Um Clássico!

O livro clássico de J.Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby conta em apenas 221 páginas os romances e a forma de vida da sociedade rica da costa leste americana, na depressão pós guerra. As pessoas já não deixavam de fazer o que tinham vontade, porque a vida é curta. Então, o narrador é um jovem de cerca de 30 anos que é vizinho e conhece Gatsby e se envolve em torna da vida deste e de outro casal, cuja esposa é a moça por quem Gatsby é apaixonado. Mas ela é casada.

Não achei nehum personagem apaixonante – todos são superficiais. E ainda postei no twitter, que nas páginas 78 e 79, o autor cita tantos nomes de “famílias”, que quando chegou no número 49 eu parei de tentar entender quem era todo mundo. :/   Não são citações de pessoas famosas ou cultura pop. Mas depois a história foca no Gatsby, na visão que o narrador tem dele: no começo o detesta “…Assim a minha primeira impressão, de que ele era uma pessoa de uma certa …importância, aos poucos se dissipou e ele ficou sendo simplesmente, para mim, apenas o proprietário de uma mansão…situada ao lado da minha casa.”  Depois ele começa a gostar um pouco do vizinho: “Era um desses sorrizos raros, que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrizos com que a gente depare…cinco vezes na vida.”

Quer Resenha? Clique Aqui.

Já houve dois filmes, um com Robert Redford em 1974 e outra versão mais moderna com Leonardo Di Caprio de 2013. Assisti apenas essa última, mas quero ver a versão anterior, acho que é mais fiel ao livro.

grande-gatsby-filme-3-1

O Tempo é o remédio

A capa de um livro pode sim influenciar na escolha entre deixar e levar pra casa. A primeira escolha é visual. A segunda escolha pode ser a sinopse ou o nome de um autor conhecido. A terceira escolha é um título interessante, ou uma lembrança, ou a indicação de terceiros, propaganda. Então, se eu tivesse visto uma dessas capas que parecem romance de banca de revista, eu não teria nem olhado para essa lindeza de livro Dentro de Um Mês, Dentro de Um Ano da Françoise Sagan, com 110 páginas de leveza e desencontros.

Há um grupo de personagens, nenhum se destaca mais que outro. Lembra do poema “…João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.”? Esse livro é a história de amar quem não nos ama e esquecer de quem está do nosso lado. E os arrependimentos, o tempo desperdiçado e a esperança de dias melhores.

Trecho do livro: “…Quando amanheceu, Édouard abriu os olhos. Encontrava-se numa cama desconhecida e, na altura de seus olhos, sobre o lençol, jazia uma mão envelhecida, carregada de anéis…”

Livro Infanto-Juvenil/adaptação de adulto

 

“A literatura infanto-juvenil continua sendo uma questão de adultos que vão pensá-la partindo da necessidade histórica da revisão de como lhes foi imposto o próprio ato de ler.” (Sonia Salomão Khéde, 1986)

A Série Reencontros produziu algumas adaptações para o público juvenil conhecer as grandes histórias clássicas sem se aventurar pelos calhamaços de páginas. É válido porque não minimiza a vontade de ler o original, quando a história é do gênero preferido do leitor. Nesse livro Odisséia de Homero, com 86 páginas, a adaptação de Roberto Lacerda não foi muito feliz em alguns aspectos. Livros distribuidas nas escolas pelo FNDE, visam o público infantil, o que torna o texto polêmico é que as partes para adultos, não foram adaptadas para esse público-alvo. Com ilustrações de nus e textos sobre sexo e violência, que poderiam ter sido “adaptados” para a idade do público infanto-juvenil.

Trecho da adaptação: “As flechas…iam cravar-se impiedosamente em seus alvos humanos. Os que escapavam da pontaria de Ulisses, morriam às mãos de Telêmaco…pela sala ampla, ecoavam os horrorosos bramidos dos que eram golpeados e o chão se cobria com ondas de sangue negro.”

Pois é: tente ler isso em voz alta para um grupo de crianças. :/

Os filmes bem adaptados, dirigem-se ao público adulto, o mais famoso deles, Tróia com Brad Pitt.

A mulher na sociedade machista

O clássico brasileiro Lucíola de José de Alencar, com apenas 128 páginas, escrito em 1862, foi ambientado no Rio de Janeiro, contado em primeira pessoa pelo protagonista, em forma de carta-resposta à uma mulher da sociedade que usou de palavras preconceituosas para uma cortesã/mulher de vida fácil, e que ele resolveu intervir em seu favor. Nessa carta, conta a própria história e de sua paixão por Lúcia e como o amor pode redimir uma alma pura mesmo com o corpo em pecado.

Foi um livro-escândalo, proibido e em sua introdução, uma demonstração do machismo da época com a frase “…se o livro cair nas mãos de alguma das poucas mulheres que lêem neste país…”

Li este livro a primeira vez aos 14 anos, na escola e vejo que esse não deveria ser um livro indicado para essa idade! Vejo que não entendi metade da escrita, mas já gostei da história e continuo achando a escrita do José de Alencar muito fluida, apesar do linguajar culto e das rígidas normas da língua portuguesa usada por alguns escritores no Séc. XIX.

Trecho do livro: “Sempre tive horror às reticências…por isso quando em alguns livros moralíssimos vejo uma reticência, tremo!…a minha história é imoral; portanto não admite reticências…se…um editor escrupuloso quisesse dar ao pequeno livro passaporte para viajar das estantes empoeiradas aos toucadores perfumados…bastaria substituir certos trechos mais ousados por duas ordens de pontinhos.”

 

Troquem a capa…please!

e2a4f49e-d8b4-4aab-baf7-b6ff3a04de36oladoesquerdodomeupeito

Verso é considerado cada linha de um poema e pode ser apresentado em segmento de palavras com um tipo de rítmica criando assim sílabas longas ou breves (versos métricos), de acordo com o número de sílabas (versos silábicos) ou segundo a acentuação (versos rítmicos). Não sou especialista em versos, mas gosto de certos escritores de poesias como Manuel de Barros, Cora Coralina e Mario Quintana.

Este livro, capa horrível,  O Lado Esquerdo do Meu Peito – Livro de Aprendizagem, do Affonso Romano de Sant’Anna, de 1992 com 212 páginas, é o meu primeiro contato com o poeta, cronista, ensaísta e professor. É divido em Aprendizagens Várias, Aprendizagem da História, Aprendizagem do Amor, Aprendizagem da Poesia e Aprendizagem da Morte, cada um com cerca de 25 poemas. É fácil gostar de algumas, mas a parte sobre o amor, é muito erótica, beira o pornográfico mesmo. :/

Trechos do livro: ” A certeza, sei, é desumana…Mas, às vezes, gostaria, de ter a estúpida e feliz certeza…por certo causa dano; mas é aspiração confessa; de quem, nietzchiano, se cansa; de ser humano – demasiadamente humano.”

afonso

afonso

 

 

 

 

Refinamento Narrativo

i274555

 

Ganhei vários livros no final de novembro, mês do meu aniversário. Então passei esses livros na frente na minha lista de leituras. Um deles é Meio Sol Amarelo da Chimamanda Ngozi Adichie, com 502 páginas que eu devorei em quatro dias. Não sei se consigo descrever como gostei da escrita, da forma refinada de contar sobre a guerra, sobre o caos, sobre o sofrimento. Não é drama. É uma nova forma de escrever uma narrativa dramática. A autora é nigeriana, estudou nos Estados Unidos e ganhou vários prêmios – merecido – por suas obras literárias. 

Apesar de contar sobre o período em que parte da Nigéria tentou se dividir, criando um país chamado Biafra, que causou a morte de milhares de nigerianos, o livro não é histórico. A própria nota da autora diz que “se baseou na guerra”, que aconteceu em 1967-1970 para contar “verdades imaginadas”. Alguns blogs dizem que ela conta uma história única em seus livros, mas a própria autora fala em um vídeo de entrevistas sobre o perigo de escrever sobre o mesmo tema.  Com quase dois milhões de visualizações, esse vídeo criou polêmica entre alguns blogueiros.

Trecho do livro: “…tinha salvado as flores, da mesma forma como salvava embalagens velhas de açúcar , rolhas, até mesmo casca de cará. Isso se ligava ao fato de nunca ter tido o suficiente, ela sabia disso, da incapacidade de jogar qualquer coisa fora, até mesmo as inúteis.”

Vale muito a pena sair de leituras conhecidas e confortáveis para conhecer uma nova forma de contar histórias.

Quer resenha? Clique Aqui.

Também já existe um filme baseado no livro. Quero ver.

yellow

 

 

Quando o filme é bom, eu leio o Livro

sob-o-sol-da-toscana

Tanto o livro quanto o filme Sob o Sol da Toscana, trazem uma mensagem maravilhosa: você pode mudar sempre, não importa a idade nem o momento. O filme é uma adaptação melhorada, focada no romance nas lindas paisagens da Toscana, na Italia. A autora Frances Mayes, também escreveu o roteiro inicial, então toda a diferença na história é de sua inteira responsabilidade. fica a dúvida: onde acaba a realidade e começa a ficção?

Trecho do livro:

“… O que é essa paixão por casas? Venho de uma longa linhagem de mulheres que abrem as bolsas e tiram amostras de tecido de estofamento, quadradinhos coloridos de azulejos, sete tons de amostra de tinta amarela e tirinhas de papel de parede florido. Adoramos o conceito de quatro paredes. “Como é a casa dela?” Pergunta minha irmã….Eu pego o folheto dos corretores de imóveis nos armazéns quando vou  a algum lugar passar o fim de semana. Houve um mês…fiquei numa casinha…onde desenvolvi uma séria paixão por pátios com fontes e quartos com buganvílias caindo em cascata da sacada. Num verão…cozinharia com pimenta malagueta, usaria jóias de turquesa na forma de flor de abóbora – uma vida diferente, a chance de existir em outra versão.

Por que não uma casa cinzenta, descolorida, feita de madeira, que dá a impressão de ter aparecido na praia, trazida pelo mar? Tapetes de algodão, chá gelado com sabor de pêssego…dormir com as ondas batendo na janela.

Em casa, sonho com outras casas em que morei, nas quais descubro quartos que eu não sabia que existiam…casa após casa, abro uma porta e deparo com mais que sabia haver.

…uma porta dupla fica aberta o dia inteiro e a noite também no verão, a cozinha é muito iluminada e arejada. Uma vespa – será que é a mesma? – entra todos os dias, voando, e bebe água da torneira só pra sair voando em seguida…preparando tomates em conserva, picles de pepino…feito bolos com brandy e descascado montanhas de pecãs para tostar. Nunca faltaram na nossa cozinha lata de brownies e biscoitos.”