Outra forma de contar uma história

Ana e Pedro - Cartas

Quem cresceu nos anos 80 já passou pela experiência MARAVILHOSA de se corresponder por meio de cartas! O livro Ana e Pedro – cartas é um novo conceito de se contar uma história. Os autores Vivina de Assis, de São Paulo e Ronald Claver de Minas Gerais criaram dois personagens e uma correspondência real entre eles: trocaram cartas desses personagens durante um tempo e transformaram em livro. Idéia boa e que funcionou muito bem nesse caso. A história de 84 páginas não tem começo – bem, tem a primeira carta – e você usa a imaginação para dar um fim à história de dois adolescentes que tentam transmitir emoções em palavras escritas. Vale a pena ler. =)

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Desconstruindo Simone…

É meu primeiro contato com a famosa Simone de Beauvoir, no livro Memórias de uma Moça Bem-Comportada, com 335 páginas, nesta edição de 1958. O tradutor diz que é uma autobiografia. Então… choquei!! Porque a autora é conhecida por seu feminismo descrito em sua mais famosa obra “O Segundo Sexo“, e neste livro ela se mostra muito religiosa, que não tolera os pecados alheios, que mesmo após desistir da religião, continua carola e achando a pureza do casamento  como único caminho aceitável.  O começo é descritivamente chato: ela passa oitenta páginas contando dos seis aos oito anos de vida! Ninguém é tão filosoficamente chato aos oito anos! Tudo bem que ela se formou em Filosofia, mas quando conta parte de sua trajetória dos dezessete aos vinte, mostra-se alienada, como alguém que não quer saber aonde a família consegue dinheiro pra pagar seus estudos, ou como a guerra ao redor do mundo (na época) poderia influenciar vidas. Tão egoísta que plagiou seu primeiro trabalho no colégio e achou que não fez nada de mais. Pegava livros emprestados com amigos e bibliotecas e esquecia de devolvê-los! (OMG!) Suas amigas tinham namorados aos vinte e ela não gostava de imaginar intimidades com nenhum homem. Conta sua briga com a família, porque não gostava dos modos simplistas do pai e tinha vergonha da mãe, que falava-lhe verdades: ela gostava mais das amigas e faria tudo pelas amizades, mas não pela família. Ela passou pra mim uma inteligência no modo de produzir seus textos: primeiro procure saber o que está sendo mais procurado, depois escreva isso.

Vou tentar ler outros textos dela, porque esse não me convenceu como real; parece ficção.

Trechos do livro: “…proibiam-nos de brincar com meninas desconhecidas: era, evidentemente, por não sermos da mesma laia. Não tinhamos o direito de beber , como toda a gente, nas canecas penduradas às fontes; vovô dera-me uma concha de madrepérola…” “Sentava-me na poltrona de couro, ao lado da biblioteca de pereira escura, fazia estalar nas mãos os livros novos, respirava-lhes o cheiro, olhava as figuras, os mapas…” Falando de seu pai: “Ele apreciava acima de tudo a boa educação e as belas maneiras; entretanto, quando me encontrava com ele num metrô, num restaurante, num trem, sentia-me incomodada com seus gritos, suas gesticulações…”

Começo, meio e fim: completando a história.

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“Moram um homem, sua mulher e uma filha recém-nascida numa cidade pequena. Uma casa num bairro elegante no meio do nada, vizinhos longe.

Como gerente de uma loja de departamentos na cidade, faz uma compra que não sai, encalha nas prateleiras. O Senhor P… começou como operário na fábrica, casou com a filha do patrão e tenta mostrar que pode sustentar sua família. Tem orgulho de ter começado do nada. Não aceita que a crise no país ( anos 20) possa fazê-lo perder tudo aos 40 anos. Ele decide fazer qualquer coisa, para dar a volta por cima, mesmo que seja ilegal.

o homem conversa com sua esposa em sua bonita casa na hora do jantar e diz que os negócios vão mal. Ela diz que a bebê acabou de nascer e que eles precisam de dinheiro, que podem pedir à família dela. Ele se nega e diz que vai dar um jeito.

 Ao sair para fumar, vê um circo nas proximidades, vai caminhando até lá.  Uma tenda de cartas é a primeira coisa que vê. A tenda parecia se mover diante de seus olhos. Talvez fosse impressão. Entra e vê uma cigana. -Posso ler sua mão, senhor? Ela diz que pode ajudá-lo a resolver o problema da fábrica.

_Minhas bonecas não vendem. Faço qualquer coisa para que dê certo. Ela  lhe dá uma boneca.

_Guarde essa boneca e distribua as outras que estão na loja, e seu estoque vai acabar. Mas não reclame da troca justa.

No outro dia, ele distribui as bonecas e em três dias todo o seu estoque é vendido.

Ele retorna à cigana: _Faço qualquer coisa para ficar rico.

_Coloque a boneca no berço de sua filha.

…………..

Ele começa a enriquecer e se envolve com a secretária, mais jovem e bonita. Sua esposa descobre e entra em depressão. A família dela a interna para tratamentos.

Ele vive sua vida de rico e com sua amante.

Um dia ao retornar à casa, ouve a nenêm chorando e vê sua esposa agarrada no pescoço da criança. Tenta salvar a nenêm correndo pela rua com ela nos braços. O vizinho ajuda,mas não consegue salvá-la.

A mulher vai a julgamento; _Vi minha mulher estrangular nossa filha enquanto ela dormia.

O corredor da morte.

Procura o sogro. Descobre que sua mulher deixou sua parte na herança para o hospital. O sogro despede-o

Procura a cigana. O circo se foi.

Ao entrar na casa, vê uma correspondência do banco solicitando que deixe a casa que está hipotecada.

Senta no quarto e olha pro berço. A boneca senta, olha pra ele virando a cabeça e começa a rir, gargalhar.

ele paga com sua família o preço de sua ambição.” *

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*copyright by Deborah Jäger

Hi$tóRi@ CONCEITUAL =)

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O que acontece quando você gosta de um autor? Quero ler todos os livros dele!  E quais são suas expectativas quando dois livros são bons? Que o terceiro me surpreenda! E quando a premissa é fantástica? Qual é a pegadinha? Porque essas três qualidades fazem o livro perfeito!!  O que esperar de Umberto Eco – autor que gosto – no livro de 2010, O Cemitério de Praga, com 478 páginas, que se passa em no séc XIX – meu favorito – personagens históricos reais!  Não me surpreendeu, não me decepcionou.  Teve alguns momentos instigantes, de ficar acordada lendo, alguns momentos maçantes, gzuuiss! , momentos que me parecia um outro escritor… mas valeu a pena.

O livro é conceitual: para diferenciar os três personagens que “contam” a história, a impressão do texto usa diferentes fontes pra cada um. Para o narrador, fonte bodoni em Negrito; para o abade Dalla Picolla fonte Myriad em itálico; para Simonini, fonte garamond. E ainda tem quando cada um conta algo sobre o que outra pessoa disse, porque aí a fonte tem uma ligeira mudança… Isso no começo, traz um certo caminho a seguir, já que se trata da história de um duplo. Mas depois , dá uma sensação que a história recomeça de novo, e de novo…com outro ponto de vista, que dá na mesma, para “ a vítima”.

Trechos do livro:

“Os padre…Como os conheci? Na casa do vovô, creio; tenho a obscura lembrança de olhares fugidios, dentaduras estragadas, hálitos pesados, mãos suadas que tentavam me acariciar a nuca. Que nojo.Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz padre ou frade só para viver no ócio…”

Que fique claro …que não produzo falsificações, mas sim novas cópias de um documento autêntico que se perdeu ou que, por um acidente banal, nunca foi produzido, mas que poderia e deveria sê-lo.“

o personagem cita com detalhes as refeições servidas: „…bastava colocar umas fatias de pão numa sopeira, temperando-as com muito azeite e pimenta recém-macerada; ferviam-se em ¾ de litro de água e sal umas cebolas fatiadas, tomate em tirinhas e calaminta; depois de vinte minutos derramava-se tudo sobre o pão, deixava-se descansar por uns minutos e pronto, servir bem quente.“

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Clássicos ilustrados =D

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Não sei porque livros adultos não tem ilustrações!  Estou incluindo livros ilustrados nas minhas leituras. Tenho alguns desses clássicos com belas ilustrações. Este, em inglês, David Copperfield de Charles Dickens com 212 páginas é uma adaptação do texto original. Uma das poucas adaptações que me faz ter vontade de ler o texto inteiro!

Um romance de formação que conta a história de David quando criança até depois de seu segundo casamento.

😀

Do ofício de escrever

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Cartas a um Jovem… é uma série de livros baseada na experiência do autor. Neste caso, a literatura. Nesse livro de 181 páginas, o escritor Mario Vargas Llosa escreve através de cartas a um jovem escritor, sobre as várias formas de contar uma história. Ele faz citações incríveis de vários outros escritores famosos. “…uma vez instalada em um organismo, a solitária se funde a ele, alimenta-se dele, cresce e se fortalece às suas expensas, e é dificílimo arrancá-la deste corpo em que ela se desenvolve e impera.”

O autor não acha que essas suas correspondências não são geniais: “…recomendo a leitura da volumosa correspondência de Flaubert, sobretudo as cartas escritas à sua amante, Louise Colet, entre 1850 e 1854, período em que escreveu Madame Bovary, sua primeira obra-prima.”

O autor consegue dar exemplos (spoiler) de cada  capítulo. Tem alguns paradoxos, mas é uma ajuda a mais para entender a parte teórica.

 

SERÁ UMA AUTOBIOGRAFIA?

Finalizado o livro Noites Italianas de Kate Holden, 256 páginas, onde na capa está escrito: baseado na história real da autora.

A própria autora descreve como “…uma obra da minha imaginação, e também a verdade.”

O índice catalográfico diz Biografia. A autora escreveu suas memórias num primeiro livro chamado Na Minha Pele. A orelha do livro diz que este é uma continuação do primeiro livro. Ao ler a história, fica claro que é ficção, que foi escrito em forma de romance. A vida da autora é um mix de modelo, prostituta, viciada e também formada em Estudos Clássicos e Literatura. Então este romance faz citações de grandes autores como Lord Byron, Goethe e outros.

Nesta parte da história de sua vida, ela está perdida literalmente. Não tem emprego, nem moradia, nem um relacionamento decente com amigas, amigos, família…seu dinheiro está acabando, viveu nas ruas, mas não tem malícia: acredita em todo mundo. E não tem um final: cada capítulo conta a parte romântica que cada personagem interpretou em sua vida. Ela escolheu seis personagens que decidiu que valia a pena descrever, sem começo, meio ou fim.

Apesar da maior parte do livro se passar durante os dias, olhando o mar da varanda da casa de um, lendo livros nas tardes frias da casa de outro, passeando pelas ruas de Roma e Nápoles para encontrar os lugares que lia nos livros…o título traduzido fala sobre Noites. O título original se chama The Romantic, e é explicado nas páginas iniciais: “Ela veio à Italia  em busca de três coisas: Roma, românticos e romance.”  Então, não entendi a escolha do título. Se bem que a tradução também deixa a desejar: algumas frases ficaram sem nexo. Mas a capa é linda. =)

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