A Arte de Perder

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Elizabeth Bishop foi uma autora americana, considerada um das mais importantes poetisas do século XX a escrever na língua inglesa.

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

(tradução de Paulo Henriques Britto)

:

One Art
Elizabeth Bishop

The art of losing isn”t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn”t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother”s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn”t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn”t a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan”t have lied. It”s evident
the art of losing”s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

A Mágica Descoberta do Brasil 🇧🇷

O livro A Descoberta do Novo Mundo da autora Nacional Mary Del Priore, conta de forma mágica, em 109 páginas cheias de lindas ilustrações de João Lin, uma viagem em que dois órfãos Pedro e Paulo passam por várias aventuras no navio que os traz à Terra de Santa Cruz. Foi uma viagem marcada por tempestades, privações até serem ajudados por um outro navio que passava. Ouviram histórias macabras sobre o lugar: índios canibais, serpentes com cara de cachorro, monstros. Eles estavam adorando viver as aventuras, mas foram entregues aos jesuítas quando aportaram. Ele falava do pecado de olhar as índias nuas, fazia-os se auto mutilar para não pensar no pecado. Eles resolvem fugir. Ao encontrar os “selvagens”, vêem que a história é diferente, que eles são pacíficos, limpos e as índias são lindas.

#paraleremumdia

Trechos do Livro: “Lutar pela fé católica. Tornar-se, talvez, um santo. Ninguém lhe explicou onde era o ‘longe’. Quem eram os selvagens e se queria virar santo.” “…eles usariam a mesma roupa meses à fio e esta só seria lavada pela água da chuva.” “Doente e com febre, um passageiro lançou-se ao mar em completo estado de alucinação. Morreu de sede em pleno oceano.”

Playlist of my Life

Baseado na idéia da Teen Vogue, e na lista da Paris Jackson, mostro aqui músicas que marcaram de alguma forma a passagem do tempo. É claro que têm muitas outras que são favoritas da vida.

Anos 70: All Out of Love do Air Supply (ouça Aqui.) Todas do Elvis Presley. E We will Rock You do Queen.

●Dont Let me be Misunderstood do Animals

●Dont Let me Down dos Beattles

●Wultering Hights da Kate Bush

●One Way or Another da Blondie

●Less Conversation do Elvis Presley

Anos 80: Careless Whisper do George Michel (ouça Aqui.) E todas do Michel Jackson. E bandas de rock nacional. Algumas do Rei Roberto Carlos: Detalhes, Emoções e Café da Manhã.

●Girls Just Want to Have Fun de Cindy Lauper

●Sacrifice do Elton John

●You are not alone do Mickel Jackson

●Too Much Heaven do Bee Gees

●Stand by Me do Lennon

●Wind of Changes e Still loving you do Scorpion

●Last Kiss do Pearl Jam

●Rebel in Me do Jimmy Cliff

●Hill is Over do Lenny Kravitz

●Killing me Softly da Lori Liberman

Anos 90: November Rain do Guns and Roses (ouça Aqui.) E todas do Metallica. E Nirvana, Red Hot Chilli Peppers, e todas as bandas de Rock Nacional: Legião Urbana, Biquini Cavadão, Kid Abelha, Roupa Nova, Paralamas do Sucesso, Titãs, Ultraje a Rigor, e muitas outras.

●Kiss from Rose do Seal

●Sweetest Taboo da Sade Adu

●Stars do Simple Red

●Loved a Woman do Bryan Adams

●Iris do Goo goo Dolls

●Under the Bridge do Red Hot

●Dont Speak do No Doubts

●Black or White do Michel Jackson

●Must be Love e Spending my Time da Roxette

●Mr Jones do Counting Crows

●Loosing my Religion do REM

●Sandman do Metallica

● Thank you da Dido

●Satisfaction do Rolling Stone

Anos 2000: Wish I had an Angel do Nightwish (Ouça Aqui.)

●Bring me to Life do Evanescence (Ouça Aqui.)

●In the Shadow do Rasmus (Ouça Aqui.)

●Moves like Jagger do Maroon Five

●Smile da Lilly Allen

●Numb do Linking Park

●Green Light do Jhon Legend

●Rolling in the Deep da Adele
●Happy do Pharrel Williams

●Hips dont Lie da Shakira

E sua Playlist? Me conte nos comentários. 😉

Autora Premiada

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O livro A Verdade Sobre Lorin Jones da autora americana Alison Lurie, ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1984, conta em 369 páginas a história de uma mulher chegando aos 40 anos, com um filho adolescente, um divórcio em todos põem a culpa nela, decidindo escrever a biografia de uma artista que teve seus quadros super valorizados após sua morte ainda jovem. Ao fazer a pesquisa, ela se vê no lugar de Lorin a quem os homens se aproveitaram, primeiro seu ex-marido que sustentava sua criação para que ela só se preocupasse em pintar; seu marchand que vendia seus quadros caríssimos, seu pai que casou-se novamente logo após a morte da mãe. Mas ao fazer as entrevistas com os envolvidos, ela se vê odiando a personagem de seu livro e se arrependendo de ter escolhido escrever o livro. Ao conhecer as pessoas que conviveram com a artista e que elogiam seus quadros, ela descobre uma mulher bonita, egocêntrica e mimada. Muito parecida com a personagem principal da qual não gostei. E também não gosto de histórias sem finalização, do tipo que deixa pra imaginação do leitor pensar no que aconteceu. É que o que me fez continuar lendo foi a encruzilhada da escritora dizer a verdade sobre a artista ou escrever apenas sobre sua obra. E não há nenhuma explicação, decisão, resultado.

Trechos do Livro:”Você ainda acredita lá no fundo que se os homens realmente compreendessem o que sentimos eles ficariam surpresos e arrependidos….Você precisa entender que eles já sabem muito bem como nos sentimos. E eles não ligam…” “…porque bons homens eram mais raros que bons empregos.” “Só conseguimos suportar a idéia de que Van Gogh ou Virgínia Woolf, digamos, foram gênios e nós não se ficarmos lembrando que eram infelizes a maior parte do tempo. Até mesmo psicóticos.” “…você deve ter notado que as mulheres magras atraem um tipo de homem diferente do que é atraído pelas roliças.”

LolyPaisagensTT

Dois tempos, uma história

O livro O Azul da Virgem da autora americana Tracy Chevalier conta em 350 páginas duas histórias: uma se passa em 1572, período em que aconteceu o massacre de São Bartolomeu, e que cristãos e católicos brigaram pela Reforma. A personagem é católica e ama a virgem, e é chamada de bruxa. A família de seu marido é Calvinista e não a deixa ter um tecido que tem a cor do manto da virgem.

A outra história se passa no tempo atual em que um jovem casal se muda para a França porque ele arrumou um ótimo emprego. Ela começa a se sentir entediada, não conhece ninguém, não gosta do lugar, até que resolve descobrir sobre sua família que morou ali. Se envolve com o bibliotecário e descobre que o pesadelo que têm é sobre o azul da virgem.

As duas histórias acontecem paralelas: as duas são ruivas, tem o mesmo nome, envolvem com um homem, engravidam, ajudam a amiga que está grávida. A primeira história é contada em terceira pessoa e a história atual contada sobre o ponto de vista da personagem principal. Em um ponto ad histórias se tornam uma só.

A capa do livro é maravilhosa, retrato de Paul Cesar Helleu, que mostra uma menina ruiva. O Azul colocado em volta do retrato pelo Raul Fernandes -que faz ótimas capas- não remete ao azul real, que era a cor do manto da virgem.

Trechos do livro : ” Os homens foram saindo de perto da lareira até ouvirem os primeiros gritos de Marie: eram homens fortes, acostumados com o guincho dos porcos sendo sacrificados, mas o tom humano fez com que andassem depressa. ” “Foi exatamente nesse ponto que aconteceu: como aquelas criaturas unicelulares que de repente se dividem em duas sob o microscópio, sem qualquer motivo aparente, senti que estávamos nos separando em seres distintos com perspectivas diversas.”

A revolução silenciosa da arte…

Sem título

O livro ilustrado Terra Vermelha, Rio Amarelo do autor e ilustrador chinês Ange Zhang, conta em 63 páginas a vida do autor ainda adolescente durante a Revolução Cultural chinesa em meados de 66. Contado em primeira pessoa numa narrativa triste e bonita, ele conta a adolescência em que seu pai escritor foi tratado como prisioneiro e ele queria ser um “guarda vermelho”, até que conseguiu enxergar a realidade por trás de toda  “política” do presidente Mao. Foi enviado para trabalhar nos campos e levou seus livros onde lia muito. Também descobriu sua vocação com a pintura. O livro é todo ilustrado em aquarelas e de uma delicadeza que contrasta com o tema. Vale a pena!

 

Filosofia em Quadrinhos

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A HQ Nietzsche conta em 127 páginas de quadrinhos a vida do professor e filósofo Friedrich Nietzsche que morreu em 1900 aos 55 anos, após um período de loucura onde permaneceu internado. Nesse livro ficamos sabendo de sua “rixa” com sua irmã, que após a loucura do irmão e recente aumento nas vendas de seus livros, altera os textos mais imorais e anticristãos e torna-se sua herdeira. Parte de suas idéias niilistas estão nos quadrinhos, mas que não vejo como uma boa introdução à filosofia para adolescentes. Para isso, ainda indico O Mundo de Sofia, do Jostein Gaarder.

Os desenhos são de Maximilien Le Roy que idealizou o projeto e convidou o filósofo Michel Onfray para escrever o texto.

Trechos do livro: “Mesmo durante o sono, as idéias de Schopenhauer dançavam em minha cabeça sem que eu soubesse se ainda estava lendo ou dormindo…” “Seria perfeito! Conversaríamos muito, leríamos um pouco, escreveríamos menos ainda. Acho que era assim que faziam Platão e seus discípulos…” “A senhora sabe, a liberdade é um grande luxo. Quanto menos você possui, menos é possuído!”