Por quê mudar o título!! ;(

Amei o título do livro Do Androids Dream of Eletric Sheep?, mas a tradução resolveu usar o título do filme que se originou do livro, então eu li Blade Runner, O Caçador de Andróides do Philip K. Dick. É o meu primeiro contato com o autor e não morri de amores. Assisti o filme quando lançou a primeira vez e também não gostei, mas amava Harrison Ford… ❤ O livro com 265 páginas é de 1980 e conta uma história do “futuro’ de 1992. Essa minha edição é do Clube do Livro e tem a tradução horrível: “…o servo andróide como cenoura, e a precipitação radiativa como porrete.” (?)

O filme está mais focado nesse subtítulo que é o caçador de andróides. A história gira em volta dos andróides que não tem empatia e seus caçadores que os perseguem. O livro conta mais a história do porque os caçadores de recompensas precisam do dinheiro: para trocar seus “animais andróides” por animais de verdade que estão extintos. Po isso o título: o personagem principal tem uma ovelha elétrica e não quer que seus vizinhos descubram que não tem um animal de verdade, então ele aceita a missão de destruir os novíssimos Nexus-6 que tentaram matar um outro caçador e com essa recompensa comprar um animal de verdade. O livro empolga até dois terços, depois dá pra sentir que o autor não queria terminar a história, e acaba de forma muito simples. Então o filme segue um caminho, o livro outro caminho totalmente diferente. Trecho do livro: “De modo que coloquei isso em minha programação duas vezes por mês. Acho que é um período razoável de tempo para a gente se sentir impotente a respeito de tudo…”

Ainda não vi o novo filme, mas pelo trailer parece baseado no filme anterior.

blade 2

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Livro Bipolar

vulcão susan

O livro O Amante do Vulcão nesta edição da Planeta Deagostini com 422 páginas, foi escrito por Susan Sontag em 1992 e lançado para a coleção Grandes Escritores da Atualidade. É um livro que começa em 1772 é cada capítulo muda o narrador e até a forma de escrita. O narrador pode estar em primeira pessoa lembrando o passado e derepente começa um diálogo interno. Depois vemos com os olhos de um narrador presente à ação mas não onisciente. em cerca de trezentas páginas conhecemos toda a história: Na época da guerra napoleônica, um grupo de nobres fogem da Inglaterra para a Itália e se refugiam em castelos onde dão festas para esquecer dos pobres e da guerra. Depois fogem novamente para a França e Inglaterra e perdem tudo no mar. Vemos a maior parte dessa história pelos olhos do Cavalieri que se casa com a namorada de seu sobrinho, uma atriz muito talentosa.

Nas últimas páginas essa mesma história é contada pelo ponto de vista da mãe da atriz, também da mulher do herói, pela primeira esposa do Cavalieri que já morreu. E você lê a história de forma resumida mais tres vezes!!

A autora escreve bem, mas faz grandes parágrafos, com muitas descrições que não ajudam o desenrolar da história, que começa sobre o Vulcão e depois ele é esquecido. Um vulcão adormecido. Na página 120 ela faz uma divertida ode ao suicídio de gente chata.

Trechos do Livro: “Pois o mundo é vasto, com bastante lugar  para costumes , gostos, princípios e usos de todos os tipos, que, uma vez considerados dentro da sociedade onde surgiram, sempre fazem sentido.” “As coleções unem. As coleções isolam…unem os que amam a mesma coisa…isolam dos que não compartilham essa paixão.” “Cada um projeta no vulcão a quantidade de raiva, de cumplicidade com a destruição, de ansiedade quanto à capacidade de sentir que já existe na cabeça.” “Como é fina a linha entre a vontade de viver e a vontade de morrer…as pessoas são capazes de realizar as ações mais pesadas se se fizer com que estas pareçam não ter peso.”

EM FORMA DE POESIA.

LIVRO

O Livro das Perguntas do escritor e poeta Pablo Neruda com 78 páginas, nos mostra questionamentos a respeito de tudo: desde porque o mar é salgado se os rios são doces até porque o mel é amarelo e não azul. Lançado em 2006 com ilustrações de Isidro Ferrer, este não me pareceu um livro infantil, categoria escrita na ficha catalográfico do livro. Nem todo livro ilustrado pode ser utilizado em sala de aula, esse é um exemplo. As poesias são parecidas com o Haicai, forma de poesia oriental, sem quadras, sem rimas, desconexas. Algumas das colagens feitas pelo ilustrador são interessantes, principalmente as que mostram ele próprio e o autor. O livro tem muitas citações que só leitores mais experientes vão entender: “Tem mais folhas uma pereira que Em Busca do Tempo Perdido?”, numa clara menção à obra de Proust; “Onde plantaram os olhos do camarada Paul Éluard?” citando o poeta francês; “Quando escreveu seu livro azul Rubén Dario não era verde?” poeta nicaraguense; e muitos outros poetas. Mas não adianta apresentar o texto aos alunos e simplismente dizer quem era Proust. Tem uma contextualização subjetiva para que ele fosse citado nesse poema/pergunta. E isso não é aconselhável numa aula de poesia como explica a  educadora Isabel Furini  “As aulas de poesia para crianças devem ser lúdicas. Será necessário fazer ênfase nos efeitos de sonoridade, de cores, de imagens, de movimento…nem todos os alunos terão habilidade poética.” Então mudaremos a categoria desse livro para adulto =)

Algumas perguntas realmente soam poéticas: “As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos? Ou serão rios invisíveis que correm para a tristeza?” “Porque se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?” “Sofre mais quem espera sempre ou quem nunca esperou ninguém?”

 

“Cada Traço é Único.” <3

O livro O Coração do Pincel de Kazuaki Tanahashi, com 156 páginas, fala sobre a arte, poesia, escritos, idéias e vivências desse artista que gosta de inovar provocando os críticos de sua arte. Ele descreve de forma poética, como o observador da arte deve pensar e sentir para entender o processo do artista, não apenas ver a arte. Ele achava que a beleza era um obstáculo à arte.

Trechos do livro: Esse trecho mostra o quanto ele era irônico o que sua arte representa para as pessoas: “O gerente de hóspedes do mosteiro zen em Tassajara, California, telefonou-me um dia: “Acabamos de notar que a pintura do círculo que você nos deu tem escrito, no verso, o seguinte título: ‘Quadrado’. Você fez de propósito ou foi um engano?” “Ah, não me lembro”, repliquei. “Mas acho que é um título fantástico. Por favor, mantenha-o.”

“Numa pintura de um só traço não há muito espaço para a composição. Apenas desenhe uma linha em qualquer ponto de um pedaço de papel. Restam ainda assim, vastas possibilidades do que pode vir a ocorrer, dependendo do quanto o pincel ficou embebido de tinta…”

“A pintura sem espaço negativo é como música sem silêncio. Para que a música tenha intensidade, a parte silenciosa deve ser bem executada…”

circulos

Livro que fala de livro

 

O #SpecialTips de hoje #26 é o livro da autora americana Leslie Daniels “Em Casa com Nabokov”. Pra quem não se lembra, Nabokov é o autor do polêmico Lolita. Neste romance de 316 páginas, a divorciada personagem, quer recuperar seus filhos, pra isso que precisa provar que pode provê-los. Só coisas proibidas dão dinheiro rápido para uma mulher desempregada. E ela cria um “termas” para dar prazeres vespertinos às mulheres da pequena cidade onde foi morar. Compra a casa que tem a fama de ter sido do autor Nabokov. Ela “sem querer” acha uns escritos dele perdido, e consegue publicar. Assim ela consegue fama, dinheiro, pode fechar o “termas”, ter seus filhos de volta e encontrar um novo amor. Inverossímel e delicioso. 😉

Trechos do livro:”Ela disse que combinaria comigo, pois eu gostava de ler…achava que eu não sabia fazer mais nada.” “…fez de mim uma leitora veloz. No tempo que a maioria das pessoas levava para abrir um envelope, eu já sabia…cada palavra atuando sobre a anterior, mudando o significado, mudando o desfecho.”

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Que fofo!! <3

anne

Decidi ler o livro porque a autora tem o nome da minha mãe: MAUD. =D Então este é o #SpecialTips #13

Anne de Green Gables é o livro da autora L.M. Montgomery e faz parte de uma série de vários livros. Em 480 páginas nesta edição de aniversário de 100 anos do selo Martins Fontes, ficamos conhecendo uma menina de cabelos “cor de cenoura” que foi adotada indevidamente no lugar de um menino. Num período em que as meninas deviam ser comportadas e quietas, Anne quebra todas as regras sendo eloqüente e sendo apenas ela mesma. Isso faz com que seja simpática sem ser chata. O livro mostra até sua adolescência, as amizades, as perdas, as decisões difíceis. Vi a indicação da série no canal da Jota Pluftz e assiti um episódio. ❤ Agora que li o livro pretendo assitir todos os episódios, apesar de discordar da aparência da atriz escolhida para a série.

Anne já virou filme,  filme para TV, mangá, quadrinhos, séries de tv, musical e parece que vai continuar por muitos séculos aquecendo coraçõezinhos por aí! ❤

Trechos do livro: “…achei que todos deviam estar me olhando com pena. Mas não perdi tempo e me imaginei usando o vestido de seda azul-claro…porque se é para imaginar, então que seja alguma coisa que valha a pena…” “Não sei porque, mas as coisas nunca são tão boas quando as inventamos uma segunda vez. Já reparou nisso?”  “…metade do prazer que á nas coisas é esperar por elas! …Mas creio que seria pior não esperar nada do que se decepcionar.” “Existem tantas Annes diferentes dentro de mim… se houvesse apenas uma Anne, seria tão mais confortável, mas aí eu não seria tão interessante.”

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Lendo a correspondência alheia =D

JACINTOS

A Ilha dos Jacintos Cortados é contada de forma epistolar. Com o subtítulo carta de amor com interpolações mágicas, o autor espanhol Gonzalo Torrente Ballester nos conta em 319 páginas a história fantástica de um professor que tenta ajudar um amigo a provar para a universidade, que sua tese de que Napoleão Bonaparte nunca existiu, é verdadeira. Então ele usa de meios mágicos e fantasia, junto com a namorada do amigo, para visitar essa Ilha mágica e tentar conquistar a moça. Mas depois de conseguir as provas, ela vai embora e ele então escreve essa carta em um diário para que ela veja o quanto ele gosta dela. Durante todo o tempo a história  que acontece na Ilha se confunde com a história no tempo presente entre o professor e a namorada de seu amigo, numa cabana onde estão vivendo.

O estilo do autor me lembra o Gabriel Garcia Marquez e Saramago: texto sem parágrafos, diálogos sem separações no texto, descrições minuciosas dos personagens fantásticos. Trechos do livro: “…e quem come alho, para manter o sangue puro, tem que suportar um hálito incômodo…ao menos  enquanto não se obtenham os alhos inodoros…perdido o mau cheiro, também irão embora outras qualidades.” “Você apareceu pouco depois na porta da cozinha, recuperada para o tempo e para a vida, sem dizer nada…” “…agora me parece tão antiga quanto meu coração, em que ao descer…de uma montanha alemã tive a sensação, ou talvez o sentimento, de penetrar num âmbito sagrado…e me deixava envolvido, possuído, um pouco abalado.” “Napoleão não existiu jamais, foi uma mera invenção técnica para explicar acontecimentos inexplicáveis…”

Uma ótima resenha: Clique Aqui.

Water hyacinth flower in natural water sources