EM FORMA DE POESIA.

LIVRO

O Livro das Perguntas do escritor e poeta Pablo Neruda com 78 páginas, nos mostra questionamentos a respeito de tudo: desde porque o mar é salgado se os rios são doces até porque o mel é amarelo e não azul. Lançado em 2006 com ilustrações de Isidro Ferrer, este não me pareceu um livro infantil, categoria escrita na ficha catalográfico do livro. Nem todo livro ilustrado pode ser utilizado em sala de aula, esse é um exemplo. As poesias são parecidas com o Haicai, forma de poesia oriental, sem quadras, sem rimas, desconexas. Algumas das colagens feitas pelo ilustrador são interessantes, principalmente as que mostram ele próprio e o autor. O livro tem muitas citações que só leitores mais experientes vão entender: “Tem mais folhas uma pereira que Em Busca do Tempo Perdido?”, numa clara menção à obra de Proust; “Onde plantaram os olhos do camarada Paul Éluard?” citando o poeta francês; “Quando escreveu seu livro azul Rubén Dario não era verde?” poeta nicaraguense; e muitos outros poetas. Mas não adianta apresentar o texto aos alunos e simplismente dizer quem era Proust. Tem uma contextualização subjetiva para que ele fosse citado nesse poema/pergunta. E isso não é aconselhável numa aula de poesia como explica a  educadora Isabel Furini  “As aulas de poesia para crianças devem ser lúdicas. Será necessário fazer ênfase nos efeitos de sonoridade, de cores, de imagens, de movimento…nem todos os alunos terão habilidade poética.” Então mudaremos a categoria desse livro para adulto =)

Algumas perguntas realmente soam poéticas: “As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos? Ou serão rios invisíveis que correm para a tristeza?” “Porque se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?” “Sofre mais quem espera sempre ou quem nunca esperou ninguém?”

 

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“Cada Traço é Único.” <3

O livro O Coração do Pincel de Kazuaki Tanahashi, com 156 páginas, fala sobre a arte, poesia, escritos, idéias e vivências desse artista que gosta de inovar provocando os críticos de sua arte. Ele descreve de forma poética, como o observador da arte deve pensar e sentir para entender o processo do artista, não apenas ver a arte. Ele achava que a beleza era um obstáculo à arte.

Trechos do livro: Esse trecho mostra o quanto ele era irônico o que sua arte representa para as pessoas: “O gerente de hóspedes do mosteiro zen em Tassajara, California, telefonou-me um dia: “Acabamos de notar que a pintura do círculo que você nos deu tem escrito, no verso, o seguinte título: ‘Quadrado’. Você fez de propósito ou foi um engano?” “Ah, não me lembro”, repliquei. “Mas acho que é um título fantástico. Por favor, mantenha-o.”

“Numa pintura de um só traço não há muito espaço para a composição. Apenas desenhe uma linha em qualquer ponto de um pedaço de papel. Restam ainda assim, vastas possibilidades do que pode vir a ocorrer, dependendo do quanto o pincel ficou embebido de tinta…”

“A pintura sem espaço negativo é como música sem silêncio. Para que a música tenha intensidade, a parte silenciosa deve ser bem executada…”

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O Bem mais precioso ♥♥♥♥♥

 

O livro Memória da Água da autora Emmi Itäranta, uma mestre em escrita criativa, que em 284 páginas, coloca a água como personagem principal nessa aventura dramática. De autora finlandesa que ficou entre os finalistas do Prêmio Philip K Dick Award com este livro, a história se passa num mundo futuro, parecido com o Japão do passado. Nesse mundo futuro a água é escassa, mas a história tem como cenário uma casa de chá, então um ítem necessário para a cerimônia.

O exército que distribui as cotas de água para a população, pinta um círculo azul na porta da casa de quem foi pego escondendo água – daí a capa do livro – e também o desenho dos dragões, que são vistod nas festas da Lua. Depois da morte de seu pai, a personagem da casa de chá, se vê obrigada a dividir sua água com pessoas da cidade e é descoberta pelos guardas. então o símbolo azul é pintado em sua porta e ela deixa sua história registrada.

Trechos do livro: “…nunca tinha ouvido um som reverberar assim, livre, impulsionado unicamente por sua própria força e vontade…ele me envolvia e me atraía, até que comecei ter a impressão de estar escutando por entre as paredes, dentro do escuro.”

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Finalizando 2016

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Este ano foi muito produtivo em termos de leitura. Fechei minha planilha com 67 livros lidos!! photophoto

Neste ano viajei por autores e histórias de vários países, também recebi visitantes de vários lugares:

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O menor livro lido tem apenas 40 páginas, mas uma história imensa. O maior livro tem 699 páginas que foram lidas num fim de semana!! 😀

Releituras, livros odiados, desperdício de tempo, livros amados, autores que se tornaram favoritos, histórias diferentes, infantis, mangás, HQ, adaptações, biografia, fatos reais, fantasia, terror, trilogias, nacionais, poesia, filmes, clássicos…De tudo um pouco que é pra manter a chama acesa!!  ❤

Que venha 2017!!

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Suspense e mistério!!

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O Pálido Olho Azul, livro do autor Louis Bayard, com 426 páginas é um thriller de 2006, que começa com o testamento escrito de próprio punho pelo personagem principal. Ele decide narrar os fatos como aconteceram. Também existem capítulos que são narrativas de seu amigo e ajudante de detetive Edgar Alan Poe – esse mesmo, o poeta. Como todo bom suspense, começa com uma morte e sem um suspeito, e labirintos de buscas e caminhos que levam à outros caminhos, e o surpreendente final, porque ultimamente leio livros que deixam um mistério no ar: esse vai sendo escrito mesmo após o desfecho do crime, da punição do assassino, de todas as pontas soltas estarem unidas. E aí, pah! Vem um novo ponto de vista que muda toda a trama! Gostei da escrita, gostei das insinuações que fazem o leitor pensar; claro que tem passagens inverossímeis, difíceis de se tornar real, mas até isso faz parte do sobrenatural que envolve a história. Gosto de livros com começo, meio e fim.

E o título tem tudo a ver com o poema que vai desvendar a história. =)

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Outra forma de contar uma história

Ana e Pedro - Cartas

Quem cresceu nos anos 80 já passou pela experiência MARAVILHOSA de se corresponder por meio de cartas! O livro Ana e Pedro – cartas é um novo conceito de se contar uma história. Os autores Vivina de Assis, de São Paulo e Ronald Claver de Minas Gerais criaram dois personagens e uma correspondência real entre eles: trocaram cartas desses personagens durante um tempo e transformaram em livro. Idéia boa e que funcionou muito bem nesse caso. A história de 84 páginas não tem começo – bem, tem a primeira carta – e você usa a imaginação para dar um fim à história de dois adolescentes que tentam transmitir emoções em palavras escritas. Vale a pena ler. =)

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Para chorar litros :(

O livro Querida Sue da autora Jessica Brockmole, de 2013 com 255 páginas, se passa paralelamente em dois momentos da história: em 1912, período da primeira guerra e 1940 período da segunda guerra. Vemos a Sue Jovem se apaixonando durante a guerra e depois vivendo isso através de sua filha no cenário da Escócia. E toda a correspondência dessa época se dava por meio de cartas ❤

O título do livro me incomodou – o original remete à ilha onde mora a poetisa Sue. A casa da capa realmente parece mostrar a paisagem descrita no livro. A história tem algumas inconsistências que não desmerece todo o romance e a nostalgia de quem já viveu essa loucura de esperar um envelope por dias e dias… Chorei…os do

Trechos do livro: “Sei que eu nunca poderei enviar esta carta; ela vai acabar na lareira, no instante em que eu terminar de passar as palavras para o papel…ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma.” “um livro é um jardim carregado no bolso.”

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