O Bem mais precioso ♥♥♥♥♥

 

O livro Memória da Água da autora Emmi Itäranta, uma mestre em escrita criativa, que em 284 páginas, coloca a água como personagem principal nessa aventura dramática. De autora finlandesa que ficou entre os finalistas do Prêmio Philip K Dick Award com este livro, a história se passa num mundo futuro, parecido com o Japão do passado. Nesse mundo futuro a água é escassa, mas a história tem como cenário uma casa de chá, então um ítem necessário para a cerimônia.

O exército que distribui as cotas de água para a população, pinta um círculo azul na porta da casa de quem foi pego escondendo água – daí a capa do livro – e também o desenho dos dragões, que são vistod nas festas da Lua. Depois da morte de seu pai, a personagem da casa de chá, se vê obrigada a dividir sua água com pessoas da cidade e é descoberta pelos guardas. então o símbolo azul é pintado em sua porta e ela deixa sua história registrada.

Trechos do livro: “…nunca tinha ouvido um som reverberar assim, livre, impulsionado unicamente por sua própria força e vontade…ele me envolvia e me atraía, até que comecei ter a impressão de estar escutando por entre as paredes, dentro do escuro.”

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Finalizando 2016

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Este ano foi muito produtivo em termos de leitura. Fechei minha planilha com 67 livros lidos!! photophoto

Neste ano viajei por autores e histórias de vários países, também recebi visitantes de vários lugares:

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O menor livro lido tem apenas 40 páginas, mas uma história imensa. O maior livro tem 699 páginas que foram lidas num fim de semana!! 😀

Releituras, livros odiados, desperdício de tempo, livros amados, autores que se tornaram favoritos, histórias diferentes, infantis, mangás, HQ, adaptações, biografia, fatos reais, fantasia, terror, trilogias, nacionais, poesia, filmes, clássicos…De tudo um pouco que é pra manter a chama acesa!!  ❤

Que venha 2017!!

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Volta ao mundo, lendo livros =D

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Este ano tive a oportunidade de ler livros de vários autores, de vários lugares do mundo e também histórias que se passam em lugares diferentes.

Este livro sobre o artista Rembrandt,  Van Rijn da autora Sarah Emily Maino, mistura ficção e realidade  em 441 páginas. A história de um rapaz que não quer seguir os passos de seu pai e continuar publicando mapas. Ele quer editar seu próprio livro na distante Amsterdã do século XVII e escolhe um pintor obscuro para seguir e descobrir os mistérios de sua vida e os segredos de suas obras. A diagramação também tem um diferencial: o diário de Rembrandt é escrito em itálico e a história de como o rapaz/editor chegou até ele, em letras normais, mas em formato de peça de teatro; também temos versos e poesias na obra; temos algumas crônicas avulsas; citações bíblicas; temos cartas trocadas entre os personagens; temos listas de tarefas ou de compras; alguns capítulos possui o título no latim original; e também muitos capítulos dedicados à filosofia e à arte. O livro também fala de técnicas de pintura e de religião, talvez porque a maioria dos quadros descritos, são versões para passagens bíblicas. Gosto de ler sobre esse período e a autora fez uma pesquisa muito boa e ganhou um prêmio por este livro. Acho que a edição ficou devendo alguns dos belos quadros do pintor.

Suspense e mistério!!

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O Pálido Olho Azul, livro do autor Louis Bayard, com 426 páginas é um thriller de 2006, que começa com o testamento escrito de próprio punho pelo personagem principal. Ele decide narrar os fatos como aconteceram. Também existem capítulos que são narrativas de seu amigo e ajudante de detetive Edgar Alan Poe – esse mesmo, o poeta. Como todo bom suspense, começa com uma morte e sem um suspeito, e labirintos de buscas e caminhos que levam à outros caminhos, e o surpreendente final, porque ultimamente leio livros que deixam um mistério no ar: esse vai sendo escrito mesmo após o desfecho do crime, da punição do assassino, de todas as pontas soltas estarem unidas. E aí, pah! Vem um novo ponto de vista que muda toda a trama! Gostei da escrita, gostei das insinuações que fazem o leitor pensar; claro que tem passagens inverossímeis, difíceis de se tornar real, mas até isso faz parte do sobrenatural que envolve a história. Gosto de livros com começo, meio e fim.

E o título tem tudo a ver com o poema que vai desvendar a história. =)

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Outra forma de contar uma história

Ana e Pedro - Cartas

Quem cresceu nos anos 80 já passou pela experiência MARAVILHOSA de se corresponder por meio de cartas! O livro Ana e Pedro – cartas é um novo conceito de se contar uma história. Os autores Vivina de Assis, de São Paulo e Ronald Claver de Minas Gerais criaram dois personagens e uma correspondência real entre eles: trocaram cartas desses personagens durante um tempo e transformaram em livro. Idéia boa e que funcionou muito bem nesse caso. A história de 84 páginas não tem começo – bem, tem a primeira carta – e você usa a imaginação para dar um fim à história de dois adolescentes que tentam transmitir emoções em palavras escritas. Vale a pena ler. =)

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Romance em forma de Poesia

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O livro de 1986 Janela do Sonho, da autora Patricia Bins, com 144 páginas, pode ser lido solo, mas é o último volume da Trilogia da Solidão. Li apenas este, porque estou tentando ler mais autores nacionais contemporâneos. Ela tem uma forma poética/dramática de contar a história da derrocada da família de Maria, o abandono de seu marido, o suicídio de sua filha, o casamento fracassado de seu filho, a revolução nas ruas de seu bairro e sua casa caindo aos pedaços. A capa é um óleo sobre tela de Ado Malagoli. Não combina com a história, mas é bela.

Trechos do livro: “…parei desde criança para a luta, para a conquista de posições justas e humanas. Filho de gente humilde, conheci na carne o câncer social…talvez por isso ainda não tenha tido tempo de amar uma única mulher. Não acredito em casamento  institucional ou em “tradição, família e propriedade” nos moldes atuais.”

Formas de escrita: novidade =)

Já falei sobre essa novidade aqui no blog, mas quero “reblogar” o post do Leonardo Villaforte sobre Remix Literário:

“MixLit 69: Encontro

Uma mulher nos abriu a porta. Era a mulher que fazia os serviços da casa.1 Usava um tipo de saia espanhola com muitas cores e uma espécie de bustiê.2 Para tirar o cheiro da gordura da chapa em que trabalhava, ela ensopava de creme rinse o cabelo meio louro, meio preto.3 Parecia realmente maravilhosa.4 Fiquei paralisado.5 O que conversar? Como puxar assunto?6 Eu estava com medo, claro. Sentia medo de, por causa de um movimento infeliz,7 não me dar bem.8 Depressa, homem, depressa – balbuciei, quase sem fôlego.9 Bateu aquele frio na barriga. Respirei profundamente e caminhei10 com um olhar brilhante, impenetrável. Inclinei-me para beijá-la.11

Bruce-French_Darkness-is-the-Absence-of-Light,-Orange– Fora daqui – murmurou.12

– Não.

– Você está pálido.

– Eu sou pálido. Vamos, ande.13 Não vou assustá-la de novo.14

Você sabe muito bem que tudo vai piorar.15

Eu estava entregando os pontos. Teria entregado os pontos se não fosse uma voz que se fez ouvir no meu coração. Essa voz dizia:16 ela precisava da minha companhia.17

Quando voltarei a vê-la?

– Telefono para você amanhã ou depois – disse ela.18

O meu rosto assumiu uma expressão severa e determinada.19

Promete?

Ela assentiu.

– Pode ligar para a minha casa ou a livraria. O número é o mesmo. Você tem, não é?20

Marquei de pegá-la na saída do trabalho.21

Nunca mais nos encontramos.22


1 João Gilberto NOLL. Hotel Atlântico. Em: Romances e contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p.408.

2 Meg CABOT. O diário da princesa, Vol.1. Tradução de Fabiana Colasanti. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.136.

3 Marcus Vinícius FAUSTINI. Guia afetivo da periferia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009, p.86.

4 Meg CABOT. Idem.

5 Carlos Ruiz ZAFÓN. A sombra do vento. Tradução de Marcia Ribas. Rio de Janeiro: Suma de Letras/Objetiva, 2007, p.256.

6 Thalita REBOUÇAS. Ela disse, ele disse. Rio de Janeiro: Rocco, 2010, p.9.

7 Ricardo LÍSIAS. Anna O. e outras novelas. São Paulo: Globo, 2007, p.16.

8 Meg CABOT. Idem.

9 Yann MARTEL. As aventuras de Pi. Tradução de Maria Helena Rouanet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, p.180.

10 Thalita REBOUÇAS. Idem.

11 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem, p.257.

12 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem, p.256.

13 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem.

14 Rick RIORDAN.  Percy Jackson e os Olimpianos – O mar de monstros.  Tradução de Ricardo Gouveia. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009, p.278.

15 Rick RIORDAN. Idem.

16 Yann MARTEL. Idem.

17 Thalita REBOUÇAS. Idem.

18 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem.

19 Yann MARTEL. Idem.

20 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem, p.257.

21 Marcus Vinícius FAUSTINI. Idem.

22 Marcus Vinícius FAUSTINI. Idem.
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Este MixLit foi feito com os livros escolhidos para as seis oficinas de remix literário que dei durante a semana de dia das crianças no SESC Barra Mansa, Rio de Janeiro. Aproximadamente 100 estudantes, de 8 a 15 anos, remixaram essas mesmas páginas, montando seus próprios textos a partir das mesmas fontes.”

Acho que qualquer forma é válida para criar o próprio texto. Mesmo quando não usamos esses “recortes visíveis”, as referências estão lá, na nossa mente, todo o tempo. A forma de poesia chamada “poesia de lombada” é um recorte de textos. Só temos que preocupar com o chamado plágio -O crime de plágio está tipificado no artigo 184 do Código Penal. O que não acontece com Leonardo porque ele cita suas fontes. Existe um limite para toda arte, onde a parte do todo deixa de ser inspiração e passa a ser uma cópia. Para o desenho, onde você pode se inspirar em um artista para criar sua arte:

perolaEsta é uma versão, feita com jujubas, do quadro ‘Moça com Brinco de Pérola’, de Johannes Vermeer.

Em uma partitura musical, podem acontecer pequenos trechos parecidos,  assim como uma sequencia de acordes. Ou postar e chamar de “cover”. E é muito subjetivo porque um ouve a música e acha que o som parece com uma música famosa e outro já não  consegue ver semelhança.

Então vamos apenas testar as formas de escrita e compartilhar. =)