Livro cercado de Polêmicas

 

 

O livro Battle Royale do autor japonês Koushun Takami conta em 663 páginas a história de uma turma de alunos adolescentes que são escolhidos para participar de um programa do governo que faz com que eles lutem por sobrevivência, mesmo que pra isso tenham que matar uns aos outros. A intenção é tornar a desconfiança uma unanimidade entre os jovens para que ninguém queira pensar em uma revolução.

42 meninos e meninas são deixados em uma ilha com uma coleira eletrônica no pescoço, recebem um kit sobrevivência e uma arma. E uma equipe do governo monitora os passos de cada um em uma área dessa ilha.

A ilha é dividida em quadrantes como uma Batalha Naval. E para tornar o jogo mais difícil, alguns quadrantes vão sendo proibidos conforme o tempo vai passando (mapa no livro).

A lista dos alunos é bem diversificada: tem a sem noção, tem a esportista, tem a vadia, tem a sem graça, tem o arrogante, tem o geek, tem o casal apaixonado.

É um livro que parece um vídeo-game ou um filme do Tarantino: muitas mortes, muita cena chocante, muita reviravolta. Mas na página 72 eu já havia escolhido os nomes dos finalistas e não errei. O livro é bom, mas os jogadores irrelevantes arrastam a história que poderia terminar em 300 páginas.

Polêmica #1 _ o autor e jornalista foi desclassificado da concorrência ao Prêmio Japan Grand Prix Horror Novel por conteúdo violento. Não escreveu nenhum outro romance.

Polêmica #2 _ Mesmo tendo inspirado a história de Jogos Vorazes, não houve nenhum processo sobre direitos autorais. A autora diz que não leu o livro nem viu o filme.

Polêmica #3 _ a história política foi baseada no comunismo chinês.

Trechos do livro:”…o rock fora banido do repertório dos concertos. Mesmi assim os membros do clube costumavam tocar rock pra passar o tempo.” “A coleira é estruturada para monitorar as pulsações do fluxo elétrico do coração de vocês, verificando se estão vivos ou mortos…ao mesmo tempo, ela nos informa a exata posição de cada um na ilha.” “O sistema não perdoava nem mesmo os inocentes. Por isso, todos continuavam intimidados pela sombra do governo, obedecendo totalmente às suas políticas, e viviam tendo como consolo somente as pequenas felicidades da vida diária.”

O filme baseado na história foi lançado em 2000:

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Uma história policial sem vencedores.

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O livro O Vencedor da autora Tami Hoag conta uma história policial ambientada no hipismo: cavalos caros, tratamentos Vip, pessoas com muito dinheiro pra gastar com supérfluos. A personagem principal era uma policial que não acatou uma ordem superior e por isso um colega morreu. Ela foi afastada da corporação e voltou pro ambiente hípico que conhecia bem. Esse fato não só causou a morte de seu parceiro na policia, como deixou cicatrizes, enxertos de pele e uma leve paralisia facial. Agora que ela quer esquecer o passado e trabalhar com cavalos, surge uma menininha pedindo ajuda para encontrar sua irmã que desapareceu. Ela aceita o desafio e então pessoas são assassinadas, cavalos morrem para que seus donos recebam o seguro milionário. Com a ajuda de um policial ela consegue informações para continuar no caso, mas como detetive. Com muito esforço ela resolve a situação e ajuda a menina.

Problemas: Na página 150 eu já desconfiava do suspeito. Essa tática de apontar como vilão todos os malvados e no final o mais doce e fraco ser o verdadeiro culpado. outro problema são os acontecimentos: muitas coisas acontecem juntas e que seria preciso mais tempo para executá-las. Em cinquenta páginas são descritas ações que se passam em vinte e quatro horas! Me lembrei de uma novela em que os personagens saíam da arábia e chegavam ao Brasil no mesmo dia. E nas últimas páginas tenta jogar toda a resolução do caso sem conseguir convencer o leitor da mudança dos personagens. O título mente, já que não há vencedores nessa história. A capa é feia, não remete à história.

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Uma Outra Lolita :/

O livro O Amante da autora francesa nascida na Indochina Marguerite Duras, conta em 132 páginas uma narrativa construída sobre material autobiográfico. Esse livro foi lançado na França em 1984 e ganhou o Prêmio Goncourt. Essa história não é linear, a autora se permite ir e vir no tempo, repetindo a descrição de certas passagens do livro, mas dizendo de outra forma. Essas descrições não são cansativas apesar de repetitivas. Vamos à história:

Uma garota atravessa a balsa onde um homem dentro de uma limusine olha pra ela com olhar de posse. Ela é branca, ele chinês. Ela muito pobre, ele muito rico. Ela estuda num pensionato e ele a espera no portão. Ele a leva para um quarto. Ela é muito criança e as cenas mostram a falta de maturidade da menina, que é abusada e ainda acusada de culpada por ter causado desejo nele. Ele dá dinheiro, leva a menina em caros restaurantes. A mãe briga com ela, mas aceita o dinheiro. As meninas da escola são proibidas de falar com ela.

Sobre o ponto de vista da mulher idosa que relembra sua infância roubada, o livro é triste e bem escrito.

Trechos do Livro:”Eu queria matar meu irmão mais velho, queria matá-lo, derrotá-lo uma vez e vê-lo morrer. Para afastar dos olhos da minha mãe o objeto do seu amor…” “Vestem-se para nada. Elas se cuidam. Na sombra dessas mansões, preparam-se para mais tarde, acreditando viver um romance…Esse desrespeito que as mulheres têm por si mesmas sempre me pareceu um erro.” ” Compreendi que minha mãe era completamente louca…jamais a compreendi…Mas ela era. De nascença. Estava no sangue.” “O povo daqui gosta de estar junto, sobretudo os pobres, eles vêm do campo e preferem viver assim ao ar livre, nas ruas. E não se devem destruir os hábitos dos pobres.” “Em nossa família não comemoramos coisa alguma, nunca uma árvore de Natal…” “…comprado uma casa…Era o único bem que possuíamos. Ele joga. Minha mãe a vende para pagar suas dívidas. Mas isso não chega, nunca chega.”

Descobrindo o crime :p

O livro O Jogo do Trinta do premiado autor William Kotzwinkle, conhecido por E.T. sua obra clássica, conta em 227 páginas um suspense onde um milionário dono de uma loja de antiguidades é morto dentro de sua mansão com veneno de cobra e não há sinais de arrombamento. O detetive McShane é chamado para investigar. A polícia não tem nenhum suspeito, já que o morto é bem visto na sociedade junto com sua elegante esposa e esportiva filha.

Spoiler⚠️ O autor usa o jogo do título pra ir contando o que está acontecendo. Usa o sumiço de um artefato egípcio caríssimo para tentar desorientar o leitor. Isso porque na página 32 eu já sabia quem era o assassino e o motivo. Só terminamos a leitura para saber como o autor vai nos mostrar a história. E é muito triste toda a parte do incesto, abuso infantil, sequestro de crianças. Não há descrições detalhadas, mas este não é um livro infanto-juvenil, como estava na biblioteca 😤 .

Vale a pena mesmo assim, para conhecer sobre o detetive que entende de perfumes e conhecer o jogo. Veja minha Tag dos Livros Perfumados 😉

Como um programa sensacionalista =/

O livro O Assassino Cego da autora Margaret Atwood, conta em 493 páginas duas histórias. A primeira delas uma senhora idosa relembra toda sua vida ao se ver perto de morrer. Seus fantasmas do passado a atormentam: a morte da mãe; seu casamento arranjado por seu pai que estava falido; a morte da irmã que se torna escritora póstuma; a morte do marido e a perda da guarda de sua filha.

A segunda história, que dá título ao livro, mostra um casal de amantes, que a cada encontro, ele a presenteia com uma parte da história desse assassino. Uma história cheia de mortes, sexo, fugas, fantasia, distopia, ficção cientifica. (Ufa!) E ainda tem os “recortes” do jornal da época, mostrando as notícias na coluna social, fases da vida da protagonista.

As duas histórias se unem na página 300 mas agente já sabe disso desde a página 100. Então parece aqueles programas policiais ou dramáticos, em que a mesma frase é repetida pra dar ênfase; e o apresentador dá uma pausa na melhor parte e diz “voltamos depois do comercial”. Ela demora pra contar um “segredo” que já ficou claro! A gente até torce pra que a autora nos surpreenda nas últimas linhas, mas isso não acontece.

Trechos do livro:” Havia um monte de deuses. Deuses sempre ajudam, servem de justificativa para quase tudo…” “Eu não devia submeter meu coração a tais testes, agora que fui informada de suas imperfeições; entretanto, sinto um prazer perverso em fazê-lo, como se eu fosse um brutamontes e ele um bebê chorão cujas fraquezas desprezo.” “Era como se eles tivessem bebido uma porção mágica que iria mantê-los afastados para sempre, mesmo que vivessem na mesma casa, comessem na mesma mesa, dormissem na mesma cama.” “Nenhuma criança do sexo masculino deve permanecer viva para crescer cultivando a sede de vingança por seu pai assassinado; nenhuma criança do sexo feminino para corromper o povo da alegria com seus modos depravados.”

Teor Adulto, mas é Balzac 😉

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O livro A Menina dos Olhos de Ouro é um romance breve de Honoré de Balzac com apenas 93 páginas, faz parte da obra História dos Treze. A história, baseada num quadro do pintor Eugène Delacroix La Morte de Sardanapale (abaixo), conta a história de uma moça que vive cercada de guardiões por causa de sua beleza, mas um jovem milionário entediado resolve possuí-la ao encarar seus olhos cor de mel. Os cabelos, não sabemos, já que no começo o autor diz ruivo e no final diz negro. Toda a aventura para se encontrar com a moça é cheia de detalhes assim como os locais do encontro: primeiro em um pardieiro, depois em um palácio. Ele se apaixona e se descobre usado por ela. E tem o trágico final como mostra a pintura. O romance é machista, traz termos que colocam a mulher como um simples objeto para o homem. Uma propriedade. O erotismo está todo detalhado nela, já que o rapaz só mostra o peito sem camisa. Também tem um filme francês de 1961.

Trechos do livro: “Não há mistérios para eles; conhecem a parte secreta da sociedade, da qual são confessores, e naturalmente a desprezam…Em cada momento o homem de negócios pesa os vivos, o homem de contratos pesa os mortos e o homem de leis pesa as consciências.” ” O prazer assemelha-se a algumas substâncias medicinais: para obter constantemente o mesmo efeito, é preciso dobrar a dosagem: no fim da linha encontra-se a morte ou o embrutecimento.” “…podem-se encontrar no mundo das mulheres grupos de pessoas felizes, capaz de viver do jeito oriental conseguindo guardar sua beleza…ficando ocultas feito plantas raras que abrem suas pétalas em horários determinados…”

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Menina Má

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O thriller psicológico Menina Boa, Menina Má da autora Ali Land, mostra nas 372 páginas a versão da protagonista Annie/Milly que aos quinze anos resolve entregar sua mãe para a polícia e ser testemunha de acusação contra ela. Ela então troca de nome e vai morar provisoriamente com a família (?) do psicólogo que está cuidando do caso e que quer relatar essa história em um livro. Ela não se dá bem com a adolescente filha do casal e patricinha. Ela tem umas atitudes de menina mimada e que nunca passou por situações de aperto. Do meio do livro em diante o leitor já sabe que ela mente e não consegue ler acreditando o que realmente acontece na história. É só a versão dela, dos fatos, dos sentimentos – tanto dela quanto das outras pessoas. E é um livro muito triste. A autora foi enfermeira na área de saúde mental infantil e viu muitas narrativas como esta de onde nasceu este livro de estreia.

Trechos do Livro: “Tem uma biblioteca particular, fileiras de prateleiras cheias de livros, o restante das paredes pintado de malva. Dá uma sensação de estabilidade. De segurança. Ele me pega olhando as prateleiras e ri.” “Não demora muito. O grupo de adolescentes privilegiados, perfeitamente elegante e lindo, se transforma numa turba. Animais.” “A dor faz isso. Envelhece a gente com seu horror, mas também nos torna pequenos…”