Autora Premiada

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O livro A Verdade Sobre Lorin Jones da autora americana Alison Lurie, ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1984, conta em 369 páginas a história de uma mulher chegando aos 40 anos, com um filho adolescente, um divórcio em todos põem a culpa nela, decidindo escrever a biografia de uma artista que teve seus quadros super valorizados após sua morte ainda jovem. Ao fazer a pesquisa, ela se vê no lugar de Lorin a quem os homens se aproveitaram, primeiro seu ex-marido que sustentava sua criação para que ela só se preocupasse em pintar; seu marchand que vendia seus quadros caríssimos, seu pai que casou-se novamente logo após a morte da mãe. Mas ao fazer as entrevistas com os envolvidos, ela se vê odiando a personagem de seu livro e se arrependendo de ter escolhido escrever o livro. Ao conhecer as pessoas que conviveram com a artista e que elogiam seus quadros, ela descobre uma mulher bonita, egocêntrica e mimada. Muito parecida com a personagem principal da qual não gostei. E também não gosto de histórias sem finalização, do tipo que deixa pra imaginação do leitor pensar no que aconteceu. É que o que me fez continuar lendo foi a encruzilhada da escritora dizer a verdade sobre a artista ou escrever apenas sobre sua obra. E não há nenhuma explicação, decisão, resultado.

Trechos do Livro:”Você ainda acredita lá no fundo que se os homens realmente compreendessem o que sentimos eles ficariam surpresos e arrependidos….Você precisa entender que eles já sabem muito bem como nos sentimos. E eles não ligam…” “…porque bons homens eram mais raros que bons empregos.” “Só conseguimos suportar a idéia de que Van Gogh ou Virgínia Woolf, digamos, foram gênios e nós não se ficarmos lembrando que eram infelizes a maior parte do tempo. Até mesmo psicóticos.” “…você deve ter notado que as mulheres magras atraem um tipo de homem diferente do que é atraído pelas roliças.”

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Dois tempos, uma história

O livro O Azul da Virgem da autora americana Tracy Chevalier conta em 350 páginas duas histórias: uma se passa em 1572, período em que aconteceu o massacre de São Bartolomeu, e que cristãos e católicos brigaram pela Reforma. A personagem é católica e ama a virgem, e é chamada de bruxa. A família de seu marido é Calvinista e não a deixa ter um tecido que tem a cor do manto da virgem.

A outra história se passa no tempo atual em que um jovem casal se muda para a França porque ele arrumou um ótimo emprego. Ela começa a se sentir entediada, não conhece ninguém, não gosta do lugar, até que resolve descobrir sobre sua família que morou ali. Se envolve com o bibliotecário e descobre que o pesadelo que têm é sobre o azul da virgem.

As duas histórias acontecem paralelas: as duas são ruivas, tem o mesmo nome, envolvem com um homem, engravidam, ajudam a amiga que está grávida. A primeira história é contada em terceira pessoa e a história atual contada sobre o ponto de vista da personagem principal. Em um ponto ad histórias se tornam uma só.

A capa do livro é maravilhosa, retrato de Paul Cesar Helleu, que mostra uma menina ruiva. O Azul colocado em volta do retrato pelo Raul Fernandes -que faz ótimas capas- não remete ao azul real, que era a cor do manto da virgem.

Trechos do livro : ” Os homens foram saindo de perto da lareira até ouvirem os primeiros gritos de Marie: eram homens fortes, acostumados com o guincho dos porcos sendo sacrificados, mas o tom humano fez com que andassem depressa. ” “Foi exatamente nesse ponto que aconteceu: como aquelas criaturas unicelulares que de repente se dividem em duas sob o microscópio, sem qualquer motivo aparente, senti que estávamos nos separando em seres distintos com perspectivas diversas.”

A revolução silenciosa da arte…

Sem título

O livro ilustrado Terra Vermelha, Rio Amarelo do autor e ilustrador chinês Ange Zhang, conta em 63 páginas a vida do autor ainda adolescente durante a Revolução Cultural chinesa em meados de 66. Contado em primeira pessoa numa narrativa triste e bonita, ele conta a adolescência em que seu pai escritor foi tratado como prisioneiro e ele queria ser um “guarda vermelho”, até que conseguiu enxergar a realidade por trás de toda  “política” do presidente Mao. Foi enviado para trabalhar nos campos e levou seus livros onde lia muito. Também descobriu sua vocação com a pintura. O livro é todo ilustrado em aquarelas e de uma delicadeza que contrasta com o tema. Vale a pena!

 

Filosofia em Quadrinhos

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A HQ Nietzsche conta em 127 páginas de quadrinhos a vida do professor e filósofo Friedrich Nietzsche que morreu em 1900 aos 55 anos, após um período de loucura onde permaneceu internado. Nesse livro ficamos sabendo de sua “rixa” com sua irmã, que após a loucura do irmão e recente aumento nas vendas de seus livros, altera os textos mais imorais e anticristãos e torna-se sua herdeira. Parte de suas idéias niilistas estão nos quadrinhos, mas que não vejo como uma boa introdução à filosofia para adolescentes. Para isso, ainda indico O Mundo de Sofia, do Jostein Gaarder.

Os desenhos são de Maximilien Le Roy que idealizou o projeto e convidou o filósofo Michel Onfray para escrever o texto.

Trechos do livro: “Mesmo durante o sono, as idéias de Schopenhauer dançavam em minha cabeça sem que eu soubesse se ainda estava lendo ou dormindo…” “Seria perfeito! Conversaríamos muito, leríamos um pouco, escreveríamos menos ainda. Acho que era assim que faziam Platão e seus discípulos…” “A senhora sabe, a liberdade é um grande luxo. Quanto menos você possui, menos é possuído!”

 

O Vídeo da Hora: This is America

Várias foram as interpretações e entrevistas sobre o vídeo This is America (Childsh Gambino), com  o ator Donald Glover, com duração de apenas 4 minutos e 4 segundos. É fantástico como mostra a diferença entre a realidade e a ficção da mídia, a forma como a mídia manipula as informações. Todo o contraste entre a mídia mostrando os clips de negros ricos e no fundo os negros sofrendo com racismo, polícia, morte. A arma sendo adorada e os mortos descartados, o celular sendo usado como ferramenta – para os ricos, como “kodak”, para os pobres como conexão.

Uma das melhores análises do clip que pude ver na internet, está em inglês e é da Vicky Hope. 1– A  primeira referência é do músico que se parece fisicamente com o pai de Travyon Martin, assassinado por um branco. E depois Gambino atira na cabeça coberta dele. Porque as pessoas não querem ver. 2– Suas danças são inspiradas em ritmos africanos famosos na web. Quando a câmera aproxima de seu rosto ele imita o personagem Uncle Ruckus, um homem negro que se acha branco e é racista.

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3–   Bem aqui, Gambino se apresenta como o ministro Jim Crow, um personagem inventado por volta de 1900, quando o blackface foi inventado por comediantes brancos.(As leis de Jim Crow foram leis locais e estaduais, promulgadas nos Estados do sul dos Estados Unidos, que institucionalizaram a segregação racial, afetando afro-americanos, asiáticos e outros grupos étnicos. Vigoraram entre 1876 e 1965.) Os Jim Crows eram uma paródia racista dos negros. Nessa imitação no clip ele atira em numa interpretação de um ‘escravo’ -pessoa negra com as mãos amarradas e pés descalços.

4– Após matar um homem, a arma é tratada com grande importância, enquanto o corpo é descartado. 5– A calça que Gambino está usando fazem parte do uniforme oficial dos soldados confederados clássicos, usada na guerra civil. 6– Mesmo depois de matar um homem negro, Gambino dança de forma alegre, sendo seguido por crianças inocentes da escola. Eles estão claramente copiando tudo o que ele faz porque ele é ‘legal’. 7– Enquanto as danças e a diversão acontece, o fundo está um caos. Pra que se preocupar com problemas “dos outros”, quando eles estão se divertindo tanto! 8– A Igreja sempre foi considerada um refúgio seguro para os negros. O coral está cantando e ele entra na vibe do coral, mas muda a fisionomia e atira em todos. Isso se refere ao massacre na Igreja de Charleston em 2015, um outro assassinato em massa de pessoas negras na América. 9– Ele fala do celular como ferramenta e a câmera mostra adolescentes com parte do rosto coberto usando celulares.

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10- Gambino faz um gesto de arma, ouve-se o tiro e todos vão embora, enquanto ele fuma um cigarro de maconha e sobe num carro vermelho e dança como Michael Jackson, enquanto a cantora Sza se apresenta como a estátua da liberdade, ironia à liberdade dos negros.

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11– De repente a tela fica black e surge uns olhos em pânico e Gambino aparece fugindo, correndo e todos os negros estão fugindo. Para onde?

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De onde viemos…de verdade? :/

origem

“A ORIGINALIDADE CONSISTE EM VOLTAR ÀS ORIGENS.” Antoni Gaudi

O livro Origem de Dan Brown, é uma volta aos suspenses de conspiração religiosa, como ele se tornou mais conhecido em outras partes do mundo. A capa do livro (Michael J. Windsor) remete à  várias citações : um olho, muito citado no livro, uma escada espiral, a cor azul internacional Klein (evoca imaterialidade e ilimitabilidade), a espiral de Arquimedes, a sequência de Finabonacci, a abertura do órgão feminino, o símbolo arroba (@).

Esse livro conta a história de um ateu que resolve provar de onde a vida se originou, usando a mistura de ciência e tecnologia. E para isso ele usa a intenet pra espalhar notícias, falsas e verdadeiras e tornar o evento de falar sobre suas descobertas, um show de tecnologia.

A pesquisa de Dan Brown sobre os diversos assuntos tratados no livro é, no mínimo, curiosa. Ele fala de religião, mais profundamente sobre uma vertente da católica. Ele fala muito sobre Arte, talvez por ser casado com uma artista. Ele fala muito sobre pesquisas científicas, alienígenas e sobre tecnologia e William Blake. Consegue misturar isso tudo num esquema de gato-e-rato dos personagens principais -o famoso Professor Langdon e sua parceira uma jornalista- com a família real espanhola!!!!

Parece um roteiro de filme de aventura e acho que vai funcionar muito bem para um cinema. O texto é todo sobre uma revelação, religiosos querendo esconder essa revelação, e não há um verdadeiro motivo pra isso, então o autor decide mudar o final -como uma opção alternativa- e todas as teorias do possível motivo, não acontecem e um personagem até diz algo como ” fiz tanto pra que o comunicado oficial dele não viesse à tona, e ele mudou o comunicado.”

Trechos do Livro: “…ciência e religião não competem, são duas linguagens diferentes tentando contar a mesma história.” “…parecia algo saído de uma alucinação alienígena: uma colagem rodopiante de formas metálicas retorcidas…massa caótica era coberta por mais de 30 mil placas de titânio que brilhavam como escamas de peixe…”

“…apesar de todos os esforços do seu Vaticano para silenciar homens como Galileu, a ciência dele acabou prevalecendo.” “Michelângelo é o padrão de ouro concebendo o Davi brilhantemente num contraponto efeminado , o pulso frouxo segurando uma funda flácida, revelando uma vulnerabilidade feminina…A obra é ao mesmo tempo delicada e mortífera.”

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“…um mundo cujas leis físicas tornam as coisas aleatórias , e não organizadas…devo admitir que a existência da vida é o único misterio científico que já me levou a pensar  na idéia de um criador.” “Percebi que nosso planeta estava sendo habitado por uma coisa muito maior…rotulada como um reino inteiramente novo.”

deborah jäger

origem

Arte-Educação

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O livro Navio das Cores tem em 55 páginas a história da vida do pintor Lasar Segall contada pelo escritor Moacyr Scliar. O Personagem quando criança veio com os pais judeus, da Russia para o Brasil. O pintor na realidade veio depois de adulto, mas não tira o que a história quer mostrar: o Brasil sempre foi um país acessível aos imigrantes e eles conseguem se sentir em casa aqui. O menino da história é um pintor e através da história dele, feita de gravuras e reproduções das obras do verdadeiro pintor, conhecemos o modernismo e o surrealismo. Nas últimas páginas, informações sobre o autor da história e sobre o autor das obras.