Liberado para alunos? =/

noite

O livro Noite na Taverna do autor nacional Álvares de Azevedo, é uma espécie de livros de contos de terror. Em 86 páginas temos cinco amigos mais o narrador que estão em uma taverna bebendo já algum tempo e resolvem contar histórias de loucuras de amor, do ato de fazer amor literalmente. E essas loucuras incluem amar uma moça e descobrir ser sua irmã (incesto); amar a mulher do seu “salvador” e traí-lo sequestrando a moça; amar a mulher do patrão e fazê-la cometer um crime; amar uma moça que morre e trazê-la de volta à vida (necrofilia).  Nenhuma das histórias termina bem, mas nenhuma delas pode ser verdade, já que todos sobreviveram a essas histórias absurdas, dramáticas e aterrorizantes. “…o sentido geral de todas elas é único: as paixões mais intensas são fatais e levam os amantes a todo e qualquer tipo de transgressão; os que não morrem delas viverão condenados ao remorso eterno…”

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Literatura da época do Romantismo brasileiro, narrativas que idealizavam a mulher amada como objeto de adoração e que misturam amor e morte, esse livro foi publicado em 1855. Vê-se no autor a influência européia na escolha dos nomes dos personagens, nos lugares onde se passam as narrativas e nas citações de poetas e filósofos estrangeiros. Já foram lançadas Hq e várias escolas já postaram trabalho de alunos do Ensino Médio sobre o livro. Minha opinião: muito drama, pouca história. Existem livros mais interessantes desse período pra indicar aos alunos.

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dia das mães/luto…

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Para sempre … (Carlos Drummond de Andrade)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 

O amor não realizado e a transição política

O livro Esaú e Jacó, penúltimo livro de Machado de Assis, com 277 páginas, publicado em 1904, foi escrito em uma época de transição na política brasileira: o país deixava de ser uma Monarquia para ser uma República. Então o livro conta a história de duas famílias vivendo esse momento político. A família dos gêmeos Pedro e Paulo (sim! o título do livro é só pra te enganar – não existem personagens com esses nomes) que querem e vão ser advogado e médico e futuramente deputados, e a família da moça Flora, apaixonada pelos dois irmãos e objeto de paixão dos mesmos. Gêmeos idênticos, mas com personalidade diferente, os dois fazem um acordo de “sair de campo” quando Flora escolher um deles. Mas a moça começa a ter alucinações de que os dois são um só, porque gosta de ambos, então enfraquece e morre. E os dois seguem concorrentes na vida.

No livro aparece Aires, um personagem de outro livro de Machado. O autor escreve como se estivesse conversando com ” a leitora”. Em alguns capítulos ele chega a contar o que vai acontecer no próximo. Achei que ele queria contar uma história e resolveu mudar o roteiro no final do livro. Pra não se parecer com os personagens do título.

Trechos do livro: “Eis aí vinha a realidade do sonho de dez anos, uma criatura tirada da coxa de Abraão, como diziam aqueles bons judeus, que a gente queimou mais tarde, e agora empresta generosamente o seu dinheiro às companhias e às nações. Levam juro por ele, mas os hebraísmos são dados de graça.” “…enquanto ele enfiava uma beca no jovem advogado…também lhe ensinava a enriquecer depressa; ajudá-lo-ia começando por uma caderneta na Caixa Econômica…” “Nada disso foi escrito como aqui vai,, devagar, para que a ruim letra do autor não faça mal à sua prosa.” “Não amava o casamento. Casou por necessidade do ofício; cuidou que era melhor ser diplomata casado que solteiro…” “O salto é grande, mas o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo.” “A abolição é a aurora da liberdade; esperemos o sol; emancipado o preto, resta emancipar o branco.”

Um Livro que Cumpre Todos os Desafios Literários! =D

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O livro A Misteriosa Chama da Rainha Loana, do escritor italiano Umberto Eco, com 447 páginas, consegue cumprir vários, se não todos os desafios literários. O que pode ser encontrado nele?

  1. Livro com figuras
  2. História em quadrinhos
  3. Poesia
  4. Música
  5. Romance Ilustrado
  6. Jornal
  7. Guerra
  8. Política
  9. Religião
  10. História
  11. Filosofia
  12. Cinema
  13. Coleção de Selos

O autor conta a história de um livreiro que perde a memória e após voltar do coma, com a ajuda da família, retorna à casa de sua infância para tentar recuperar os acontecimentos através da biblioteca de jornais, livros e revistas de seu avô. Contada em primeira pessoa por um desmemoriado (narrador não-confiável), que consegue se lembrar de vários textos decorados de seus autores favoritos, mas não consegue se lembrar de sua família e seus amigos. O autor mostra que novamente ele usou uma extensa pesquisa sobre Acervos do período da segunda guerra. Tem uma comparação do esquecimento com a névoa que é citada em vários autores clássicos, como um mistério a ser desvendado. Tem piada machista, racismo, ironia sobre religiões, ironias sobre a guerra. O título do livro veio de uma Hq que ele compara a chama aos impulsos elétricos  da memória.

Trechos do Livro: “Você lembra de idéias e hábitos, mas não de sensações, que no entanto são as coisas mais suas.” “Desculpe. Não consigo dizer nada que me venha do coração. Não tenho sentimentos, só ditos memoráveis.” “…prateleiras cheias de livros… Pela primeira vez tinha a impressão de estar num lugar onde me sentia à vontade.” “…as citações são meu único farol na neblina.” “…você tem uma memória de papel. Não de neurônios, de páginas.” “…um psicólogo lhe contou que em toda sua carreira nunca encontrara uma criança neurotizada por um filme (mortos-vivos), exceto uma vez…irremediavelmente…fora arruinada por Branca de Neve” “Não me espanto com o que aprendo, que só confirma o que compreendi sozinho. Mas o pensamento de que alguém me surpreenda enquanto leio, e perceba que percebi…” “Sonhamos falsas lembranças. Por exemplo, lembro que sonhei mais de uma vez que finalmente voltava a uma casa que não visitava há muito tempo…percebia que a lembrança pertencia ao sonho…nos sonhos nos apossamos das recordações de outros.

“Mas aonde vais bela da bicicleta

tão depressa pedalando com fervor

tuas pernas esbeltas, torneadas, lindas

em mim já semearam

no coração esse ardor.

Mas onde vais c’os cabelos ao vento

o coração contente e o sorriso

encantador…

Se quiseres, e quando quiseres,

chegaremos ao limite do amor.”

Livro pra Vida! =D

 

cartas

O romance epistolar Cartas a Um Jovem Poeta, do poeta alemão Rainer Maria Rilke, são cartas que o jovem Franz Kappus recebeu do Rilke, entre 1903 e 1908, quando lhe pediu conselhos sobre a escrita e em vez de aconselhar, ele lhe falou da vida, dos amores e da necessidade de se conhecer, tudo escrito em forma de poesia, não de estrofes e rimas, mas de ritmo e de leveza.                                                                                                                      Essa edição da Globo, com 111 páginas, tem uma capa maravilhosa que mostra um pote de nanquim aberto, da fotógrafa Regina Stella; tem Prefácio escrito por Nei Duclós e Cecilia Meirelles; tem uma introdução do jovem Franz que também disponibilizou o poema citado nas cartas: A Canção de Amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke.

Trechos do Livro: “Depois de feito esse reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade.” “Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor.” “Um mundo se abrirá aos seus olhos: a felicidade, a riqueza, a inconcebível grandeza de um mundo.” “O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.”

carta

EM FORMA DE POESIA.

LIVRO

O Livro das Perguntas do escritor e poeta Pablo Neruda com 78 páginas, nos mostra questionamentos a respeito de tudo: desde porque o mar é salgado se os rios são doces até porque o mel é amarelo e não azul. Lançado em 2006 com ilustrações de Isidro Ferrer, este não me pareceu um livro infantil, categoria escrita na ficha catalográfico do livro. Nem todo livro ilustrado pode ser utilizado em sala de aula, esse é um exemplo. As poesias são parecidas com o Haicai, forma de poesia oriental, sem quadras, sem rimas, desconexas. Algumas das colagens feitas pelo ilustrador são interessantes, principalmente as que mostram ele próprio e o autor. O livro tem muitas citações que só leitores mais experientes vão entender: “Tem mais folhas uma pereira que Em Busca do Tempo Perdido?”, numa clara menção à obra de Proust; “Onde plantaram os olhos do camarada Paul Éluard?” citando o poeta francês; “Quando escreveu seu livro azul Rubén Dario não era verde?” poeta nicaraguense; e muitos outros poetas. Mas não adianta apresentar o texto aos alunos e simplismente dizer quem era Proust. Tem uma contextualização subjetiva para que ele fosse citado nesse poema/pergunta. E isso não é aconselhável numa aula de poesia como explica a  educadora Isabel Furini  “As aulas de poesia para crianças devem ser lúdicas. Será necessário fazer ênfase nos efeitos de sonoridade, de cores, de imagens, de movimento…nem todos os alunos terão habilidade poética.” Então mudaremos a categoria desse livro para adulto =)

Algumas perguntas realmente soam poéticas: “As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos? Ou serão rios invisíveis que correm para a tristeza?” “Porque se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?” “Sofre mais quem espera sempre ou quem nunca esperou ninguém?”

 

#SpecialTips música alemã

#SpecialTips #3 de hoje é a dupla Pop alemã Ich+Ich com Adel Tawil e Anette Humpe já ganhou muitos prêmios de melhor duo, melhor canção e sempre é indicada nas aulas de alemão A1 com a canção “So soll es bleiben”, que eu cantei um semestre inteiro!

Vale a pena conhecer canções novas, sair da zona de conforto e ver como somos tão parecidos ao redor do mundo. Trecho da música:

“Abraçar-me
Leve-me para outro mundo
me acalmar
Diga  o que você pensa de mim
Dê-me sua energia
Eu estou aqui como um pobre na frente de você.”