Uma saga da Era Vitoriana

O Livro das Crianças não é um livro infantil. Escrito em 2009 pela autora inglesa A.S. Byatt, o livro de 671 páginas conta a história de Olive, uma senhora casada e com vários filhos em 1895. Uma novidade é que ela bancava a família com seu ofício de escritora de histórias infantis. Cercada pelo mundo das artes e cultura, todos à sua volta são modernos. Ela escreve um livro pra cada filho. Ela pensa que cada um criou sua própria fantasia. A família tem vários segredos e sussurros. Uma trupe de atores alemães passa um tempo na propriedade e encenam uma peça que deixam todos meio que anestesiados. Todos acham que o alemão que cria as marionetes tem poderes místicos.

Uma turbulenta saga familiar que começa na Era Vitoriana e termina na guerra. A autora passa todas as informações políticas de cada período. Os personagens representam as classes familiares da Inglaterra do Séc. XIX. Tem o grupo das artes, atores, ceramistas, pintores, bordadeiras. Tem o grupo das feministas com mães solteiras que se apoiam, médicas. E tem as histórias que Olive escreve, histórias dentro da história.

As meninas Fludd me lembram “as virgens suicidas”. O narrador é onisciente mas deixa dúvidas quanto ao sentimento dos personagens. Nas duas últimas partes do livro me pareceu que a autora quis incluir toda sua pesquisa e a história fictícia se mistura com os relatos históricos, transformando em um livro acadêmico. O livro tem muitas notas de rodapé com informações da tradutora Elisa Nazarian.

A autora é premiada. Esse livro foi indicado para o Book Prize 2009.

Trechos do Livro: “…tendo sido educada na atmosfera fabiana de uma justiça social racional, foi forçada a admitir que não tina ‘direito’ de se sentir infeliz, uma vez que era excessivamente privilegiada. ” “Sua mãe era uma boa e temente luterana que despendia tempo e dinheiro visitando hospitais para os pobres, organizando bazares e juntando roupas. Mas ela comia em porcelana Meissen, com colheres de prata. Havia inconsistências terríveis.” “Sentiu prazer também na inerte solidez das vidraças e da mobília polida, na fileira de livros arrumados à sua volta…”

História Italiana

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O livro O Leopardo do autor italiano Tomasi Di Lampedusa é um clássico ďos anos 60, contando a versão romanceada de fatos reais da história italiana. Muita trama política e religiosa numa história que começa em 1860 e vai até 1910, contando um pouco da vida do Príncipe Fabrizio e seu séquito. Fiquei meio decepcionada com a trama, por ter assistido ao filme do diretor Luchino Visconti filmado em 1963, que coloca o personagem do ator Alan Delon como principal. No livro ele quase não aparece, apenas serve de ponte para as histórias do Príncipe. Mas o autor era um crítico literário então ele escreve muito bem, fez uma pesquisa histórica para descrever os fatos políticos, apesar de demonstrar não querer falar mal de seu país.

Trechos do Livro: “Esperava que Tancredi também os notasse e que se desagradasse perante esses traços reveladores de uma diferença de educação. Trancredi já os havia notado mas, infelizmente, sem resultado. Deixava-se arrastar pelo estímulo físico que aquela belíssima mulher oferecia à sua juventude fogosa e, digamos, ainda pela excitação dos cálculos que aquela moça rica produzia em seu cérebro de homem pobre e ambicioso.”

O filme no original  Il Gattopardo é um premiado filme de 1963 do diretor italiano Luchino Visconti, e estrelado por Burt LancasterClaudia CardinaleAlain Delon e Mario Girotti (Terence Hill) entre outros, o filme foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento. 

O filme recria a atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o Risorgimento – longo processo de unificação dos Estados autônomos que originaram o Reino de Itália, em 1870. Essa parte é bem fiel ao texto do romance e o cenário político italiano é reconstituído com o intuito de interferir em dilemas dos personagens ficcionais.

.Retrospectiva.

O ano de 2019 não foi tão bom em leituras, não encontrei um favorito pra vida. Mas teve sim, bons livros, histórias interessantes e textos que valeram a pena do total de 58.

Comecei o ano lendo livros que troquei no sebo, que escolhi pela sinopse, então me decepcionei com a proposta do livro não corresponder com o blurb. Em fevereiro li Adorável Marquesa, que me surpreendeu: história deliciosa, romance no ponto certo. Também li uma peça de teatro do Moliére e achei divertidíssima! O drama O Amante também gostei muito. Li várias livros em inglês; apenas dois no original e os outros versões condensadas. O melhor deles foi The Birds.

Li vários livros com temas importantes: diversidade, feminismo, racismo, empoderamento, a mulher no trabalho. O melhor deles foi “O Ódio que Você Semeia” que se tornou filme.

Atualizei todas as listas de projetos de leituras e mudei alguns livros da coluna “quero ler” para “não vou ler”. Participei de Vários desafios de postagem no Instagram. Fiz sorteio de dois “kits” literários. E li o maior livro no primeiro semestre do ano: Battle Royale.

O segundo semestre começou com o Projeto de Leitura Compartilhada do livro em inglês “Judas, o Obscuro”, um drama lançado pela Tag Experiências literárias. Toda a playlist para o “shadowreading” está no Youtube. E também sobre o filme de mesmo título e textos de apoio.

Vi muitos filmes bons!! Livraria, This Beautiful Fantastic, Burlesque, Loja de Unicórnio, Fragmentado e A Grande Muralha.

“Vi” livros e filmes: 7 Minutos Depois da Meia-Noite: muito bom os dois!!

Vertigo (O Corpo que Cai) – Os dois muito bons.

Também fiz um review do livro da autora americana Tanya William: ela me enviou o livro através do app BookFunnel. Eu gostei da história, mas faz parte de uma série.

Duas séries do Netflix: Dark : é totalmente ” blowmind”, viagem no tempo, nos tempos. Eu me sentia viajando com tanta ida e vinda, mas tudo vai se encaixando.

The Witcher: fora mostrar mulheres seminuas 🙄, a idéia da história é muito boa e eu adoro sotaque britânico.

Que venha 2020 com coisas novas e mais livros e onde colocá-los. 💖

Um apanhado de histórias :/

O livro Leila Diniz da coleção “Personagens que Marcaram Época ” da revista de mesmo nome, é uma seleção de textos publicados em revistas e biografias da atriz Leila Diniz. Conhecida por ser uma mulher à frente de seu tempo, a primeira grávida a aparecer de biquíni na praia, a primeira a falar palavrão nas entrevistas, Leila marcou época sim, mas não se considerava feminista e até foi infeliz em algumas declarações sobre mulheres. O livro tem fotografias da atruz, mas também tem fotografias da época que não acrescentam nada à história.

Trechos do livro: “Só quero que o amor seja simples, honesto…sem as fantasias qie as pessoas lhe dão. ” “Todos os cafajestes que conheci na minha vida são uns anjos de pessoa.”

O Título poderia ser “Crime e Castigo”?

O livro O Fauno de Mármore (The Marble Faun or The Romance of Monte Beni) do autor inglês Nathaniel Hawthorne, conta em 288 páginas (em duas colunas) a história de um grupo de quatro amigos, dois casais, que resolvem conhecer a arte nas ruas de Roma. Este texto foi escrito em 1859 e nesse período as moças não viajavam sozinhas com homens. Mas nesse caso elas moram em Roma e eles em outras regiões. Acontece um crime durante um dos passeios e o grupo se divide. A consciência pesa pra quem cometeu, pra quem incitou e pra quem viu sem querer. E todas as páginas são marcadas pelas divagações do sentimento de culpa, diferente pra cada um.

O Narrador parece participar da história e tenta envolver o leitor questionando o que ele acha que vai acontecer. ⚠️Spoiler! Apesar de no final dizer “…não pretendemos dar ao leitor, no momento, nenhuma explicação formal sobre o assunto.” Então ficamos sem saber dos mistérios que acontecem durante a leitura.

Para explicar cada objeto artístico que o grupo encontra, o autor descreve detalhadamente as técnicas e materiais da obra. Isso pode tornar a leitura arrastada pra quem não gosta de descrição. Mas é uma delícia para os amantes das artes plásticas.

Trechos do Livro: “Nem homem nem animale contudo nenhum monstro, mas um ser no qual as duas raças se juntavam em terreno amigo.” ” É o espírito do espectador que transfigura a própria transfiguração. Desafio qualquer pintor a emocionar-me e impressionar-me sem a minha própria ajuda e consentimento. ” “Olhe: eu duvido que um monge se conserve na altura intelectual e espiritual que a miséria implica. Um monge – julgo pelas suas fisionomias sensuais, que encontramos a cada passo – é inevitavelmente um animal!” “…pois nunca poderá aprende-lo de seu próprio coração, que é todo pureza e retidão, a mescla de bem que pode haver nas coisas más…”

O objeto livro nessa coleção clássicos, tem a letra pequena e o texto é dividido em duas colunas por páginas!! Em edições americanas ele vem em dois volumes!! Achei que dificultou muito a leitura.

Também foi lançado uma série italiana baseada nesse livro:

Têm outros livros com o título parecido:

Contos que se repetem

O livro de contos Durante Aquele Estranho Chá da autora nacional Lygia Fagundes Telles conta em 203 páginas várias passagens de seus encontros com outros escritores famosos. Várias partes de um conto se repetem nos outros, por exemplo, o trecho em que cita seu pai como um jogador inveterado. Não escolhi um conto favorito. Talvez o subtítulo explique a situação:”Perdidos e Achados.”

Trechos do livro:”Levantou a mão e me atalhou, suplicante: Ouça, o que é mais importante para você, ser considerada mais bonita ou mais inteligente? Respondi sem pestanejar: Mais inteligente! Então ele riu o riso mais comprido daquela tarde, ah! Como eu era bobinha! Livresca e bobinha.” “A insegurança. O medo. E o espanto diante da velhice que rápida ou lentamente vai nos levando para o fim. A obsessão pelo culto do corpo na esperança feroz (vaidade das vaidades!) de que esse corpo consiga resistir até o infinito.” “Tão livre o escritor Jorge Amado. Ao mesmo tempo, tão vinculado a essa Bahia-de-todos-os-Santos. Fugia, às vezes, para ir escrever em Paris…”

Review by A Man Called Smith

O livro A Man Called Smith em parceria com a autora americana Tanya William conta um drama familiar.

This is a family saga, told by father and daughter. With each chapter we have Calla and Jhon’s vision of the events: Violet’s death, the remarriage, the stepmother who is already pregnant.
Calla’s chapters are more interesting because she rebels against her stepmother and will try to live, while her father’s chapters are slow because he still loves the woman who is gone, only married because he was going to be a father, always seems bored with life .
We only know the stepmother through the narrators’ view: we do not know the reason for their attitudes. But you could already feel the narrators influencing the reader to dislike her from the beginning.
An easy-to-read story for those who enjoy family dramas.

Existe um outro livro de mesmo nome: