Começo, meio e fim: completando a história.

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“Moram um homem, sua mulher e uma filha recém-nascida numa cidade pequena. Uma casa num bairro elegante no meio do nada, vizinhos longe.

Como gerente de uma loja de departamentos na cidade, faz uma compra que não sai, encalha nas prateleiras. O Senhor P… começou como operário na fábrica, casou com a filha do patrão e tenta mostrar que pode sustentar sua família. Tem orgulho de ter começado do nada. Não aceita que a crise no país ( anos 20) possa fazê-lo perder tudo aos 40 anos. Ele decide fazer qualquer coisa, para dar a volta por cima, mesmo que seja ilegal.

o homem conversa com sua esposa em sua bonita casa na hora do jantar e diz que os negócios vão mal. Ela diz que a bebê acabou de nascer e que eles precisam de dinheiro, que podem pedir à família dela. Ele se nega e diz que vai dar um jeito.

 Ao sair para fumar, vê um circo nas proximidades, vai caminhando até lá.  Uma tenda de cartas é a primeira coisa que vê. A tenda parecia se mover diante de seus olhos. Talvez fosse impressão. Entra e vê uma cigana. -Posso ler sua mão, senhor? Ela diz que pode ajudá-lo a resolver o problema da fábrica.

_Minhas bonecas não vendem. Faço qualquer coisa para que dê certo. Ela  lhe dá uma boneca.

_Guarde essa boneca e distribua as outras que estão na loja, e seu estoque vai acabar. Mas não reclame da troca justa.

No outro dia, ele distribui as bonecas e em três dias todo o seu estoque é vendido.

Ele retorna à cigana: _Faço qualquer coisa para ficar rico.

_Coloque a boneca no berço de sua filha.

…………..

Ele começa a enriquecer e se envolve com a secretária, mais jovem e bonita. Sua esposa descobre e entra em depressão. A família dela a interna para tratamentos.

Ele vive sua vida de rico e com sua amante.

Um dia ao retornar à casa, ouve a nenêm chorando e vê sua esposa agarrada no pescoço da criança. Tenta salvar a nenêm correndo pela rua com ela nos braços. O vizinho ajuda,mas não consegue salvá-la.

A mulher vai a julgamento; _Vi minha mulher estrangular nossa filha enquanto ela dormia.

O corredor da morte.

Procura o sogro. Descobre que sua mulher deixou sua parte na herança para o hospital. O sogro despede-o

Procura a cigana. O circo se foi.

Ao entrar na casa, vê uma correspondência do banco solicitando que deixe a casa que está hipotecada.

Senta no quarto e olha pro berço. A boneca senta, olha pra ele virando a cabeça e começa a rir, gargalhar.

ele paga com sua família o preço de sua ambição.” *

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*copyright by Deborah Jäger

Formas de escrita: novidade =)

Já falei sobre essa novidade aqui no blog, mas quero “reblogar” o post do Leonardo Villaforte sobre Remix Literário:

“MixLit 69: Encontro

Uma mulher nos abriu a porta. Era a mulher que fazia os serviços da casa.1 Usava um tipo de saia espanhola com muitas cores e uma espécie de bustiê.2 Para tirar o cheiro da gordura da chapa em que trabalhava, ela ensopava de creme rinse o cabelo meio louro, meio preto.3 Parecia realmente maravilhosa.4 Fiquei paralisado.5 O que conversar? Como puxar assunto?6 Eu estava com medo, claro. Sentia medo de, por causa de um movimento infeliz,7 não me dar bem.8 Depressa, homem, depressa – balbuciei, quase sem fôlego.9 Bateu aquele frio na barriga. Respirei profundamente e caminhei10 com um olhar brilhante, impenetrável. Inclinei-me para beijá-la.11

Bruce-French_Darkness-is-the-Absence-of-Light,-Orange– Fora daqui – murmurou.12

– Não.

– Você está pálido.

– Eu sou pálido. Vamos, ande.13 Não vou assustá-la de novo.14

Você sabe muito bem que tudo vai piorar.15

Eu estava entregando os pontos. Teria entregado os pontos se não fosse uma voz que se fez ouvir no meu coração. Essa voz dizia:16 ela precisava da minha companhia.17

Quando voltarei a vê-la?

– Telefono para você amanhã ou depois – disse ela.18

O meu rosto assumiu uma expressão severa e determinada.19

Promete?

Ela assentiu.

– Pode ligar para a minha casa ou a livraria. O número é o mesmo. Você tem, não é?20

Marquei de pegá-la na saída do trabalho.21

Nunca mais nos encontramos.22


1 João Gilberto NOLL. Hotel Atlântico. Em: Romances e contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p.408.

2 Meg CABOT. O diário da princesa, Vol.1. Tradução de Fabiana Colasanti. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.136.

3 Marcus Vinícius FAUSTINI. Guia afetivo da periferia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009, p.86.

4 Meg CABOT. Idem.

5 Carlos Ruiz ZAFÓN. A sombra do vento. Tradução de Marcia Ribas. Rio de Janeiro: Suma de Letras/Objetiva, 2007, p.256.

6 Thalita REBOUÇAS. Ela disse, ele disse. Rio de Janeiro: Rocco, 2010, p.9.

7 Ricardo LÍSIAS. Anna O. e outras novelas. São Paulo: Globo, 2007, p.16.

8 Meg CABOT. Idem.

9 Yann MARTEL. As aventuras de Pi. Tradução de Maria Helena Rouanet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, p.180.

10 Thalita REBOUÇAS. Idem.

11 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem, p.257.

12 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem, p.256.

13 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem.

14 Rick RIORDAN.  Percy Jackson e os Olimpianos – O mar de monstros.  Tradução de Ricardo Gouveia. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009, p.278.

15 Rick RIORDAN. Idem.

16 Yann MARTEL. Idem.

17 Thalita REBOUÇAS. Idem.

18 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem.

19 Yann MARTEL. Idem.

20 Carlos Ruiz ZAFÓN. Idem, p.257.

21 Marcus Vinícius FAUSTINI. Idem.

22 Marcus Vinícius FAUSTINI. Idem.
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Este MixLit foi feito com os livros escolhidos para as seis oficinas de remix literário que dei durante a semana de dia das crianças no SESC Barra Mansa, Rio de Janeiro. Aproximadamente 100 estudantes, de 8 a 15 anos, remixaram essas mesmas páginas, montando seus próprios textos a partir das mesmas fontes.”

Acho que qualquer forma é válida para criar o próprio texto. Mesmo quando não usamos esses “recortes visíveis”, as referências estão lá, na nossa mente, todo o tempo. A forma de poesia chamada “poesia de lombada” é um recorte de textos. Só temos que preocupar com o chamado plágio -O crime de plágio está tipificado no artigo 184 do Código Penal. O que não acontece com Leonardo porque ele cita suas fontes. Existe um limite para toda arte, onde a parte do todo deixa de ser inspiração e passa a ser uma cópia. Para o desenho, onde você pode se inspirar em um artista para criar sua arte:

perolaEsta é uma versão, feita com jujubas, do quadro ‘Moça com Brinco de Pérola’, de Johannes Vermeer.

Em uma partitura musical, podem acontecer pequenos trechos parecidos,  assim como uma sequencia de acordes. Ou postar e chamar de “cover”. E é muito subjetivo porque um ouve a música e acha que o som parece com uma música famosa e outro já não  consegue ver semelhança.

Então vamos apenas testar as formas de escrita e compartilhar. =)

Narrativa cult*

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Um livro escrito como um roteiro de cinema – você acompanha a câmera, os cortes, as tomadas, a luz e a sombra, as locações. A história de uma mulher de classe baixa que chega à alta classe atraves da moda. Mas começa daí, onde ela já está no meio dos ricos, das moças que nunca vão precisar trabalhar, de artistas que não precisam ver seus trabalhos reconhecidos e passam a vida em bebidas e sexo e remédios, até que uma moça tenta o suicídio. Me lembrei do filme Factory Girl, onde mostra pessoas mais excêntricas do universo da moda.

O livro é Mulheres Sós do Cesare Pavese, escrito em 1949, com 127 páginas, mostrando onde a vida imita a arte – o autor se suicidou em um quarto de hotel numa grande cidade, um ano após a escrita deste texto.

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*Cultdjetivo de dois gêneros e dois números ; cultuado nos meios intelectuais e artísticos (diz-se de pessoa, ideia, objeto, movimento, obra de arte etc.). As características em um filme cult podem incluir uma trilha sonora obscura, conceitos e ciências fictícios criados na história, ou personagens estranhos. Geralmente são filmes de conteúdo original, e de roteiro também original, que tentam passar uma mensagem inovadora, muitas vezes de forma subliminar, de múltipla interpretação e de difícil compreensão pelo grande público (habituado a visões mais convencionais da realidade). Por assim ser, geralmente são enquadrados em filmes alternativos, filmes B e undergrounds.

As Lendas e suas inspirações

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Existe uma forma de escrita chamada “Remix Literário”, onde li a respeito no blog Remix do Leonardo Villa-Forte.  São recortes de textos originais que se transformam em um outro texto. Uma recriação.  Uma mesma história contada sobre outro ponto de vista. Inspiração. Até que ponto uma história é original? Ao escrever alguma coisa, bebemos na fonte da nossa memória, formada por tudo aquilo que lemos, que ouvimos, que assistimos… Neste link também cita grandes autores que usaram essa forma de escrita.

No livro A Caverna de Cristal, de Mary Stewart, de 1970 com 477 páginas, temos a Lenda de Merlin em 4 páginas. Está no final do livro, porque conta TODA a história do livro. O que a autora fez foi “rechear” essa lenda com detalhes e transformar em livro. Em nota da própria autora, ela conta em que fonte buscou sua inspiração.

É mais uma história de cavaleiros e guerras e magos. E um leve romance. Um livro juvenil, mas com uma pegada de aventura e recomendável para os fãs das lendas de Arthur.

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Hi$tóRi@ CONCEITUAL =)

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O que acontece quando você gosta de um autor? Quero ler todos os livros dele!  E quais são suas expectativas quando dois livros são bons? Que o terceiro me surpreenda! E quando a premissa é fantástica? Qual é a pegadinha? Porque essas três qualidades fazem o livro perfeito!!  O que esperar de Umberto Eco – autor que gosto – no livro de 2010, O Cemitério de Praga, com 478 páginas, que se passa em no séc XIX – meu favorito – personagens históricos reais!  Não me surpreendeu, não me decepcionou.  Teve alguns momentos instigantes, de ficar acordada lendo, alguns momentos maçantes, gzuuiss! , momentos que me parecia um outro escritor… mas valeu a pena.

O livro é conceitual: para diferenciar os três personagens que “contam” a história, a impressão do texto usa diferentes fontes pra cada um. Para o narrador, fonte bodoni em Negrito; para o abade Dalla Picolla fonte Myriad em itálico; para Simonini, fonte garamond. E ainda tem quando cada um conta algo sobre o que outra pessoa disse, porque aí a fonte tem uma ligeira mudança… Isso no começo, traz um certo caminho a seguir, já que se trata da história de um duplo. Mas depois , dá uma sensação que a história recomeça de novo, e de novo…com outro ponto de vista, que dá na mesma, para “ a vítima”.

Trechos do livro:

“Os padre…Como os conheci? Na casa do vovô, creio; tenho a obscura lembrança de olhares fugidios, dentaduras estragadas, hálitos pesados, mãos suadas que tentavam me acariciar a nuca. Que nojo.Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz padre ou frade só para viver no ócio…”

Que fique claro …que não produzo falsificações, mas sim novas cópias de um documento autêntico que se perdeu ou que, por um acidente banal, nunca foi produzido, mas que poderia e deveria sê-lo.“

o personagem cita com detalhes as refeições servidas: „…bastava colocar umas fatias de pão numa sopeira, temperando-as com muito azeite e pimenta recém-macerada; ferviam-se em ¾ de litro de água e sal umas cebolas fatiadas, tomate em tirinhas e calaminta; depois de vinte minutos derramava-se tudo sobre o pão, deixava-se descansar por uns minutos e pronto, servir bem quente.“

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Mês do Horror é todo mês =D

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Pra quem como eu adora filmes e livros com histórias de suspense, terror, não espera o mês de outubro para ler as tais histórias. Essa semana li Contos do Terror, de Edgar Allan Poe, com 94 páginas, e não traz os melhores textos, mas inicia com O Gato Preto que é muito bom. Essa edição da coleção Fantásticos Econômicos Newton, também traz uma breve  nota bibliográfica sobre o autor e suas obras em ordem cronológica. E diz que o texto é integral.

São sete contos e os melhores foram A Queda da casa de Usher e O Coração Denunciador. Eu li este último à noite. =D eu não tenho relógio despertador, daqueles antigos que fazem tic-tac, mas durante a leitura eu comecei a ouvir um som de relógio! Foi horrível! hhh

Quero ler mais autores que escrevem horror e suspense, meus gêneros favoritos. E nem vou esperar o mês do horror.

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