História e Imaginação

Águia, o livro I da série Boudica da autora Manda Scott, conta em 653 páginas a história da famosa guerreira da Britânia, Boudicca que lutou contra Roma na revolta de 60 d.C. A autora em sua Nota no final do livro, conta que usou fontes da história real e misturou com ficção para criar sua história. É o famoso “baseado em fatos reais”, mesmo que ela diga nas notas que o único registro que se tem dessa guerreira durante a revolta, é contado pelo inimigo, no caso, Roma, portanto “com todas as distorções políticas, culturais e sociais que isso implica.”

O primeiro livro conta a história da menina Breaca (lê-se Brayahca) quando aos doze anos mata um guerreiro que entra em sua tenda e vê a morte de sua mãe, perde seu irmão menor levado como escravo, perde seu pai em uma batalha, ama a vidente Airmid, mas depois encontra amor nos braços do guerreiro de outro país Caradoc. Alguns capítulos retornam no tempo para mostrar Bán seu irmão vivendo como cativo do inimigo Amminios, irmão de seu amor. O livro finaliza com o início da batalha entre os romanos, onde seu irmão se tornou guerreiro e os da Britânia, onde Breaca é a lider de cabelos vermelhos.

Problemas: não dá pra entender uma tribo com videntes que lêem até pensamento, não descobrir que Bán não está morto e sim escravizado pelo inimigo. Não dá pra entender como as notícias correm entre as tribos, mas Bán entre os guerreiros de Roma, não desconfia que sua família está liderada pela sua irmã, até ver sua mãe morrer pela espada de um de seu grupo. Não há o encontro entre os dois, mas pra um personagem idealizado como futuro vidente, ele altera entre esperto e distraído todo o tempo. Nesse primeiro livro, os personagens centrais são meio imprecisos, não conseguindo determinar as características fortes de cada um. Por exemplo, Breaca é mostrada como uma guerreira forte e valente escolhida entre os melhores. Mas perde a primeira luta, perde o pai numa segunda luta e foge na terceira batalha. Os videntes: têm visões pela metade, não sabem o que significa, pessoas próximas duvidam de suas visões.

Vale a pena: as descrições das lutas e batalhas, os detalhes sobre os animais (talvez porque a autora é veterinária), a mistura histórica, o crescimento dos personagens.

Outros autores já escreveram histórias sobre Boudicca e a guerra entre Bretanha e Roma:

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A Escolha do Título

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A palavra Herança parece ser um amuleto para autores, porque é um dos títulos mais encontrados! Talvez porque mexe com o imaginário do leitor, que espera que alguém do passado tenha deixado algo de valor para ele.

O livro A Herança, primeiro romance da autora americana Louisa May Alcott, lançado em 1997 mas escrito em 1849, conta exatamente essa história clichê onde uma mocinha desamparada, recebe uma herança de um parente e abre mão dela para ser feliz. Tem os amigos ricos que a tratam como igual, mas ela sabe o seu lugar. Tem a invejosa que quer que ela se afaste de todos. Tem os rapazes apaixonados por sua beleza, mas ela não os aceita. E tudo termina perfeito como um bom conto de fadas.

Trecho do livro: ” …por mais pobre e humilde que eu seja, sua riqueza jamais compraria meu amor, tampouco sua estirpe obteria o respeito por alguém que me tornou infeliz com uma paixão mesquinha, incapaz de sentir respeito pela minha situação de desamparo, ou vergonha pelo sofrimento que isto me causou…”

Outras obras de mesmo título:

Muitas histórias de mesmo nome.

livro o banquete

O livro O Banquete da autora Inglesa Muriel Spark conta em 170 páginas a história de vários casais convidados para um jantar. Em cada capítulo a autora dá um spoiler do que vai acontecer mais à frente. A autora começa com o jantar, mas ela vai e volta no tempo para apresentar ao leitor todos os convidados em especial Margaret Murchie. Só que todo o mistério que envolvem a personagem, não é resolvido no final. Nada fica bem resolvido. Não ficamos sabendo quem é o assassino que ronda Margaret e não sabemos se Roland resolve se assumir homossexual. Não temos a reação do anfitrião ao saber que Luke está envolvido no roubo. Nada é finalizado.

Trechos do Livro: “Santa Eutrópia…uma santa Medieval para quem as pessoas, especialmente as mulheres, costumavam rezar pedindo que ela as livrasse dos cônjuges.” “Algumas pessoas são do Séc. XVIII, outras do XV…outras do Séc. XX. Todos os psiquiatras no exercício da profissão deveriam ser também estudiosos da história: a maioria dos pacientes está presa à sua era e não consegue se adequar às exigências e aos hábitos do nosso século.” “…não conseguia se livrar do hábito…Quando visitou o Papa…não pode deixar de calcular o valor do seu patrimônio…” “Mas ele é muito bom em jantares…Você pode sentá-lo ao lado de uma árvore que ele conversará com ela.”

O título do livro já serviu de inspiração pra vários autores:

Mesmo Título, outras histórias

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Um livro de contos adorável, perfeito pra ler nessa época natalina em que todos parecem precisar aquecer o coração, trocar presentes, ficar em família. O livro o Quarto Azul e Outras Histórias da autora Rosamund Pilcher, de 1985 com 300 páginas que parecem muito menos – de leitura rápida, com histórias sobre o cotidiano da família, as memórias e as lembranças. O melhor conto é Um Dia de Folga, onde a folga do marido, faz com que ele note que sua esposa não tem folga nunca. Um outro muito bom é O Natal da Senhorita Cameron, escrito em forma de boas lembranças. Fiquei fã da autora e quero ler seus outros livros.

Existem outros livros com o mesmo título de outros autores e um traz o subtítulo “inspirado no livro o quarto azul do autor…..”:

 

 

Os Mais Vistos ;)

 

mangaQuero comentar os posts MAIS visualizados do blog nestes seis anos no #SpecialTips #16. É só clicar no título para ver o link.

LIVROS COM O MESMO TÍTULO

Todo mundo já passou por isso de procurar por um livro numa livraria ou biblioteca e o atendente trazer outro de mesmo título. Essa escolha pode ser uma estratégia para vender mais, conforme a moda. Já aconteceu de terminar um conto ou livro e me perguntar: ” aonde o autor enfiou a coisa que ele ofereceu no título?”  Mas os títulos me levam a comprar ou a ler um livro. Por exemplo, livros que falam de livrarias ou de bibliotecas.

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LIVROS E MÚSICA

Adoro ler livros que falam de música, e de compositores, e de playlists. E gosto de ler ouvindo música. E tem livro que combina com silêncio. E existe o som dos livros!

 

 

 

 

Contos/dramas de amor

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O livro de contos De Amora e Amor do descendente de libanês Elias José, com 75 ´páginas, conta os dramas de um adolescente do interior que se apaixona pela adolescente da cidade que veio passar o verão. Todos os contos com a mesma temática, os dramas de amores adolescentes. Indicado para usar com alunos do ensino fundamental.

Existe um livro de autor estrangeiro com o título parecido, 🙂 não vá confundir:

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Não Conte o Final…

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Nesta minha edição O Homem Duplo de C. J. Koch tem 330 páginas. Não é o livro mais famoso desse autor australiano, lançado em 1982. A história de três meio-amigos de uma cidade do interior da Austrália que sonham em ganhar a fama em Sidney. Tem muito misticismo, música folk, um pouco de romance e muita história não terminada. como assim? O autor começa com um mistério sobre um homem que o personagem principal conhece quando criança – esse mistério continua um mistério. Depois tem um segredo sobre a personagem Denise, que some no meio da história e ficamos sem saber seu segredo. Só na página 198 ele cita pela primeira vez o título do livro: “…Era como um segundo rosto, e por algum motivo pensei num homem duplo.” Só isso. Muitos personagens são citados nas conversas, mas não vemos, não conhecemos e eles simplesmente deixam de aparecer. Só para quem gosta do desafio de inventar o próprio final. 😉

Também há um livro de mesmo nome (1977), do autor Philip K. Dick que inspirou um filme de mesmo nome (2007) com Keanu Reeves, uma ficção científica que mistura imagens e desenhos dos atores.