Romance Histórico

 O livro Adorável Marquesa do autor Andre Lambert conta em 365 páginas a história da França no período de 1729 a 1764, tendo como personagens o rei Luis XV e a sua amante Madame de Pompadour. Uma nota do tradutor Gilberto de Alencar, conta que as biografias que existem sobre Joana Poisson, a tratam de forma a desmerecer sua ascensão da burguesia à realeza. Ela se tornou a favorita do rei, mas não a única. A Revolução Francesa ajudou a destruir sua imagem destruindo todo os traços de suas atividades artísticas: construção de castelos, obras de arte e outros tesouros.

Joana, filha de um casal do povo, colocada numa boa escola interna graças à sua mãe que aproveitando o exílio do marido, se une a um homem aristocrata e causa escândalo. Ao voltar do exílio o marido aceita a situação porque vê nela a chance de sua filha entrar na sociedade. Mas nem o casamento com um homem da sociedade faz Joana feliz. Em um passeio ela encontra o Rei, se apaixona por ele que já tinha uma rainha e várias amantes. Ao criar intimidade com o rei, Joana cria um problema na côrte, onde se vê envolvida em intrigas, assassinato e traições. Mas o amor do rei bastava a Joana. Assim como representar no teatro. Conseguindo depôr desde a amante anterior até conselheiros e homens de confiança do rei, Joana pensa que criou um círculo de amizade e confiança. Mas as intrigas do palácio continuam até o dia de sua morte vinte anos depois.

Esse livro faz parte da Coleção Grandes Mulheres Da História da editora Itatiaia, publicado em 1974 vem sem ficha catalográfica ou informações sobre o autor.

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Aventura nacional

O livro O Perigo me Procura do autor nacional Wilson Rocha, conta em 159 páginas a história de Messer, herdeiro da tia rica, com quem vive na Europa, suas aventuras vêm de seus muitos livros. Para quebrar essa segurança toda, aparece para uma visita, seu primo brasileiro. Traz toda uma mudança de rotina para a casa e para a vida dos dois. George é expansivo, alegre, divertido, gosta de garotas e festas. Acontece um acidente e a tia de Messer (e também de George) morre. Então Messer se vê embarcando junto com o primo numa aventura rumo ao Brasil.

A história tem um cunho social e ecológico, mostrando o abandono social que a tia rica faz ao escolher um sobrinho pra levar pra Europa e deixar o outro no orfanato e os efeitos desse abandono no jovem. Ao colocar a aventura na Amazônia, coloca em pauta toda a devastação das terras, as queimadas, a venda ilegal de árvores, a briga entre os índios e os madeireiros. Continua atual mesmo tendo sido escrito em 1998. O autor que foi um dos roteiristas do Sitio do Picapau Amarelo, faleceu em 2014.

Problemas: esse não é um livro “infanto-juvenil” como marcado na ficha catalográfica. Juvenil sim, porque adolescentes já entendem o certo e errado.

Trechos do Livro: “Todos têm o direito de optar por se manterem fracos-dizia ela-Ninguém é obrigado a viver disputando medalhas para provar que é melhor que outros!” “Messer não utilizava mais o cérebro. Desistira por completo de pensar, refletir, raciocinar, calcular, imaginar. Rendera-se ao inevitável, odiando-se por sua fragilidade, por seu despreparo para a aventura.”

Ler não te Faz Melhor que Ninguém 🤨

“Quanto ao talento alheio seremos nós também que iremos decidir quem tem e quem não tem apontando ainda quem escreve mal e quem escreve bem.”

O livro As Eruditas do autor francês Molière, conta em 146 páginas a deliciosa história de um grupo de mulheres que decidem criar regras de quem é intelectual e quem não é, de acordo com suas interpretações. Elas convidam um “tosco” poeta pra declamar em suas reuniões e suspiram a cada frase que ele diz. Essas reuniões são na casa de Filomena, uma rica dama que tem duas filhas: a mais nova se interessa por filosofia e por isso não aceita a corte de Cristovam por quem Henriqueta a irmã mais velha é apaixonada. Quando Cristovam vê que Henriqueta também acha o poeta um imbecil, descobre que os dois têm muitas afinidades e se apaixona, pedindo ao pai dela, sua mão em casamento. Mas a sua mãe, tentando melhorar o lado cultural da filha, quer casa-la justamente com o poeta. O poeta vê nesse casamento a chance de receber um bom dote.

Essa comédia escrita em 1672 ainda traz uma reflexão para o atual momento em que as pessoas se acham no direito de “cobrar” leituras das pessoas só porque elas tem um partido político diferente, ou outra religião… Vejo frases do tipo “…livro…remédio pra curar a ignorância.” Pessoas portando livros já mataram outras pessoas. Assim como letra de música, cada um interpreta conforme sua bagagem cultural. Alguns vão ler livros dos grandes pensadores, outros vão ler quadrinhos. Alguns vão ouvir audio-books. A ironia da tradução de Millôr Fernandes deixa o texto divertidíssimo. 😀

Trechos do livro:”A mim pouco me importa que quando está cozinhando, ela coloque mal concordância e regência, diga palavras grosseiras, solte palavrões, e decline de forma errada: desde que não queime a minha carne assada. Me interessa mais a língua na panela do que na boca dela.” “Em princípio, contudo, lhe adianto que meu principal objetivo é colocar a mulher na posição que merece, pois o que nos deixa mais humilhadas é a situação de inferioridade a que fomos relegadas.” ” Por natureza eu sou peripatético. Mas acho uma boa posição, não ter nenhuma.”

Como um programa sensacionalista =/

O livro O Assassino Cego da autora Margaret Atwood, conta em 493 páginas duas histórias. A primeira delas uma senhora idosa relembra toda sua vida ao se ver perto de morrer. Seus fantasmas do passado a atormentam: a morte da mãe; seu casamento arranjado por seu pai que estava falido; a morte da irmã que se torna escritora póstuma; a morte do marido e a perda da guarda de sua filha.

A segunda história, que dá título ao livro, mostra um casal de amantes, que a cada encontro, ele a presenteia com uma parte da história desse assassino. Uma história cheia de mortes, sexo, fugas, fantasia, distopia, ficção cientifica. (Ufa!) E ainda tem os “recortes” do jornal da época, mostrando as notícias na coluna social, fases da vida da protagonista.

As duas histórias se unem na página 300 mas agente já sabe disso desde a página 100. Então parece aqueles programas policiais ou dramáticos, em que a mesma frase é repetida pra dar ênfase; e o apresentador dá uma pausa na melhor parte e diz “voltamos depois do comercial”. Ela demora pra contar um “segredo” que já ficou claro! A gente até torce pra que a autora nos surpreenda nas últimas linhas, mas isso não acontece.

Trechos do livro:” Havia um monte de deuses. Deuses sempre ajudam, servem de justificativa para quase tudo…” “Eu não devia submeter meu coração a tais testes, agora que fui informada de suas imperfeições; entretanto, sinto um prazer perverso em fazê-lo, como se eu fosse um brutamontes e ele um bebê chorão cujas fraquezas desprezo.” “Era como se eles tivessem bebido uma porção mágica que iria mantê-los afastados para sempre, mesmo que vivessem na mesma casa, comessem na mesma mesa, dormissem na mesma cama.” “Nenhuma criança do sexo masculino deve permanecer viva para crescer cultivando a sede de vingança por seu pai assassinado; nenhuma criança do sexo feminino para corromper o povo da alegria com seus modos depravados.”

Os Confederados

O livro Por Ocasião da Minha Última Tarde da premiada autora americana Kaye Gibbons, conta em 287 páginas a história de um homem muito mau que vivia com a família numa grande casa na Carolina do Norte. A história começa em 1842 e é contada em primeira pessoa pela filha desse homem, que vê os brancos enriquecerem às custas dos serviços dos negros escravizados. Ela e a mãe não concordam com as atitudes do seu pai e ela se casa com um “abolicionista” médico.

A partir daí o livro conta os horrores vividos durante a guerra dos confederados, onde ela ajuda o marido médico a salvar vidas. O pai dela continua mau até o final do livro: nem a guerra, nem a perda da fortuna, nem a doença que o faz ficar sem andar faz com que goste das pessoas.

É um livro dramático, pesado, mas muito bem escrito. Fiquei curiosa sobre esse período após esse post que fiz.

Trechos do Livro: “Ela não afagou meus cabelos, não me acalmou, pois tais delicadezas não eram do seu feitio e porque, naquele momento, não estava com nenhuma disposição de permitir que uma menina branca ficasse choramingando…quando era um dos seus…que fora assassinado…” “O velho disse que eu poderia ficar com os meninos, pois seus cérebros já tinham sido estragados para o trabalho decente.” “Então, beijou a testa de Clarice. Sentou na espreguiçadeira no canto do quarto e chorou, o amargo fruto por ter tratado Clarice como uma criada negra, e não como a mulher que transformara Seven Oaks num lar.”

Quando o Título Mente #2 🤨

⚠️Spoiler!

O livro A Lenda da Pedra Falante da autora Jocelyn Kelley conta em 255 páginas a história de uma moça ruiva, órfã, criada em um convento que treina as moças para se defenderem com o uso de varas. Elspeth, sendo uma das melhores, é escolhida pela rainha da Normandia pra encontrar “a pedra falante” que segundo a lenda pode matar o rei seu marido. Ela então vai tentar encontrar a “pedra” e destruí-la. Ela encontra um grupo de galeses que lhe convidam para ir com eles. E, de aventura em aventura, ela cumpre sua missão.

PROBLEMAS: No começo a autora dá a entender que “a pedra falante” pode ser qualquer coisa. Então vamos ficar atentos pra ver se é alguém! NÃO! A pedra é só uma pedra comum, que não fala, não acontece nada com ela. Seria melhor não traduzir o título original: One Knight Stands. 😐

A autora também não decidiu qual ponto de vista usar, então usou um narrador onisciente em primeira pessoa. Confuso? Você está lendo o que a personagem está pensando e de repente uma frase, que você têm que presumir quem está falando. Depois de umas páginas esse recurso fica normal.

É uma história bobinha para crianças. Mas NÃO pode ser, por causa das cenas tórridas entre a freira e um desconhecido.

Outro problema são os capítulos em forma de círculo: começa sempre com os dois em tensão erótica, uma luta ou problema, e os dois separados. Todos exatamente assim: ele gosta dela, mas não pode. Ela gosta dele, mas têm que cumprir a missão. Longe dele ela luta com homens e ganha, perto dele ela grita por socorro. Você começa o livro pensando em “empoderamento feminino” e termina o livro querendo bater na personagem principal. 😬

Trechos do livro:“Em tempos de periculosidade, quando aliados se transformavam da noite para o dia em inimigos, era quando uma mulher de sabedoria precisava estar mais preparada para enfrentar batalhas.” ” Porque você brinca tanto com o perigo…quando é dona de uma inteligência rara e de conhecimentos incomuns?” “Sabia que não poderia durar. Que em breve teria de lhe dizer adeus e seguir sozinha pelo nevoeiro…enquanto pudesse, ela permaneceria a seu lado, sem exigências.”

Experiências Familiares

O livro A Mulher Do Deus Da Cozinha da autora sino-americana Amy Tan conta em 457 páginas a história de uma imigrante chinesa. Ela resolve contar para sua filha todos os horrores da guerra, do casamento arranjado, do sofrimento da perda dos filhos, do mundo machista. A mensagem final é que o amor aparece onde menos se espera e que vale a pena. O título vem de uma história contada por ela, entre tantas histórias que ela conta para a filha. A capa mostra o desenho de uma padaria que não aparece na história: capa fake.

Trechos do livro: “…me deixa maluca ficar escutando suas várias hipóteses, o modo como a religião, a medicina e a superstição se fundem todas com suas próprias crenças.” “Foi criada numa família feudal, à maneira tradicional. Os olhos da menina não deviam nunca ser usados para ler, só para costurar. Os ouvidos da menina não deviam nunca ser usados para escutar ideias, só ordens.” “…sabia que tudo precisa ter um bom aspecto, um bom sabor, significar boas coisas. Desse modo dura mais, satisfaz o apetite, agradando também à memória por muito tempo…” ” Ele sempre chamava a isso de hobby…porque não havia palavra chinesa para designar uma atividade destinada só a passar o tempo, gastar dinheiro.” “Se uma coisa é ruim, ela faz com que pareça boa. Se é boa…ela contradiz tudo o que eu digo. Faz com que eu pareça estar sempre errada.” ” Isso me lembra a ocasião…quando…me perguntou no dia do meu aniversário qual a galinha do quintal que eu mais gostava. Escolhi aquela que vinha comer na minha mão. E naquela noite a Tia Velha botou-a na panela.”