HQ, sem palavras (duplo sentido sim)

O livro/Hq A Chegada do autor e ilustrador Shaun Tan conta em 120 páginas a história de um homem que deixa sua terra e vai morar em um país desconhecido longe dos amigos e família e encontra pessoas boas e ruins, conhece novas formas de se alimentar e de viver. A história é contada em forma de fantasia, com desenhos sobrenaturais.

O livro contem um texto do autor no final, dizendo que se inspirou na história de seus pais que foram da Malásia para a Austrália nos anos 60. Ele também mostra de onde tirou a inspiração para seus desenhos.

O traço do artista é do tipo realista, com sombra e luz dando contornos em 3d; ele utiliza tons em sépia e marron, deixando o ambiente sombrio e ao mesmo tempo vintage.

Deixe seu @ =)

Sempre estou postando no meu insta sobre livros. Temos “conselhos na rádio ” na sexta e “playlist musical ” no sábado. Tive que excluir o “fogo no parquinho” do domingo porque o Instagram achou que quebrava regras. 🙄

Venha participar! Deixe seu @ nos comentários pra eu te seguir e interagir! 😉

Receitas…sem sabor :/

O livro A Parte Mais Tenra da autora, que é especialista em gastronomia, Ruth Reichl, conta em 304 páginas a história de uma menina americana que tem vergonha da comida da mãe, fica na cozinha junto com a tia-avó vendoa-a cozinhar maravilhosamente bem, vive numa família desestruturada, tem um irmão por parte de pai. Adolescente ela vai aprender francês no Canadá, aprende sobre a cozinha francesa ao frequentar a casa do ministro francês. Faz Artes e Mestrado em Artes e se casa com um artista. Viaja pra Europa e conhece a cozinha italiana ao se hospedar numa Villa. Ao voltar começa a trabalhar de garçonete. Depois começa a escrever sobre restaurantes e seus pratos.

Acho que a história pode ser semi-biográfica, até o nome da personagem é o mesmo. Me decepcionou o livro não cumprir a premissa ou os “blurbs” da contra-capa. Esperava algo no estilo “cozinhar salvou minha vida”, mas apesar de todos os gatilhos, a personagem nunca tentou ser uma “chef de cuisine“.

Trechos do Livro: “…ela foi a primeira pessoa que jamais conheci que entendia o poder da culinária… mas cozinhava mais para si própria do que para os outros.” “Vendo a… preparar uma gougère na cozinha, perguntei-me o que a imaginação tinha a ver com aquilo. Parecia-me que cozinhar era sobretudo uma questão de organização.”

Primeiras Histórias

O livro Bom Dia, Tristeza da autora francesa Françoise Sagan é o seu primeiro livro escrito aos 18 anos. Já foi dito que é meio que autobiográfico. A história, que virou filme em 1957 com David Niven e Deborah Kerr, conta em 127 páginas as férias do verão de 53 da adolescente Cécile e seu pai viúvo bon vivant. Ela é uma adolescente mimada pelo seu pai que deixa ela beber, fumar, leva para os bares noturnos onde passam as noites. Ele arranja namoradas muito mais jovens pra se sentir garotão. E tudo muda quando uma amiga de sua mãe aparece pra passar uns dias com eles. Cécile tem medo de errar perto dela que é muito elegante, fina e aristocrática. Tudo diferente dos amigos hippies e modelos sem cérebro que fazem os amigos de seu pai. Ambígua, Cécile não decide se gosta mais de um ou outro tipo de vida. Fútil e frívola, arranja um namorado, trama com ele, ajudá-la a acabar o romance de seu pai com a Dama, depois que os dois confirmam casamento. E tudo acaba em tragédia.

Contado pela Cécile, temos a visão distorcida de todos os fatos. Nem a própria sabe o que não quer, mas o que ela quer é continuar irresponsável.

Trechos do Livro: “Aliás, não tínhamos as mesmas relações: ela frequentava pessoas finas, inteligentes, discretas, e nós, pessoas barulhentas, irrequietas, das quais meu pai exigia simplesmente que fossem belas ou engraçadas.” “Certas frases criam para mim um clima intelectual, sutil que me subjuga, mesmo se não as penetro em absoluto.” ” Pensei que tinha razão, que eu vivia como um animal, ao bel-prazer dos outros, que era pobre e fraca.” “A liberdade de pensar e de pensar mal e de pensar pouco, a liberdade de escolher minha própria vida…eu não era mais que uma pasta moldável…”

Romance de formação?

O livro Não foi nada do autor chileno Antonio Skármeta conta em 106 páginas a história de uma família que foge da ditadura do Chile e vai morar na Alemanha, depois do golpe militar de 1973. Apesar de ser indicado como um Bindulgsroman, ou romance de formação, a história mostra um período muito curto da vida do adolescente e parece com um desses diários com chave. Ele é chamado pelo apelido de “eswarnicht” que dá título ao livro, frequenta escola com o irmão, se apaixona pelas meninas alemãs, fala sobre seu país na escola, frequenta os clubes de militância política com o pai, briga e faz amizades.

Já que para ser considerado romance de formação, a história deve contar o trajeto entre “infância à maturidade, em busca de crescimento espiritual, político, social, psicológico, físico ou moral“, esse episódio curto da vida de um adolescente está na indicação errada.

Trechos do Livro: “Para variar, papai me disse que ia me dar um tabefe por ficar perguntando besteiras. Como devem ter percebido, meu paizinho colabora com entusiasmo e carinho na educação dos filhos. ” “É que estou contando tudo misturado e aos pulos. Mas houve um tempo em que eu era a criança mais triste de Berlim.”