Uma novela alemã

O livro A Menina Com A Lagartixa do autor alemão Bernhard Schlink é considerado uma novela com suas 93 páginas. Mostrando os reflexos do final da guerra, a história conta sobre um menino que se apaixona pela menina em um quadro do escritório de seu pai. Ao crescer descobre que o quadro tem um segredo que não pode vir à público. Isso faz com que o rapaz esconda o quadro debaixo da cama ao levar as namoradas em seu quarto. Após a morte do pai ele até pensa em vender o quadro, mas ao descobrir a verdadeira história por trás da posse do mesmo, ele desiste.

Contendo figuras reais entre os artistas fictícios, o autor conta fatos reais como a destruição das obras de arte durante a guerra.

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Baseado em fatos verídicos

O livro O Planalto e A Estepe do autor angolano Pepetela, conta uma história de um amor proibido entre dois estudantes na Rússia. Ele angolano de olhos azuis; ela filha do ministro da Mongólia. Em 188 páginas recheadas de guerra e idealismo juvenil nos anos 60, em que os povos lutavam para ser “como um só”. Julio ama Sarangel e quer se casar com ela. Mas as questões políticas os afastam. Ele, ganhador de uma bolsa para estudar em Moscou, passa o tempo namorando e engravida a menina. O ministro toma as rédeas da situação e a afasta de Moscou, levando-a de volta pra Mongólia. Ele faz de tudo pra reencontrá-la, mas nem as pessoas influentes que ele conhece, conseguem ajudá-lo. Então ele vai pra guerra, descobre a realidade por trás da utopia, que as idéias são boas mas não sobrevivem à prática.

O livro é bom, bem escrito, bem focado, sem dispersão. E com poesia. Mas…

⚠️Spoiler: o personagem principal é muito sem noção: criança ele prefere andar com os negros, porque não é racista. Mas o que parece é que ele faz isso porque eles o tratam como superior, o que os colegas não fazem. Quando jovem briga com a família e nem pensa na guerra que eles estão vivendo lá na África. E passa páginas tentando convencer o leitor que ele só queria sua filha e sua mulher porque ele se importa com a família. Ele não dá valor as próprias conquistas, porque quer se vingar do pai da Sarangel tendo ela de volta. Parece uma criança de quem tiraram o doce. Dá até uma felicidade saber que ela se saiu bem: casou com um embaixador e teve dois filhos estudiosos com ele. Enquanto ele fazia criancices por aí.

Mas mesmo com um personagem sem noção, vale a pena a leitura.

Trechos do livro: “Foi mesmo a primeira música que aprendi a ouvir. Os ritmos variam, conforme a nuvem de chuva é mais grossa ou menos espessa, ou conforme a força e direção do vento. ” ” O tempo goza com a nossa estúpida vaidade, passa por nós como um foguete, nos torna seus escravo.” “Mas eu não era amigo dos pretos por serem pretos, nem via bem as cores…era amigo dos meus amigos…” “Quando a gente é pequena, só o dinheiro faz horizontes se abrirem.” “Só para os profetas e os escritores as palavras são sagrados.” “…ela não vai saber que o nosso relacionamento começou com uma mentira sem gravidade. Há quem jure, uma relação sã só admite a verdade.” “Parecia um bicho defendendo seu espaço, ah, a emancipação das mulheres, estudávamos…mas era algo teórico.” “…não acontecerá nada porque não reparamos neles. Se repararmos nesses bizarros estudantes e fizermos qualquer coisa contra ou a favor deles, aí sim, eles passam a existir realmente e os problemas se tornam também reais”.

Sobre a Política

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O famoso livro O Príncipe de Nicolau Maquiavel, tem a fama de ser amoral e só fazer juz à traição, inveja, orgulho, mas é apenas ficção, uma carta em forma de conselhos para um jovem príncipe sem experiência de guerras e reinos, inimigos e igreja, soldados e milícia. Então tornou-se um tratado de como o Estado deve proceder com seus subordinados de forma rígida. Mas ele têm boas idéias e usa as guerras e seus nobres como exemplo do que deu certo ou não e porque. Apesar do termo maquiavélico ser sinônimo de amoral e pérfido, na verdade o autor fala muito de ética no trato com seus súditos. Esta edição possui, em 165 páginas, uma introdução escrita pelo tradutor Antonio D’Elia que explica um pouco sobre o período em que o livro foi escrito, o que se passava na Europa, especificamente na Itália. O Cinquetento, conhecido como o século negro e vergonhoso para a Itália em todas as áreas: artes, religião, literatura. “O leitor não sente a transição entre passado e presente, entre o tom argumentativo e o tom exemplificativo, tão bem ajustadas estão as peças da exposição”. 

Trechos do Livro:  “…É muito fácil mantê-los, principalmente quando não estão afeitos a existir com independência…”

O Primeiro Grego a Gente Esquece?

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O livro Os Irmãos Inimigos (The Fraticides) do autor e filósofo grego Nikos Kazantzakis, conta em 257 páginas a história de um frade que durante a guerra na Grécia, tenta convencer os guerrilheiros que se eles retirarem sua boinas, vermelhas dos soldados e negras dos rebeldes, eles são todos irmãos, filhos da mesma pátria; e que sua missão é mostrar que aquela luta pela liberdade não têm sentido se continuarem se matando uns aos outros. Ninguém quer ouvir suas palavras religiosas: os soldados porque acham que devem matar, o povo da aldeia miserável porque está passando fome. A brincadeira de mau-gosto que alguém faz inventando que a guerra tinha acabado, deixando o povo comemorar pra depois gritar “primeiro de abril” é de partir o coração!

O autor foi um socialista militante, que passou a infância em plena guerra que a Grécia travou contra a invasão dos turcos. Muito de suas experiências estão nos seus livros. Como a história gira em torno de um religioso que vê seu filho se unir aos traidores, têm muitas páginas de cenas religiosas, celebrações, imagens, santos, orações, um pouco cansativas, mas o final parece cena de filme. 😉  A história do padre que leva um cinto da virgem de vila em vila pedindo dinheiro é a melhor parte do livro! =D

Trechos do Livro: ” Raramente…uma gargalhada ressoava…Parecia fato tão anormal que alcançava proporções de sacrilégio.” “Quando…pope vinha casá-los, não tinham palavras de carinho para trocar…metiam-se sob os cobertores de lã grosseira com uma única idéia: gerar crianças para legar essas pedras, essas montanhas, essa fome.” “É o crânio de São Kerikos – afirmou o monge…poucos dias após, apresentaram-lhe outra cabeça, muito maior:-é o crânio de São Kerikos.-Era menor. – vai ver ele cresceu.” “Somos apenas metatipos, deixamos de ser macacos e ainda não nos convertemos em sêres humanos: vacilamos num ponto intermediário.” “Que ímpeto, que juventude! Como posso exigir que uma mulher com um corpo desses seja virtuosa?” “Já que não querem ser livres de bom grado, nós os libertaremos à força…”

Título Perfeito sobre a Guerra

réquiem
substantivo masculino
  1. 1.
    litur prece que a Igreja faz para os mortos.
  2. 2.
    mús composição sobre o texto litúrgico da missa dos mortos cujo introito começa com as palavras latinas requiem aeternam (‘repouso eterno’).

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Esta edição do livro Rèquiem da autora japonesa Shizuko Go, de 1972, recebeu o Prêmio Akutagawa um ano após seu lançamento. Em 141 páginas o narrador nos mostra a correspondência de duas adolescentes no período de guerra. Uma, é fiel às doutrinas de seu país e quer dar a vida e lutar. A outra é filha de um pai que viveu no país inimigo e lhe trouxe a literatura como fuga e como ensinamento. E uma tenta ensinar à outra aquilo que cada uma possui: uma incentiva a continuar a estudar e trabalhar pelo Japão. A outra empresta livros e fala como eles são maravilhosos.

Claro que é um drama de guerra, sem final feliz, mas postei no Twitter que me identifiquei com a personagem que gosta dos mesmos livros que eu! ♥♥♥

Trechos do livro: “…a guerra é como se fosse uma tempestade. Ela chega…estraga sua vida e, de repente, some, desaparece,acaba. …Você e eu estamos na mesma posição; dois indivíduos presos nas armadilhas do sistema.” “A única coisa que a mantinha viva era a certeza de que, brevemente, ela também morreria.” “Emboram tivessem uma vida inteira pela frente, conversavam como se fossem duas velhas…”

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A Guerra…Porquê? =/

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O livro Hiroshima Nunca Mais – Não se Esqueçam da Rosa, da autora Giselda Laporta Nicolelis, traz em apenas 40 páginas um relato fictício baseado em um fato real: 40 anos após sobreviver à bomba de Hiroshima, um médico vê sua filha sofrer os efeitos tardios da radioatividade. Relato que nos faz pensar na cidade de Aleppo que vem sofrendo com a guerra sem motivo. E nos faz pensar, será que alguém poderia fazer alguma coisa?

Trechos do livro: “…e de repente não havia mais cidade, não havia mais manhã…e mesmo os que não morreram, carregaram pela vida afora as marcas da tragédia.”

“Quando estou muito triste mesmo, faço de conta que não aconteceu nada e deixo para pensar no assunto no dia seguinte…”

 

Para chorar litros :(

O livro Querida Sue da autora Jessica Brockmole, de 2013 com 255 páginas, se passa paralelamente em dois momentos da história: em 1912, período da primeira guerra e 1940 período da segunda guerra. Vemos a Sue Jovem se apaixonando durante a guerra e depois vivendo isso através de sua filha no cenário da Escócia. E toda a correspondência dessa época se dava por meio de cartas ❤

O título do livro me incomodou – o original remete à ilha onde mora a poetisa Sue. A casa da capa realmente parece mostrar a paisagem descrita no livro. A história tem algumas inconsistências que não desmerece todo o romance e a nostalgia de quem já viveu essa loucura de esperar um envelope por dias e dias… Chorei…os do

Trechos do livro: “Sei que eu nunca poderei enviar esta carta; ela vai acabar na lareira, no instante em que eu terminar de passar as palavras para o papel…ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma.” “um livro é um jardim carregado no bolso.”

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