Não confie no Título!

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O livro A Mecânica das Águas do autor E.L. Doctorow, conta em … páginas a versão de um jornalista para o desaparecimento de seu colaborador no jornal. A história se passa em 1891, quando a revolução industrial acontece. Um jovem deserdado pelo pai rico, vê seu pai passar num ônibus, mesmo após sua morte. Então começa uma investigação para saber o que está acontecendo e isso vai envolver os “donos da cidade”, um médico maluco que lembra dr Mengele e suas pesquisas racistas. A única referência ao título se dá na página 191 qdo o policial descobre documentos que incriminam um gangster no Departamento de Águas de Nova York. E depois numa perseguição num prédio dessa companhia em que ele ouve as engrenagens que movimentam as águas e sonha com isso.

Trechos do livro : ” A tinta de seu artigo estava borrada, as páginas estavam sujas de lama e havia, na primeira página, uma marca de mão que parecia ter sido feita com sangue.” “Nosso necrológio transformava o velho patife num americano exemplar, frugal e realista. Ele não proclamava o lugar que ocupa na vida comercial da cidade com escritórios luxuosos e ostentatórios…” “Nosso governo incorruptível levara anos para realizar a obra – para que a água possa fluir livremente, é preciso que antes flua muito dinheiro. ..” “…a cidade começava a preparar-se para a noite. Caminhávamos por entre homens de toda espécie. ..uma via por onde trafegava um ônibus branco cheio de fantasmas.” “…a inveja que tenho das histórias primitivas que contavam uns aos outros. ..” “Uma vez perguntei-lhe qual era sua religião. Ele teve uma formação luterana, mas vê o cristianismo como apenas um conceito poético. Nem se dá ao trabalho de criticá-lo, ou negá- lo, ou zombar dele.” “Constatei um fato interessante: a vida humana pode perder muita coisa. ..sem se transformar em morte. ” “Por outro lado um orfanato que fosse instituído para testar as modernas teorias na área do comportamento, ou da saúde. ..inevitável, levando-se em conta o ritmo atual de Nova York. ..” “Admito que talvez seja sentimentalismo achar que uma sociedade é capaz de ser espiritualmente purificada. ..de modo a se auto-educar…a subir…um degrau que seja…na escala do aperfeiçoamento moral.”

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O Titulo…Fail! :/

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O livro 100 Viagens que toda Mulher Precisa Fazer da autora Stephanie Elizondo, podia ter …… páginas de empoderamento feminino, mas ela escorrega feio quando cita países onde o genocídio feminino é grande, onde as mulheres são obrigadas a se cobrir da cabeça aos pés, e ainda tem coragem de usar frases do tipo : “…como abusar da aparente fragilidade ou fraqueza para conseguir alguma coisa.” :/

Alguns dos países indicados realmente tem um nome feminino de destaque em algum setor, ou cultural ou de militância social, mas a maioria ela cita “onde as mulheres se reúnem para fazer arte com as mãos” e isso acontece em todos os países onde tem uma comunidade carente e não são só as mulheres que fazem artesanatos nessas cidades, mas os homens também.

Nas páginas iniciais até parece que vamos ler um livro em que a sororidade dá o tom das dicas de viagem, mas não é o que acontece, quando ela cita países em que a indicação feminina é de uma mulher ” que foi obrigada a se prostituir pra salvar o pai e o irmão” em épocas de guerra; ou então, uma cidade onde foi construído um túnel para que as mulheres frequentassem as cerimônias religiosas escondidas porque não é permitida a presença feminina nos templos. Até eu que não sou jornalista, nem viajei pelo mundo, saberia pesquisar sobre assuntos femininos relevantes e criar um livro de dicas mais…feminino. E a autora é ativista…

Trechos do livro : “As paredes estão inundadas por cores e mosaicos; um altar para o Dia dos Mortos revela doces, flores, velas e esqueletos em papel machê…” “…mulheres mergulhadoras, que, em um só fôlego, submergem nas águas geladas do mar…” “…centro budista com uma ligação feminina: a mandala de Tara.” “Saraswati, a deusa do conhecimento e das artes literárias, é especialmente reverenciada. No dia dela, os balineses não escrevem ou lêem nada…”

Para um público mais young adult

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Uma das graphic novels mais premiadas dos últimos tempos o livro Retalhos é sobre um garoto que vive no meio-oeste americano, numa família super religiosa e se vê questionando algumas idéias sobre religião e pessoas. O autor  Craig Thompson conta que essa é uma história autobiográfica, mas vemos um “texto-visual” muito pesado: bullying, abuso infantil, drogas, roubo. Não acho que essa HQ seja direcionada para o público infantil. O texto fala muito sobre a Bíblia e versículos, mas também fala do primeiro amor e das descobertas da adolescência.

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Prefiro o título original =/

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O Jogo da Vida (A Patchwork Planet) da premiada autora Anne Tyler, com 315 páginas, é um livro sobre a colcha de retalhos que é a vida, numa fase complicada que é a velhice e cita um objeto de um personagem do livro, que passa a história fazendo uma colcha e no final da vida, a herdeira vê que tem um planeta estampado nela. Então por que mudar o título?? Porque a pessoa não leu/entendeu a história. O personagem principal é um rapaz entrando nos 30, divorciado, com uma filha, com pai dono de uma empresa, mas trabalho em serviços gerais em uma outra empresa que presta serviços para idosos. Ele teve muitos problemas durante a adolescência, furtando coisas na vizinhança, e seus pais decidiram colocá-lo num colégio interno. Ele não aprende nada. E só no final ele descobre que todo o problema em se relacionar, não aceitar as regras, vêm da Síndrome de Tourette, por isso é tratado como maluco pela família. Seu irmão e amigos de infância, todos bem-sucedidos, não lhe causam inveja, mas repulsa. Sem perceber, ele gosta dos “velhinhos” para os quais presta serviços. O que me incomodou é essa fase “sem noção” do personagem e o livro sem final. Além de preferir o título original, prefiro as capas americanas que remetem à história. Essa capa da minha edição (Ed. Mandarim; Geiza Caria) foi confeccionada por alguém que não leu a história. =/

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Trechos do livro: “Não conseguia ficar quieta. Sempre havia nela uma insatisfação, um fulgor e uma agitação que me deixavam nervoso.” “E quem se importa se meu emprego não tem futuro?…Preciso pagar meu aluguel e as despesas com supermercado, mais nada.Não estou querendo enriquecer.” “O anjo de todos os outros transmitira uma mensagem e parara por aí. O meu anjo, no entanto, parecia ser mais insistente.” “Quando chega a primavera parece até que está no paraíso…Enquanto eu puder andar por meu jardim toda manhã antes de fazer qualquer outra coisa, para verificar o que brotou durante a noite e o que está prestes a desabrochar, sentirei que tenho alguma coisa pela qual vale a pena permanecer viva.” “E fico desejando ser capaz de reorganizar minha vida, de uma forma que eu nunca mais precise lidar com outro ser humano.” “O tempo pessoal funciona de maneira oposta à do tempo histórico.”

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O amor não realizado e a transição política

O livro Esaú e Jacó, penúltimo livro de Machado de Assis, com 277 páginas, publicado em 1904, foi escrito em uma época de transição na política brasileira: o país deixava de ser uma Monarquia para ser uma República. Então o livro conta a história de duas famílias vivendo esse momento político. A família dos gêmeos Pedro e Paulo (sim! o título do livro é só pra te enganar – não existem personagens com esses nomes) que querem e vão ser advogado e médico e futuramente deputados, e a família da moça Flora, apaixonada pelos dois irmãos e objeto de paixão dos mesmos. Gêmeos idênticos, mas com personalidade diferente, os dois fazem um acordo de “sair de campo” quando Flora escolher um deles. Mas a moça começa a ter alucinações de que os dois são um só, porque gosta de ambos, então enfraquece e morre. E os dois seguem concorrentes na vida.

No livro aparece Aires, um personagem de outro livro de Machado. O autor escreve como se estivesse conversando com ” a leitora”. Em alguns capítulos ele chega a contar o que vai acontecer no próximo. Achei que ele queria contar uma história e resolveu mudar o roteiro no final do livro. Pra não se parecer com os personagens do título.

Trechos do livro: “Eis aí vinha a realidade do sonho de dez anos, uma criatura tirada da coxa de Abraão, como diziam aqueles bons judeus, que a gente queimou mais tarde, e agora empresta generosamente o seu dinheiro às companhias e às nações. Levam juro por ele, mas os hebraísmos são dados de graça.” “…enquanto ele enfiava uma beca no jovem advogado…também lhe ensinava a enriquecer depressa; ajudá-lo-ia começando por uma caderneta na Caixa Econômica…” “Nada disso foi escrito como aqui vai,, devagar, para que a ruim letra do autor não faça mal à sua prosa.” “Não amava o casamento. Casou por necessidade do ofício; cuidou que era melhor ser diplomata casado que solteiro…” “O salto é grande, mas o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo.” “A abolição é a aurora da liberdade; esperemos o sol; emancipado o preto, resta emancipar o branco.”

A Era do Compartilhamento

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#SpecialTips de hoje #18 é o livro O Conselheiro dos autores Bob Burg e John David Mann que em 120 páginas conta a história de um homem que quer ser um ótimo executivo em vendas, mas já é o terceiro mês que não consegue bater suas metas. E ainda está perdendo clientes e seu relacionamento está morno. E ele começa a achar as pessoas da empresa sem atrativos e questionar porquê elas conseguem e ele não. Então ele resolve encontrar um “guru” dos negócios. Esse guru diz que ele tem que realizar uma tarefa para cada lei do sucesso. E ele descobre que o compartilhamento é a forma de distribuir, fazer um bom networking, prestar um bom serviço e se tornar conhecido no mundo dos negócios. A palavra-chave do livro é doação. 🙂

Não me pareceu um livro chato de Auto-ajuda em nenhum momento. É só uma história com alguns caminhos e decisões. E divertido. E inspirador.

A capa nacional tem um sub-título ridículo, que remete à filosofia religiosa: “é dando que se recebe”. Na capa americana o sub-título é realmente o texto do livro: “uma poderosa idéia de negócios.” Já o desenho da capa americana é sem sentido. Já a capa nacional mostra a poderosa idéia de negócios mostrada no livro, que é o café. 🙂

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De Novo? A escolha da tradução :/

 

O Livro de Graham Greene com 158 páginas deveria obedecer o título original e se chamar “O Capitão e o Inimigo”. Me recuso a entender a escolha do título em português. É exatamente para não ser encontrado pelo inimigos que o Capitão muda de nome, mas qual ele está usando não é importante, já que na história, ele é apenas “o Capitão”. Principalmente para o narrador, que agora que é jornalista adulto, quer escrever a história desse personagem misterioso que conheceu quando criança. Mas se tem algum mistério no livro, ele não é desvendado para o narrador.

Difícil achar uma resenha para esse livro: “Liza é um ersonagem épico” (?) “…a parte do Panamá…tramas de espionagem de forma sutil” (?) “…grande clássico de caráter universal primordial para a educação. Possui texto de fácil entendimento que estimula o leitor a pensar e refletir sobre o tema proposto.” (?) 

O livro é contado pelo personagem Jim/Victor – todo mundo tem mais de um nome no livro – desde a visita do Capitão na sua escola, lugar que odeia porque sofre bullying, e o leva embora, pra morar com uma mulher chamada Liza – pessoa com sérios disturbios, causados por um aborto mal-sucedido. Seu verdadeiro pai e sua tia, vão visitá-lo, mas o deixam morar lá mesmo. E ele e Liza tem uma boa convivência até ele se tornar rapaz, arrumar um estágio num jornal e sair de casa. Essa casa é um porão de um prédio prestes a ser demolido. O Capitão tem uma paixão platônica por Liza, e em suas viagens/fugas, ele lhe envia cartas apaixonadas. Depois da morte de Liza, Juim vai atrás do Capitão no Panamá, para descobrir quem ele realmente é. Mas ele também morre e nós os leitores nos sentimos traídos…