Red Queen

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O livro A Rainha Vermelha da autora americana Victoria Aveyard conta em 419 páginas a divisão de um mundo fictício onde os prateados tem poderes e se aproveitam dos vermelhos que são pobres. Essas são as cores de seu sangue. A personagem principal tem o sangue vermelho e rouba para ajudar a família a sobreviver. Contado em primeira pessoa, ela se define como um rato que sabe como fugir.

Essa distopia tem alguns problemas para mostrar toda a construção de mundo e política que a autora fez. É apenas o primeiro livro de uma série, então não temos todas as informações. Apenas nas últimas páginas que algumas situações ficam explicadas. Mas… não deixa de ser clichê: a garota pobre que faz o príncipe se apaixonar por ela; a garota que é esperta quando pobre e fica medrosa quando se torna um dos ricos; a garota pobre que não confia em ninguém e passa a confiar em rostinhos bonitos; a garota pobre que só sabe fugir dos soldados e em apenas uns dias na nova vida já quer brigar com todo mundo. É um livro pra adolescentes que tem uma virada interessante.

Problemas: (spoiler) o título mente, já que ela se torna fugitiva e não rainha. Por ser contado em primeira pessoa, sabemos que ela não morre nas batalhas que enfrenta, então não há tensão. Só tentei descobrir quem ia salvá-la e, foi difícil aceitar seu irmão vivo. Como assim ele está vivo, com poderes, fazendo parte da guarda e deixa as irmãs desprotegidas??

A capa do livro é muito bonita e tem significado, feita por Sarah Nicole Kaufman

Trechos do livro : ” A única coisa que nos diferencia -ao menos por fora – é que os prateados andam eretos. Já nossas costas são curvadas pelo, pela esperança frustrada e pela inevitável desilusão com nosso fardo na vida. “

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Somos os Livros que Lemos.

O livro Fahrenheit 451 do autor americano Ray Bradbury mistura em 203 páginas ficção científica, suspense e distopia, numa história que se tornou clássica, foi lançada em 1953 (com o nome The Fire Man), se tornou filme em 1966. O protagonista Montag (nome de uma fábrica de papel) é um bombeiro sem memória que queima livros. A sociedade não quer nada que as faça chorar ou pensar. Então ninguém quer os livros. Os que resolvem ler, são presos e os livros encontrados são queimados. Ao conhecer a adolescente vizinha, que lhe conta coisas filosóficas sobre a vida, Montag começa a se incomodar de não ter memória. E começa a descobrir que as memórias estão nos livros que ele ajuda a queimar. Com a morte da menina ele se torna um rebelde e começa a esconder livros e conhece outros rebeldes. A cena final é um reality show mostrando a sua caçada em tempo real. Só assisti ao primeiro filme e a versão do diretor Michel Moore para o 11 de Setembro.

O que entendi diferente de outros: Montag é sem noção. O chefe dele Beatty (que pode significar iludir) foi a segunda pessoa a tentar trazê-lo pra realidade. Ele cita vários livros, mostrando que gosta de lê-los, ele o provoca para que ele saia da apatia, porque do mesmo modo que Faber (nome de um fabricante de lápis), não tem coragem de mudar de vida. E prefere morrer. E o Montag se torna um vilão, do mal e os rebeldes dizem que tudo que ele fez foi para um bem maior. Não concordo. Ele botou os pés pelas mãos quando se torna pior do que os inimigos. O próprio autor disse que os roteiristas de filmes e teatro mudam o final para um “final feliz”. A Dior lançou um perfume de mesmo nome. As pessoas têm uma versão boa para o fogo: ele limpa purifica, se torna cinzas de onde renasce a fênix, aquece.

perfume

Trechos do livro: “Ele se viu nos olhos dela, suspenso em duas gotas cintilantes de água límpida, uma imagem escura e minúscula, em ínfimos detalhes…como se os olhos dela fossem dois pedaços miraculosos de âmbar violeta…” “Não estava feliz…Usava sua felicidade como uma máscara e a garota fugira com ela pelo gramado e não havia como ir bater à porta para pedi-la de volta.” “A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e geografia pouco a pouco neglicenciadas, e , por fim quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda a parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?” ” Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados  de uma questão para resolver, dê-lhe apenas um.”

 

Proibido para Menores de 30. =0

O livro Laranja Mecânica do autor britânico Anthony Burguess, conta em 274 páginas (nesta edição comemorativa com 342 pág, com textos extras) a história de Alex e o livre arbítrio. Alex é um jovenzinho de 15 anos que tenta formar um grupo de desordeiros com mais três rapazes para “aterrorizar” o bairro onde mora. No começo da história, contada por ele mesmo,  ficamos sabendo que ele já foi preso anteriormente por esse motivo. E aí ele conta detalhes do sadismo, perversidade e anomalia do ser meio-humano que ele é. E não comete essas atrocidades porque está em grupo, não. Ele conta o estupro de crianças que ele pratica sozinho. E conta sobre a omissão de seus pais sobre sua conduta, quando deixa de ir à aula ou traz dinheiro pra casa. Então, ao ir novamente preso, pede pra participar de um programa do Governo que fará com que saia da cadeia pra nunca mais voltar. Esse sistema é um tipo de “hipnose/lavagem cerebral” que associa sensações físicas ruins quando ele pensa ou fala ou tenta fazer coisas ruins. E funciona. Ele sente vontade de vomitar e se sente doente toda vez que vê uma imagem das coisas que ele fez. Mas aí começa a briga dos “eleitores contra o Governo”, dizendo que esse método vai contra o livre-arbítrio do cidadão.

Problemática: A fala do personagem é transcrita toda numa gíria inventada por eles, o que torna o texto cansativo e às vezes chato. Parece que você está falando com um bebê: da-da-dá-gu-gu-gu.Se é apenas parte do texto, ok, mas abandonei Grandes Sertões por esse motivo: escrever conforme a fala, o livro TODO. A capa e a diagramação em papel diferenciado incentiva pegar o livro, mas as ilustrações são horríveis. Os textos extras também são bons.

Porque é bom? A escrita do autor, quando não usa palavras inventadas, é muito boa. Ele te convence a simpatizar com o monstro do Alex. Como faz isso? Fazendo ele usar palavras cultas, gostar de música clássica onde a Nona Sinfonia de Beethoven faz o fundo musical dessa história. E mostrando que tirar o livre-arbítrio da pessoa, pode tirar a parte ruim, mas leva a parte boa junto. O filme, do ótimo diretor Stanley Kubrick, peca por escolher atores tão velhos para o papel, mas já virou um clássico! (O livro é de 1962 e o filme de 1971.)

 

Trechos do Livro: “…a tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluida e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios…afirmo que a tentativa de impor leis…” “A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro…bondade é algo que se escolhe.” “Pode não ser bom ser bom. Ser bom pode ser horrível. E quando digo isso a você, percebo o quão auto-contraditório isso soa.”

#SpecialTips de hoje: Filme

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O #SpecialTips #2 é um filme de 2008 que continua atual: as câmeras de vigilância transformam a vida de um rapaz em uma corrida eletrizante para provar que seu irmão que faleceu não estava envolvido em nada ilegal. Ele recebe ajuda de uma agente e no final vemos que quando o Estado te oferece “controle” sobre as coisas ruins, eles estão impondo esse mesmo controle sobre as coisas boas. E aí, perdem-se as escolhas. Como uma distopia, ficamos torcendo para o anti-herói e Fo¢*-se o Estado.

Com Michelle Monaghan – que vi em Missão Impossível III, e o incrível Shia Labeouf quando ele era realmente incrível.

…E Viva a Diferença!!!

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O filme Equilibrium com o ator Christian Bale e a atriz Emilly Watson, é uma distopia, onde o poder decide excluir a arte da vida das pessoas. Porque arte traz emoção e a emoção é imprevisível. É uma imagem futurista no meio do caos. Toda arte encontrada é queimada e a pessoa que guardava, também. O poder também distribui uma injeção com um remédio que diminui às emoções e se a pessoa deixar de se aplicar, pode ser presa. Porque na ausência do remédio ele sonha e sente. Também não podem ter animais ou perfumes, porque trazem recordações e melancolia.

A arte e as emoções só são excluídas dos menos favorecidos: podemos ver arte nas paredes do QG onde o poder está.

Um dos personagens salva um Livro. Seu melhor amigo deve denunciá-lo, mas decide não fazer. Quando ele ouve uma música de Bethoven, ele chora e não sabe porquê. Depois resolve salvar um cãozinho de ser sacrificado e se volta a favor da resistência. Que sempre deve existir. Pra mostrar que não somos todos iguais.

Ele começa temer ser denunciado por seus filhos, um menino e uma menina. Na resistência ele se apaixona, ela é presa e morre, o que faz aceitar a missão de matar o presidente.

A fotografia do filme é cinza, talvez para padronizar, tornar todos comuns. Os sons de relógios, como marcando o tempo é o som mais processado, talvez para contrapor o momento em que se ouve a música.

Série YA*

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Da autora Kiera Cass, com 361 páginas, o livro A Seleção faz parte de uma trilogia mais um extra. É uma distopia, onde as famílias são divididas por castas e algumas garotas foram escolhidas para uma seleção de futura Rainha. O prêmio: um príncipe.

A parte política da história não foi muito bem desenvolvida, o príncipe é um garoto fraco, a personagem principal é chata. Não existe nenhum personagem envolvente, nem mesmo o vértice do triângulo amoroso, o pobre guarda Aspen. O foco é realmente a história da Cinderela: a menina pobre que encanta o príncipe e ainda fica na dúvida…

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A Elite, segundo livro da série, com 354 páginas, é muito mais do mesmo. As garotas continuam se preparando para ser escolhidas pelo príncipe. Agora são apenas seis garotas e a personalidade do príncipe se torna mais dúbia, principalmente para a personagem principal, porque só temos a visão do que acontece nessa área. A história é contada pelo ponto de vista da América, que não tem muito senso de responsabilidade, faz o que tem vontade, apesar de pobre é muito mimada e muito indecisa em relação aos dois jovens. O seu primeiro namorado aparece pouco, apenas pra mostrar ela gosta ter uma segunda opção caso a primeira não dê certo. E a parte política também não é contada porque cada vez que os rebeldes invadem o palácio, a personagem está em algum lugar seguro e não podemos saber o que está acontecendo. =/

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A Escolha, o terceiro livro da série com 347 páginas é a finalização de uma história divertida para adolescentes. O príncipe virou rei. O namorado “estepe” escolhe outra garota. Os rebeldes se revelam – surreal – até uma das meninas morre. A personagem principal melhora um pouco e se torna mais forte – o possível para uma adolescente. Acho que não ficaria cansada das mesmas coisas se fosse um livro só.

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Apenas um livro. Porque séries?

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Porque alguns autores insistem em transformar em séries de livros as suas histórias? Mesmo sabendo que toda a narrativa, com começo, meio e fim, caberiam tranquilamente em, digamos, 300 páginas? Podemos dizer que a previsão de vendas incentive os agentes literários a incentivar o autor? Ou o autor começa a se animar com o que está na moda – trilogias? Será que não bate um medo de que falem que a história ficou perdida entre tantas páginas? Ou o autor já desconfia que sua história é tão mais ou menos, que em apenas um livro, seria só mais um livro – em uma série, pode ser que os pontos altos, os mistérios, prendam a atenção de alguns leitores, já que há gosto pra tudo. Porque estou dizendo isso? Porque foi exatamente isso que ouvi de uma agente literária. :/

O livro A Linha, primeiro de uma trilogia, não nos conta muito sobre os personagens, sobre o futuro da história. Com 246 páginas a autora Teri Hall nos deixa imaginar algumas situações dessa história: parece uma distopia, já que se passa em um estado cercado pelos governantes, com leis impostas aos cidadãos e desaparecimento de algumas pessoas que não andam de acordo com essas regras. Uma das regras é não atravessar essa  “linha” que os separa das pessoas que não foram consideradas cidadãos o suficiente para morarem nesse estado. E aí vamos ver poucos personagens e seus pensamentos e o nas últimas páginas um deles atravessa a linha.  O segundo e terceiro livro já foram lançado, mas sem previsão de lançamento no Brasil. Não fiquei curiosa. Parei por aqui. No site da autora, vejo que essa trilogia foi sua primeira produção e que ela escreveu apenas mais um livro.

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