Romance Histórico

O livro O Amante da Virgem da autora inglesa Philippa Gregory, conta em 443 páginas a história da rainha Elizabeth I, que aos 25 anos herda um país falido, em guerra, é odiada por muitos, mas ainda assim pensa em festas, vestidos e homens. Não para casar, como quer o seu amigo e conselheiro Cecil. Todos querem que ela se case com um homem que possa governar. Ela se encanta pelo aristocrata e estribeiro, bronzeado e bonito Dudley. Junto com ele, arma para que sua jovem mulher morra para que possam ficar juntos, sem que a igreja católica a chame de adúltera como fez com sua mãe.

Toda a pesquisa que a autora fez, mostra Amy, a esposa de Dudley, como personagem principal. Os livros citados na “nota da autora” são todos sobre a morte e vida de Amy Dudley.

Trechos do livro: “Você diz que faz isso por nós, mas não é o que quero, de nada me serve. Quero-o em casa comigo, não me importa que não tenhamos nada.” “E ela era Tudor o bastante para apresentar um bom espetáculo. Tinha o talento de sorrir para uma multidão, como se cada um e todos recebecem sua atenção…” “…e o casal poderia recomeçar de novo. Seriam parceiros num empreendimento típico da época: promover a fortuna da família: o homem movendo-se e negociando na corte, enquanto a mulher cuidava de suas terras…” ” Às vezes não parecia uma rainha chegada à grandeza pela sorte e pela astúcia. Às vezes era mais uma menina com uma tarefa difícil demais para realizar sozinha.”

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Baseado em fatos verídicos

O livro O Planalto e A Estepe do autor angolano Pepetela, conta uma história de um amor proibido entre dois estudantes na Rússia. Ele angolano de olhos azuis; ela filha do ministro da Mongólia. Em 188 páginas recheadas de guerra e idealismo juvenil nos anos 60, em que os povos lutavam para ser “como um só”. Julio ama Sarangel e quer se casar com ela. Mas as questões políticas os afastam. Ele, ganhador de uma bolsa para estudar em Moscou, passa o tempo namorando e engravida a menina. O ministro toma as rédeas da situação e a afasta de Moscou, levando-a de volta pra Mongólia. Ele faz de tudo pra reencontrá-la, mas nem as pessoas influentes que ele conhece, conseguem ajudá-lo. Então ele vai pra guerra, descobre a realidade por trás da utopia, que as idéias são boas mas não sobrevivem à prática.

O livro é bom, bem escrito, bem focado, sem dispersão. E com poesia. Mas…

⚠️Spoiler: o personagem principal é muito sem noção: criança ele prefere andar com os negros, porque não é racista. Mas o que parece é que ele faz isso porque eles o tratam como superior, o que os colegas não fazem. Quando jovem briga com a família e nem pensa na guerra que eles estão vivendo lá na África. E passa páginas tentando convencer o leitor que ele só queria sua filha e sua mulher porque ele se importa com a família. Ele não dá valor as próprias conquistas, porque quer se vingar do pai da Sarangel tendo ela de volta. Parece uma criança de quem tiraram o doce. Dá até uma felicidade saber que ela se saiu bem: casou com um embaixador e teve dois filhos estudiosos com ele. Enquanto ele fazia criancices por aí.

Mas mesmo com um personagem sem noção, vale a pena a leitura.

Trechos do livro: “Foi mesmo a primeira música que aprendi a ouvir. Os ritmos variam, conforme a nuvem de chuva é mais grossa ou menos espessa, ou conforme a força e direção do vento. ” ” O tempo goza com a nossa estúpida vaidade, passa por nós como um foguete, nos torna seus escravo.” “Mas eu não era amigo dos pretos por serem pretos, nem via bem as cores…era amigo dos meus amigos…” “Quando a gente é pequena, só o dinheiro faz horizontes se abrirem.” “Só para os profetas e os escritores as palavras são sagrados.” “…ela não vai saber que o nosso relacionamento começou com uma mentira sem gravidade. Há quem jure, uma relação sã só admite a verdade.” “Parecia um bicho defendendo seu espaço, ah, a emancipação das mulheres, estudávamos…mas era algo teórico.” “…não acontecerá nada porque não reparamos neles. Se repararmos nesses bizarros estudantes e fizermos qualquer coisa contra ou a favor deles, aí sim, eles passam a existir realmente e os problemas se tornam também reais”.

Livros e Drinks

O livro Conversas e Cosmopolitans é uma quase biografia do autor Robert Rave que escreve esse romance junto com sua mãe Jane Rave. Aos 21 ele resolve sair de uma cidade pequena, filho caçula e ir morar em Nova York. O capítulo 1 é uma carta que ele manda pra sua mãe se assumindo homossexual. Cada capítulo é narrado por um deles: o que ele pensa que a mãe vai achar/pensar e o que ela realmente acha. A mãe dele é muito mais bem resolvida do que ele em relação à sair do armário para os amigos e a família. Ela se preocupa como as pessoas vão tratar mal seu filho. Ela ajuda com a auto-aceitação, que até o fim da história não está bem resolvida. Ele finge ser homem para as amigas, para as garçonetes, até para os gays!!

Com uma ironia sobre a vida, a história mostra um preconceito dentro da própria comunidade. Eles só aceitam os bonitos, sarados e com sucesso profissional. E como qualquer ser humano exigente, correm o risco de envelhecer sozinho.

Trechos do livro: ” Nós, da raça humana, não gostamos de pessoas. Se fosse por mim, eu preferiria não ter nenhum contato humano com ninguém…Meu amor pelo próximo foi substituído pelo amor pela tecnologia…me deu a opção de evitar todo mundo completamente.” “Nenhum casal tem um relacionamento perfeito – não importa se você é hetero ou gay.” ” Queria encontrar pessoas como eu, mas, ao mesmo tempo, eu tinha a paranóia de que seria taxado de gay; então sempre ficava em cima do muro.” “Tenho certeza de que você não esperava ter esse tipo de reação de alguém de sua própria tribo, mas garanto que existem pessoas bizarras em todo lugar…” ” Aqui estava eu, morando em Nova York, supostamente ‘assumido’ depois de declarar meu orgulho gay para minha família e meus amigos, mas…aprendi que a questão nunca foi ter ou não orgulho de ser gay; a questão era se eu tinha ou não orgulho de ser eu mesmo.”

Os Confederados

O livro Por Ocasião da Minha Última Tarde da premiada autora americana Kaye Gibbons, conta em 287 páginas a história de um homem muito mau que vivia com a família numa grande casa na Carolina do Norte. A história começa em 1842 e é contada em primeira pessoa pela filha desse homem, que vê os brancos enriquecerem às custas dos serviços dos negros escravizados. Ela e a mãe não concordam com as atitudes do seu pai e ela se casa com um “abolicionista” médico.

A partir daí o livro conta os horrores vividos durante a guerra dos confederados, onde ela ajuda o marido médico a salvar vidas. O pai dela continua mau até o final do livro: nem a guerra, nem a perda da fortuna, nem a doença que o faz ficar sem andar faz com que goste das pessoas.

É um livro dramático, pesado, mas muito bem escrito. Fiquei curiosa sobre esse período após esse post que fiz.

Trechos do Livro: “Ela não afagou meus cabelos, não me acalmou, pois tais delicadezas não eram do seu feitio e porque, naquele momento, não estava com nenhuma disposição de permitir que uma menina branca ficasse choramingando…quando era um dos seus…que fora assassinado…” “O velho disse que eu poderia ficar com os meninos, pois seus cérebros já tinham sido estragados para o trabalho decente.” “Então, beijou a testa de Clarice. Sentou na espreguiçadeira no canto do quarto e chorou, o amargo fruto por ter tratado Clarice como uma criada negra, e não como a mulher que transformara Seven Oaks num lar.”

Quando o Título Mente #2 🤨

⚠️Spoiler!

O livro A Lenda da Pedra Falante da autora Jocelyn Kelley conta em 255 páginas a história de uma moça ruiva, órfã, criada em um convento que treina as moças para se defenderem com o uso de varas. Elspeth, sendo uma das melhores, é escolhida pela rainha da Normandia pra encontrar “a pedra falante” que segundo a lenda pode matar o rei seu marido. Ela então vai tentar encontrar a “pedra” e destruí-la. Ela encontra um grupo de galeses que lhe convidam para ir com eles. E, de aventura em aventura, ela cumpre sua missão.

PROBLEMAS: No começo a autora dá a entender que “a pedra falante” pode ser qualquer coisa. Então vamos ficar atentos pra ver se é alguém! NÃO! A pedra é só uma pedra comum, que não fala, não acontece nada com ela. Seria melhor não traduzir o título original: One Knight Stands. 😐

A autora também não decidiu qual ponto de vista usar, então usou um narrador onisciente em primeira pessoa. Confuso? Você está lendo o que a personagem está pensando e de repente uma frase, que você têm que presumir quem está falando. Depois de umas páginas esse recurso fica normal.

É uma história bobinha para crianças. Mas NÃO pode ser, por causa das cenas tórridas entre a freira e um desconhecido.

Outro problema são os capítulos em forma de círculo: começa sempre com os dois em tensão erótica, uma luta ou problema, e os dois separados. Todos exatamente assim: ele gosta dela, mas não pode. Ela gosta dele, mas têm que cumprir a missão. Longe dele ela luta com homens e ganha, perto dele ela grita por socorro. Você começa o livro pensando em “empoderamento feminino” e termina o livro querendo bater na personagem principal. 😬

Trechos do livro:“Em tempos de periculosidade, quando aliados se transformavam da noite para o dia em inimigos, era quando uma mulher de sabedoria precisava estar mais preparada para enfrentar batalhas.” ” Porque você brinca tanto com o perigo…quando é dona de uma inteligência rara e de conhecimentos incomuns?” “Sabia que não poderia durar. Que em breve teria de lhe dizer adeus e seguir sozinha pelo nevoeiro…enquanto pudesse, ela permaneceria a seu lado, sem exigências.”

Autor Nacional

O livro A Janela do Tempo do autor nacional Iran Ibrahim Jacob conta em 126 páginas a história de um artista que senta em sua janela para pintar seus quadros. Em frente à sua casa há uma parada do trem. As pessoas que descem ali são convidadas à entrar e conversar. O pintor busca sua inspiração nas pessoas que por ali passam e nas montanhas que ele vê atrás da estação. Um dia sonha que esta viajando nesse trem e conhece uma moça, que decide ser sua “alma gêmea”. A partir daí o livro narra toda a trajetoria – viagens, conversas, lendas – para encontrar sua alma gêmea e finalmente pintar seu retrato.

O livro me lembra um outro livro que o personagem faz uma viagem e as pessoas que encontram lhe dão lições de vida, como em uma parábola. Eu achei o texto meio “cliché-machista” onde todos os homens são sábios (as moças só sabem ser bonitas, dançar e ouvir conselhos de um rapaz que parece perdido) e as moças só querem casar. O autor tenta fazer uma filosofia sobre o tempo (“vou te esperar o tempo que for necessário” ) mas senti o foco na busca do amor.

Trechos do Livro:” A vida está cada vez mais apressada e o homem é escravo do tempo. Ainda bem que tenho minha janela para ver o trem passar.” “…o artista concluiu que dois bilhões de pessoas dando dois grãos de arroz por dia, obter-se-ia…oitenta toneladas de arroz para alimentar os irmãos carentes.” “As flores só podem existir na primavera. É uma lei que tem sua razão de ser. Não se deve contrariar a lei de Deus. O que a rosa deseja está além das leis naturais. O prazo dela já se esgotou…” “Mona Lisa representa o amor perfeito. O sorriso enigmático pode simbolizar a felicidade plena e absoluta do encontro dos verdadeiros pares perfeitos, os pares ideais.” “No exato instante deste encontro divino, há uma fusão completa e forma-se um ser que não é nem espermatozóide, nem óvulo, mas ambos. Dentro de cada ser existe um par, somos homens e mulheres ao mesmo tempo.” “A liberdade não se conquista; é um estado de espírito. Você pode estar preso numa jaula e sentir-se livre; pode estar voando como um pássaro e sentir-se preso.”

Outros livros com títulos parecidos:

Teor Adulto, mas é Balzac 😉

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O livro A Menina dos Olhos de Ouro é um romance breve de Honoré de Balzac com apenas 93 páginas, faz parte da obra História dos Treze. A história, baseada num quadro do pintor Eugène Delacroix La Morte de Sardanapale (abaixo), conta a história de uma moça que vive cercada de guardiões por causa de sua beleza, mas um jovem milionário entediado resolve possuí-la ao encarar seus olhos cor de mel. Os cabelos, não sabemos, já que no começo o autor diz ruivo e no final diz negro. Toda a aventura para se encontrar com a moça é cheia de detalhes assim como os locais do encontro: primeiro em um pardieiro, depois em um palácio. Ele se apaixona e se descobre usado por ela. E tem o trágico final como mostra a pintura. O romance é machista, traz termos que colocam a mulher como um simples objeto para o homem. Uma propriedade. O erotismo está todo detalhado nela, já que o rapaz só mostra o peito sem camisa. Também tem um filme francês de 1961.

Trechos do livro: “Não há mistérios para eles; conhecem a parte secreta da sociedade, da qual são confessores, e naturalmente a desprezam…Em cada momento o homem de negócios pesa os vivos, o homem de contratos pesa os mortos e o homem de leis pesa as consciências.” ” O prazer assemelha-se a algumas substâncias medicinais: para obter constantemente o mesmo efeito, é preciso dobrar a dosagem: no fim da linha encontra-se a morte ou o embrutecimento.” “…podem-se encontrar no mundo das mulheres grupos de pessoas felizes, capaz de viver do jeito oriental conseguindo guardar sua beleza…ficando ocultas feito plantas raras que abrem suas pétalas em horários determinados…”

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