O Desserviço do Sr Balzac =/

O livro A Mulher de Trinta Anos do francês Honoré de Balzac, com 192 páginas, conta a história de Julia desde sua juventude, passa por seu casamento e as desventuras da sua “idéia” de casamento, até a velhice onde termina com remorsos e arrependimentos. Esse livro e seus personagens faz parte dos volumes de A Comédia Humana. O texto é descrito em detalhes sobre o físico, o vestuário, as terras, as construções de forma dramática. Mostra a importância social que o dinheiro tinha no pós-revolução francesa, mais do que os interesses religiosos, políticos ou familiares.

Problematização: Apesar de ser uma releitura, a história não sobreviveu às notas dadas anteriormente. A tradução é de Pietro Nassetti, nessa edição da Martin Claret, mas não sei se a introdução também é dele, porque me incomoda o texto: “Balzac prestou às mulheres um serviço imenso, que elas nunca lhe poderão agradecer suficientemente, pois duplicou para elas a idade do amor.” Foi um desserviço, já que, neste livro, o amor que ela vive é extraconjugal, se arrepende, continua com o marido que não ama por aparência. O título do livro fala de apenas um capítulo da história. A capa do livro é horrível: mostra um rosto jovem com cabelos brancos. Vou pedir à Beatriz Paludetto pra refazer essa capa!

Trechos do livro: “…os velhos inclinam-se bastante a dotar de suas mágoas o futurodos moços.” “As moças criam…figuras ideais…a respeito dos homens…amam no homem de sua escolha essa criatura imaginária…enfim, se transforma num esqueleto odioso.” “Acima de tudo, seu instinto, delicadamente feminino, dizia-lhe que é muito mais belo obedecer a um homem de talento, do que conduzir um tolo…” “As mulheres têm um inimitável talento para exprimir seus sentimentos sem empregar expressões demasiado vivas; sua eloquência está principalmente na entonação, no gesto, na atitude e no olhar.” “A gente se casa com uma mulher bonita, ela se torna feia; julgamo-la ardente, ela é fria..”

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Veja o filme, Leia o livro.

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O livro O Som e a Furia do autor americano William Faulkner, ganhador do prêmio Nobel,  é totalmente diferente de todo tipo de narrativa conhecida por mim. Em 331 páginas o autor conta a história de uma família, onde todos os envolvidos – criados, netos, agregados, pais e filhos – têm algum problema, algum desajuste e cada movimento é em direção à decadência. Um dos filhos é deficiente mental, o outro é egoista, a filha engravida fora do casamento em pleno 1929, e acontece desde machismo, incesto, suicídio, roubo, vingança e racismo. É uma história muito boa, bem escrita, mas a forma inovadora de contar, primeiro pelo ponto de vista do filho deficiente mental, que conta o presente, indo e voltando entre sua infância e juventude, sem definir o que está acontecendo e o que são lembranças, deixa o livro cansativo. Tudo se mistura nessa primeira parte e me pareceu ser um erro da tradução. Mas, não.

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Então, para não desistir do livro, resolvi assistir o filme de James Franco, de 2014. O filme também é dividido como o livro. Assisti a primeira parte e voltei a ler o livro. Ficou mais fácil entender os nomes dos personagens e o quê exatamente estava se passando na história. A segunda parte do livro é contada pelo personagem Quentin, irmão do deficiente e apaixonado pela própria irmã. A terceira parte é contada pelo outro irmão Jason, o personagem mais asqueroso, repulsivo, que manda castrar o próprio irmão, engana a mãe doente, e tem sua cota de maldades devidamente vingadas. A última parte é contada em terceira pessoa e retoma todos os personagens e suas histórias. Em 1959 foi lançado um filme baseado nessa história com os famosos Yull Brinner e Joanne Woodward.

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Trechos do livro: “Mudar de nome n]ao vai ajudar ele nem um pouco. Nem atrapalhar. Isso de trocar de nome não dá sorte pra ninguém.” “Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo o seu fôlego tentando conquistá-lo.” “O pai disse que antigamente se conhecia um cavalheiro pelos livros dele…” “Veja o que seu avô fez com aquele preto velho…agora ele pode ficar desfilando em tudo que é parada. Se não fosse o meu avô, ele teria que trabalhar igual aos brancos.” “As mulheres nunca são virgens. A pureza é um estado negativo e portanto contrário à natureza.”

Lendo a correspondência alheia =D

JACINTOS

A Ilha dos Jacintos Cortados é contada de forma epistolar. Com o subtítulo carta de amor com interpolações mágicas, o autor espanhol Gonzalo Torrente Ballester nos conta em 319 páginas a história fantástica de um professor que tenta ajudar um amigo a provar para a universidade, que sua tese de que Napoleão Bonaparte nunca existiu, é verdadeira. Então ele usa de meios mágicos e fantasia, junto com a namorada do amigo, para visitar essa Ilha mágica e tentar conquistar a moça. Mas depois de conseguir as provas, ela vai embora e ele então escreve essa carta em um diário para que ela veja o quanto ele gosta dela. Durante todo o tempo a história  que acontece na Ilha se confunde com a história no tempo presente entre o professor e a namorada de seu amigo, numa cabana onde estão vivendo.

O estilo do autor me lembra o Gabriel Garcia Marquez e Saramago: texto sem parágrafos, diálogos sem separações no texto, descrições minuciosas dos personagens fantásticos. Trechos do livro: “…e quem come alho, para manter o sangue puro, tem que suportar um hálito incômodo…ao menos  enquanto não se obtenham os alhos inodoros…perdido o mau cheiro, também irão embora outras qualidades.” “Você apareceu pouco depois na porta da cozinha, recuperada para o tempo e para a vida, sem dizer nada…” “…agora me parece tão antiga quanto meu coração, em que ao descer…de uma montanha alemã tive a sensação, ou talvez o sentimento, de penetrar num âmbito sagrado…e me deixava envolvido, possuído, um pouco abalado.” “Napoleão não existiu jamais, foi uma mera invenção técnica para explicar acontecimentos inexplicáveis…”

Uma ótima resenha: Clique Aqui.

Water hyacinth flower in natural water sources

Contos Universais

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A Coleção Para Gostar de Ler, nesta edição de 1988, foi uma das minhas séries favoritas quando criança. O volume 11 traz contos de autores famosos e o meu conto favorito foi A História de Keesh, do Jack London. SURPRESA! Só li um livro dele e não gostei, mas o conto é muito bom. Claro que tem Poe com seus suspenses, Maupassant com suas tragédias bem contadas. Recomendadíssimo. Leia a história dessa coleção. =)

Essa coleção da Ed. Atica, teve 47 volumes e vários autores, alguns desenhos e um suplemento de estudos para ajudar a analisar os textos.

Autores Nacionais, sejam bem-vindos! =)

Adoro literatura nacional clássica, contemporânea e quadrinhos! Como não apoiar a Editora Draco? Afinal….eu também gosto de escrever.A Editora Draco publica somente livros nacionais, apoiando os novos autores. Isso é muito importante para os professores adotarem esses livros como base de estudo: redação, interpretação de texto. É muito mais fácil o aluno se identificar com um autor contemporâneo, já que a linguagem dos livros clássicos é muito distante da realidade.

Além da Editora Draco publicar livros de diversos gêneros – da fantasia ao chick-lit, da ficção científica ao romance –, antologias de contos e quadrinhos, tudo exclusivamente nacional. Nós professores – e blogueiros – podemos dar o primeiro passo para que os jovens leitores conheçam e amem a nossa literatura contemporânea e apoiem de coração os autores brasileiros. =)

Para quem como eu começou a ler na infância com toda a Coleção Vaga-Lume, ver os livros da Editora Draco me deixou com saudade! ❤