O Pior do Ano, com certeza :(

O #SpecialTips de hoje #20 é o livro O Dia da  Caça do James Patterson, com 212 páginas. Já li outros livros dele antes e nunca odiei tanto o detetive Cross como nesse livro: tanto o autor quanto o personagem perderam o senso do ridículo e me fizeram perder um bom tempo de leitura. O detetive Cross sai de sua cidade pra ir “caçar” um assassino na Nigéria onde não fala o idioma, está no meio de uma guerra, numa terra sem leis e querendo aplicar as leis de seu país!! Várias vezes grita para os assassinos e bandidos ” eu sou um policial…vocês não podem fazer isso” e só tem risadas dos outros. Todos riem dele, nem o ouvem e ele insiste em dizer que está “investigando”. Não tem sentido um crime acontecer em Washington e o livro se passar quase todo fazendo apologia à paz, a mostrar aos olhos do mundo às atrocidades da guerra! Hey!! Esse não é um livro jornalístico!! Não funcionou, James Patterson!! Só queremos saber quem morreu e quem vai pagar pelo crime, como em toda boa história policial.

Depois de preso, nariz quebrado duas vezes, ser mandado embora do país, ele continua fazendo burrices uma atrás da outra. Patético! Na pág. 88 ele diz “..sempre fui mestre em me manter um passo à frente do adversário.” e aí é pego de novo na linha seguinte. :/ A capa desta edição faz jus.

Trecho do livro: ” A guerra é como o fogo, destrói algumas coisas, mas deixa o solo fértil.”

O livro cita uma música que é como um micro-documentário sobre esses crimes que acontecem em Serra-Leoa:

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Um Clássico!

O livro clássico de J.Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby conta em apenas 221 páginas os romances e a forma de vida da sociedade rica da costa leste americana, na depressão pós guerra. As pessoas já não deixavam de fazer o que tinham vontade, porque a vida é curta. Então, o narrador é um jovem de cerca de 30 anos que é vizinho e conhece Gatsby e se envolve em torna da vida deste e de outro casal, cuja esposa é a moça por quem Gatsby é apaixonado. Mas ela é casada.

Não achei nehum personagem apaixonante – todos são superficiais. E ainda postei no twitter, que nas páginas 78 e 79, o autor cita tantos nomes de “famílias”, que quando chegou no número 49 eu parei de tentar entender quem era todo mundo. :/   Não são citações de pessoas famosas ou cultura pop. Mas depois a história foca no Gatsby, na visão que o narrador tem dele: no começo o detesta “…Assim a minha primeira impressão, de que ele era uma pessoa de uma certa …importância, aos poucos se dissipou e ele ficou sendo simplesmente, para mim, apenas o proprietário de uma mansão…situada ao lado da minha casa.”  Depois ele começa a gostar um pouco do vizinho: “Era um desses sorrizos raros, que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrizos com que a gente depare…cinco vezes na vida.”

Quer Resenha? Clique Aqui.

Já houve dois filmes, um com Robert Redford em 1974 e outra versão mais moderna com Leonardo Di Caprio de 2013. Assisti apenas essa última, mas quero ver a versão anterior, acho que é mais fiel ao livro.

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O Tempo é o remédio

A capa de um livro pode sim influenciar na escolha entre deixar e levar pra casa. A primeira escolha é visual. A segunda escolha pode ser a sinopse ou o nome de um autor conhecido. A terceira escolha é um título interessante, ou uma lembrança, ou a indicação de terceiros, propaganda. Então, se eu tivesse visto uma dessas capas que parecem romance de banca de revista, eu não teria nem olhado para essa lindeza de livro Dentro de Um Mês, Dentro de Um Ano da Françoise Sagan, com 110 páginas de leveza e desencontros.

Há um grupo de personagens, nenhum se destaca mais que outro. Lembra do poema “…João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.”? Esse livro é a história de amar quem não nos ama e esquecer de quem está do nosso lado. E os arrependimentos, o tempo desperdiçado e a esperança de dias melhores.

Trecho do livro: “…Quando amanheceu, Édouard abriu os olhos. Encontrava-se numa cama desconhecida e, na altura de seus olhos, sobre o lençol, jazia uma mão envelhecida, carregada de anéis…”

Livro Infanto-Juvenil/adaptação de adulto

 

“A literatura infanto-juvenil continua sendo uma questão de adultos que vão pensá-la partindo da necessidade histórica da revisão de como lhes foi imposto o próprio ato de ler.” (Sonia Salomão Khéde, 1986)

A Série Reencontros produziu algumas adaptações para o público juvenil conhecer as grandes histórias clássicas sem se aventurar pelos calhamaços de páginas. É válido porque não minimiza a vontade de ler o original, quando a história é do gênero preferido do leitor. Nesse livro Odisséia de Homero, com 86 páginas, a adaptação de Roberto Lacerda não foi muito feliz em alguns aspectos. Livros distribuidas nas escolas pelo FNDE, visam o público infantil, o que torna o texto polêmico é que as partes para adultos, não foram adaptadas para esse público-alvo. Com ilustrações de nus e textos sobre sexo e violência, que poderiam ter sido “adaptados” para a idade do público infanto-juvenil.

Trecho da adaptação: “As flechas…iam cravar-se impiedosamente em seus alvos humanos. Os que escapavam da pontaria de Ulisses, morriam às mãos de Telêmaco…pela sala ampla, ecoavam os horrorosos bramidos dos que eram golpeados e o chão se cobria com ondas de sangue negro.”

Pois é: tente ler isso em voz alta para um grupo de crianças. :/

Os filmes bem adaptados, dirigem-se ao público adulto, o mais famoso deles, Tróia com Brad Pitt.

A mulher na sociedade machista

O clássico brasileiro Lucíola de José de Alencar, com apenas 128 páginas, escrito em 1862, foi ambientado no Rio de Janeiro, contado em primeira pessoa pelo protagonista, em forma de carta-resposta à uma mulher da sociedade que usou de palavras preconceituosas para uma cortesã/mulher de vida fácil, e que ele resolveu intervir em seu favor. Nessa carta, conta a própria história e de sua paixão por Lúcia e como o amor pode redimir uma alma pura mesmo com o corpo em pecado.

Foi um livro-escândalo, proibido e em sua introdução, uma demonstração do machismo da época com a frase “…se o livro cair nas mãos de alguma das poucas mulheres que lêem neste país…”

Li este livro a primeira vez aos 14 anos, na escola e vejo que esse não deveria ser um livro indicado para essa idade! Vejo que não entendi metade da escrita, mas já gostei da história e continuo achando a escrita do José de Alencar muito fluida, apesar do linguajar culto e das rígidas normas da língua portuguesa usada por alguns escritores no Séc. XIX.

Trecho do livro: “Sempre tive horror às reticências…por isso quando em alguns livros moralíssimos vejo uma reticência, tremo!…a minha história é imoral; portanto não admite reticências…se…um editor escrupuloso quisesse dar ao pequeno livro passaporte para viajar das estantes empoeiradas aos toucadores perfumados…bastaria substituir certos trechos mais ousados por duas ordens de pontinhos.”

 

Troquem a capa…please!

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Verso é considerado cada linha de um poema e pode ser apresentado em segmento de palavras com um tipo de rítmica criando assim sílabas longas ou breves (versos métricos), de acordo com o número de sílabas (versos silábicos) ou segundo a acentuação (versos rítmicos). Não sou especialista em versos, mas gosto de certos escritores de poesias como Manuel de Barros, Cora Coralina e Mario Quintana.

Este livro, capa horrível,  O Lado Esquerdo do Meu Peito – Livro de Aprendizagem, do Affonso Romano de Sant’Anna, de 1992 com 212 páginas, é o meu primeiro contato com o poeta, cronista, ensaísta e professor. É divido em Aprendizagens Várias, Aprendizagem da História, Aprendizagem do Amor, Aprendizagem da Poesia e Aprendizagem da Morte, cada um com cerca de 25 poemas. É fácil gostar de algumas, mas a parte sobre o amor, é muito erótica, beira o pornográfico mesmo. :/

Trechos do livro: ” A certeza, sei, é desumana…Mas, às vezes, gostaria, de ter a estúpida e feliz certeza…por certo causa dano; mas é aspiração confessa; de quem, nietzchiano, se cansa; de ser humano – demasiadamente humano.”

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Refinamento Narrativo

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Ganhei vários livros no final de novembro, mês do meu aniversário. Então passei esses livros na frente na minha lista de leituras. Um deles é Meio Sol Amarelo da Chimamanda Ngozi Adichie, com 502 páginas que eu devorei em quatro dias. Não sei se consigo descrever como gostei da escrita, da forma refinada de contar sobre a guerra, sobre o caos, sobre o sofrimento. Não é drama. É uma nova forma de escrever uma narrativa dramática. A autora é nigeriana, estudou nos Estados Unidos e ganhou vários prêmios – merecido – por suas obras literárias. 

Apesar de contar sobre o período em que parte da Nigéria tentou se dividir, criando um país chamado Biafra, que causou a morte de milhares de nigerianos, o livro não é histórico. A própria nota da autora diz que “se baseou na guerra”, que aconteceu em 1967-1970 para contar “verdades imaginadas”. Alguns blogs dizem que ela conta uma história única em seus livros, mas a própria autora fala em um vídeo de entrevistas sobre o perigo de escrever sobre o mesmo tema.  Com quase dois milhões de visualizações, esse vídeo criou polêmica entre alguns blogueiros.

Trecho do livro: “…tinha salvado as flores, da mesma forma como salvava embalagens velhas de açúcar , rolhas, até mesmo casca de cará. Isso se ligava ao fato de nunca ter tido o suficiente, ela sabia disso, da incapacidade de jogar qualquer coisa fora, até mesmo as inúteis.”

Vale muito a pena sair de leituras conhecidas e confortáveis para conhecer uma nova forma de contar histórias.

Quer resenha? Clique Aqui.

Também já existe um filme baseado no livro. Quero ver.

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