Livro pra Vida! =D

 

cartas

O romance epistolar Cartas a Um Jovem Poeta, do poeta alemão Rainer Maria Rilke, são cartas que o jovem Franz Kappus recebeu do Rilke, entre 1903 e 1908, quando lhe pediu conselhos sobre a escrita e em vez de aconselhar, ele lhe falou da vida, dos amores e da necessidade de se conhecer, tudo escrito em forma de poesia, não de estrofes e rimas, mas de ritmo e de leveza.                                                                                                                      Essa edição da Globo, com 111 páginas, tem uma capa maravilhosa que mostra um pote de nanquim aberto, da fotógrafa Regina Stella; tem Prefácio escrito por Nei Duclós e Cecilia Meirelles; tem uma introdução do jovem Franz que também disponibilizou o poema citado nas cartas: A Canção de Amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke.

Trechos do Livro: “Depois de feito esse reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade.” “Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor.” “Um mundo se abrirá aos seus olhos: a felicidade, a riqueza, a inconcebível grandeza de um mundo.” “O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.”

carta

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O Começo do Blog

 

dor

Quando comecei o blog em 2007, foi pra fazer parte de um projeto da disciplina de Letramento. Eu tinha uma turma que tentava ler e descrever o que leu. Ou falar sobre. Que dificuldade!! As pessoas não têem interpretação de texto, mesmo que diferente dos que estudam o texto, mas ter alguma idéia sobre o quê acabou de ler. Então eu descrevia no blog minhas impressões sobre a leitura e os alunos falavam nos comentários. Tive que deletar tudo! Eu nem gostava de olhar para as páginas.

Mas hoje encontrei as anotações de livros que li naquele período e gostaria de comentar:

  • Dois livros da premiada escritora indiana Chitra Divakaruni, o drama Irmã do Coração e a fantasia A Senhora das Especiarias, mostram como a autora sabe usar a delicadeza de um tema pesado como estupro, a vulnerabilidade das mulheres na cultura da India e mostrar o lado temperado da vida com todas as cores e sabores de suas histórias. Resenha para Senhora das Especiarias. Resenha para Irmã do Coração.

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  • Um protagonista egoísta, pai de uma menina que não tem a mãe para defendê-la dos abusos dele, o livro é um soco no estômago, mostrando a insensibilidade da cultura machista, no livro Um Pai Obediente do premiado autor  indiano Akhil Sharma. Resenha Aqui.

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  • A história de um adolescente que se tranca no quarto e sonha em conhecer o oriente. É descrita como uma novela autobiográfica que ele escreveu aos 20 anos. Novembro do escritor francês Gustave Flaubert. Resenha e análise Aqui.

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  • O autor e filósofo norueguês Jostein Gaarder, mostra o fim da vida sob um ponto de vista diferente; não é um idoso indo embora, mas uma menininha que está de cama em seu quarto e tem o espelho para lhe mostrar o outro lado da vida. Resenha Aqui.

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  • O livro As Bodas do Poeta do autor chileno Antonio Skármeta, nos diverte com o casamento do comerciante austríaco com a mais bela moça pobre da cidade imaginária, de nome sugestivo Costa de Malícia, que está enamorada de um poeta jovem. A sátira é usada pra mostrar o domínio dos ricos sobre os pobres, e a esperança de vida melhor na imigração para outro país. Resenha Aqui.

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  • Um livro de não ficção sobre as problematizações da memória, mas contado em forma de conversa. Do autor judeu-russo Alexander Romanovich Luria.

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  • O personagem principal do autor austríaco J.M.Simmel é um jornalista investigativo e seus romances se passam em meio à mistério, morte, adultério, muitas bebidas, drogas e assassinatos, mas eu devorei todos da biblioteca, na minha adolescência. Esse foi o último que li desse autor e não é o meu preferido. Resenha Aqui.

bruxas

  • Dividida em dois volumes a história da família Mayfair, com as mulheres sendo amaldiçoadas em várias gerações por um ser masculino as mantem sobre seu poder. A leitura não é muito fácil porque a genealogia da família é muito grande, a história começa em 1600, passa pela inquisição, onde mulheres eram queimadas na fogueira, e tem sempre um romancezinho pra atrapalhar o andamento do suspense. Escrito pela autora americana Anne Rice, que tem seus livros transformados em filmes, é o minha escritora favorita de bruxas e vampiros. Resenha Aqui.
  • O título do livro é uma piada machista atribuída ao filósofo Nietzsche sobre o corpo da mulher ser o descanso dos soldados. O livro O Repouso do Guerreiro da autora francesa Christiane Rochefort conta a história de uma enfermeira que ajuda um suicida a mudar de idéia e ele se torna dependente dela, mostrando o amor como um vício. A história virou filme em 64 com Brigite Bardot no papel principal, com direção de seu então marido Roger Vadim. Resenha Aqui.

yourcenar

  • O romance epistolar Alexis – O Tratado do Vão combate, da escritora belga Marguerite Yourcenar, mostra os pensamentos e reflexões de um homem prestes a deixar sua mulher, frente aos preconceitos da época, por ser homossexual. Tem um dos trechos mais reproduzidos em diálogos de filmes: “Perdoa-me, não por te deixar, mas por ter ficado tempo demais.” Resenha Aqui.

darcy

  • O Mulo é um romance escrito pelo antropólogo Darcy Ribeiro, publicado em 1981. O romance também foi traduzido para o italiano, espanhol e alemão. É um romance adulto e em outro país teria um aviso “somente para maiores”. Ele descreve  em 517 páginas, de forma nua e crua a vivência do povo do interior do Brasil, os negros, os caboclos, os roceiros. Resenha Aqui.

UFA!

 

O Escasso Tempo de Leitura

Para quem diz “não leio porque não tenho tempo” existem ótimos textos condensados dos livros clássicos. E valem a pena, porque vêm com texto de apoio e se gostar, pode procurar o texto original. E também vai poder conversar sobre livros, ter sua opinião e não apenas ler resenhas.

Texto da primeira fase do escritor Machado de Assis, A Mão e a Luva condensado em 58 páginas conta a história de três homens interessados numa jovem dama nos anos de 1874. Cada um corteja a dama à sua maneira, mas ela escolhe quem lhe cabe melhor, assim como uma luva veste perfeitamente a mão para qual foi feita. O vocabulário foi mantido com a ajuda de notas de rodapé. Algumas dessas palavras minha avó usava com outros significados :/  , por exemplo “abicar à riba” usado como chegar perto e no livro é traduzido como “realizar“.

Trecho do livro: “Mas, ao voltar para casa viu uma criança brincando no charco da sarjeta, e a inveja da morte foi substituída pela inveja da inocência, e por sua vez substituída pela inveja da  felicidade, quando ao recolher-se viu as janelas abertas de uma casa vizinha, a sala iluminada, uma noiva coroada e flores de laranjeira, a sorrir  para o noivo.”

O Pior do Ano, com certeza :(

O #SpecialTips de hoje #20 é o livro O Dia da  Caça do James Patterson, com 212 páginas. Já li outros livros dele antes e nunca odiei tanto o detetive Cross como nesse livro: tanto o autor quanto o personagem perderam o senso do ridículo e me fizeram perder um bom tempo de leitura. O detetive Cross sai de sua cidade pra ir “caçar” um assassino na Nigéria onde não fala o idioma, está no meio de uma guerra, numa terra sem leis e querendo aplicar as leis de seu país!! Várias vezes grita para os assassinos e bandidos ” eu sou um policial…vocês não podem fazer isso” e só tem risadas dos outros. Todos riem dele, nem o ouvem e ele insiste em dizer que está “investigando”. Não tem sentido um crime acontecer em Washington e o livro se passar quase todo fazendo apologia à paz, a mostrar aos olhos do mundo às atrocidades da guerra! Hey!! Esse não é um livro jornalístico!! Não funcionou, James Patterson!! Só queremos saber quem morreu e quem vai pagar pelo crime, como em toda boa história policial.

Depois de preso, nariz quebrado duas vezes, ser mandado embora do país, ele continua fazendo burrices uma atrás da outra. Patético! Na pág. 88 ele diz “..sempre fui mestre em me manter um passo à frente do adversário.” e aí é pego de novo na linha seguinte. :/ A capa desta edição faz jus.

Trecho do livro: ” A guerra é como o fogo, destrói algumas coisas, mas deixa o solo fértil.”

O livro cita uma música que é como um micro-documentário sobre esses crimes que acontecem em Serra-Leoa:

Um Clássico!

O livro clássico de J.Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby conta em apenas 221 páginas os romances e a forma de vida da sociedade rica da costa leste americana, na depressão pós guerra. As pessoas já não deixavam de fazer o que tinham vontade, porque a vida é curta. Então, o narrador é um jovem de cerca de 30 anos que é vizinho e conhece Gatsby e se envolve em torna da vida deste e de outro casal, cuja esposa é a moça por quem Gatsby é apaixonado. Mas ela é casada.

Não achei nehum personagem apaixonante – todos são superficiais. E ainda postei no twitter, que nas páginas 78 e 79, o autor cita tantos nomes de “famílias”, que quando chegou no número 49 eu parei de tentar entender quem era todo mundo. :/   Não são citações de pessoas famosas ou cultura pop. Mas depois a história foca no Gatsby, na visão que o narrador tem dele: no começo o detesta “…Assim a minha primeira impressão, de que ele era uma pessoa de uma certa …importância, aos poucos se dissipou e ele ficou sendo simplesmente, para mim, apenas o proprietário de uma mansão…situada ao lado da minha casa.”  Depois ele começa a gostar um pouco do vizinho: “Era um desses sorrizos raros, que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrizos com que a gente depare…cinco vezes na vida.”

Quer Resenha? Clique Aqui.

Já houve dois filmes, um com Robert Redford em 1974 e outra versão mais moderna com Leonardo Di Caprio de 2013. Assisti apenas essa última, mas quero ver a versão anterior, acho que é mais fiel ao livro.

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O Tempo é o remédio

A capa de um livro pode sim influenciar na escolha entre deixar e levar pra casa. A primeira escolha é visual. A segunda escolha pode ser a sinopse ou o nome de um autor conhecido. A terceira escolha é um título interessante, ou uma lembrança, ou a indicação de terceiros, propaganda. Então, se eu tivesse visto uma dessas capas que parecem romance de banca de revista, eu não teria nem olhado para essa lindeza de livro Dentro de Um Mês, Dentro de Um Ano da Françoise Sagan, com 110 páginas de leveza e desencontros.

Há um grupo de personagens, nenhum se destaca mais que outro. Lembra do poema “…João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.”? Esse livro é a história de amar quem não nos ama e esquecer de quem está do nosso lado. E os arrependimentos, o tempo desperdiçado e a esperança de dias melhores.

Trecho do livro: “…Quando amanheceu, Édouard abriu os olhos. Encontrava-se numa cama desconhecida e, na altura de seus olhos, sobre o lençol, jazia uma mão envelhecida, carregada de anéis…”

Livro Infanto-Juvenil/adaptação de adulto

 

“A literatura infanto-juvenil continua sendo uma questão de adultos que vão pensá-la partindo da necessidade histórica da revisão de como lhes foi imposto o próprio ato de ler.” (Sonia Salomão Khéde, 1986)

A Série Reencontros produziu algumas adaptações para o público juvenil conhecer as grandes histórias clássicas sem se aventurar pelos calhamaços de páginas. É válido porque não minimiza a vontade de ler o original, quando a história é do gênero preferido do leitor. Nesse livro Odisséia de Homero, com 86 páginas, a adaptação de Roberto Lacerda não foi muito feliz em alguns aspectos. Livros distribuidas nas escolas pelo FNDE, visam o público infantil, o que torna o texto polêmico é que as partes para adultos, não foram adaptadas para esse público-alvo. Com ilustrações de nus e textos sobre sexo e violência, que poderiam ter sido “adaptados” para a idade do público infanto-juvenil.

Trecho da adaptação: “As flechas…iam cravar-se impiedosamente em seus alvos humanos. Os que escapavam da pontaria de Ulisses, morriam às mãos de Telêmaco…pela sala ampla, ecoavam os horrorosos bramidos dos que eram golpeados e o chão se cobria com ondas de sangue negro.”

Pois é: tente ler isso em voz alta para um grupo de crianças. :/

Os filmes bem adaptados, dirigem-se ao público adulto, o mais famoso deles, Tróia com Brad Pitt.