Retrospectiva Literária

Esse não foi um bom ano na área pessoal: fiquei sem trabalhar, passei meses no hospital com minha mãe; perdi minha mãe; quarenta dias depois perdi meu pai; fui roubada: entraram na minha casa e roubaram tudo; arranjei um emprego de nível médio; sofri uma luxação nas costelas porque o ônibus que eu estava bateu em um carro. 🤪

Enough!

Também aconteceram coisas boas: consegui retirar meu livro da editora e publicá-lo na Amazon. Participei de uma antologia de poesias, dei entrevista sobre minha arte e meu livro para um jornal local, finalizei meu segundo livro, fui citada por blogueiras famosas; uma famosa autora americana curtiu meu post (se você não me segue no Instagram @deborahprojetosnopapel). O(a) autor(a) que eu fui coach, conseguiu ter seu livro avaliado e aceito por um agente literario. =D

Em leituras foi um ano produtivo: finalizei o ano com 78 livros lidos. Abandonei uma meia dúzia. Senti falta de ler poesias e alguma biografia. Mas vamos aos números-entre eles eu li:

04 livros nacionais

05 adaptações (incluindo hq)

05 calhamaços acima de 500 páginas

07 livretos com menos de 100 páginas

04 livros de não-ficção

17 escritos por mulheres

02 releituras

08 livros cujos autores já foram premiados com o Nobel de Literatura

05 quadrinhos

16 países (incluindo o Brasil)

Não assisti muitas séries (sem tv ou computador 😐) mas quero listar alguns filmes bons:

_Caixa de Pássaros com a atriz Sandra Bullock. Ainda não li o livro, mas acho que cada mídia é diferente.

_A Incrivel História de Adalinde com a Blake Lively.

_A Garota Dinamarquesa

_Uma beleza Fantastica (#amomuito)

_A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata.

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Teor Adulto, mas é Balzac 😉

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O livro A Menina dos Olhos de Ouro é um romance breve de Honoré de Balzac com apenas 93 páginas, faz parte da obra História dos Treze. A história, baseada num quadro do pintor Eugène Delacroix La Morte de Sardanapale (abaixo), conta a história de uma moça que vive cercada de guardiões por causa de sua beleza, mas um jovem milionário entediado resolve possuí-la ao encarar seus olhos cor de mel. Os cabelos, não sabemos, já que no começo o autor diz ruivo e no final diz negro. Toda a aventura para se encontrar com a moça é cheia de detalhes assim como os locais do encontro: primeiro em um pardieiro, depois em um palácio. Ele se apaixona e se descobre usado por ela. E tem o trágico final como mostra a pintura. O romance é machista, traz termos que colocam a mulher como um simples objeto para o homem. Uma propriedade. O erotismo está todo detalhado nela, já que o rapaz só mostra o peito sem camisa. Também tem um filme francês de 1961.

Trechos do livro: “Não há mistérios para eles; conhecem a parte secreta da sociedade, da qual são confessores, e naturalmente a desprezam…Em cada momento o homem de negócios pesa os vivos, o homem de contratos pesa os mortos e o homem de leis pesa as consciências.” ” O prazer assemelha-se a algumas substâncias medicinais: para obter constantemente o mesmo efeito, é preciso dobrar a dosagem: no fim da linha encontra-se a morte ou o embrutecimento.” “…podem-se encontrar no mundo das mulheres grupos de pessoas felizes, capaz de viver do jeito oriental conseguindo guardar sua beleza…ficando ocultas feito plantas raras que abrem suas pétalas em horários determinados…”

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A mágica e a Montanha

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A edição desse livro é portuguesa, Coleção Dois Mundos de Lisboa, então algumas palavras estão escritas de forma diferente da nossa – nada que atrapalhe a leitura da Montanha Mágica ( no original em alemão Der Zauberberg) de Thomas Mann que conta a passagem do jovem Hans Castorp por um sanatório que fica situado numa montanha nos Alpes Suiços. As 749 páginas contam a passagem de mais ou menos três anos em que o jovem esteve ali internado, primeiro como visitante de seu primo e depois como paciente. Todos os acontecimentos de cada paciente, são contados de forma a criar conhecimento no jovem. Ele que veio a passeio, acaba por se ver doente e também internado como paciente. E acaba por gostar do local, com muitos almoços, muita fartura, muitas festas, muitos passeios. 🏔

A minha impressão é de que o médico responsável pelo sanatório não entendia muito bem do assunto e resolvia internar todo mundo. As pessoas não parecem se importar de chegar saudável e de repente, estar com a mesma doença dos outros pacientes. Na realidade se parece com um resort, onde quem tem muito dinheiro para se “hospedar”, vai ficando. Os “pacientes” comem muito, bebem muito, dançam, assistem jogos de inverno, passeiam pela cidade, fumam charutos, se apaixonam. É como se eles criassem seu próprio mundo ali em cima, na montanha. Até a página 100 se passam apenas dois dias da visita do jovem Hans. Todos o convencem que a doença engrandece a alma. Para o primo do Hans, medir o tempo é uma questão de sensibilidade. Na página 229 se passaram sete semanas. E o jovem decide ficar. Ele começa a se interessar por medicina e lê tudo o que pode para aprender. A partir da página 390 ele está há umano na montanha e muda seu interesse por botânica: plantas, flores e seus chás. 🌲

O livro está cheio de personagens interessantes, como Setembrini, o italiano (pobre) que tem muitas discussões filosóficas com o indiano Naphta (rico), e que faz o jovem Hans aprender muito. Tem a estrangeira Sra Claudia que é casada, mas vai e volta do santório e em sua última vinda, traz um russo a tiracolo que é seu amante. Isso divide Hans que a ama, mas acaba gostando da amizade com o homem. Tem as pessoas que chegam e que partem, os que chegam e que morrem. Após dois anos na montanha ele aprende a skiar.⛷️

Depois da morte de seu primo ele se interessa pelo jogo de cartas, principalmente por “paciencia”. Depois da chegada do gramofone ele se interessa por música clássica. 🎶 Já se passaram três anos e ele abandona a admiração pelo italiano e começa a ficar entediado. Começa a participar de sessões mediúnicas. Eele resolve gastar o resto de suas forças na guerra.
Trechos do Livro: “…Hans Castorp representava um produto genuíno da sua terra: gostava de viver bem, e apesar da sua aparência anémica e refinada, agarrava-se com fervor e firmeza, tal como um lactante deliciado pelos seios da mãe, aos prazeres físicos que a vida lhe oferecia.” “Isso não quer, no entanto, dizer que ele amasse o trabalho; disso não era capaz, por mais que o respeitasse, simplesmente pela razão de não se dar bem com ele.” ” Um dia sem tabaco seria para mim o cúmulo da insipidez, um dia totalmente vazio, sem o mínimo atractivo, e se eu qualquer dia despertasse sabendo que não poderia fumar, acho que não teria coragem nem para me levantar.” “…quando se presta atenção ao tempo, ele passa muito devagar.” “…gostava do seu pequeno gabinete de estudos no inverno, amava-o de todo o coração e fazia questão que o mantivessem a uma temperança de, pelo menos vinte graus…” “A música… como meio supremo de provocar entusiasmo, como força que nos arrasta para frente…Sozinha, a música é perigosa.” ” O sintoma da doença era uma actividade amorosa disfarçada, e toda a doença era metamorfose do amor.”

CEIA DE NATAL!!

CEIA DE NATAL

 

Eu vi essa Tag no canal da Karina, Kabook Tv. Esses  são os ítens da ceia:

1) Peru de Natal – Um livro que você está louco para ler: O Gigante Enterrado.

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2) “É pavê ou pra comê?”– Um livro que você achava que não fosse gostar, mas que te surpreendeu: Manon Lescaut, a história da menina mais fofa e sem noção do mundo

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3) Uva passa – Um livro que a maioria não gostou… só você. Amei a inspiração e a diferenciação que o livro tem do nosso Max e os felinos. 😉

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4) Panetone – Um livro que você enrolou o ano todo pra ler mas que finalmente encarou: A Montanha Mágica do Thomas Mann, mas valeu a pena.

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5) Mesa de frutas – Um livro que todo mundo conhece, mas que você não viu muita gente ler: O Príncipe de Maquiavel. Clássico, antigo e atual.

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6) Amigo Secreto – Um livro desejado que você adoraria ganhar de presente: Anna Kariênina, do Tostoi.

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Menina Má

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O thriller psicológico Menina Boa, Menina Má da autora Ali Land, mostra nas 372 páginas a versão da protagonista Annie/Milly que aos quinze anos resolve entregar sua mãe para a polícia e ser testemunha de acusação contra ela. Ela então troca de nome e vai morar provisoriamente com a família (?) do psicólogo que está cuidando do caso e que quer relatar essa história em um livro. Ela não se dá bem com a adolescente filha do casal e patricinha. Ela tem umas atitudes de menina mimada e que nunca passou por situações de aperto. Do meio do livro em diante o leitor já sabe que ela mente e não consegue ler acreditando o que realmente acontece na história. É só a versão dela, dos fatos, dos sentimentos – tanto dela quanto das outras pessoas. E é um livro muito triste. A autora foi enfermeira na área de saúde mental infantil e viu muitas narrativas como esta de onde nasceu este livro de estreia.

Trechos do Livro: “Tem uma biblioteca particular, fileiras de prateleiras cheias de livros, o restante das paredes pintado de malva. Dá uma sensação de estabilidade. De segurança. Ele me pega olhando as prateleiras e ri.” “Não demora muito. O grupo de adolescentes privilegiados, perfeitamente elegante e lindo, se transforma numa turba. Animais.” “A dor faz isso. Envelhece a gente com seu horror, mas também nos torna pequenos…”

Tudo é verdade e nada é verdade.

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O livro O Estrangeiro de Albert Camus, trata em 154 páginas de um livro de tribunal. Ele conta a história de um rapaz que um dia após o enterro de sua mãe, que ele colocou em um asilo, ele conhece Maria vai com ela à praia e depois do cinema dormem juntos. Alguns fins de semana depois, por causa do sol muito quente, ele comete um crime contra um árabe. O seu vizinho bateu na namorada que era irmã desse árabe e o irmão da moça queria ajustar contas. Mas a confusão já tinha acabado. E ele vai preso e é julgado pelo crime. Resultado: pena de morte.

O livro é absurdo, engraçado, brutalmente real e sarcástico. Comecei a ler em inglês, mas finalizei na versão em português. O autor também fez um livro para o personagem árabe que morreu nessa história.

Trechos do livro: ” Este mês comprei-te um vestido, dou-te vinte francos por dia, pago-te aluguel e tu passas as tardes a tomar café com as amigas. ..Portei-me bem contigo e tu não me pagas na mesma moeda. ” “…quando ela voltasse, teria relações com ela, como habitualmente e, “mesmo no fim”, cuspir-lhe-ia na cara e pô-la-ia na rua.” “É claro que gostava da minha mãe, mas isso não queria dizer nada. Todos os seres saudáveis tinham, em certas ocasiões, desejado, mais ou menos, a morte das pessoas que amavam. ” “Nessa altura pensei muitas vezes que, se me obrigassem a viver dentro de um tronco seco de árvore, sem outra ocupação. ..ter-me-ia habituado pouco a pouco. “

Foram lançadas grafic novel, filmes e séries baseados nessa história.