…E Viva a Diferença!!!

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O filme Equilibrium com o ator Christian Bale e a atriz Emilly Watson, é uma distopia, onde o poder decide excluir a arte da vida das pessoas. Porque arte traz emoção e a emoção é imprevisível. É uma imagem futurista no meio do caos. Toda arte encontrada é queimada e a pessoa que guardava, também. O poder também distribui uma injeção com um remédio que diminui às emoções e se a pessoa deixar de se aplicar, pode ser presa. Porque na ausência do remédio ele sonha e sente. Também não podem ter animais ou perfumes, porque trazem recordações e melancolia.

A arte e as emoções só são excluídas dos menos favorecidos: podemos ver arte nas paredes do QG onde o poder está.

Um dos personagens salva um Livro. Seu melhor amigo deve denunciá-lo, mas decide não fazer. Quando ele ouve uma música de Bethoven, ele chora e não sabe porquê. Depois resolve salvar um cãozinho de ser sacrificado e se volta a favor da resistência. Que sempre deve existir. Pra mostrar que não somos todos iguais.

Ele começa temer ser denunciado por seus filhos, um menino e uma menina. Na resistência ele se apaixona, ela é presa e morre, o que faz aceitar a missão de matar o presidente.

A fotografia do filme é cinza, talvez para padronizar, tornar todos comuns. Os sons de relógios, como marcando o tempo é o som mais processado, talvez para contrapor o momento em que se ouve a música.

A Bicicleta Azul

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O livro A Bicicleta Azul da autora Regine Deforges, nesta edição de 1993 com 487 páginas, faz parte de uma trilogia e seus personagens também aparecem em uma série de livros da autora. A história traz algumas cenas inverossímeis, tendo a guerra como pano de fundo e os alemães como inimigos da França. A menina de dezessete anos, é uma personagem tão chata, que o leitor torce para que o vilão acabe com seu nariz empinado. Lá nas páginas 300, ela melhora um pouquinho, e o provável vilão se torna amável. :/

O livro não tem a duração de um período longo – menos de um ano – e acontece tantas transformações nos personagens – talvez a guerra faça isso – que parece que toda uma saga está naquelas páginas. Coisas que ocorrem com a adolescente, só seriam possíveis numa pessoa mais velha, falando de emoções. As cenas de sexo não trazem nenhum benefício para a história. Mas vale a leitura.

Tem um filme para a Tv francesa, que foi passado como mini-série em 2000, com a bela ex-modelo Laetitia Casta.

Narrativa cult*

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Um livro escrito como um roteiro de cinema – você acompanha a câmera, os cortes, as tomadas, a luz e a sombra, as locações. A história de uma mulher de classe baixa que chega à alta classe atraves da moda. Mas começa daí, onde ela já está no meio dos ricos, das moças que nunca vão precisar trabalhar, de artistas que não precisam ver seus trabalhos reconhecidos e passam a vida em bebidas e sexo e remédios, até que uma moça tenta o suicídio. Me lembrei do filme Factory Girl, onde mostra pessoas mais excêntricas do universo da moda.

O livro é Mulheres Sós do Cesare Pavese, escrito em 1949, com 127 páginas, mostrando onde a vida imita a arte – o autor se suicidou em um quarto de hotel numa grande cidade, um ano após a escrita deste texto.

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*Cultdjetivo de dois gêneros e dois números ; cultuado nos meios intelectuais e artísticos (diz-se de pessoa, ideia, objeto, movimento, obra de arte etc.). As características em um filme cult podem incluir uma trilha sonora obscura, conceitos e ciências fictícios criados na história, ou personagens estranhos. Geralmente são filmes de conteúdo original, e de roteiro também original, que tentam passar uma mensagem inovadora, muitas vezes de forma subliminar, de múltipla interpretação e de difícil compreensão pelo grande público (habituado a visões mais convencionais da realidade). Por assim ser, geralmente são enquadrados em filmes alternativos, filmes B e undergrounds.

Refinamento Narrativo

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Ganhei vários livros no final de novembro, mês do meu aniversário. Então passei esses livros na frente na minha lista de leituras. Um deles é Meio Sol Amarelo da Chimamanda Ngozi Adichie, com 502 páginas que eu devorei em quatro dias. Não sei se consigo descrever como gostei da escrita, da forma refinada de contar sobre a guerra, sobre o caos, sobre o sofrimento. Não é drama. É uma nova forma de escrever uma narrativa dramática. A autora é nigeriana, estudou nos Estados Unidos e ganhou vários prêmios – merecido – por suas obras literárias. 

Apesar de contar sobre o período em que parte da Nigéria tentou se dividir, criando um país chamado Biafra, que causou a morte de milhares de nigerianos, o livro não é histórico. A própria nota da autora diz que “se baseou na guerra”, que aconteceu em 1967-1970 para contar “verdades imaginadas”. Alguns blogs dizem que ela conta uma história única em seus livros, mas a própria autora fala em um vídeo de entrevistas sobre o perigo de escrever sobre o mesmo tema.  Com quase dois milhões de visualizações, esse vídeo criou polêmica entre alguns blogueiros.

Trecho do livro: “…tinha salvado as flores, da mesma forma como salvava embalagens velhas de açúcar , rolhas, até mesmo casca de cará. Isso se ligava ao fato de nunca ter tido o suficiente, ela sabia disso, da incapacidade de jogar qualquer coisa fora, até mesmo as inúteis.”

Vale muito a pena sair de leituras conhecidas e confortáveis para conhecer uma nova forma de contar histórias.

Quer resenha? Clique Aqui.

Também já existe um filme baseado no livro. Quero ver.

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Quando o Título é um Tremendo Spoiler!

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O Cavaleiro do Telhado e A Dama das Sombras, é um romance da literatura francesa do autor Jean Giorno, com 469 páginas. E quando o título é um spoiler da história? Não nesse caso. Isso foi uma ironia. hhh. Comecemos a falar do título. No original francês “Le hussard sur le toit” – literalmente O Cavaleiro no Telhado, poderia dar uma idéia da história, mas o cavaleiro só sobe pra se esconder nos telhados das casas por volta da página 137, e fica apenas umas cinquenta páginas lá. E não sobe novamente. O livro tem a capa do filme, por isso o acréscimo a dama das sombras. Não vi o filme, mas as imagens sugerem um romantismo não existente no livro. O filme ganhou o prêmio Cesar de melhor filme, em 1996.

Então porque brinquei com o spoiler no título? Porque se o livro se chamasse ” O Cólera” , ou “A Epidemia”, saberíamos quem é o personagem principal dessa história. Muito bem escrito e cheio de detalhes de cada cidade e de cada movimentação em torno do medo dessa epidemia que invade as cidades. As coisas horríveis que as pessoas fazem por medo. Mas não é um livro que eu leria novamente. Leia a sinopse aqui.

 

Finalizando Leitura…

O artigo ” As meninas más na literatura de Margaret Atwood e Lucía Etxebarría” de Lelia almeida, trás um texto interessante sobre livros que colocam as mulheres como personagens fortes, não se deixam ser vítimas dos homens. Na contracapa deste livro A noiva Ladra de Margaret Atwood, com 478 páginas, a autora diz que se inspirou num texto chamado o noivo ladrão para inverter a história e colocar a mocinha como vilã. Não vi a vilã aparecer no livro pra mim. :/   A história é contada do ponto de vista das três vítimas dessa “noiva ladra”. Você não fica conhecendo, nem tem idéia do que realmente é a personagem, vamos dizer, principal, já que as três vítimas contam cada uma a história diferente e são todas sem graça, sem sal, não dá pra se identificar com ninguém. Parece um ensaio sobre a loucura. 

Quer resenha? clique aqui

Também foi lançado um filme em 2007..

O QUE ESPERAR DE UM AUTOR CLÁSSICO?

Essa capa linda me chamou a atenção na Bienal do Livro, autor clássico como Jack London,

preço bom, vamos levar. Nome interessante “A filha da Neve”, 253 páginas.

Começou o problema da leitura: o autor começa cada capítulo como se você já soubesse o que está acontecendo.

“E por que não me orgulharei da minha raça?” – assim começa um deles sem que você saiba quem está falando.

é claro que ele vai dizer nas próximas linhas, mas para quem tem memória sinestésica,  esse livro é uma tortura.

Não fui uma criança fã do Reino das Águas Claras, mas este livro foi traduzido por Monteiro Lobato.

Então não sei dizer se o tradutor tem sua parcela de culpa, mas o texto é arrastado, detalhes de um bloco

de gelo se despreendendo e se despedaçando ocupa uma página inteira.

Tem um casal e um amor, mas em nenhum momento eles levam a conversa para um lado romântico. A única

moça no meio dos homens e ela parece um deles. :/

Demorei muuito pra finalizar a leitura.

Jack London,  escreveu mais de 50 livros e os mais famosos foram parar nas telas, como o famoso “Caninos Brancos”.