Suspense e mistério é possível!

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O livro Vertigo dos autores Boileau-Narcejac foi levado às telas do cinema por Alfred Hitchcock em 1958. Esta edição em capa dura com 192 páginas, da Editora Vestígio tem o subtítulo Um corpo que Cai, nome dado ao filme no Brasil. A história se passa durante a guerra: um advogado pobre é contratado por seu amigo rico pra seguir e vigiar sua esposa que anda muito esquisita. Ele começa a segui-la e a salva de um possível afogamento. Então ele se apaixona. Durante todo o tempo ele tenta reprimir a paixão mas continua saindo com ela. Até que ele acha que pode salvá-la da loucura. Mas ela se suicida na frente dele.

A segunda parte do livro se passa cinco anos depois, quando ele volta à Paris e descobre que seu amigo já faleceu e no período de investigação quase foi preso suspeito de matar a esposa. Novamente ele se culpa por não ter contado sobre sua paixão.

O final é surpreendente. 🙀

Trechos do livro:” …deixou que ela se afastasse um pouco. Chegou a pensar em voltar para casa. Mas o fato é que segui-la lhe dava uma sensação de embriaguez…” “…ela exercia sobre ele uma estranha influência; absorvia, literalmente, todas as suas forças; ele representava, junto a ela,…de certo modo, de doador de alma.” “… o segredo da sua indiferença. Ela tinha saído da vida sem nenhuma hesitação; caiu na terra, de cabeça, braços abertos, como para melhor possuí-la, afundar-se inteira nela. Não estava fugindo. Estava voltando para alguma coisa.”

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Gutenberg: a ficção da história real.

O livro O Aprendiz De Gutenberg da autora americana Mestre em Belas Artes Alix Christie, conta em 366 páginas a história do processo de criação dos primeiros tipos e primeira impressora nos anos 1450 na Alemanha. Gutemberg tinha toda a idéia de repetição de textos feitos em placas de zinco ou formas de letras de madeira. Com a injeção de dinheiro por um rico mercador chamado Fust ele vê a chance de ganhar dinheiro com os negócios escusos da igreja e da política. Então Fust decide trazer seu filho adotivo para aprender o negócio da prensa de livros. Peter acha isso tudo uma blasfêmia já que ele estudou a vida toda para ser um escriba. A história tem dois tempos: no presente onde Peter é rico e dono da melhor gráfica e o passado onde tudo começou.

Nada se passa de forma simples, muitas intrigas religiosas, traições aonde envolve dinheiro e no final as idéias do escriba para reproduzir sua própria escrita e salvar os livros dos soldados é emocionante.

A autora fez toda uma pesquisa na Alemanha e em Londres e a capa do livro é uma reprodução das iluminuras do velino de Gutemberg.

Trechos do Livro:” Pela lei, o mestre tornava-se seu pai a partir do momento em que Peter entrou para trabalhar com ele. ..como aprendiz, ele agora pertencia a esse louco, assim como se tivesse nascido filho dele.” ” O negócio de qualquer negócio é descascá-lo: quanto mais limpo e mais simples, melhor…” “…apreciava status. Era a maldição de todos os que nasciam sem privilégio nenhum, mas dotados de cérebro para tentar subir na vida.” ” Como era odioso o poder deles agora, dispostos contra a respiração desses novos homens, o alvoroço da renovação fluindo pela oficina…” ” A carta expedida pelo papa naquele ano era do tipo mais alto: uma indugência plenária garantindo a remissão completa de todos os pecados.”

Eu não li Jane Austen

Quer dizer, não li Orgulho e Preconceito, que inspirou essa história:

O livro O Diário Secreto de Lizzie Bennet dos roteiristas Bernie Su e Kate Rorick, conta em 364 páginas a versão em livro da série de Tv de mesmo nome. Uma jovem na pós graduação resolve falar sobre as novas mídias sociais, então com a ajuda da amiga ela cria um canal no Youtube para fazer parte do seu projeto final do curso. Essas gravações são em sua casa onde mostra sua “versão dos fatos” sobre sua mãe controladora, seu pai super light, sua irmã criativa e outra irresponsável, seus amigos e conhecidos. As visualizações crescem muito rápido e sua professora pede pra conhecer pequenas empresas que fazem esse tipo de trabalho com mídias. Ela descobre que as pessoas não são exatamente o que ela pensa. O ser humano é complexo e não as idéias superficiais de uma estudante de mestrado. (WTF?)

O livro tem a capa em forma de diário, uma foto da atriz que faz a personagem principal na TV. A história é boa, mas com umas partes meio irreal: como uma moça já estudando mestrado em comunicação não presta atenção ao que está acontecendo à sua volta? Ela “define” cada pessoa e bota um rótulo. Simples assim. E depois ( muitas burradas depois) ela consegue enxergar o que cada um pode ser. Ou não. Não consegui assistir nem dois episódios da série: achei muito ruim.

Trechos do Livro: “O projeto é registrar minha vida em casa em novas mídias, e eu não vou conseguir fazer isso direito se…Além do mais, só vai durar algumas semanas.” “…toda vez que alguém faz contato comigo online e diz que gosta dos meus vídeos…eu meio acho que estou conseguindo.” “Foi pra isso que inventaram o Facebook: para manter a uma distância segura pessoas das quais você não quer se lembrar.” “Mas, quem sabe, talvez eu esteja errada- eu errei em relação a muitas pessoas ultimamente.”

Games e anos 80

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O livro Jogador Nº1 do autor americano Ernest Cline, nesta edição que tem a capa do filme 😐 , conta em 460 páginas uma história que se passa no futuro onde a humanidade passa fome, não tem emprego e nada pra fazer (me parece o agora) e para “escapar da realidade” vivem em um mundo virtual produzido por uma empresa chamada Oasis (Paraíso). Existe uma empresa rival que quer dominar a internet chamada IOI (a criação dos zeros e uns já foi chamado de sinal da besta). O criador da empresa Oasis ao morrer sem herdeiros, quer deixar a empresa para um dos jogadores que mais conhecem sobre ele e seu gosto por cultura pop dos anos 80: jogos, músicas, filmes, livros. E para ganhar esse prêmio eles devem jogar um jogo específico onde um easter egg vai dar o prêmio a o primeiro que encontrá-lo. O personagem principal é um jovem que está terminando o colégio e passa horas dentro da plataforma jogando e só tem amigos virtuais. Ao entrar na competição e conseguir passar o primeiro portal, ele cria inimigos virtuais e tem que criar uma identidade falsa para fugir deles. Ele e seus amigos se unem para destruir o mal e bem vence novamente!

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O livro que é de 2015 gerou um filme esse ano, co-escrito pelo próprio autor. Não consegui ver o filme até o final. Acho que o livro é mais a demonstração de que o mundo virtual deixa as pessoas solitárias e vazias. O filme foca mais no jogo e na competição por dinheiro. Vale a pena a aventura.

Trechos do livro: “O processador era mais lento que um bicho-preguiça em comparação aos padrões atuais, mas atendia minhas necessidades. O laptop servia como minha biblioteca portátil para pesquisas, centro de jogos e home theater.” “…não demorei a descobrir que o OASIS era também a maior biblioteca pública do mundo, no qual até mesmo um menino sem nenhum centavo, como eu, tinha acesso a todos os livros. ..” “Quando evoluímos. ..nos espalhamos pelo planeta todo como um vírus incontrolável. ..depois de travarmos um monte de guerras por causa de outras terras, de recursos e de nossos deuses inventados, acabamos organizando nossas tribos em uma “civilização mundial”. “Diferentemente de seus colegas do mundo real, a maioria dos professores de escola pública do OASIS parecia gostar muito do que fazia, provavelmente porque não tinha de passar metade do tempo agindo como babás e disciplinadores.” “Você se surpreenderia com o tanto de pesquisa que se pode fazer quando não se tem vida. Doze horas por dia, sete dias por semana, é muito tempo de estudo.”

Proibido para Menores de 30. =0

O livro Laranja Mecânica do autor britânico Anthony Burguess, conta em 274 páginas (nesta edição comemorativa com 342 pág, com textos extras) a história de Alex e o livre arbítrio. Alex é um jovenzinho de 15 anos que tenta formar um grupo de desordeiros com mais três rapazes para “aterrorizar” o bairro onde mora. No começo da história, contada por ele mesmo,  ficamos sabendo que ele já foi preso anteriormente por esse motivo. E aí ele conta detalhes do sadismo, perversidade e anomalia do ser meio-humano que ele é. E não comete essas atrocidades porque está em grupo, não. Ele conta o estupro de crianças que ele pratica sozinho. E conta sobre a omissão de seus pais sobre sua conduta, quando deixa de ir à aula ou traz dinheiro pra casa. Então, ao ir novamente preso, pede pra participar de um programa do Governo que fará com que saia da cadeia pra nunca mais voltar. Esse sistema é um tipo de “hipnose/lavagem cerebral” que associa sensações físicas ruins quando ele pensa ou fala ou tenta fazer coisas ruins. E funciona. Ele sente vontade de vomitar e se sente doente toda vez que vê uma imagem das coisas que ele fez. Mas aí começa a briga dos “eleitores contra o Governo”, dizendo que esse método vai contra o livre-arbítrio do cidadão.

Problemática: A fala do personagem é transcrita toda numa gíria inventada por eles, o que torna o texto cansativo e às vezes chato. Parece que você está falando com um bebê: da-da-dá-gu-gu-gu.Se é apenas parte do texto, ok, mas abandonei Grandes Sertões por esse motivo: escrever conforme a fala, o livro TODO. A capa e a diagramação em papel diferenciado incentiva pegar o livro, mas as ilustrações são horríveis. Os textos extras também são bons.

Porque é bom? A escrita do autor, quando não usa palavras inventadas, é muito boa. Ele te convence a simpatizar com o monstro do Alex. Como faz isso? Fazendo ele usar palavras cultas, gostar de música clássica onde a Nona Sinfonia de Beethoven faz o fundo musical dessa história. E mostrando que tirar o livre-arbítrio da pessoa, pode tirar a parte ruim, mas leva a parte boa junto. O filme, do ótimo diretor Stanley Kubrick, peca por escolher atores tão velhos para o papel, mas já virou um clássico! (O livro é de 1962 e o filme de 1971.)

 

Trechos do Livro: “…a tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluida e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios…afirmo que a tentativa de impor leis…” “A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro…bondade é algo que se escolhe.” “Pode não ser bom ser bom. Ser bom pode ser horrível. E quando digo isso a você, percebo o quão auto-contraditório isso soa.”

Um Personagem Egocêntrico

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O livro Solar do escritor inglês Ian McEwan, conta em 338 páginas, edição portuguesa, a história de um Prêmio Nobel de Física que recebe verba para suas pesquisas sobre energia. Ele coordena uma equipe e vê que não está dando muito certo e um de seus alunos oferece um dossiê com suas pesquisas, que ele nem olha. Após a morte desse aluno dentro de sua residência, em circunstância irônica, ele usa as pesquisas do aluno como se fosse sua e remodela suas pesquisas.

Problemática: o personagem rouba idéias; teve cinco casamentos e traiu todas elas; é gordo, baixo e calvo; um porcalhão; desleixado; usa tirinhas de bacon pra marcar livros; Ganancioso, egoísta, maquiavélico e mentiroso (segundo o próprio autor pág. 207). Tudo isso e se acha melhor que os outros.

Autêntico: a capa: linda, num tom de azul, com textura e remete à história. Os estudos científicos citados no livro, me fizeram lembrar do livro de Stephen Hawking que acabei de ler, então sei que o autor fez uma boa pesquisa sobre o aquecimento global e Mecânica Quântica.

Trechos do Livro: “…compreendendo que Beard tinha tudo pra ser um pai horrível, elas haviam se protegido…” “Se um extraterrestre chegasse à Terra e visse toda essa luz do sol, ele ficaria pasmo ao saber que temos um problema de energia.” “Às vezes lhe parecia haver pegado carona a vida inteira no trabalho de um jovem, um físico teórico mais competente e mais devotado do que ele jamais poderia ser.”

O Desserviço do Sr Balzac =/

O livro A Mulher de Trinta Anos do francês Honoré de Balzac, com 192 páginas, conta a história de Julia desde sua juventude, passa por seu casamento e as desventuras da sua “idéia” de casamento, até a velhice onde termina com remorsos e arrependimentos. Esse livro e seus personagens faz parte dos volumes de A Comédia Humana. O texto é descrito em detalhes sobre o físico, o vestuário, as terras, as construções de forma dramática. Mostra a importância social que o dinheiro tinha no pós-revolução francesa, mais do que os interesses religiosos, políticos ou familiares.

Problematização: Apesar de ser uma releitura, a história não sobreviveu às notas dadas anteriormente. A tradução é de Pietro Nassetti, nessa edição da Martin Claret, mas não sei se a introdução também é dele, porque me incomoda o texto: “Balzac prestou às mulheres um serviço imenso, que elas nunca lhe poderão agradecer suficientemente, pois duplicou para elas a idade do amor.” Foi um desserviço, já que, neste livro, o amor que ela vive é extraconjugal, se arrepende, continua com o marido que não ama por aparência. O título do livro fala de apenas um capítulo da história. A capa do livro é horrível: mostra um rosto jovem com cabelos brancos. Vou pedir à Beatriz Paludetto pra refazer essa capa!

Trechos do livro: “…os velhos inclinam-se bastante a dotar de suas mágoas o futurodos moços.” “As moças criam…figuras ideais…a respeito dos homens…amam no homem de sua escolha essa criatura imaginária…enfim, se transforma num esqueleto odioso.” “Acima de tudo, seu instinto, delicadamente feminino, dizia-lhe que é muito mais belo obedecer a um homem de talento, do que conduzir um tolo…” “As mulheres têm um inimitável talento para exprimir seus sentimentos sem empregar expressões demasiado vivas; sua eloquência está principalmente na entonação, no gesto, na atitude e no olhar.” “A gente se casa com uma mulher bonita, ela se torna feia; julgamo-la ardente, ela é fria..”