A revolução silenciosa da arte…

Sem título

O livro ilustrado Terra Vermelha, Rio Amarelo do autor e ilustrador chinês Ange Zhang, conta em 63 páginas a vida do autor ainda adolescente durante a Revolução Cultural chinesa em meados de 66. Contado em primeira pessoa numa narrativa triste e bonita, ele conta a adolescência em que seu pai escritor foi tratado como prisioneiro e ele queria ser um “guarda vermelho”, até que conseguiu enxergar a realidade por trás de toda  “política” do presidente Mao. Foi enviado para trabalhar nos campos e levou seus livros onde lia muito. Também descobriu sua vocação com a pintura. O livro é todo ilustrado em aquarelas e de uma delicadeza que contrasta com o tema. Vale a pena!

 

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Proibido para Menores de 30. =0

O livro Laranja Mecânica do autor britânico Anthony Burguess, conta em 274 páginas (nesta edição comemorativa com 342 pág, com textos extras) a história de Alex e o livre arbítrio. Alex é um jovenzinho de 15 anos que tenta formar um grupo de desordeiros com mais três rapazes para “aterrorizar” o bairro onde mora. No começo da história, contada por ele mesmo,  ficamos sabendo que ele já foi preso anteriormente por esse motivo. E aí ele conta detalhes do sadismo, perversidade e anomalia do ser meio-humano que ele é. E não comete essas atrocidades porque está em grupo, não. Ele conta o estupro de crianças que ele pratica sozinho. E conta sobre a omissão de seus pais sobre sua conduta, quando deixa de ir à aula ou traz dinheiro pra casa. Então, ao ir novamente preso, pede pra participar de um programa do Governo que fará com que saia da cadeia pra nunca mais voltar. Esse sistema é um tipo de “hipnose/lavagem cerebral” que associa sensações físicas ruins quando ele pensa ou fala ou tenta fazer coisas ruins. E funciona. Ele sente vontade de vomitar e se sente doente toda vez que vê uma imagem das coisas que ele fez. Mas aí começa a briga dos “eleitores contra o Governo”, dizendo que esse método vai contra o livre-arbítrio do cidadão.

Problemática: A fala do personagem é transcrita toda numa gíria inventada por eles, o que torna o texto cansativo e às vezes chato. Parece que você está falando com um bebê: da-da-dá-gu-gu-gu.Se é apenas parte do texto, ok, mas abandonei Grandes Sertões por esse motivo: escrever conforme a fala, o livro TODO. A capa e a diagramação em papel diferenciado incentiva pegar o livro, mas as ilustrações são horríveis. Os textos extras também são bons.

Porque é bom? A escrita do autor, quando não usa palavras inventadas, é muito boa. Ele te convence a simpatizar com o monstro do Alex. Como faz isso? Fazendo ele usar palavras cultas, gostar de música clássica onde a Nona Sinfonia de Beethoven faz o fundo musical dessa história. E mostrando que tirar o livre-arbítrio da pessoa, pode tirar a parte ruim, mas leva a parte boa junto. O filme, do ótimo diretor Stanley Kubrick, peca por escolher atores tão velhos para o papel, mas já virou um clássico! (O livro é de 1962 e o filme de 1971.)

 

Trechos do Livro: “…a tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluida e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios…afirmo que a tentativa de impor leis…” “A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro…bondade é algo que se escolhe.” “Pode não ser bom ser bom. Ser bom pode ser horrível. E quando digo isso a você, percebo o quão auto-contraditório isso soa.”

Contos de mistério para crianças

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O livro Encantamento – Contos de Fada, Fantasma e Magia do escritor e poeta inglês Kevin Crossley-Holland e da ilustradora e autora de livros infantis Emma Chichester Clark , com 126 páginas, mostra histórias que estão especificadas nas fontes no final do livro. São contos irlandeses, escoceses, das ilhas britânicas de Orkney and Shetland e ingleses. Dos vinte contos, apenas dois são interessantes, tendo em vista a nossa cultura. Contos de fadas pode tudo? Para ser lido para crianças menores de cinco anos, não. Esses contos são pesados, apesar das ilustrações bem infantis. Contém morte, roubo, traição, maldade, abandono de crianças por uma mãe que vai atrás do seu amor e não é cobrada por isso, neném jogado no fogo… bem, nada que um contador de histórias não possa modificar, para passar uma boa mensagem. Os dois melhores contos pra mim, foram: O Rei dos Gatos e Bu!

Arte-Educação

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O livro Navio das Cores tem em 55 páginas a história da vida do pintor Lasar Segall contada pelo escritor Moacyr Scliar. O Personagem quando criança veio com os pais judeus, da Russia para o Brasil. O pintor na realidade veio depois de adulto, mas não tira o que a história quer mostrar: o Brasil sempre foi um país acessível aos imigrantes e eles conseguem se sentir em casa aqui. O menino da história é um pintor e através da história dele, feita de gravuras e reproduções das obras do verdadeiro pintor, conhecemos o modernismo e o surrealismo. Nas últimas páginas, informações sobre o autor da história e sobre o autor das obras.

A Adaptação de um Clássico

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O livro Tristão e Isolda com 231 páginas tem a adaptação por Helena Gomes para a coleção “Os Meus Clássicos” da Berlendis & Vertecchia Editores, 2009. A ficha catalográfica diz literatura juvenil e tem ilustrações de Renato Alarcão, famoso por capas de livros. As ilustrações são lindas, a história tem páginas suficientes para desenvolver toda a trama original, mas peca em nivelar a inteligência do público por baixo: “…você nasceu em um momento de muita tristeza…por isso vai se chamar Tristão”.  Fora algumas dessas escolhas para a escrita, o texto mostra toda a parte romântica da história com a paixão entre Tristão e Isolda, e como ela se casa com seu tio, a paixão passa a ser proibida. Então mostra a parte política em que esse casamento evita uma guerra entre dois reinos. Mostra pouca fantasia, apenas fala das fadas, dos poderes mágicos da mãe de Isolda. Mostra a loucura da nobreza pelo poder. Apenas fala dos cavaleiros de Artur. E tem o desfecho nem tão feliz mas não tão triste como o original.

Vale a pena a leitura para conhecer um clássico que já se tornou filme, já inspirou outras histórias e tem uma introdução onde a autora conta de onde surgiu a história.

tris filme

Livro Ilustrado ou Infantil?

raul

Livro ilustrado é sempre livro infantil? Na própria contracapa deste, tem uma informação contradizendo a ficha catalográfica:

ficha

O livro infanto-juvenil “Raul Taburin” do ilustrador francês Jean-Jacques Sempé, ambienta em 92 páginas a história do consertador de bicicletas Raul, que não sabe andar nelas, só consertá-las. Ele tenta dizer às pessoas do seu problema com as bicicletas, mas ninguém o ouve. A falta de equilíbrio sobre duas rodas, traz a falta de comunicação com as pessoas que moram em sua vila. Um dia um fotógrafo, muito falante -o oposto do Raul- pede pra tirar uma foto dele de bicicleta e juntos mostram que as coincidências fazem os grandes amigos. E juntos vão guardar um grande segredo. 😉 As ilustrações são simples e fantásticamente detalhadas!

Trechos do livro: “Ele gostava do pão quente que comprava no caminho. Se deixasse de lá as inquietudes existenciais e as angústias metafísicas, poder-se-ía dizer que era feliz.”

EM FORMA DE POESIA.

LIVRO

O Livro das Perguntas do escritor e poeta Pablo Neruda com 78 páginas, nos mostra questionamentos a respeito de tudo: desde porque o mar é salgado se os rios são doces até porque o mel é amarelo e não azul. Lançado em 2006 com ilustrações de Isidro Ferrer, este não me pareceu um livro infantil, categoria escrita na ficha catalográfico do livro. Nem todo livro ilustrado pode ser utilizado em sala de aula, esse é um exemplo. As poesias são parecidas com o Haicai, forma de poesia oriental, sem quadras, sem rimas, desconexas. Algumas das colagens feitas pelo ilustrador são interessantes, principalmente as que mostram ele próprio e o autor. O livro tem muitas citações que só leitores mais experientes vão entender: “Tem mais folhas uma pereira que Em Busca do Tempo Perdido?”, numa clara menção à obra de Proust; “Onde plantaram os olhos do camarada Paul Éluard?” citando o poeta francês; “Quando escreveu seu livro azul Rubén Dario não era verde?” poeta nicaraguense; e muitos outros poetas. Mas não adianta apresentar o texto aos alunos e simplismente dizer quem era Proust. Tem uma contextualização subjetiva para que ele fosse citado nesse poema/pergunta. E isso não é aconselhável numa aula de poesia como explica a  educadora Isabel Furini  “As aulas de poesia para crianças devem ser lúdicas. Será necessário fazer ênfase nos efeitos de sonoridade, de cores, de imagens, de movimento…nem todos os alunos terão habilidade poética.” Então mudaremos a categoria desse livro para adulto =)

Algumas perguntas realmente soam poéticas: “As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos? Ou serão rios invisíveis que correm para a tristeza?” “Porque se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?” “Sofre mais quem espera sempre ou quem nunca esperou ninguém?”