Os Confederados

O livro Por Ocasião da Minha Última Tarde da premiada autora americana Kaye Gibbons, conta em 287 páginas a história de um homem muito mau que vivia com a família numa grande casa na Carolina do Norte. A história começa em 1842 e é contada em primeira pessoa pela filha desse homem, que vê os brancos enriquecerem às custas dos serviços dos negros escravizados. Ela e a mãe não concordam com as atitudes do seu pai e ela se casa com um “abolicionista” médico.

A partir daí o livro conta os horrores vividos durante a guerra dos confederados, onde ela ajuda o marido médico a salvar vidas. O pai dela continua mau até o final do livro: nem a guerra, nem a perda da fortuna, nem a doença que o faz ficar sem andar faz com que goste das pessoas.

É um livro dramático, pesado, mas muito bem escrito. Fiquei curiosa sobre esse período após esse post que fiz.

Trechos do Livro: “Ela não afagou meus cabelos, não me acalmou, pois tais delicadezas não eram do seu feitio e porque, naquele momento, não estava com nenhuma disposição de permitir que uma menina branca ficasse choramingando…quando era um dos seus…que fora assassinado…” “O velho disse que eu poderia ficar com os meninos, pois seus cérebros já tinham sido estragados para o trabalho decente.” “Então, beijou a testa de Clarice. Sentou na espreguiçadeira no canto do quarto e chorou, o amargo fruto por ter tratado Clarice como uma criada negra, e não como a mulher que transformara Seven Oaks num lar.”

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Quando o Título Mente #2 🤨

⚠️Spoiler!

O livro A Lenda da Pedra Falante da autora Jocelyn Kelley conta em 255 páginas a história de uma moça ruiva, órfã, criada em um convento que treina as moças para se defenderem com o uso de varas. Elspeth, sendo uma das melhores, é escolhida pela rainha da Normandia pra encontrar “a pedra falante” que segundo a lenda pode matar o rei seu marido. Ela então vai tentar encontrar a “pedra” e destruí-la. Ela encontra um grupo de galeses que lhe convidam para ir com eles. E, de aventura em aventura, ela cumpre sua missão.

PROBLEMAS: No começo a autora dá a entender que “a pedra falante” pode ser qualquer coisa. Então vamos ficar atentos pra ver se é alguém! NÃO! A pedra é só uma pedra comum, que não fala, não acontece nada com ela. Seria melhor não traduzir o título original: One Knight Stands. 😐

A autora também não decidiu qual ponto de vista usar, então usou um narrador onisciente em primeira pessoa. Confuso? Você está lendo o que a personagem está pensando e de repente uma frase, que você têm que presumir quem está falando. Depois de umas páginas esse recurso fica normal.

É uma história bobinha para crianças. Mas NÃO pode ser, por causa das cenas tórridas entre a freira e um desconhecido.

Outro problema são os capítulos em forma de círculo: começa sempre com os dois em tensão erótica, uma luta ou problema, e os dois separados. Todos exatamente assim: ele gosta dela, mas não pode. Ela gosta dele, mas têm que cumprir a missão. Longe dele ela luta com homens e ganha, perto dele ela grita por socorro. Você começa o livro pensando em “empoderamento feminino” e termina o livro querendo bater na personagem principal. 😬

Trechos do livro:“Em tempos de periculosidade, quando aliados se transformavam da noite para o dia em inimigos, era quando uma mulher de sabedoria precisava estar mais preparada para enfrentar batalhas.” ” Porque você brinca tanto com o perigo…quando é dona de uma inteligência rara e de conhecimentos incomuns?” “Sabia que não poderia durar. Que em breve teria de lhe dizer adeus e seguir sozinha pelo nevoeiro…enquanto pudesse, ela permaneceria a seu lado, sem exigências.”

Experiências Familiares

O livro A Mulher Do Deus Da Cozinha da autora sino-americana Amy Tan conta em 457 páginas a história de uma imigrante chinesa. Ela resolve contar para sua filha todos os horrores da guerra, do casamento arranjado, do sofrimento da perda dos filhos, do mundo machista. A mensagem final é que o amor aparece onde menos se espera e que vale a pena. O título vem de uma história contada por ela, entre tantas histórias que ela conta para a filha. A capa mostra o desenho de uma padaria que não aparece na história: capa fake.

Trechos do livro: “…me deixa maluca ficar escutando suas várias hipóteses, o modo como a religião, a medicina e a superstição se fundem todas com suas próprias crenças.” “Foi criada numa família feudal, à maneira tradicional. Os olhos da menina não deviam nunca ser usados para ler, só para costurar. Os ouvidos da menina não deviam nunca ser usados para escutar ideias, só ordens.” “…sabia que tudo precisa ter um bom aspecto, um bom sabor, significar boas coisas. Desse modo dura mais, satisfaz o apetite, agradando também à memória por muito tempo…” ” Ele sempre chamava a isso de hobby…porque não havia palavra chinesa para designar uma atividade destinada só a passar o tempo, gastar dinheiro.” “Se uma coisa é ruim, ela faz com que pareça boa. Se é boa…ela contradiz tudo o que eu digo. Faz com que eu pareça estar sempre errada.” ” Isso me lembra a ocasião…quando…me perguntou no dia do meu aniversário qual a galinha do quintal que eu mais gostava. Escolhi aquela que vinha comer na minha mão. E naquela noite a Tia Velha botou-a na panela.”

Autor Nacional

O livro A Janela do Tempo do autor nacional Iran Ibrahim Jacob conta em 126 páginas a história de um artista que senta em sua janela para pintar seus quadros. Em frente à sua casa há uma parada do trem. As pessoas que descem ali são convidadas à entrar e conversar. O pintor busca sua inspiração nas pessoas que por ali passam e nas montanhas que ele vê atrás da estação. Um dia sonha que esta viajando nesse trem e conhece uma moça, que decide ser sua “alma gêmea”. A partir daí o livro narra toda a trajetoria – viagens, conversas, lendas – para encontrar sua alma gêmea e finalmente pintar seu retrato.

O livro me lembra um outro livro que o personagem faz uma viagem e as pessoas que encontram lhe dão lições de vida, como em uma parábola. Eu achei o texto meio “cliché-machista” onde todos os homens são sábios (as moças só sabem ser bonitas, dançar e ouvir conselhos de um rapaz que parece perdido) e as moças só querem casar. O autor tenta fazer uma filosofia sobre o tempo (“vou te esperar o tempo que for necessário” ) mas senti o foco na busca do amor.

Trechos do Livro:” A vida está cada vez mais apressada e o homem é escravo do tempo. Ainda bem que tenho minha janela para ver o trem passar.” “…o artista concluiu que dois bilhões de pessoas dando dois grãos de arroz por dia, obter-se-ia…oitenta toneladas de arroz para alimentar os irmãos carentes.” “As flores só podem existir na primavera. É uma lei que tem sua razão de ser. Não se deve contrariar a lei de Deus. O que a rosa deseja está além das leis naturais. O prazo dela já se esgotou…” “Mona Lisa representa o amor perfeito. O sorriso enigmático pode simbolizar a felicidade plena e absoluta do encontro dos verdadeiros pares perfeitos, os pares ideais.” “No exato instante deste encontro divino, há uma fusão completa e forma-se um ser que não é nem espermatozóide, nem óvulo, mas ambos. Dentro de cada ser existe um par, somos homens e mulheres ao mesmo tempo.” “A liberdade não se conquista; é um estado de espírito. Você pode estar preso numa jaula e sentir-se livre; pode estar voando como um pássaro e sentir-se preso.”

Outros livros com títulos parecidos:

Feliz 2019!✳️❇️✴️

Um balanço das leituras do ano, respondendo a Tag Postscriptum que eu vi no canal de Portugal A Outra Mafalda, tag original do canal Português Mementomori.

1- O livro mais longo que você leu e o que te tomou mais tempo de leitura:

O maior: O Olho do Mundo com 798 páginas, mas levava no ônibus e li em duas semanas.

A Montanha Mágica com 749 páginas me tomou mais tempo porque a leitura é mais profunda, pra pensar mesmo.

2-Um livro que te tirou da zona de conforto:

Livros pesados fazem isso. Vou citar Menina boa, Menina Má.

3-qual o total de leituras novas: 71 livros (2 releituras e cinco hq)

4-qual livro pretende reler em breve:

A série Millenium

5-Conto preferido esse ano:

A Manhã Verde das Crônicas Marcianas e A Mulher que Chegava às Seis do Gabo em Olhos de Cão Azul.

6-um livro que gostou e que poderia recomendar à uma grande variedade de leitores:

Manon Lescault do Abade Presvot. Motivos: só tem 174 páginas então serve para leitores iniciantes e pra quem não tem muito tempo. É um clássico-foi transformado em ópera. É divertido, tem aventura, tem romance, tem drama, tem um anti-herói, tem suspense.

7- um livro que gostou, mas que sabe que não é pra qualquer um:

Uma Breve História do Tempo de Stephen Hawking. Física.

8- um livro que te ajudou enquanto criador de conteúdo:

Uma História da Leitura

9-indique um blog/canal que conheceu esse ano:

Não tem novos canais surgindo, mas conheci alguns de Portugal.