a história em aberto. Personagens que parecem espertos e fazem coisas sem noção. E pouca informação sobre a cultura dos índios Anasazi que seria muito interessante.

Trechos do livro : ” Seria lá, quando houvesse luz suficiente no dia seguinte, que cavaria. Violando a lei Navajo, a lei federal e a ética profissional. ” ” O nascer da lua sem o uivo de um coiote seria igualmente impossível, e relacionar um coiote com a polícia de Largo representava a adição de um insulto lindamente disfarçado. Não se chama um Navajo de coiote. A única coisa pior é acusá-lo de deixar os parentes morrerem de fome. ” “Chee teve plena consciência de seus pulmões funcionando, dos poros abertos, dos músculos flexíveis, de sua própria e vigorosa saúde. Era o seu horzo – a harmonia dele com o que o cercava.”

Ouça uma música dos povos nativos:

“Não vale a pena morrer por isso”

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O livro O Pintor de Pássaros do autor Howard Norman conta em 256 páginas a história de Fabian, um adolescente que resolve pintar pássaros e mora numa cidadezinha remota, numa ilha. Tudo gira em torno do período de caça ao bacalhau e venda do produto. Não há muito o que fazer na cidade, ele se envolve com a filha do barqueiro, uma menina à frente de seu tempo. Contada em primeira pessoa por ele, a história mostra seu crescimento como pessoa e como pintor, até aceitar um casamento arranjado com uma prima distante que nunca viu, mesmo se relacionando com Margarete a filha do barqueiro. Após o adultério de sua mãe com o faroleiro, ele se torna um assassino (não é spoiler – está no primeiro capítulo) e pra mudar de vida, pinta um painel na igreja sobre a sua cidade.

Trechos do Livro: “Ele me mandou um dicionário de presente de Natal…com um bilhete anexo que dizia: “De agora em diante, leia cada uma de minhas cartas com esse livro a mão.Não vou voltar atrás na minha educação em seu benefício.”  “…guardava para si a maior parte de seus pensamentos. Eu o considerava um homem tranquilo. Sua reação predileta diante dos boatos mais grosseiros…era: Bem, não vale a pena morrer por isso, não é?” “Sou bastante impaciente com as pessoas que dizem que vão fazer alguma coisa e pelo menos nem tentam. Acabamos envolvidos por todo o entusiasmo delas; de repente as coisas mudam…” “…a memória vem aos trancos e barrancos. Talvez nossas recordações sejam feitas, afinal, de esquecimentos seletivos, e vice-versa…”

Não confie no Título!

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O livro A Mecânica das Águas do autor E.L. Doctorow, conta em … páginas a versão de um jornalista para o desaparecimento de seu colaborador no jornal. A história se passa em 1891, quando a revolução industrial acontece. Um jovem deserdado pelo pai rico, vê seu pai passar num ônibus, mesmo após sua morte. Então começa uma investigação para saber o que está acontecendo e isso vai envolver os “donos da cidade”, um médico maluco que lembra dr Mengele e suas pesquisas racistas. A única referência ao título se dá na página 191 qdo o policial descobre documentos que incriminam um gangster no Departamento de Águas de Nova York. E depois numa perseguição num prédio dessa companhia em que ele ouve as engrenagens que movimentam as águas e sonha com isso.

Trechos do livro : ” A tinta de seu artigo estava borrada, as páginas estavam sujas de lama e havia, na primeira página, uma marca de mão que parecia ter sido feita com sangue.” “Nosso necrológio transformava o velho patife num americano exemplar, frugal e realista. Ele não proclamava o lugar que ocupa na vida comercial da cidade com escritórios luxuosos e ostentatórios…” “Nosso governo incorruptível levara anos para realizar a obra – para que a água possa fluir livremente, é preciso que antes flua muito dinheiro. ..” “…a cidade começava a preparar-se para a noite. Caminhávamos por entre homens de toda espécie. ..uma via por onde trafegava um ônibus branco cheio de fantasmas.” “…a inveja que tenho das histórias primitivas que contavam uns aos outros. ..” “Uma vez perguntei-lhe qual era sua religião. Ele teve uma formação luterana, mas vê o cristianismo como apenas um conceito poético. Nem se dá ao trabalho de criticá-lo, ou negá- lo, ou zombar dele.” “Constatei um fato interessante: a vida humana pode perder muita coisa. ..sem se transformar em morte. ” “Por outro lado um orfanato que fosse instituído para testar as modernas teorias na área do comportamento, ou da saúde. ..inevitável, levando-se em conta o ritmo atual de Nova York. ..” “Admito que talvez seja sentimentalismo achar que uma sociedade é capaz de ser espiritualmente purificada. ..de modo a se auto-educar…a subir…um degrau que seja…na escala do aperfeiçoamento moral.”

Um detetive normal

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O livro Maigret e o Fantasma do autor belga Georges Simenon, conta em  páginas mais uma história do Comissário Maigret, personagem de várias de suas obras. Seu roteiro é muito simples: acontece um crime, com um de seus colegas de trabalho. Tem duas moças bonitas envolvidas: uma amiga de seu parceiro que sofreu um atentado e a outra esposa do suspeito. Desde o começo já sabemos que os tiros que o policial levou foi por estar investigando um “caso”. Como o personagem fica inconsciente no hospital, resta a Maigret descobrir qual era o caso e dar prosseguimento à investigação. Não há reviravoltas ou suspeitas jogadas em personagens secundários – tudo é devidamente declarado, sem brincar de esconde-esconde com o leitor.

Minha impressão: é o primeiro livro do autor que leio, mas prefiro os “casos” da Ágatha Christie ou da Ellis Petters.

 

Um roteiro de filme?

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O livro Os Vinhedos de Salomão do autor hollywoodiano Jonathan Latimer nos conta em 191 páginas a história do detetive Karl Craven que é contratado para resgatar a filha de um milionário que está envolvida em uma seita religiosa e não quer sair de lá. O detetive, que não tem nenhum método pra efetuar seus serviços, acaba caindo e se envolvendo numa rede onde o poder da cidade está concentrado nessa seita onde as pessoas doam todo o seu dinheiro para os Vinhedos de Salomão para tomar parte no culto religioso. O texto parece de um seriado americano, com suspenses entre cada propaganda e um final simples e previsível, apenas um plot twist (que veio a calhar) para o personagem deixar de ser um nada e se tornar o herói da mocinha. Muitas pontas soltas para os personagens secundários ou o autor fez de propósito para “emaranhar” um pouco a trama.

Trecho do livro: “Uma colônia religiosa. Plantam uvas… e criam problemas…Todos malucos. Acreditam em um profeta chamado Salomão…Ele está morto. Morreu faz cinco anos, mas os malditos idiotas ainda esperam sua volta.”