A Luta Irreal

O livro  de literatura clássica  O Velho e o Mar do autor Ernest Hemingway, conta em apenas 126 páginas a história de um personagem descrito com estrutura física frágil e que enfrenta uma batalha , superior às suas forças, em alto mar, contra um peixe maior que sua embarcação. O autor consegue em poucas páginas, mostrar a história desse pescador, a ída para o mar sozinho, o aparecimento do peixe, a luta por dois dias esperando que o peixe perdesse as forças, o grand finale, e o aparecimento de tubarões, que fazem com que passe de caçador à caçado. O autor não dramatiza as cenas fortes, tem um estilo mais de demonstração de superação que de desânimo. A história se passa no mar do Caribe e tem toda uma descrição do mar, dos métodos de pesca, dos peixes.

Uma adaptação da história para a animação, ganhou o Oscar em 2000. Também há duas adaptações para o cinema – uma em 1958 com roteiro do proprio autor, e outra versão para Tv de 1990 com Antony Quinn.

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De onde viemos…de verdade? :/

origem

“A ORIGINALIDADE CONSISTE EM VOLTAR ÀS ORIGENS.” Antoni Gaudi

O livro Origem de Dan Brown, é uma volta aos suspenses de conspiração religiosa, como ele se tornou mais conhecido em outras partes do mundo. A capa do livro (Michael J. Windsor) remete à  várias citações : um olho, muito citado no livro, uma escada espiral, a cor azul internacional Klein (evoca imaterialidade e ilimitabilidade), a espiral de Arquimedes, a sequência de Finabonacci, a abertura do órgão feminino, o símbolo arroba (@).

Esse livro conta a história de um ateu que resolve provar de onde a vida se originou, usando a mistura de ciência e tecnologia. E para isso ele usa a intenet pra espalhar notícias, falsas e verdadeiras e tornar o evento de falar sobre suas descobertas, um show de tecnologia.

A pesquisa de Dan Brown sobre os diversos assuntos tratados no livro é, no mínimo, curiosa. Ele fala de religião, mais profundamente sobre uma vertente da católica. Ele fala muito sobre Arte, talvez por ser casado com uma artista. Ele fala muito sobre pesquisas científicas, alienígenas e sobre tecnologia e William Blake. Consegue misturar isso tudo num esquema de gato-e-rato dos personagens principais -o famoso Professor Langdon e sua parceira uma jornalista- com a família real espanhola!!!!

Parece um roteiro de filme de aventura e acho que vai funcionar muito bem para um cinema. O texto é todo sobre uma revelação, religiosos querendo esconder essa revelação, e não há um verdadeiro motivo pra isso, então o autor decide mudar o final -como uma opção alternativa- e todas as teorias do possível motivo, não acontecem e um personagem até diz algo como ” fiz tanto pra que o comunicado oficial dele não viesse à tona, e ele mudou o comunicado.”

Trechos do Livro: “…ciência e religião não competem, são duas linguagens diferentes tentando contar a mesma história.” “…parecia algo saído de uma alucinação alienígena: uma colagem rodopiante de formas metálicas retorcidas…massa caótica era coberta por mais de 30 mil placas de titânio que brilhavam como escamas de peixe…”

“…apesar de todos os esforços do seu Vaticano para silenciar homens como Galileu, a ciência dele acabou prevalecendo.” “Michelângelo é o padrão de ouro concebendo o Davi brilhantemente num contraponto efeminado , o pulso frouxo segurando uma funda flácida, revelando uma vulnerabilidade feminina…A obra é ao mesmo tempo delicada e mortífera.”

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“…um mundo cujas leis físicas tornam as coisas aleatórias , e não organizadas…devo admitir que a existência da vida é o único misterio científico que já me levou a pensar  na idéia de um criador.” “Percebi que nosso planeta estava sendo habitado por uma coisa muito maior…rotulada como um reino inteiramente novo.”

deborah jäger

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#SpecialTips de hoje: Filme

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O #SpecialTips #2 é um filme de 2008 que continua atual: as câmeras de vigilância transformam a vida de um rapaz em uma corrida eletrizante para provar que seu irmão que faleceu não estava envolvido em nada ilegal. Ele recebe ajuda de uma agente e no final vemos que quando o Estado te oferece “controle” sobre as coisas ruins, eles estão impondo esse mesmo controle sobre as coisas boas. E aí, perdem-se as escolhas. Como uma distopia, ficamos torcendo para o anti-herói e Fo¢*-se o Estado.

Com Michelle Monaghan – que vi em Missão Impossível III, e o incrível Shia Labeouf quando ele era realmente incrível.

…E Viva a Diferença!!!

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O filme Equilibrium com o ator Christian Bale e a atriz Emilly Watson, é uma distopia, onde o poder decide excluir a arte da vida das pessoas. Porque arte traz emoção e a emoção é imprevisível. É uma imagem futurista no meio do caos. Toda arte encontrada é queimada e a pessoa que guardava, também. O poder também distribui uma injeção com um remédio que diminui às emoções e se a pessoa deixar de se aplicar, pode ser presa. Porque na ausência do remédio ele sonha e sente. Também não podem ter animais ou perfumes, porque trazem recordações e melancolia.

A arte e as emoções só são excluídas dos menos favorecidos: podemos ver arte nas paredes do QG onde o poder está.

Um dos personagens salva um Livro. Seu melhor amigo deve denunciá-lo, mas decide não fazer. Quando ele ouve uma música de Bethoven, ele chora e não sabe porquê. Depois resolve salvar um cãozinho de ser sacrificado e se volta a favor da resistência. Que sempre deve existir. Pra mostrar que não somos todos iguais.

Ele começa temer ser denunciado por seus filhos, um menino e uma menina. Na resistência ele se apaixona, ela é presa e morre, o que faz aceitar a missão de matar o presidente.

A fotografia do filme é cinza, talvez para padronizar, tornar todos comuns. Os sons de relógios, como marcando o tempo é o som mais processado, talvez para contrapor o momento em que se ouve a música.

A Bicicleta Azul

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O livro A Bicicleta Azul da autora Regine Deforges, nesta edição de 1993 com 487 páginas, faz parte de uma trilogia e seus personagens também aparecem em uma série de livros da autora. A história traz algumas cenas inverossímeis, tendo a guerra como pano de fundo e os alemães como inimigos da França. A menina de dezessete anos, é uma personagem tão chata, que o leitor torce para que o vilão acabe com seu nariz empinado. Lá nas páginas 300, ela melhora um pouquinho, e o provável vilão se torna amável. :/

O livro não tem a duração de um período longo – menos de um ano – e acontece tantas transformações nos personagens – talvez a guerra faça isso – que parece que toda uma saga está naquelas páginas. Coisas que ocorrem com a adolescente, só seriam possíveis numa pessoa mais velha, falando de emoções. As cenas de sexo não trazem nenhum benefício para a história. Mas vale a leitura.

Tem um filme para a Tv francesa, que foi passado como mini-série em 2000, com a bela ex-modelo Laetitia Casta.

Narrativa cult*

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Um livro escrito como um roteiro de cinema – você acompanha a câmera, os cortes, as tomadas, a luz e a sombra, as locações. A história de uma mulher de classe baixa que chega à alta classe atraves da moda. Mas começa daí, onde ela já está no meio dos ricos, das moças que nunca vão precisar trabalhar, de artistas que não precisam ver seus trabalhos reconhecidos e passam a vida em bebidas e sexo e remédios, até que uma moça tenta o suicídio. Me lembrei do filme Factory Girl, onde mostra pessoas mais excêntricas do universo da moda.

O livro é Mulheres Sós do Cesare Pavese, escrito em 1949, com 127 páginas, mostrando onde a vida imita a arte – o autor se suicidou em um quarto de hotel numa grande cidade, um ano após a escrita deste texto.

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*Cultdjetivo de dois gêneros e dois números ; cultuado nos meios intelectuais e artísticos (diz-se de pessoa, ideia, objeto, movimento, obra de arte etc.). As características em um filme cult podem incluir uma trilha sonora obscura, conceitos e ciências fictícios criados na história, ou personagens estranhos. Geralmente são filmes de conteúdo original, e de roteiro também original, que tentam passar uma mensagem inovadora, muitas vezes de forma subliminar, de múltipla interpretação e de difícil compreensão pelo grande público (habituado a visões mais convencionais da realidade). Por assim ser, geralmente são enquadrados em filmes alternativos, filmes B e undergrounds.

Refinamento Narrativo

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Ganhei vários livros no final de novembro, mês do meu aniversário. Então passei esses livros na frente na minha lista de leituras. Um deles é Meio Sol Amarelo da Chimamanda Ngozi Adichie, com 502 páginas que eu devorei em quatro dias. Não sei se consigo descrever como gostei da escrita, da forma refinada de contar sobre a guerra, sobre o caos, sobre o sofrimento. Não é drama. É uma nova forma de escrever uma narrativa dramática. A autora é nigeriana, estudou nos Estados Unidos e ganhou vários prêmios – merecido – por suas obras literárias. 

Apesar de contar sobre o período em que parte da Nigéria tentou se dividir, criando um país chamado Biafra, que causou a morte de milhares de nigerianos, o livro não é histórico. A própria nota da autora diz que “se baseou na guerra”, que aconteceu em 1967-1970 para contar “verdades imaginadas”. Alguns blogs dizem que ela conta uma história única em seus livros, mas a própria autora fala em um vídeo de entrevistas sobre o perigo de escrever sobre o mesmo tema.  Com quase dois milhões de visualizações, esse vídeo criou polêmica entre alguns blogueiros.

Trecho do livro: “…tinha salvado as flores, da mesma forma como salvava embalagens velhas de açúcar , rolhas, até mesmo casca de cará. Isso se ligava ao fato de nunca ter tido o suficiente, ela sabia disso, da incapacidade de jogar qualquer coisa fora, até mesmo as inúteis.”

Vale muito a pena sair de leituras conhecidas e confortáveis para conhecer uma nova forma de contar histórias.

Quer resenha? Clique Aqui.

Também já existe um filme baseado no livro. Quero ver.

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