Poe: Dois contos de Horror

O livro Os Assassinatos na Rua Morgue do autor Edgar Allan Poe é uma adaptação para a série Reencontro. O livro também traz o conto O Escaravelho de Ouro. Em 100 páginas temos um conto de horror e um de mistério. O assassinato de mãe e filha é descrito em todos os detalhes horríveis, e me lembrou Poirot. A resolução final do conto deixou a desejar. É como se ao final ele incluísse alguns personagens para conseguir dar um final misterioso. Até um macaco é suspeito!

Já o escaravelho, é uma busca ao tesouro de um pirata e uma história fantástica. Muito bom para apresentar o autor ao público infanto-juvenil. Essa é uma história com começo, meio e fim, trazendo a aventura em busca do tesouro perdido. Mesmo em poucas linhas, dá pra sentir a tensão de descobrir que estavam olhando o local errado, e então, encontram o lugar certo onde o baú foi enterrado.

Para o #mêsdohorror boa pedida!

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The Phantom

 

O livro The Phantom of the Opera do autor francês Gaston Leroux  recontada por Jennifer Basset é um dos livros da coleção Oxford Books Stage 1, que conta em 40 páginas a história de uma cantora de ópera  que se vê envolvida em um triângulo amoroso: de um lado um Visconde e de outro um fantasma que habita o teatro. O livro é escrito em linguagem simples facilitando a leitura em inglês para quem é iniciante. O texto já se transformou em filme e ópera em vários países.

 

 

Dois tempos, uma história

O livro O Azul da Virgem da autora americana Tracy Chevalier conta em 350 páginas duas histórias: uma se passa em 1572, período em que aconteceu o massacre de São Bartolomeu, e que cristãos e católicos brigaram pela Reforma. A personagem é católica e ama a virgem, e é chamada de bruxa. A família de seu marido é Calvinista e não a deixa ter um tecido que tem a cor do manto da virgem.

A outra história se passa no tempo atual em que um jovem casal se muda para a França porque ele arrumou um ótimo emprego. Ela começa a se sentir entediada, não conhece ninguém, não gosta do lugar, até que resolve descobrir sobre sua família que morou ali. Se envolve com o bibliotecário e descobre que o pesadelo que têm é sobre o azul da virgem.

As duas histórias acontecem paralelas: as duas são ruivas, tem o mesmo nome, envolvem com um homem, engravidam, ajudam a amiga que está grávida. A primeira história é contada em terceira pessoa e a história atual contada sobre o ponto de vista da personagem principal. Em um ponto ad histórias se tornam uma só.

A capa do livro é maravilhosa, retrato de Paul Cesar Helleu, que mostra uma menina ruiva. O Azul colocado em volta do retrato pelo Raul Fernandes -que faz ótimas capas- não remete ao azul real, que era a cor do manto da virgem.

Trechos do livro : ” Os homens foram saindo de perto da lareira até ouvirem os primeiros gritos de Marie: eram homens fortes, acostumados com o guincho dos porcos sendo sacrificados, mas o tom humano fez com que andassem depressa. ” “Foi exatamente nesse ponto que aconteceu: como aquelas criaturas unicelulares que de repente se dividem em duas sob o microscópio, sem qualquer motivo aparente, senti que estávamos nos separando em seres distintos com perspectivas diversas.”

Um final WTF? =D

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O livro Pines faz parte da The Wayward Pines Trilogy, do autor americano de sucesso Blake Crouch, se transformou em série da Fox. Ele é um autor consagrado com seus livros de suspense, e no prefácio ele conta que esse livro é inspirado na antiga série de TV Twin Peaks.

O livro conta a história de um nada inteligente agente especial do governo – aqueles homens de preto – que é enviado junto com outro agente para encontrar outros dois agentes desaparecidos. Então eles vão à essa cidade que dá nome à trilogia para descobrir o que aconteceu de fato com os dois desaparecidos. Ao chegar na entrada da cidade, eles sofrem um acidente de carro. Aí ele acorda no chão, no meio das árvores e desmemoriado. E então acontecem sequências de encontros, hospital, polícia, médico, tudo muito estranho e ele demora a perceber que tem algo errado acontecendo. A cidade é toda perfeita, as pessoas parecem saída de um filme dos anos 60, e o médico tenta fazê-lo crer que ele é que está com problemas. No momento em que prepara sua saída/fuga dessa cidade é que ele descobre que não há saída de Pines.

O livro também têm momentos em “outra dimensão” onde conta sobre como a mulher e o filho recebem a notícia do desaparecimento dele. Depois mostra a mulher e o filho nessa mesma “dimensão” que é a cidade de Pines.

Vejo um superhumanismo forçado nesse agente, que mesmo depois de drogado, sem se alimentar, ferido, infectado, cortado, quebrado, ainda consegue lutar, fugir, continuar. Quase parei a história. Mas o final justifica todas essas “falsas” derrapadas no texto. É só para tornar o enredo interessante, mas a explicação final justifica o que realmente aconteceu com ele.

Ainda não assisti a série de tv, dirigida pelo incrível M. Night Shyamalan.

Cultura Nativo-americana

 

 

 

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O livro Ladrões do Tempo do autor americano Tony Hillerman conta em 231 páginas a história de uma civilização perdida de uma tribo de índios-americanos, que vêm suas reservas serem invadidas por antropólogos e pesquisadores sobre sua cerâmica. Uma Doutora desaparece após descobrir sobre a origem desses potes; uma família que foi dizimada há muito tempo e só sobrou o pai desta família, único sobrevivente, também faz parte dessa história de mistério contada de forma lenta. E tudo se passa perto de uma comunidade mórmon que tenta converter os índios.

O problema é que o enredo é de suspense, mas apesar de dar um final para o desaparecimento dos personagens, o autor não explica realmente o final. Deixa a história em aberto. Personagens que parecem espertos e fazem coisas sem noção. E pouca informação sobre a cultura dos índios Anasazi que seria muito interessante.

Trechos do livro : ” Seria lá, quando houvesse luz suficiente no dia seguinte, que cavaria. Violando a lei Navajo, a lei federal e a ética profissional. ” ” O nascer da lua sem o uivo de um coiote seria igualmente impossível, e relacionar um coiote com a polícia de Largo representava a adição de um insulto lindamente disfarçado. Não se chama um Navajo de coiote. A única coisa pior é acusá-lo de deixar os parentes morrerem de fome. ” “Chee teve plena consciência de seus pulmões funcionando, dos poros abertos, dos músculos flexíveis, de sua própria e vigorosa saúde. Era o seu horzo – a harmonia dele com o que o cercava.”

Ouça uma música dos povos nativos:

A revolução silenciosa da arte…

Sem título

O livro ilustrado Terra Vermelha, Rio Amarelo do autor e ilustrador chinês Ange Zhang, conta em 63 páginas a vida do autor ainda adolescente durante a Revolução Cultural chinesa em meados de 66. Contado em primeira pessoa numa narrativa triste e bonita, ele conta a adolescência em que seu pai escritor foi tratado como prisioneiro e ele queria ser um “guarda vermelho”, até que conseguiu enxergar a realidade por trás de toda  “política” do presidente Mao. Foi enviado para trabalhar nos campos e levou seus livros onde lia muito. Também descobriu sua vocação com a pintura. O livro é todo ilustrado em aquarelas e de uma delicadeza que contrasta com o tema. Vale a pena!