A Arte de Perder

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Elizabeth Bishop foi uma autora americana, considerada um das mais importantes poetisas do século XX a escrever na língua inglesa.

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

(tradução de Paulo Henriques Britto)

:

One Art
Elizabeth Bishop

The art of losing isn”t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn”t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother”s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn”t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn”t a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan”t have lied. It”s evident
the art of losing”s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Política e Religião

O livro A Cruzada Das Trevas do autor italiano Giulio Leoni conta em 400 páginas um mistério que acontece na cidade de Roma em 1301. Várias prostitutas são encontradas mortas no rio que divide a cidade. Bonifácio está no poder e tem muitos inimigos. A guerra está no ar entre a população pobre e os nobres. O clero já não consegue impor o temor no povo. O poeta Dante Alighieri vem de Florença para Roma para negociar com Bonifácio. E se depara com a morte da prostituta que ninguém quer investigar e promete pra mãe da moça que vai procurar o culpado. Então é convidado pelo senador Spada a participar de uma viagem, uma cruzada para descobrir novos caminhos em Roma. Ao conhecer a bela Fiamma filha do senador, se apaixona e põe todos os objetivos de lado para segui-la.

⚠️ Spoiler!!

Problemas: na página 80 eu já havia descoberto todo o mistério dos corpos das prostitutas, que só é desvendado nas cem últimas páginas. O poeta tem uma cena de “vergonha alheia” quando participa de uma batalha para o qual não está apto. A resposta para tudo é que faz parte de um ritual antigo.

Trechos do Livro: “Debaixo de uma chuva de fogos, ardente como haviam sido ardentes suas paixões…Uma culpa feita de violência e delicadeza, amor e desespero de quem adultera no próprio corpo a ordem da natureza e em compensação procura adulterá-la também nos outros.” “A poesia era a arte dos homens…nunca nasce da comoção convulsa dos sentidos, mas do desejo de ascender, do anseio da mente de conformar-se com aquilo que reconhece superior.”

Baseado em fatos verídicos

O livro O Planalto e A Estepe do autor angolano Pepetela, conta uma história de um amor proibido entre dois estudantes na Rússia. Ele angolano de olhos azuis; ela filha do ministro da Mongólia. Em 188 páginas recheadas de guerra e idealismo juvenil nos anos 60, em que os povos lutavam para ser “como um só”. Julio ama Sarangel e quer se casar com ela. Mas as questões políticas os afastam. Ele, ganhador de uma bolsa para estudar em Moscou, passa o tempo namorando e engravida a menina. O ministro toma as rédeas da situação e a afasta de Moscou, levando-a de volta pra Mongólia. Ele faz de tudo pra reencontrá-la, mas nem as pessoas influentes que ele conhece, conseguem ajudá-lo. Então ele vai pra guerra, descobre a realidade por trás da utopia, que as idéias são boas mas não sobrevivem à prática.

O livro é bom, bem escrito, bem focado, sem dispersão. E com poesia. Mas…

⚠️Spoiler: o personagem principal é muito sem noção: criança ele prefere andar com os negros, porque não é racista. Mas o que parece é que ele faz isso porque eles o tratam como superior, o que os colegas não fazem. Quando jovem briga com a família e nem pensa na guerra que eles estão vivendo lá na África. E passa páginas tentando convencer o leitor que ele só queria sua filha e sua mulher porque ele se importa com a família. Ele não dá valor as próprias conquistas, porque quer se vingar do pai da Sarangel tendo ela de volta. Parece uma criança de quem tiraram o doce. Dá até uma felicidade saber que ela se saiu bem: casou com um embaixador e teve dois filhos estudiosos com ele. Enquanto ele fazia criancices por aí.

Mas mesmo com um personagem sem noção, vale a pena a leitura.

Trechos do livro: “Foi mesmo a primeira música que aprendi a ouvir. Os ritmos variam, conforme a nuvem de chuva é mais grossa ou menos espessa, ou conforme a força e direção do vento. ” ” O tempo goza com a nossa estúpida vaidade, passa por nós como um foguete, nos torna seus escravo.” “Mas eu não era amigo dos pretos por serem pretos, nem via bem as cores…era amigo dos meus amigos…” “Quando a gente é pequena, só o dinheiro faz horizontes se abrirem.” “Só para os profetas e os escritores as palavras são sagrados.” “…ela não vai saber que o nosso relacionamento começou com uma mentira sem gravidade. Há quem jure, uma relação sã só admite a verdade.” “Parecia um bicho defendendo seu espaço, ah, a emancipação das mulheres, estudávamos…mas era algo teórico.” “…não acontecerá nada porque não reparamos neles. Se repararmos nesses bizarros estudantes e fizermos qualquer coisa contra ou a favor deles, aí sim, eles passam a existir realmente e os problemas se tornam também reais”.

Descobrindo novos autores =)

zambra

Mas há momentos em que não podemos, não sabemos nos perder. Ainda que tomemos sempre as direções erradas. Ainda que percamos todos os pontos de referência…E talvez tenhamos saudade do tempo em que podíamos nos perder.”
O livro Formas de Voltar pra Casa do autor chileno Alejandro Zambra, conta em 157 páginas a historia de relembranças, dos tempos de criança num bairro longe da ditadura que acontecia nas grandes cidades. O personagem principal é um escritor, que não sabemos se já estabelecido ou não, está às voltas de escrever um livro e incluir sua ex-mulher e seus pais. Mas ele não se lembra bem da história deles. Então ele começa a se lembrar da menina de quem gostou na infância, das ruas que ele percorria para encontrá-la. E transforma tudo isso em uma outra história.
Trechos do livro: “…mas naquela tarde  achei que tinham se perdido. Que eu sabia voltar pra casa e eles não.” “As ruas de Maipú não eram, então, perigosas? De noite sim, e de dia também, mas, com arrogância ou com inocência… os adultos brincavam de ignorar o perigo: brincavam de pensar que o descontentamento era coisa de pobres, e o poder, assunto dos ricos…” “Por um segundo pensei que ela mentia, apesar de nunca ter mentido sobre essas coisas…Nosso problema foi justamente esse…fracassamos pelo desejo de ser honestos sempre.” “Ou então é que eu gosto de estar no livro. É que eu prefiro escrever a já ter escrito. Prefiro permanecer, habitar esse tempo…” “Vivíamos com poucas palavras e era possível responder a todas as perguntas dizendo: não sei.”

 

Liberado para alunos? =/

noite

O livro Noite na Taverna do autor nacional Álvares de Azevedo, é uma espécie de livros de contos de terror. Em 86 páginas temos cinco amigos mais o narrador que estão em uma taverna bebendo já algum tempo e resolvem contar histórias de loucuras de amor, do ato de fazer amor literalmente. E essas loucuras incluem amar uma moça e descobrir ser sua irmã (incesto); amar a mulher do seu “salvador” e traí-lo sequestrando a moça; amar a mulher do patrão e fazê-la cometer um crime; amar uma moça que morre e trazê-la de volta à vida (necrofilia).  Nenhuma das histórias termina bem, mas nenhuma delas pode ser verdade, já que todos sobreviveram a essas histórias absurdas, dramáticas e aterrorizantes. “…o sentido geral de todas elas é único: as paixões mais intensas são fatais e levam os amantes a todo e qualquer tipo de transgressão; os que não morrem delas viverão condenados ao remorso eterno…”

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Literatura da época do Romantismo brasileiro, narrativas que idealizavam a mulher amada como objeto de adoração e que misturam amor e morte, esse livro foi publicado em 1855. Vê-se no autor a influência européia na escolha dos nomes dos personagens, nos lugares onde se passam as narrativas e nas citações de poetas e filósofos estrangeiros. Já foram lançadas Hq e várias escolas já postaram trabalho de alunos do Ensino Médio sobre o livro. Minha opinião: muito drama, pouca história. Existem livros mais interessantes desse período pra indicar aos alunos.

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dia das mães/luto…

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Para sempre … (Carlos Drummond de Andrade)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 

Mais uma chance, por favor.

Um-Rio-Chamado-Tempo-Uma-Casa-Chamada-Terra-Mia-Couto

O livro Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra do escritor de Moçambique, Mia Couto, conta em 260 páginas a história de uma família que se reúne na casa do avô para o velório do mesmo. Filhos, netos, esposa, amante e amigos, todos devem cumprir o ritual do enterro. Só que o médico se nega dar o laudo dizendo que o morto ainda não está completamente morto. E enquanto o morto não morre, a família resolve refazer toda a história do falecido e refazer suas próprias histórias em torno da casa da família.

Contada em primeira pessoa pelo neto do falecido, é um texto irônico, me lembrando crônicas brasileiras, com a grafia do português de Moçambique, mas com glossário nas últimas páginas, não prendeu minha atenção. Talvez eu tenha começado pelo livro  errado do Mia Couto; ainda vou dar outra chance pra mim.

Trechos do livro: “morto amado nunca mais pára de morrer.” “_Não quero sair nunca mais._Tem medo de quê?_O mundo já não tem mais beleza.” “A dor pede pudor. Na nossa terra, o sofrimento é uma nudez–não se mostra aos públicos.” “Mas a vila é ainda demasiado rural, falta-lhe a geometria dos espaços arrumados.” “Para ele era claro: Fulano tinha a sua fé exclusiva, fizera uma igreja dentro de si mesmo.” “Lá na cidade ouvi dizer que vocês já usam modos dos brancos. E dão-se às mãos e até se beijam às vistas do público.”

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