…da cópia à inspiração…

Plágio
  1. jur apresentação feita por alguém, como de sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual etc. produzido por outrem.
    Neste livro A Marca de Uma Lágrima, com 94 páginas o autor Pedro Bandeira diz que se inspirou em Cyrano de Bergerac  para escrever sua história. Inspiração não é plágio. Realmente ele conseguiu, invertendo os papéis, onde o romântico personagem Cyrano, feio mas ótimo poeta ajuda seu rival a conquistar a mulher amada, se transforma em Isabel, adolescente que se acha feia, mas é nota dez em redação na escola. Ela ajuda sua amiga a conquistar o rapaz por quem ela acha que está apaixonada. Porque essa história tem mais personagens e tramas paralelas, o que mostra que ele apenas se inspirou em partes com a história original.
    Uma boa história para adolescentes, principalmente para incentivar o ler a versão de Cyrano de Bergerac ou mesmo ver o filme de 1990 com Gérard Depardieu, que eu assisti. =)
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Sucesso in Company ®

William Shakespeare já foi contado em várias formas e esta história não é diferente. Uma tragi-comédia Sonho de Uma Noite de Verão, nesta adaptação de Ana Maria Machado com 93 páginas, já foi contada em filmes, musicais, ballet, pintada em quadros, montagem fotográfica.

É a tragédia dos amantes que não podem ficar juntos, a tragédia dos encantamentos que fazem o amor trair e machucar. Mas também é a comédia do Elfo que apronta as maiores burrices, e do povo que decide montar uma peça de teatro pra homenagear um nobre em seu casamento.

Uma ressalva: apesar de ser indicado para usar com adolescentes, não acho a história assim tão infantil, então não recomendo para uso em sala de aula do Ensino Fundamental.

Sendo escritor: check-list

Fazendo maratona dos vídeos do Henry Bugalho, achei essa preciosidade! Quem disse que preciso me formar em Literatura pra produzir literatura? Vamos falar então das necessidades de alguém que pretende escrever um livro:

#1 – Ser fluente no idioma da escrita – incluindo português!! Então, estudar gramática e usar as palavras corretamente ajuda muito. Pode usar corretor, revisor, pedir ajuda.

Desconstruindo #1 – Geralmente a história oral, quando transcrita, deve obedecer os erros dos contadores de história, ou do personagem, como em Grande Sertão Veredas, onde os personagens falam conforme a população local: “…Eu apeei e amarrei o animal num pau da cerca. Pelo dentro, minhas pernas doíam, por tanto que desses três dias a gente se sustava de custoso varar: circunstância de trinta léguas. Ah, a mangaba boa só se colhe já caída no chão, de baixo… Nhorinhá…”, “…ada, nada vezes, e o demo: esse, Liso do Sussuarão, é o mais longe – pra lá, pra lá, nos ermos. Se emenda com si mesmo. Água, não tem. Crer que quando a gente entesta com aquilo o mundo se acaba: carece de se dar volta, sempre. Um é que dali não avança, espia só o começo, só. Ver o luar alumiando…”

#2 – Ler muito – É claro que ler livros traz uma carga muito boa para quem vai fazer exatamente isso: livros. Os grandes escritores, chamados clássicos, são considerados os mais difíceis de ler. Então pode escolher um assunto interessante e com certeza vai ter um livro sobre isso.

Desconstruindo #2 – Existem outras formas de criar uma bagagem cultural para ser usada pra quem gosta de escrever, mas dorme quando começa a ler um livro. Ver filmes, visitar museus e feiras culturais, ler história em quadrinhos  viajar e até ouvir música! Áudio Book pode ser uma tentativa de leitura.

#3 – Faculdade de Letras – estudar é sempre bom, e o curso de Letras coloca o aluno em contato com escritores e com a análise do texto.

Desconstruindo #3 – nem todo grande escritor se formou em Letras, ou mesmo teve uma educação formal. Conheço gente de Letras que nunca leu um livro inteiro!! Lê apenas o resumo e assiste video-resenha sobre o assunto. Pensando bem, Jornalismo tem mais a cara da escrita.

#4 – Conhecer o assunto – é mais fácil escrever sobre aquilo que se conhece. Se alguém escreve um livro de receitas, o mínimo que se espera é que ele tenha testado cada uma delas!!

Desconstruindo #4 – então não posso escrever nada fora do meu universo? Claro que sim: é pra isso que servem as pesquisas! Ou mesmo criar algo novo que nunca existiu, como fez Tolkien na trilogia Senhor dos Anéis.

#5 – Escrever muito – A escrita deve ser contínua e preencher várias páginas por dia. E revisar ao final de cada capítulo.

Desconstruindo #5 – Não precisa escrever muito – pode ser um pouco, todos os dias. Não precisa ser contínua – pode escrever várias coisas diferentes. E, só pra contrariar, deixe pra revisar no final. Mesmo. 😉

 

Não Conte o Final…

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Nesta minha edição O Homem Duplo de C. J. Koch tem 330 páginas. Não é o livro mais famoso desse autor australiano, lançado em 1982. A história de três meio-amigos de uma cidade do interior da Austrália que sonham em ganhar a fama em Sidney. Tem muito misticismo, música folk, um pouco de romance e muita história não terminada. como assim? O autor começa com um mistério sobre um homem que o personagem principal conhece quando criança – esse mistério continua um mistério. Depois tem um segredo sobre a personagem Denise, que some no meio da história e ficamos sem saber seu segredo. Só na página 198 ele cita pela primeira vez o título do livro: “…Era como um segundo rosto, e por algum motivo pensei num homem duplo.” Só isso. Muitos personagens são citados nas conversas, mas não vemos, não conhecemos e eles simplesmente deixam de aparecer. Só para quem gosta do desafio de inventar o próprio final. 😉

Também há um livro de mesmo nome (1977), do autor Philip K. Dick que inspirou um filme de mesmo nome (2007) com Keanu Reeves, uma ficção científica que mistura imagens e desenhos dos atores.

 

 

Escrevendo um Conto

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O livro infanto-juvenil Do Outro Mundo é de uma autora famosa de meu estado Ana Maria Machado. Em 123 páginas ficamos sabendo de onde surgem as idéias para escrever uma história e que quanto mais simples a história for contada, melhor. Os adolescentes do livro descobrem sobre a escravidão no Brasil, aprendem sobre Direitos Humanos e a moral da história é que estamos todos ligados num passado distante.

Ana Maria Machado recebeu os maiores prêmios da Literatura. Ela conta de onde tirou a idéia pra escrever essa história. Essa edição tem ilustrações de Lucia Brandão. Ele pode ser usado nas aulas de Artes por citar Rugendas e Debret – pintores que vieram ao Brasil, na época da escravidão e suas pinturas mostram esse período – e contar sobre um jogo de quebra-cabeça representando a linguagem visual do texto.

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Rotina de Escrita

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Nunca é tarde para começar ou retomar a sua história. Comece treinando pra isso. Sabe o que é desafio de escrita? É  pedido por todo instrutor de curso de escrita e não deixa de ser a boa e velha aula de redação da sua professora: ela te dava uma introdução e você tinha que terminar o texto: “Era uma vez uma menino que gostava de soltar pipa….” E todo mundo criava altas histórias. Então, você pode encontrar vários desafios na própria internet e treinar a escrita. É um ótimo exercício.

“George R. R. Martin disse que existem dois tipos de escritores: arquitetos e jardineiros. Os arquitetos estruturam suas ideias de história antes de começar a escrever. Decidem de antemão quem são os personagens, os principais acontecimentos do enredo e o que estão tentando expressar com seus textos. Tais escritores focam primeiro em desenvolver uma visão macro e conceitual da história. Os jardineiros preferem plantar sementes de ideias na página em branco e desenvolvem suas narrativas a medida em que elas vão crescendo e ganhando corpo. São aqueles escritores que gostam de mão na terra, pé no barro, de observar as cores das palavras e sentir a textura das frases à medida que escrevem. Eles começam a criar inspirados por uma ideia aleatória e vão, aos poucos, descobrindo a história que desejam contar.” – Ficção em Tópicos

SUGESTÃO DE DESAFIOS DE ESCRITA:

1 –Desafio do Vocábulo: conte uma parte de uma história que contenha as seguintes palavras:

Catastrófica, Desesperado, Desnorteado, Abespinhado, Fenomenal, Terror, Cismado, Inquisidor, Enfadado. (A idéia é aprender a usar sinônimos e palavras que não são usadas normalmente)

2- Propostas Visuais: Descreva o que está vendo e inclua um personagem ( a idéia é ir tornando o desafio mais complexo com imagens mais detalhadas ou com apenas um objeto)

Circa 1800 Kitchen in Mission

3- Deixe-me um Recado: escrever um e-mail, uma carta, um bilhete sobre a notícia do jornal, com entonação de surpresa. (a idéia é mostrar diferença entre diálogo e conversa)

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4-O Substituto: 4.1: o radialista faltou; você vai apresentar o programa “Recados do Coração” 4.2: o médico faltou; você vai comandar a equipe em uma cirurgia. Escolha um episódio e descreva. (a idéia é mostrar que você pode falar de assuntos que não entende- pesquise)

5-O Tempo – conte uma história em que o tempo é o vilão da história. (a idéia é usar seres inanimados como personagem)

 

deadline

Quem quiser escrever aqui no post, eu faço um comentário sobre o texto. 😉

 

 

Perturbador…

papel

Adorei a cor do livro. A história te leva a pensar coisas dos personagens e depois mudar de opinião. Esse amarelo te enlouquece, porque tudo fica meio amarelado com o tempo….

Mas vamos à história: uma mulher vive numa época em que a esposa não tinha voz ativa, apenas obedecia ao marido. Este texto foi escrito em 1892, época em que algumas mulheres começavam a lutar por direitos que não existiam. Então o médico, também seu marido, diz que a trouxe para uma casa afastada para repousar a mente cansada. Mas ela só quer escrever – e faz isso escondido. O marido se une ao irmão da mulher, também médico, que apóia essa idéia de mantê-la…trancada neste quarto com a parede coberta por um papel com grafismos que dão a ilusão de ótica de movimento.

Como leitora, não sei exatamente o que se passou na história, o que deixa uma sensação perturbadora de realidade – pode acontecer com qualquer um.

O livro da autora Charlotte Perkins Gilman, com 109 páginas, tem uma apresentação de Marcia Tiburi – de quem não li nem um livro, e posfácio e notas de Elaine Hedges.os do

Trechos do livro: “…Um desses padrões irregulares…que cometem todo tipo de pecado artístico…quando seguimos por um tempo suas curvas…elas de súbito cometem suicídio – afundam-se em ângulos deploráveis, aniquilam-se em contradições inconcebíveis.”

otical