♪♪Livros e Música ♪♪

A visita cruel do tempo

O livro A Visita Cruel do Tempo da autora americana Jennifer Egan, com 333 páginas é um livro considerado “difícil” de ler. Lançado em 2010 e ganhador do Prêmio Pulitzer, o livro conta a passagem do tempo na vida de alguns personagens: desde a adolescência que gosta de música alternativa, drogas e sonham em ficar famosos. Para alguns o tempo foi generoso e a tão sonhada carreira bem-sucedida acontece, mas para outros, que preferiram seguir usando as drogas, o tempo só mostra o título do livro – a decadência. Cada capítulo é narrado de uma forma: às vezes em primeira pessoa, difícil de identificar no início e que passa a ser um personagem principal. E aí ele some do livro. Outros capítulos são narrados em terceira pessoa. E aí volta em primeira pessoa com um personagem novo, que você descobre ser alguém que apenas mudou de nome. E tem os capítulos narrados em forma de slides.

Todas as vidas são narradas de forma superficial, nada é aprofundado; não existe um começo, meio e fim de nenhuma vida. O tempo e a música, e a influência deles na vida das pessoas, parecem ser personagens também.

Mas a música sempre vale a pena. Ouvi várias músicas citadas no texto. =D Marquei cada página que descreve as idéias musicais. E me trouxe nostalgia.

Trecho do livro: “…era como tentar se lembrar de uma música que você sabia ter o poder de provocar determinada sensação, mas sem nenhum título, artista ou mesmo alguns compassos para traze-la de volta.”

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Não Conte o Final…

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Nesta minha edição O Homem Duplo de C. J. Koch tem 330 páginas. Não é o livro mais famoso desse autor australiano, lançado em 1982. A história de três meio-amigos de uma cidade do interior da Austrália que sonham em ganhar a fama em Sidney. Tem muito misticismo, música folk, um pouco de romance e muita história não terminada. como assim? O autor começa com um mistério sobre um homem que o personagem principal conhece quando criança – esse mistério continua um mistério. Depois tem um segredo sobre a personagem Denise, que some no meio da história e ficamos sem saber seu segredo. Só na página 198 ele cita pela primeira vez o título do livro: “…Era como um segundo rosto, e por algum motivo pensei num homem duplo.” Só isso. Muitos personagens são citados nas conversas, mas não vemos, não conhecemos e eles simplesmente deixam de aparecer. Só para quem gosta do desafio de inventar o próprio final. 😉

Também há um livro de mesmo nome (1977), do autor Philip K. Dick que inspirou um filme de mesmo nome (2007) com Keanu Reeves, uma ficção científica que mistura imagens e desenhos dos atores.

 

 

Lendo os Russos

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Eu já havia lido Tchekov e não consegui me familiarizar com a escrita dos russos. Decidi participar de um projeto de ler os russos em 2016 – mesmo não tendo seguido com o projeto, decidi ler os livros que havia por aqui. E estou realmente gostando dos russos! Bem, de algum deles.

O livro O Doutor Jivago do autor russo Boris Pasternak,  com 536 páginas de história e mais 28 páginas de poesia, nesta edição da Coleção Rosa-dos-Ventos da Ed. Itatiaia é de 1958. O autor foi indicado ao Prêmio Nobel por esta obra. A história ganhou uma adaptação para o cinema em 65, com  o ator Omar Shariff no papel principal e a famosa música da trilha sonora, “Lara’s Theme“.

A escrita do Boris é como ler uma crônica, aquele tipo de vida cotidiana, muito simples, até mesmo pra falar sobre a guerra. Claro que com tantas páginas a história se arrasta em alguns capítulos sobre a guerra, especialmente quando os personagens principais não estão nessas cenas. Os diálogos são muito consistentes e meio filosóficos. =D

No final do livro temos as poesias escritas pelo Yuri durante a história. São poesias traduzidas e portanto não podemos conhecer a métrica usada ou qual a melodia e cadência escolhida por ele para escrevê-las. Mas vale a pena a leitura. Vi o filme há muito tempo quando passava na Tv aberta no Natal. Sempre no Natal. =D  Também há uma nova versão.

Trechos do livro:”…como seria bom abandonar o falso sublime, as trevas espessas…para refugiar-se no silêncio aparente da natureza, no mudo exilio de longo trabalho obstinado, no inefável do sonho profundo, da verdadeira música, da calma linguagem do coração, que deixam a alma repleta e silente…”

“É sempre bom ver alguém frustrar nossas expectativas e diferir da idéia que fazíamos dele…Se não podemos fazê-lo entrar em nenhuma categoria…libertou-se de sí mesmo, detém uma parcela de imortalidade.”

“…como era bom não mais agir, não mais querer, não mais pensar e, por um instante, abandonar esses cuidados à natureza, tornar-se ele mesmo uma coisa, um desenho, uma obra em suas mãos misericordiosas…”

“Não gosto das obras consagradas unicamente à Filosofia. Na minha opinião, a Filosofia deve ser apenas um tempero da arte e da vida…”

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O que é literatura nacional?

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Este ano decidi que quero ler mais autores nacionais. O que significa isto? que o autor nasceu no Brasil? Ou apenas mora e lançou livro no Brasil? Ou a história se passa no Brasil? Ou tudo isso junto? Segundo a nota bibliográfica, este é um livro nacional. Escrito em 1995, o livro O Manuscrito de Mediavilla, do autor brasileiro Isaías Pessotti, com 333 páginas, se passa totalmente na Itália, com personagens italianos. Bem, isso porque o autor foi estudar em Milão em 1964 retornando em 1970. Com uma carreira de pesquisador (que fica evidente no livro) começou na escrita com uma atividade paralela e ganhou o Prêmio Jabuti. Esse não parece um livro nacional característico. É ficção, mas parece um relatório de pesquisas do Departamento de História de uma universidade. Para quem gosta de todas as formas de arte, aqui tem de tudo um pouco: descrições sobre arquitetura medieval, discussões sobre música e pintura em um grupo de personagens intelectuais, descrição da culinária italiana e vinhos, para deixar qualquer enófilo com água na boca e fotografia. A história não tem um arco da narrativa, mesmo com um suspense, ela é linear. O suspense gira em torno desse manuscrito que foi fotografado e várias autoridades religiosas e institucionais querem saber como e por quem. Essa capa é um quadro de Botticelli, um artista citado pelos personagens, mas este não é um detalhe muito bonito da obra. :/

Trechos do livro: “…os alunos precisam distinguir entre o poder que contestam e a autoridade intelectual de seus mestres. Que o direito de contestar a universidade, se adquire cumprindo seu papel nela, o dever social de estudar com seriedade…” “Você tem harmonia de cores, acordes de figuras, de sabores de datas. Toda forma é harmonia, é número. Sem ele tudo seria obscuro…” “Cada um de nós pertence a infinitas melodias e sinfonias. Somos momentos de processos que transcendem a nós mesmos, e nisso nós somos sons. Mas absorvemos saberes, valores e experiências. Temos desejos e aversões, virtudes e fraquezas que fazem de cada um de nós uma complexa combinação de…formas. E então somos acordes.”

Vale a pena a leitura. Quer resenha? Clique Aqui. E para fazer jus a esse post: música em taças de vinhos! =D

 

 

 

Leitura Compartilhada #6

Finalizando o volume dois de Jean-Christophe, do autor Romain Rolland com 542 páginas, temos na parte III o livro chamado Antoinette. Essa moça JC conhece na Alemanha, a convida para ir à um concerto e ela perde o emprego e volta para Paris. Eles não travam uma amizade. Eles nem se conhecem. Na orelha do livro está escrito “…Antoinette é o único dos dez romances da série que não trata diretamente da biografia do herói.”  Aqi vamos conhecer uma moça que apenas cruzou o caminho de JC. Antoinette tem uma vida breve. Filha da rica família Jeannin, tem todos os estudos e todos os bons partidos aos seus pés, já que é muito bonita. Tem um irmão mais novo. seus pais criam um ambiente perfeito em volta dos dois. Seu pai banqueiro, cai nas lábias de um aproveitador e gasta o dinheiro dos clientes, não conseguindo saldar suas dívidas. Então ele se suicida e deixa a mulher pra resolver os problemas da família. Ela vai procurar uma irmã também rica que lhe vira as costas. Ela adoece e morre. Então Antoinette se torna a responsável pelo irmão mais novo e faz de tudo para que ele chegue à universidade. Trabalha muito, cuida pouco da saúde e esquece de si. Um doença faz com que tenha uma vida curta, mas consegue deixar seu irmão com uma bolsa de estudos. Após sua morte, seu irmão lendo seus escritos, descobre que ela nunca esqueceu Jean Christophe por tê-la convidado para aquele concerto. E aí Oliver faz tudo para encontrá-lo.

Terminamos aqui o segundo volume. Trecho do livro: “A pior desgraça, para as almas fracas e ternas, é terem conhecido, uma vez, a maior das felicidades.”

Trecho do comentário no Blog do Escriba: “Só lê Jean-Christophe, o romance do francês Romain Rolland, quem tem fôlego de alpinista e ama de fato as Letras. Ou então, é viciado em literatura e livros clássicos imortais. E, especialmente, quem dispõe de tempo, artigo de luxo nos dias corridos que vivemos hoje. Sim, porque a obra é bela, indubitavelmente, mas muito extensa. São, nada mais nada menos, que cinco volumes de quatrocentos e tantas páginas cada um. Em peso, deve dar uns cinco quilos ou mais de literatura fina e fluida, embotada de sentimentos humanistas e filosóficos interessantíssimos que, realmente, validam sua dilatada estatura e extensão, e com certeza encantará os leitores mais sensíveis que se aventurarem a lê-lo. Sem dúvida, vale a pena. No romance existem centenas de belas passagens, que dariam, com certeza, para encher todo um Blog com seu conteúdo…”.