A mágica e a Montanha

montanha

A edição desse livro é portuguesa, Coleção Dois Mundos de Lisboa, então algumas palavras estão escritas de forma diferente da nossa – nada que atrapalhe a leitura da Montanha Mágica ( no original em alemão Der Zauberberg) de Thomas Mann que conta a passagem do jovem Hans Castorp por um sanatório que fica situado numa montanha nos Alpes Suiços. As 749 páginas contam a passagem de mais ou menos três anos em que o jovem esteve ali internado, primeiro como visitante de seu primo e depois como paciente. Todos os acontecimentos de cada paciente, são contados de forma a criar conhecimento no jovem. Ele que veio a passeio, acaba por se ver doente e também internado como paciente. E acaba por gostar do local, com muitos almoços, muita fartura, muitas festas, muitos passeios. 🏔

A minha impressão é de que o médico responsável pelo sanatório não entendia muito bem do assunto e resolvia internar todo mundo. As pessoas não parecem se importar de chegar saudável e de repente, estar com a mesma doença dos outros pacientes. Na realidade se parece com um resort, onde quem tem muito dinheiro para se “hospedar”, vai ficando. Os “pacientes” comem muito, bebem muito, dançam, assistem jogos de inverno, passeiam pela cidade, fumam charutos, se apaixonam. É como se eles criassem seu próprio mundo ali em cima, na montanha. Até a página 100 se passam apenas dois dias da visita do jovem Hans. Todos o convencem que a doença engrandece a alma. Para o primo do Hans, medir o tempo é uma questão de sensibilidade. Na página 229 se passaram sete semanas. E o jovem decide ficar. Ele começa a se interessar por medicina e lê tudo o que pode para aprender. A partir da página 390 ele está há umano na montanha e muda seu interesse por botânica: plantas, flores e seus chás. 🌲

O livro está cheio de personagens interessantes, como Setembrini, o italiano (pobre) que tem muitas discussões filosóficas com o indiano Naphta (rico), e que faz o jovem Hans aprender muito. Tem a estrangeira Sra Claudia que é casada, mas vai e volta do santório e em sua última vinda, traz um russo a tiracolo que é seu amante. Isso divide Hans que a ama, mas acaba gostando da amizade com o homem. Tem as pessoas que chegam e que partem, os que chegam e que morrem. Após dois anos na montanha ele aprende a skiar.⛷️

Depois da morte de seu primo ele se interessa pelo jogo de cartas, principalmente por “paciencia”. Depois da chegada do gramofone ele se interessa por música clássica. 🎶 Já se passaram três anos e ele abandona a admiração pelo italiano e começa a ficar entediado. Começa a participar de sessões mediúnicas. Eele resolve gastar o resto de suas forças na guerra.
Trechos do Livro: “…Hans Castorp representava um produto genuíno da sua terra: gostava de viver bem, e apesar da sua aparência anémica e refinada, agarrava-se com fervor e firmeza, tal como um lactante deliciado pelos seios da mãe, aos prazeres físicos que a vida lhe oferecia.” “Isso não quer, no entanto, dizer que ele amasse o trabalho; disso não era capaz, por mais que o respeitasse, simplesmente pela razão de não se dar bem com ele.” ” Um dia sem tabaco seria para mim o cúmulo da insipidez, um dia totalmente vazio, sem o mínimo atractivo, e se eu qualquer dia despertasse sabendo que não poderia fumar, acho que não teria coragem nem para me levantar.” “…quando se presta atenção ao tempo, ele passa muito devagar.” “…gostava do seu pequeno gabinete de estudos no inverno, amava-o de todo o coração e fazia questão que o mantivessem a uma temperança de, pelo menos vinte graus…” “A música… como meio supremo de provocar entusiasmo, como força que nos arrasta para frente…Sozinha, a música é perigosa.” ” O sintoma da doença era uma actividade amorosa disfarçada, e toda a doença era metamorfose do amor.”

Little Men

cover

O livro Um Colégio Diferente (Little Men de 1871) da autora Louisa May Alcott, conta a versão masculina de seu livro mais famoso Little Woman. Mas o título escolhido na tradução deixa ver aonde e como se passa a história. O personagem principal é Nat Blake um menino que toca violino nas ruas e é enviado pra casa/escola da Tia Jô que tem o trabalho de cuidar da formação das crianças que vivem lá. Ela e seu marido, o bondoso Bhaer e os dois filhos pequenos orientam as crianças sentimentos de honra, amor ao trabalho, confiança e generosidade. Várias pequenas aventuras que acontecem tem sabor de infância. E finaliza com um almoço de ação de graças, portanto um livro pra essa época do ano.

Nessa versão recontada o livro tem 160 páginas.

Trechos do livro : ” O criado do jardineiro escolheu uma delas para plantar árvores frutíferas e legumes…tudo que a terra produzia eram flores…Se ele plantava, por exemplo, melões, nasciam flores em vez de melões…o homem continuava insistindo, enquanto a terra se limitava a dizer: “será que ele não me compreende?” “O Sr Bhaer…gostava de estimular o espírito de iniciativa dos seus alunos. ..”

menino

Prefiro o título original =/

planet

O Jogo da Vida (A Patchwork Planet) da premiada autora Anne Tyler, com 315 páginas, é um livro sobre a colcha de retalhos que é a vida, numa fase complicada que é a velhice e cita um objeto de um personagem do livro, que passa a história fazendo uma colcha e no final da vida, a herdeira vê que tem um planeta estampado nela. Então por que mudar o título?? Porque a pessoa não leu/entendeu a história. O personagem principal é um rapaz entrando nos 30, divorciado, com uma filha, com pai dono de uma empresa, mas trabalho em serviços gerais em uma outra empresa que presta serviços para idosos. Ele teve muitos problemas durante a adolescência, furtando coisas na vizinhança, e seus pais decidiram colocá-lo num colégio interno. Ele não aprende nada. E só no final ele descobre que todo o problema em se relacionar, não aceitar as regras, vêm da Síndrome de Tourette, por isso é tratado como maluco pela família. Seu irmão e amigos de infância, todos bem-sucedidos, não lhe causam inveja, mas repulsa. Sem perceber, ele gosta dos “velhinhos” para os quais presta serviços. O que me incomodou é essa fase “sem noção” do personagem e o livro sem final. Além de preferir o título original, prefiro as capas americanas que remetem à história. Essa capa da minha edição (Ed. Mandarim; Geiza Caria) foi confeccionada por alguém que não leu a história. =/

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Trechos do livro: “Não conseguia ficar quieta. Sempre havia nela uma insatisfação, um fulgor e uma agitação que me deixavam nervoso.” “E quem se importa se meu emprego não tem futuro?…Preciso pagar meu aluguel e as despesas com supermercado, mais nada.Não estou querendo enriquecer.” “O anjo de todos os outros transmitira uma mensagem e parara por aí. O meu anjo, no entanto, parecia ser mais insistente.” “Quando chega a primavera parece até que está no paraíso…Enquanto eu puder andar por meu jardim toda manhã antes de fazer qualquer outra coisa, para verificar o que brotou durante a noite e o que está prestes a desabrochar, sentirei que tenho alguma coisa pela qual vale a pena permanecer viva.” “E fico desejando ser capaz de reorganizar minha vida, de uma forma que eu nunca mais precise lidar com outro ser humano.” “O tempo pessoal funciona de maneira oposta à do tempo histórico.”

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A Era do Compartilhamento

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#SpecialTips de hoje #18 é o livro O Conselheiro dos autores Bob Burg e John David Mann que em 120 páginas conta a história de um homem que quer ser um ótimo executivo em vendas, mas já é o terceiro mês que não consegue bater suas metas. E ainda está perdendo clientes e seu relacionamento está morno. E ele começa a achar as pessoas da empresa sem atrativos e questionar porquê elas conseguem e ele não. Então ele resolve encontrar um “guru” dos negócios. Esse guru diz que ele tem que realizar uma tarefa para cada lei do sucesso. E ele descobre que o compartilhamento é a forma de distribuir, fazer um bom networking, prestar um bom serviço e se tornar conhecido no mundo dos negócios. A palavra-chave do livro é doação. 🙂

Não me pareceu um livro chato de Auto-ajuda em nenhum momento. É só uma história com alguns caminhos e decisões. E divertido. E inspirador.

A capa nacional tem um sub-título ridículo, que remete à filosofia religiosa: “é dando que se recebe”. Na capa americana o sub-título é realmente o texto do livro: “uma poderosa idéia de negócios.” Já o desenho da capa americana é sem sentido. Já a capa nacional mostra a poderosa idéia de negócios mostrada no livro, que é o café. 🙂

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Alternando estilos

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O livro Seis Coisas Impossíveis da autora australiana Fiona Wood, mostra em 269 páginas o estilo australiano de contar histórias adolescentes. O que não muda são os problemas no bairro novo, na escola nova, os problemas familiares – parece que somos todos iguais ao redor do mundo. =)

O subtítulo nos dá uma idéia da vida desse adolescente: “um choque de realidade de cada vez, por favor!” porque quando uma coisa resolve dar errado, tudo segue pelo mesmo caminho. Com um levíssimo toque de humor a autora nos conta a vida do adloescente que passa pelo divórcio dos seus pais, descobre que o pai é gay, ficam pobres, a mãe não consegue ter a própria empresa, um playboyzinho resolve perturbar sua vida na escola… até que a autora resolve transformar em um conto de fadas em que tudo se encaixa no final. =/  Poderia passar uma mensagem melhor, que mesmo sem grandes milagres, a vida vai mostando outros caminhos. Só que não! Até encontrar objetos raros no meio de um monte de tralhas e ficar ricos eles conseguem! O final decepcionou.

Prefiro a capa australiana que mostra as chaves coloridas.

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…passando da medida

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O livro Cilada do autor Harlan Coben, com 271 páginas é de 2010 e esse tipo de suspense que ele escreve aqui o tornou famoso e premiado.

Uma garota desaparecida, um treinador de alunos sob suspeita, uma repórter investigativa – e nenhuma prova, faz com que não tenha um “crime” de verdade. Então o autor cria um grupo de amigos da época da escola para movimentar a segunda parte da trama; cria um crime envolvendo a repórter para que ela sinta na pele o que está fazendo com o acusado; cria um grupo de estudantes que promovem festinhas proibidas; cria um grupo de pais permissivos à bebidas para menores – e como a ilusão do mágico, para desviar a sua atenção dos verdadeiros “culpados”, que são pessoas certinhas, com uma família modelo, ele cria um final alternativo longe de todas as iscas lançada ao longo das páginas. Esperto, o cara. 😉

Mas achei os personagens superficiais, tramas em excesso, personagens secundários em excesso, suspeitos em excesso – deixando um ponto de interrogação ao terminar.

Adoro algumas capas do Raul Fernandes, mas essas dos livros do Harlan não se encaixam nas histórias. :/

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De Novo? A escolha da tradução :/

 

O Livro de Graham Greene com 158 páginas deveria obedecer o título original e se chamar “O Capitão e o Inimigo”. Me recuso a entender a escolha do título em português. É exatamente para não ser encontrado pelo inimigos que o Capitão muda de nome, mas qual ele está usando não é importante, já que na história, ele é apenas “o Capitão”. Principalmente para o narrador, que agora que é jornalista adulto, quer escrever a história desse personagem misterioso que conheceu quando criança. Mas se tem algum mistério no livro, ele não é desvendado para o narrador.

Difícil achar uma resenha para esse livro: “Liza é um ersonagem épico” (?) “…a parte do Panamá…tramas de espionagem de forma sutil” (?) “…grande clássico de caráter universal primordial para a educação. Possui texto de fácil entendimento que estimula o leitor a pensar e refletir sobre o tema proposto.” (?) 

O livro é contado pelo personagem Jim/Victor – todo mundo tem mais de um nome no livro – desde a visita do Capitão na sua escola, lugar que odeia porque sofre bullying, e o leva embora, pra morar com uma mulher chamada Liza – pessoa com sérios disturbios, causados por um aborto mal-sucedido. Seu verdadeiro pai e sua tia, vão visitá-lo, mas o deixam morar lá mesmo. E ele e Liza tem uma boa convivência até ele se tornar rapaz, arrumar um estágio num jornal e sair de casa. Essa casa é um porão de um prédio prestes a ser demolido. O Capitão tem uma paixão platônica por Liza, e em suas viagens/fugas, ele lhe envia cartas apaixonadas. Depois da morte de Liza, Juim vai atrás do Capitão no Panamá, para descobrir quem ele realmente é. Mas ele também morre e nós os leitores nos sentimos traídos…