A HQ de um clássico nacional

O livro O Cortiço do autor nacional Aluísio Azevedo é sempre indicado em provas de vestibulares. Essa HQ sintetiza bem a história, com imagens fortes, com traços vulgares, isto é, sem a arte final elaborada.arte de Rodrigo Rosa e roteiro de Ivan Jaf.

Spoiler! Apesar de sua veia erótica, a história diz mais sobre agrupamentos humanos e seus problemas e conta a trajetória de João Romão, ele é o dono do cortiço, um português sem escrúpulo, tem como objetivo na vida enriquecer a qualquer custo. Ambicioso ao extremo, não mede esforços, sacrificando até a si mesmo. Seu pensamento gira em torno apenas do dinheiro, não se importa com ninguém, é um sujeito sem sentimentos, ética e moral. Passa por cima de tudo e de todos. Veste-se mal, dorme no mesmo balcão em que trabalha. Das verduras de sua horta, consome as piores e restante vende. Arranja uma escrava e se amiga com ela, rouba o dinheiro que ela junta pra alforria e “cria” uma carta falsa. Ao ficar com inveja do rico Barão, quer se casar com a filha dele e prepara uma armadilha pra se ver livre da escrava.

 

A Arte de Perder

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Elizabeth Bishop foi uma autora americana, considerada um das mais importantes poetisas do século XX a escrever na língua inglesa.

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

(tradução de Paulo Henriques Britto)

:

One Art
Elizabeth Bishop

The art of losing isn”t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn”t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother”s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn”t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn”t a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan”t have lied. It”s evident
the art of losing”s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Receitas…sem sabor :/

O livro A Parte Mais Tenra da autora, que é especialista em gastronomia, Ruth Reichl, conta em 304 páginas a história de uma menina americana que tem vergonha da comida da mãe, fica na cozinha junto com a tia-avó vendoa-a cozinhar maravilhosamente bem, vive numa família desestruturada, tem um irmão por parte de pai. Adolescente ela vai aprender francês no Canadá, aprende sobre a cozinha francesa ao frequentar a casa do ministro francês. Faz Artes e Mestrado em Artes e se casa com um artista. Viaja pra Europa e conhece a cozinha italiana ao se hospedar numa Villa. Ao voltar começa a trabalhar de garçonete. Depois começa a escrever sobre restaurantes e seus pratos.

Acho que a história pode ser semi-biográfica, até o nome da personagem é o mesmo. Me decepcionou o livro não cumprir a premissa ou os “blurbs” da contra-capa. Esperava algo no estilo “cozinhar salvou minha vida”, mas apesar de todos os gatilhos, a personagem nunca tentou ser uma “chef de cuisine“.

Trechos do Livro: “…ela foi a primeira pessoa que jamais conheci que entendia o poder da culinária… mas cozinhava mais para si própria do que para os outros.” “Vendo a… preparar uma gougère na cozinha, perguntei-me o que a imaginação tinha a ver com aquilo. Parecia-me que cozinhar era sobretudo uma questão de organização.”

Teor Adulto, mas é Balzac 😉

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O livro A Menina dos Olhos de Ouro é um romance breve de Honoré de Balzac com apenas 93 páginas, faz parte da obra História dos Treze. A história, baseada num quadro do pintor Eugène Delacroix La Morte de Sardanapale (abaixo), conta a história de uma moça que vive cercada de guardiões por causa de sua beleza, mas um jovem milionário entediado resolve possuí-la ao encarar seus olhos cor de mel. Os cabelos, não sabemos, já que no começo o autor diz ruivo e no final diz negro. Toda a aventura para se encontrar com a moça é cheia de detalhes assim como os locais do encontro: primeiro em um pardieiro, depois em um palácio. Ele se apaixona e se descobre usado por ela. E tem o trágico final como mostra a pintura. O romance é machista, traz termos que colocam a mulher como um simples objeto para o homem. Uma propriedade. O erotismo está todo detalhado nela, já que o rapaz só mostra o peito sem camisa. Também tem um filme francês de 1961.

Trechos do livro: “Não há mistérios para eles; conhecem a parte secreta da sociedade, da qual são confessores, e naturalmente a desprezam…Em cada momento o homem de negócios pesa os vivos, o homem de contratos pesa os mortos e o homem de leis pesa as consciências.” ” O prazer assemelha-se a algumas substâncias medicinais: para obter constantemente o mesmo efeito, é preciso dobrar a dosagem: no fim da linha encontra-se a morte ou o embrutecimento.” “…podem-se encontrar no mundo das mulheres grupos de pessoas felizes, capaz de viver do jeito oriental conseguindo guardar sua beleza…ficando ocultas feito plantas raras que abrem suas pétalas em horários determinados…”

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“Não vale a pena morrer por isso”

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O livro O Pintor de Pássaros do autor Howard Norman conta em 256 páginas a história de Fabian, um adolescente que resolve pintar pássaros e mora numa cidadezinha remota, numa ilha. Tudo gira em torno do período de caça ao bacalhau e venda do produto. Não há muito o que fazer na cidade, ele se envolve com a filha do barqueiro, uma menina à frente de seu tempo. Contada em primeira pessoa por ele, a história mostra seu crescimento como pessoa e como pintor, até aceitar um casamento arranjado com uma prima distante que nunca viu, mesmo se relacionando com Margarete a filha do barqueiro. Após o adultério de sua mãe com o faroleiro, ele se torna um assassino (não é spoiler – está no primeiro capítulo) e pra mudar de vida, pinta um painel na igreja sobre a sua cidade.

Trechos do Livro: “Ele me mandou um dicionário de presente de Natal…com um bilhete anexo que dizia: “De agora em diante, leia cada uma de minhas cartas com esse livro a mão.Não vou voltar atrás na minha educação em seu benefício.”  “…guardava para si a maior parte de seus pensamentos. Eu o considerava um homem tranquilo. Sua reação predileta diante dos boatos mais grosseiros…era: Bem, não vale a pena morrer por isso, não é?” “Sou bastante impaciente com as pessoas que dizem que vão fazer alguma coisa e pelo menos nem tentam. Acabamos envolvidos por todo o entusiasmo delas; de repente as coisas mudam…” “…a memória vem aos trancos e barrancos. Talvez nossas recordações sejam feitas, afinal, de esquecimentos seletivos, e vice-versa…”

O Livre-Arbítrio, Salve!

 

O título deste post é para agradecer à liberdade de leitura que temos e não aproveitamos! =D porque esse seria um dos livros queimados pela inquisição, com certeza! 😉

Não entendi a capa dessa edição que é um relevo artístico. Se fosse pra escolher uma arte, porque não colocar o quadro do Albrecht Durer, citado no primeiro capítulo, e na qual o romance é baseado? Como a linguagem do Saramago é egoísta e irônica, ele poderia ter usado os quadros “religiosos” do pintor holandês Hieronymus Bosch, que tem toda essa verve de humor e pecado. O livro que finalizei foi O Evangelho Segundo Jesus Cristo do escritor português, José Saramago. Em 445 páginas lotadas de texto sem divisórias de diálogos ou descrições, o autor se inspira nas histórias dos quatro evangelhos bíblicos para contar sua história. É limítrofe como o texto se encontra entre a inspiração e o plágio – melhor dizer, a versão do narrador. O narrador vê um quadro numa parede (figura acima) e a partir daí, temos a versão dele para todos os acontecimentos já narrados em quatro versões anteriores: Mateus, Marcos, Lucas e João. O livro conta desde o nascimento até a morte e é cíclico, começando e terminando o narrador em frente ao quadro, narrando cada momento da figura. O narrador está no momento presente, e estava em cada acontecimento, como um anjo da anunciação, por isso o título “evangelho” que significa “boa nova”.

Não vi nada de anti-religioso no livro, e nada de polêmico. Quem virginaliza e santifica a Maria, é a igreja católica – as outras denominações cristãs, aceitam o fato de que ela teve outros filhos e filhas e não há louvores em seu nome. Acho que se os personagens tivessem seus nomes trocados, quem não leu a história anterior, não ia nem lembrar da figura de Cristo idealizada pela igreja católica. O autor também é fiel ao período em que se passa a história e mostra que o que aconteceu com os personagens bíblicos -e que é tratado como diferente – era comum acontecer naquelas aldeias e cidades, como andar com alforje contendo pães e peixes e dividir com outros e a crucificação. Também o tratamento dos homens como superior à mulher : “…definia o mais sábio dos homens como aquele que melhor saiba pôr-se a coberto das artes e artimanhas femininas.”

Trechos do livro: “…sentira a dor…mas como uma dor…sentida por outrem, quem, o filho que dentro de sí está…que possa um corpo sentir uma dor que não é sua…sentindo-a como se sua própria fosse…” “O outro soldado riscando o chão…disse, Muito desgraçados somos nós, que não nos chega praticarmos a parte de mal que nos coube por natureza, e ainda temos de ser braço da maldade de outros e do seu poder.” “…mas em verdade há sorrizos que dizem tudo, uma mulher está parada, com os olhos perdidos no vago…e de súbito começa a sorrir, um sorriso lento, reflexivo, como uma imagem emergindo da água…só um cego, por não poder vê-lo, pensaria que a mulher…dormiu outra noite sem seu marido.” “…talvez os homens nasçam com a verdade dentro de si e só não a digam porque não acreditam que ela seja a verdade.” “Não diremos, como um poeta disse, que o melhor do mundo são as crianças, mas é graças a elas que as vezes os adultos conseguem dar…certos difíceis passos…”

Cada leitor encontra um significado do texto, o mesmo acontece com os religiosos quando lêem livros sagrados. O autor Gustave Flaubert também escreveu uma idéia baseada em um quadro religioso de mesmo nome do livro:

De onde viemos…de verdade? :/

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“A ORIGINALIDADE CONSISTE EM VOLTAR ÀS ORIGENS.” Antoni Gaudi

O livro Origem de Dan Brown, é uma volta aos suspenses de conspiração religiosa, como ele se tornou mais conhecido em outras partes do mundo. A capa do livro (Michael J. Windsor) remete à  várias citações : um olho, muito citado no livro, uma escada espiral, a cor azul internacional Klein (evoca imaterialidade e ilimitabilidade), a espiral de Arquimedes, a sequência de Finabonacci, a abertura do órgão feminino, o símbolo arroba (@).

Esse livro conta a história de um ateu que resolve provar de onde a vida se originou, usando a mistura de ciência e tecnologia. E para isso ele usa a intenet pra espalhar notícias, falsas e verdadeiras e tornar o evento de falar sobre suas descobertas, um show de tecnologia.

A pesquisa de Dan Brown sobre os diversos assuntos tratados no livro é, no mínimo, curiosa. Ele fala de religião, mais profundamente sobre uma vertente da católica. Ele fala muito sobre Arte, talvez por ser casado com uma artista. Ele fala muito sobre pesquisas científicas, alienígenas e sobre tecnologia e William Blake. Consegue misturar isso tudo num esquema de gato-e-rato dos personagens principais -o famoso Professor Langdon e sua parceira uma jornalista- com a família real espanhola!!!!

Parece um roteiro de filme de aventura e acho que vai funcionar muito bem para um cinema. O texto é todo sobre uma revelação, religiosos querendo esconder essa revelação, e não há um verdadeiro motivo pra isso, então o autor decide mudar o final -como uma opção alternativa- e todas as teorias do possível motivo, não acontecem e um personagem até diz algo como ” fiz tanto pra que o comunicado oficial dele não viesse à tona, e ele mudou o comunicado.”

Trechos do Livro: “…ciência e religião não competem, são duas linguagens diferentes tentando contar a mesma história.” “…parecia algo saído de uma alucinação alienígena: uma colagem rodopiante de formas metálicas retorcidas…massa caótica era coberta por mais de 30 mil placas de titânio que brilhavam como escamas de peixe…”

“…apesar de todos os esforços do seu Vaticano para silenciar homens como Galileu, a ciência dele acabou prevalecendo.” “Michelângelo é o padrão de ouro concebendo o Davi brilhantemente num contraponto efeminado , o pulso frouxo segurando uma funda flácida, revelando uma vulnerabilidade feminina…A obra é ao mesmo tempo delicada e mortífera.”

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“…um mundo cujas leis físicas tornam as coisas aleatórias , e não organizadas…devo admitir que a existência da vida é o único misterio científico que já me levou a pensar  na idéia de um criador.” “Percebi que nosso planeta estava sendo habitado por uma coisa muito maior…rotulada como um reino inteiramente novo.”

deborah jäger

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