Presente do Mar… :)

Me lembro quando criança, a praia ainda não poluída, eu catava conchinhas na Praia de Itapuã. Sonhava que o mar ía me jogar uma garrafa de alguém de uma praia distante, e trocaríamos correspondência, e nos casaríamos…

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O livro Presente do Mar, de Anne Morrow Lindbergh, com 122 páginas, é um ótimo presente. 🙂 Conta as observações feitas pela autora, quando passou um tempo sozinha numa cabana à beira mar. Fala sobre o ócio criativo. Trecho do livro: “Com uma nova consciência, dolorosa e ao mesmo tempo engraçada, começo a entender por que as santas raramente foram mulheres casadas. Estou convencida de que isso nada tem a ver com castidade, como acreditava até agora. Esse fato está ligado, principalmente, à multiplicidade da vida da mulher casada.”  “Vejo que estou me desapegando da hipocrisia nos meus relacionamentos. Que alívio isso me traz! Descobri que a coisa mais desgastante na vida é ser insincera. É por isso que a vida social se torna cansativa, às vezes. Usamos máscaras. Resolvi tirar a minha.”

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Do ofício de escrever

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Cartas a um Jovem… é uma série de livros baseada na experiência do autor. Neste caso, a literatura. Nesse livro de 181 páginas, o escritor Mario Vargas Llosa escreve através de cartas a um jovem escritor, sobre as várias formas de contar uma história. Ele faz citações incríveis de vários outros escritores famosos. “…uma vez instalada em um organismo, a solitária se funde a ele, alimenta-se dele, cresce e se fortalece às suas expensas, e é dificílimo arrancá-la deste corpo em que ela se desenvolve e impera.”

O autor não acha que essas suas correspondências não são geniais: “…recomendo a leitura da volumosa correspondência de Flaubert, sobretudo as cartas escritas à sua amante, Louise Colet, entre 1850 e 1854, período em que escreveu Madame Bovary, sua primeira obra-prima.”

O autor consegue dar exemplos (spoiler) de cada  capítulo. Tem alguns paradoxos, mas é uma ajuda a mais para entender a parte teórica.

 

Leitura para descontrair =)

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Este foi um livro divertido de ler. =)  O Começo do Adeus da Anne Tyler, com 206 páginas fala de um tema pesado – a perda de alguém que amamos – de uma maneira leve e descontraída. Este editor de livros do tipo “cultura inútil” perde sua esposa e  vemos através de seu olhar as pessoas com pena, alguns ajudando, alguns nem aí… e ele inventando uma forma de ficar bem. A autora já escreveu vários livros e ganhou o prêmio Pulitzer. Já li desta mesma autora O Turista Acidental.

Agora vamos falar da capa: o que foi isso? uma menina lendo. Serve pra qualquer livro. Não para essa história. O subtítulo: “aprendendo a se despedir…”  (?) Parece que tem alguém mal no hospital e o personagem vai ter tempo de se despedir. E aí você pensa naquelas cenas de doente que resolve contar segredos e outro que resolve se desculpar. Chato. Não tem nada disso no livro. :/  Dica? Não leia sinopse, nem resenha, nada. Compre o livro e passe seu fim de semana se divertindo.

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Apenas um livro. Porque séries?

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Porque alguns autores insistem em transformar em séries de livros as suas histórias? Mesmo sabendo que toda a narrativa, com começo, meio e fim, caberiam tranquilamente em, digamos, 300 páginas? Podemos dizer que a previsão de vendas incentive os agentes literários a incentivar o autor? Ou o autor começa a se animar com o que está na moda – trilogias? Será que não bate um medo de que falem que a história ficou perdida entre tantas páginas? Ou o autor já desconfia que sua história é tão mais ou menos, que em apenas um livro, seria só mais um livro – em uma série, pode ser que os pontos altos, os mistérios, prendam a atenção de alguns leitores, já que há gosto pra tudo. Porque estou dizendo isso? Porque foi exatamente isso que ouvi de uma agente literária. :/

O livro A Linha, primeiro de uma trilogia, não nos conta muito sobre os personagens, sobre o futuro da história. Com 246 páginas a autora Teri Hall nos deixa imaginar algumas situações dessa história: parece uma distopia, já que se passa em um estado cercado pelos governantes, com leis impostas aos cidadãos e desaparecimento de algumas pessoas que não andam de acordo com essas regras. Uma das regras é não atravessar essa  “linha” que os separa das pessoas que não foram consideradas cidadãos o suficiente para morarem nesse estado. E aí vamos ver poucos personagens e seus pensamentos e o nas últimas páginas um deles atravessa a linha.  O segundo e terceiro livro já foram lançado, mas sem previsão de lançamento no Brasil. Não fiquei curiosa. Parei por aqui. No site da autora, vejo que essa trilogia foi sua primeira produção e que ela escreveu apenas mais um livro.

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Quando o Título é um Tremendo Spoiler!

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O Cavaleiro do Telhado e A Dama das Sombras, é um romance da literatura francesa do autor Jean Giorno, com 469 páginas. E quando o título é um spoiler da história? Não nesse caso. Isso foi uma ironia. hhh. Comecemos a falar do título. No original francês “Le hussard sur le toit” – literalmente O Cavaleiro no Telhado, poderia dar uma idéia da história, mas o cavaleiro só sobe pra se esconder nos telhados das casas por volta da página 137, e fica apenas umas cinquenta páginas lá. E não sobe novamente. O livro tem a capa do filme, por isso o acréscimo a dama das sombras. Não vi o filme, mas as imagens sugerem um romantismo não existente no livro. O filme ganhou o prêmio Cesar de melhor filme, em 1996.

Então porque brinquei com o spoiler no título? Porque se o livro se chamasse ” O Cólera” , ou “A Epidemia”, saberíamos quem é o personagem principal dessa história. Muito bem escrito e cheio de detalhes de cada cidade e de cada movimentação em torno do medo dessa epidemia que invade as cidades. As coisas horríveis que as pessoas fazem por medo. Mas não é um livro que eu leria novamente. Leia a sinopse aqui.

 

Descobrindo a Literatura =)

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Livreto da série “Saber Mais” com 126 páginas, sem autor definido, mas com consultoria de Marisa Lajolo, baseado numa edição espanhola. O livro parece ser de consulta para quem está começando a aprender sobre literatura. Fala sobre o primeiro livro, o primeiro escritor, sobre a língua portuguesa, sobre os gregos, sobre os monges, sobre livros religiosos, como escrever um livro. São pequenas idéias para começar uma pesquisa. Como foi desenvolvido para estudantes, o livro possui desafios, pausas, explicações de palavras difíceis, com uma diagramação divertida. Na parte “Hora  da Ficção” tem um conto de horror baseado em uma lenda chinesa. Se chama  A MALDIÇÃO DA PALAVRA SECRETA, com texto de Pierdomenico Baccalario. O texto é cheio de citações de grandes autores como Isaac Asimov, Edward Morgan Forster. O conto é muito bom, tem um pico de adrenalina em que você não tem a idéia de como pode terminar essa história. A história: um guardião de livros, sai de sua vida simples e vai fazer o censo numas aldeias, por saber escrever. Entra  numa parte proibida da aldeia e sofre uma maldição. Trecho do livro:

“…as vozes…anunciarão sua chegada e espantarão todos…ninguém acreditará em você…sua voz será tão tênue que até a batida das asas de uma borboleta a encobrirá…não poderá…mais correr o bambu no papel para escrever, porque você só beberá tinta e se alimentará do papel dos seus livros amados, e sua sede e sua fome serão insaciáveis.”

Só o conto já valeu a pena! =)

Altas expectativas… :/

O livro “Jeff em Veneza, Morte em Varanasi” do autor londrino Geoff Dyer, com 319 páginas, em seus dados catalográficos está escrito ficção, na nota do autor ao final do livro ele diz que apesar de citar pessoas reais e acontecimentos reais, e de ter estado nos lugares citados no livro, é uma ficção.

Não parece. Parece um roteiro de viagem, onde o jornalista desiste do roteiro e fala o que lhe vem à cabeça. O blurb na capa do livro aumentou minhas expectativas: “provavelmente o melhor escritor britânico vivo.”  Que me perdoem os outros, mas prefiro J.K. Rowling. Vamos `a “história”: se divide em duas partes, a primeira em Veneza e a segunda na Índia. Em Veneza, durante um evento de arte, você fica esperando a morte do título, e toda a investigação porque o jornalista conhece uma mulher bonita e misteriosa e a aí acaba. Em Varanasi o jornalista decide não fazer nada só observar a cidade. E não tem drama, nem comédia, nem romance, nem autoconhecimento, nada. Decepção.

Trechos do livro: “Mas como parar de fazer uma coisa que você nem sequer tem consciência de que faz?” “Eu não renunciei ao mundo; simplesmente fui ficando menos interessado em certos aspectos dele, menos envolvido com ele, e essa diminuição de interesse foi aos poucos correspondida. É assim que funciona. O mundo pára de escolher você; você pára de se sentir escolhido pelo mundo.”

Vamos ler alguns contos e autores brasileiros. =)