Uma história policial sem vencedores.

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O livro O Vencedor da autora Tami Hoag conta uma história policial ambientada no hipismo: cavalos caros, tratamentos Vip, pessoas com muito dinheiro pra gastar com supérfluos. A personagem principal era uma policial que não acatou uma ordem superior e por isso um colega morreu. Ela foi afastada da corporação e voltou pro ambiente hípico que conhecia bem. Esse fato não só causou a morte de seu parceiro na policia, como deixou cicatrizes, enxertos de pele e uma leve paralisia facial. Agora que ela quer esquecer o passado e trabalhar com cavalos, surge uma menininha pedindo ajuda para encontrar sua irmã que desapareceu. Ela aceita o desafio e então pessoas são assassinadas, cavalos morrem para que seus donos recebam o seguro milionário. Com a ajuda de um policial ela consegue informações para continuar no caso, mas como detetive. Com muito esforço ela resolve a situação e ajuda a menina.

Problemas: Na página 150 eu já desconfiava do suspeito. Essa tática de apontar como vilão todos os malvados e no final o mais doce e fraco ser o verdadeiro culpado. outro problema são os acontecimentos: muitas coisas acontecem juntas e que seria preciso mais tempo para executá-las. Em cinquenta páginas são descritas ações que se passam em vinte e quatro horas! Me lembrei de uma novela em que os personagens saíam da arábia e chegavam ao Brasil no mesmo dia. E nas últimas páginas tenta jogar toda a resolução do caso sem conseguir convencer o leitor da mudança dos personagens. O título mente, já que não há vencedores nessa história. A capa é feia, não remete à história.

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Experiências Familiares

O livro A Mulher Do Deus Da Cozinha da autora sino-americana Amy Tan conta em 457 páginas a história de uma imigrante chinesa. Ela resolve contar para sua filha todos os horrores da guerra, do casamento arranjado, do sofrimento da perda dos filhos, do mundo machista. A mensagem final é que o amor aparece onde menos se espera e que vale a pena. O título vem de uma história contada por ela, entre tantas histórias que ela conta para a filha. A capa mostra o desenho de uma padaria que não aparece na história: capa fake.

Trechos do livro: “…me deixa maluca ficar escutando suas várias hipóteses, o modo como a religião, a medicina e a superstição se fundem todas com suas próprias crenças.” “Foi criada numa família feudal, à maneira tradicional. Os olhos da menina não deviam nunca ser usados para ler, só para costurar. Os ouvidos da menina não deviam nunca ser usados para escutar ideias, só ordens.” “…sabia que tudo precisa ter um bom aspecto, um bom sabor, significar boas coisas. Desse modo dura mais, satisfaz o apetite, agradando também à memória por muito tempo…” ” Ele sempre chamava a isso de hobby…porque não havia palavra chinesa para designar uma atividade destinada só a passar o tempo, gastar dinheiro.” “Se uma coisa é ruim, ela faz com que pareça boa. Se é boa…ela contradiz tudo o que eu digo. Faz com que eu pareça estar sempre errada.” ” Isso me lembra a ocasião…quando…me perguntou no dia do meu aniversário qual a galinha do quintal que eu mais gostava. Escolhi aquela que vinha comer na minha mão. E naquela noite a Tia Velha botou-a na panela.”

Autora Premiada

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O livro A Verdade Sobre Lorin Jones da autora americana Alison Lurie, ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1984, conta em 369 páginas a história de uma mulher chegando aos 40 anos, com um filho adolescente, um divórcio em todos põem a culpa nela, decidindo escrever a biografia de uma artista que teve seus quadros super valorizados após sua morte ainda jovem. Ao fazer a pesquisa, ela se vê no lugar de Lorin a quem os homens se aproveitaram, primeiro seu ex-marido que sustentava sua criação para que ela só se preocupasse em pintar; seu marchand que vendia seus quadros caríssimos, seu pai que casou-se novamente logo após a morte da mãe. Mas ao fazer as entrevistas com os envolvidos, ela se vê odiando a personagem de seu livro e se arrependendo de ter escolhido escrever o livro. Ao conhecer as pessoas que conviveram com a artista e que elogiam seus quadros, ela descobre uma mulher bonita, egocêntrica e mimada. Muito parecida com a personagem principal da qual não gostei. E também não gosto de histórias sem finalização, do tipo que deixa pra imaginação do leitor pensar no que aconteceu. É que o que me fez continuar lendo foi a encruzilhada da escritora dizer a verdade sobre a artista ou escrever apenas sobre sua obra. E não há nenhuma explicação, decisão, resultado.

Trechos do Livro:”Você ainda acredita lá no fundo que se os homens realmente compreendessem o que sentimos eles ficariam surpresos e arrependidos….Você precisa entender que eles já sabem muito bem como nos sentimos. E eles não ligam…” “…porque bons homens eram mais raros que bons empregos.” “Só conseguimos suportar a idéia de que Van Gogh ou Virgínia Woolf, digamos, foram gênios e nós não se ficarmos lembrando que eram infelizes a maior parte do tempo. Até mesmo psicóticos.” “…você deve ter notado que as mulheres magras atraem um tipo de homem diferente do que é atraído pelas roliças.”

LolyPaisagensTT

A Escolha do Título

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A palavra Herança parece ser um amuleto para autores, porque é um dos títulos mais encontrados! Talvez porque mexe com o imaginário do leitor, que espera que alguém do passado tenha deixado algo de valor para ele.

O livro A Herança, primeiro romance da autora americana Louisa May Alcott, lançado em 1997 mas escrito em 1849, conta exatamente essa história clichê onde uma mocinha desamparada, recebe uma herança de um parente e abre mão dela para ser feliz. Tem os amigos ricos que a tratam como igual, mas ela sabe o seu lugar. Tem a invejosa que quer que ela se afaste de todos. Tem os rapazes apaixonados por sua beleza, mas ela não os aceita. E tudo termina perfeito como um bom conto de fadas.

Trecho do livro: ” …por mais pobre e humilde que eu seja, sua riqueza jamais compraria meu amor, tampouco sua estirpe obteria o respeito por alguém que me tornou infeliz com uma paixão mesquinha, incapaz de sentir respeito pela minha situação de desamparo, ou vergonha pelo sofrimento que isto me causou…”

Outras obras de mesmo título: