Mal de Amor…

gabriel

O livro Do Amor e Outros Demônios, do autor colombiano Gabriel Garcia Marquez, não é o meu favorito desse autor, mas é intrigante. Ele conta em 221 páginas a história de um padre que é chamado para exorcizar uma menina que foi criada por negros e por falar sua língua e cantar suas canções, é dada como possuída. Junte-se a isso uma mordida de cachorro que não foi curada e então ela é enviada para o convento para “melhorar”, tanto fisicamente como espiritualmente. É claro que o padre vai se apaixonar pela menina (olha aí o clichê), mas o final é surpreendente. Pena que quem lê a introdução excrita pelo autor, já fica sabendo desse final, de onde ele tirou toda essa história. Ele cita toda a parte das regras religiosas com muita ironia. Descreve várias cenas impróprias para menores mas sem ser vulgar – tudo cabe no contexto da história. A mãe que odeia a filha porque se vê nela. Um médico ateu que ajuda um padre a não perder a fé.

Trechos do Livro“Uma escrava de sete palmos não pesa menos de cento e vinte libras…e não há mulher nem negra, nem branca que valha cento e vinte libras de ouro…” “Os livros não servem pra nada…Passei a vida curando doenças causadas por outros médicos com os remédios que dão.” “quanto mais transparente é uma escrita, mais se vê a poesia.” “Não há remédio que cure o que a felicidade não cura.” “Nenhum louco é louco pra quem aceita as razões dele.” “Tome cuidado…às vezes atribuímos ao demônio certas coisas que não entendemos, sem cuidar que podem ser coisas que não entendemos de Deus.” “Procurou dissuadí-lo. Disse que o amor era um sentimento contra a natureza, que condenava dois desconhecidos a uma dependência mesquinha…”

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O que têm no meu Netflix?

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Séries:

Estou revendo Lost, porque gosto de suspense. Estou assistindo um episódio por dia de Teen Wolf (porque é divertido), Reign (porque a trama é bem escrita), Outlander (porque quero ler os livros), Black Mirror (porque vicia). Outras séries que continuo vendo: Sense8 (porque é suspense), Penny Dreadful (terror), The OA (ainda não entendi), Dark (pra treinar o alemão). Parei de ver: Merlin (ele é irritante), O Povo contra O.J.Simpson (porque já tinha visto em algum “casos reais”), The Sinner (personagens sem definição).

Filmes:

Para assistir: Ex-Machina, Grandes Olhos, O Som e a Fúria (estou terminando o livro), Sete Minutos Depois da Meia-Noite.

Do Drama à Comédia

milan

O livro de literatura tcheco-eslovaca A brincadeira, de Milan Kundera, conta em 402 páginas a história de um rapaz que em pleno regime comunista faz uma brincadeira com uma colega escrevendo-lhe um bilhete, que serve depois como prova de sua traição ao regime. Ele é enviado à prisão, enviado para trabalhar nas minas junto com outros traidores e sua idéia é sair de lá e se vingar. Depois de começar sua vingança, a história cai para uma comédia pastelão e fim. Esse livro foi uma releitura, mas na época não pude absorver toda o contexto do pós-guerra contido nos traços dos personagens.

Claro que o autor descreve muito bem as carências humanas, o que faz de cada um, um ser único, e que o comunismo, não consegue tornar comum. Os personagens seguem o regime, mas não compartilham com a idéia e até compara o comunismo ao cristianismo quando esse “lembra ao crente seu estado fundamental e permanente de pecador.” Também diz que o comunismo inflingia despersonalização humana. Sendo o personagem músico no começo da história, tudo é comparado à música: o tempo, o som dos passos, das batidas das ferramentas. Na página 179 ele faz uma bela comparação da música eslava com os véus retirados pela mulher nas histórias das Mil e Uma noites. Ele cita principalmente a Ária de Bártok:

Trechos do Livro: ” Você acha que as destruições podem ser belas?” “…se atravessasse essa fronteira, deixaria de ser eu, me tornaria outra pessoa, não sei quem…essa terrível mutação me assusta…” “Pus-me a vigiar um pouco meus sorrisos…eu era aquele que tinha muitas caras…” “…compreendi que a imagem de minha pessoa…era infinitamente mais real do que eu mesmo; que ela não era de maneira alguma minha sombra, mas que eu era a sombra de minha imagem; que não era possível acusá-la de não se parecer comigo…” “…tive vergonha de invocar…meus privilégios perdidos, quando edificara minhas convicções precisamente sob a recusa de privilégios.” “Vlasta me censura por ser sonhador. Parece que eu não vejo as coisas como elas são…Não é à toa que existe o imaginário. É dele que é tecido nosso mundo interior.” “…nossa disputa, que me parecia sempre tão viva e presente, eu via fecharem-se as águas consoladoras do tempo, que, como todos sabem, apaga as diferenças entre épocas inteiras.”

É Necessário Ler para Escrever?

 

Tem quem quer escrever e nunca colocou uma palavra num bloquinho, nunca anotou as idéias. Pra escrever tem que começar escrevendo. Não existe outro jeito.

Tem quem quer escrever, anotou vários trechos, um de cada estilo, várias idéias desconectadas e não sabe como organizar tudo. Tem que descobrir sua história, dividí-la em capítulos e desenvolver cada parte. Ou pode usar alguns dos vários métodos de escrita disponíveis na web.

Tem quem já escreveu uma história inteira, mas não tem coragem de mostrá-la, acha que nunca está boa, falta alguma coisa. Mas morre de medo de mostrar e roubarem sua idéia ou copiar ou publicar sem sua autorização. Risco sempre tem, mas ouvir os leitores ou os chamados “beta readers”, te ajuda a encontrar onde pode melhorar o texto.

Tem quem encontrou uma ajuda e essa é a história desse jornal de 2015, sobre um homem que nunca leu e escreveu seis histórias e tem três delas publicadas pela Semente Editorial. Leônidas Lobato participa de um clube de motoqueiros e resolveu escrever as histórias engraçadas que vive em cima da moto e deu certo: o editor resolveu pblicar com todos os “erros” de linguagem que são costumes na região em que o autor vive. E depois de dar certo o primeiro livro, sua esposa que é professora primária, resolveu criar um projeto em que ele mostra seus livros infantis e incentiva as crianças a escrever a própria história. No texto do jornal ele diz que nunca leu um livro. Também diz que sempre escreveu sus histórias à mão, sem usar o computador. Em 2017 seu último livro foi lançado na Bienal do Rio.

Tem quem precisa de referências de outros livros, de filmes, de conversas, de viagens – porque isso enriquece a história. Mas tem quem escreve sem pesquisar, sem consultar, sem revisar e, depois de tudo pronto, pede pra alguém revisar o texto.

Cada escritor vai se identificar com um processo diferente de escrita. Se quiser ajuda no seu texto, é só enviar para o e-mail projetosnopapel@hotmail.com

 

A História da Aia

O livro A História da Aia voltou a ser assunto recorrente quando Donald Trump foi eleito presidente dos EUA em 2016, por ter sido usado como referências para os  recentes protestos feministas, incluindo a Marcha das Mulheres contra Trump realizada em janeiro de 2017.

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Escrito pela autora canadense Margaret Atwood em 1985, nesta edição da Marco Zero o livro tem 329 páginas, sendo o último capítulo “Comentários Históricos” onde acontece um Simpósio onde em 2195 está sendo mostrado esse estudo que conta a história da Aia em fitas cassetes. O palestrante tenta mostrar para a platéia que tentaram de todas as formas encontrar os personagens dessa história, mas falharam. Se ela começasse com esse capítulo, poucos iriam pra frente com a história, mas a autora começa com a própria Aia narrando sua história, onde ela vai nos apresentando todo o ambiente e as regras desse espaço/casa. Aos poucos vão aparecendo os personagens , partes da história de cada um. Como numa procura de peças num quebra-cabeça, a narradora conta um pouco do que acontece em seu presente e conta sobre as lembranças do passado, quando TUDO começou, mesmo que a gente não saiba o que é esse tudo, que começa a ser mostrado na página 187. Para manter o suspense a autora usa a forma desconectada de contar a história, como se não pudesse contar logo o que está acontecendo. A narradora conta a história como se estivesse dando uma entrevista, mas como se estivesse acontecendo naquele momento. É uma história que incomoda, depois de tantas lutas que as mulheres tiveram para ser donas do próprio nariz, ouvir que um governo pode retirar todos os seus direitos e que algumas mulheres vão ficar a favor disso! é a história de como tornar as mulheres invisíveis mas vigiadas.

Trechos do livro: “Gostaria de crer que estou contando uma história. Preciso acreditar nisso. Os que acreditam que essa história não passam de histórias têm mais chance.” “Tempo é o que não falta. Essa é uma das coisas para o qual eu não estava preparada: a quantidade de tempo sem preencher, os longos parênteses de vazio.” “Moira era como um elevador sem paredes. ..Já estávamos quase perdendo o gosto pela liberdade, quase confundindo aquelas paredes com segurança.” “O que me faz falta é a perspectiva. A ilusão de profundidade gerada por uma moldura…” “…olhando para a revista…eu me lembrava. O que elas continham eram promessas…de transformações; sugeriam uma série infinita de possibilidades…sugeriam uma aventura atrás da outra…” “Melhor nunca quer dizer melhor para todos, diz ele. Sempre quer dizer pior para alguns.” “Nossa área é separada por um cordão…vermelho. ..esse cordão nos segrega, nos separa, impede que as outras se contaminem…” “A humanidade é tão adaptável…” ” É preciso que se ofereçam alguns benefícios e liberdades, pelo menos para uns poucos privilegiados, em troca daqueles que se eliminam.”

CARNAVAL EM LIVROS

CARNAVAL

 

Vi essa TAG no canal Kabook TV. Os itens da Tag são:

· Samba-enredo: Seu livro favorito de todos os tempos – como esse ítem é sobre a música cantada pela escola de samba, vou falar de um livro que fala de música: Jean Christophe do Roman Rolland.

· Mestre-sala e porta-bandeira: Um livro com um casal arrebatador – essa dupla no samba é uma dupla que funciona juntos, não necessáriamente um casal. Um livro com uma dupla assim é Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist da Trilogia Millenium do autor Stieg Larsson.

· Harmonia: um livro que tenha sido bom do início ao fim – harmonia é a forma como os integrantes interagem com a escola. Indico uma série em que todos os personagens tem uma participação bem marcada: Harry Potter da J.K.Rolling.

· Evolução: um livro com uma história perfeita, sem tirar nem por. Esse quesito é julgado como a expressão da dança de acordo com o ritmo do samba que está sendo executado. História com ritmo é livro de aventura e eu indico O Temor do Sábio do Patrick Rothfuss.

· Comissão de frente: um livro com uma capa que faz jus à história – Crime e Castigo do Dostoiévski nessa edição linda da Martin Claret:

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· Bateria: um livro que tenha feito seu coração bater mais forte. A Tormenta de Espadas do Geroge R.R. Martin, que me prendeu desde o primeiro livro.

· Rainha da bateria: uma escritora que samba na cara da sociedade. Acho que falam das escritoras mulheres como se fosse obrigatório escrever sobre temas polêmicos. Gosto da Chimamanda Ngozi Adichie com Meio Sol Amarelo.

A inveja na Literatura

O livro A Tulipa Negra de Alexandre Dumas, conta nessa adaptação em 176 páginas, a história de um vizinho invejoso que resolve roubar o sonho de um produtor de tulipas de criar uma nova espécie. E para isso ele o incrimina, levanta falso testemunho, manda o homem para a prisão, se une ao carcereiro para tornar seus dias piores. Só que o prisioneiro e a filha do carcereiro se apaixonam e resolvem produzir juntos a tulipa negra. O amor da moça faz o prisioneiro suportar a prisão injusta. Há um pouco também da história política da época – o livro foi lançado em 1850 – misturando ficção e realidade, com a pena de morte para os irmãos De Witt que ocorreu em 1672 e repercutiu em toda a Europa. Também foram produzidos filmes e Hqs sobre a história.