Hi$tóRi@ CONCEITUAL =)

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O que acontece quando você gosta de um autor? Quero ler todos os livros dele!  E quais são suas expectativas quando dois livros são bons? Que o terceiro me surpreenda! E quando a premissa é fantástica? Qual é a pegadinha? Porque essas três qualidades fazem o livro perfeito!!  O que esperar de Umberto Eco – autor que gosto – no livro de 2010, O Cemitério de Praga, com 478 páginas, que se passa em no séc XIX – meu favorito – personagens históricos reais!  Não me surpreendeu, não me decepcionou.  Teve alguns momentos instigantes, de ficar acordada lendo, alguns momentos maçantes, gzuuiss! , momentos que me parecia um outro escritor… mas valeu a pena.

O livro é conceitual: para diferenciar os três personagens que “contam” a história, a impressão do texto usa diferentes fontes pra cada um. Para o narrador, fonte bodoni em Negrito; para o abade Dalla Picolla fonte Myriad em itálico; para Simonini, fonte garamond. E ainda tem quando cada um conta algo sobre o que outra pessoa disse, porque aí a fonte tem uma ligeira mudança… Isso no começo, traz um certo caminho a seguir, já que se trata da história de um duplo. Mas depois , dá uma sensação que a história recomeça de novo, e de novo…com outro ponto de vista, que dá na mesma, para “ a vítima”.

Trechos do livro:

“Os padre…Como os conheci? Na casa do vovô, creio; tenho a obscura lembrança de olhares fugidios, dentaduras estragadas, hálitos pesados, mãos suadas que tentavam me acariciar a nuca. Que nojo.Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz padre ou frade só para viver no ócio…”

Que fique claro …que não produzo falsificações, mas sim novas cópias de um documento autêntico que se perdeu ou que, por um acidente banal, nunca foi produzido, mas que poderia e deveria sê-lo.“

o personagem cita com detalhes as refeições servidas: „…bastava colocar umas fatias de pão numa sopeira, temperando-as com muito azeite e pimenta recém-macerada; ferviam-se em ¾ de litro de água e sal umas cebolas fatiadas, tomate em tirinhas e calaminta; depois de vinte minutos derramava-se tudo sobre o pão, deixava-se descansar por uns minutos e pronto, servir bem quente.“

Quer resenha? Clique Aqui.

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Escritores Russos =^^=

 

Não vou falar das traduções, que deixam a desejar, mesmo quando traduzido direto do russo, vejo diferenças entre as traduções. Veja Aqui.. Não assisti aos filmes, em várias versões. Mas o livro…ah! o livro! ❤  O livro é Crime e Castigo de Fiodor Dostoievsky, com 561 páginas, publicado em 1866. A minha edição é traduzida direto do russo por Oleg Almeida, um bielorusso que mora no Brazil há muito tempo. Aqui você vê uma “linha do tempo” sobre a publicação dessa obra no Brazil.

Na história do Crime, o rapaz passa toda a história tentando justificá-lo, comparando crimes de guerra, que elevam os seus líderes a heróis. Mas o seu crime é apenas uma pessoa comum que tira a vida de outra pessoa comum e ele começa a achar que ninguém devia dar tanto crédito a um fato tão comum. E o autor nos coloca dentro da mente do assassino, ouvindo sua conversa interior.

Na história do Castigo, o rapaz sofre tanto, sua consciência o deixa acamado, triste e sem usufruir de seu feito, que o autor quase nos convence da inocência do ato! Sentimos quase raiva da vítima! A vontade de chegar a um final feliz para o pobre coitado!

Trechos do livro: “Para conhecer uma pessoa, seja ela quem for, é preciso que sejamos prudentes e discretos, a fim de não incorrermos em erros, nem em juízos precipitados, que depois são difíceis de desfazer e retificar.” “Aquela satisfação íntima que se observa sempre, até nas pessoas mais chegadas, diante da inesperada desgraça do próximo, e à qual nenhum homem sem exceção escapa, apesar do mais sincero sentimento de piedade e simpatia.”

Quer resenha? Clique Aqui. Vale a pena ler de novo! =D

 

Ler por Prazer <3

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Estava lendo sobre o Projeto Leia Mulheres, que acontece como um clube de leitura em várias cidades do Brasil. E uma blogueira postou um gráfico de suas leituras mostrando que aumentou o número de autoras em suas leituras no ano passado. Não sei se me importo com o sexo do autor :/ mas parece que as mulheres resolveram apoiar as mulheres autoras clássicas ou contemporâneas. Gosto de ler se o autor me convencer com sua escrita, se a história for boa, e isso tem as minhas fases de gostar mais de uma coisa hoje e desgostar amanhã… Mas quero ler mais autores – e autoras – nacionais.

Isso tudo pra falar da Jane Austen. É meu primeiro contato com a autora no livro A Abadia de Northanger, com 283 páginas, numa edição bilíngue. A história é contada pelo narrador/autor sobre uma adolescente do séc. XIX que descobre sobre a falsidade, a ambição, o amor, a traição, os desencontros – tudo em apenas uma viagem. Uma adolescente apaixonada por livros e por histórias que se passam em castelos e tem o convite para conhecer a abadia do título. E aí, a abadia não é retratada como eu e a personagem gostaríamos… o título do livro deveria ser outro. Quer resenha? Clique Aqui.

Essa edição é bilingue e tentei ler e comparar, mas há muitos erros de tradução/revisão. Me pareceu que usaram um aplicativo de tradução e depois só fizeram um ajuste. Exemplo:” …sua compleição melhorou; seus traços suavizaram-se ao encorpar e com a robustez;” “…her complexion improved, her features were softned by plumpness and color…” :O  (pág. 9)  “Ela pulou com o que leu.”  “She started at its import.” (pág. 189). Também foram lançados dois filmes – que ainda não assisti. Um de 1987 e outro de 2007.

 

 

Leitura compartilhada #3

FIM DO VOLUME I

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Ainda estamos no meio do mês e consegui finalizar o ótimo primeiro volume da série Jean-Christophe. Do autor Romain Rolland, as 384 páginas foram economizadas intercalando com livros menores e mais leves.

Nesta última parte chamada O adolescente fico sabendo da vida de JC dos 16 aos 19 anos. com toda a problemática da adolescência, em que um menino não se sente mais criança, mas não é tratado como adulto. Depois da morte de seu pai, JC se entrega ao trabalho como músico. Seus irmão saem de casa pra viver suas vidas. Ele fica tomando conta de sua mãe, que o ama mas não o compreende. “… ele nunca percebia tanto os defeitos das pessoas como quando as amava, porque desejava amá-las inteiramente, sem nenhuma restrição.” Ele se muda com a mãe para mais perto da cidade, num prédio de apartamentos. Não consegue se dar bem com o proprietário, que quer lhe empurrar a filha. Apaixona-se por uma das vizinhas, viúva bonita, e ela morre enquanto ele viaja. Ao voltar, seu mundo desaba novamente, por não ter concluído aquela paixão e sua única lembrança, é o toque de suas mãos. Resolve sair com seus amigos músicos e conhece uma dançarina. Acha-a vulgar, se sente constrangido de andar com ela, mas era sua maneira de novamente afrontar a sociedade, de agredir as pessoas. “…possuia sem sabê-lo, a estranha curiosidade do artista, essa impessoalidade apaixonada… ” e sua dançarina o trai. Ele se joga no álcool, mas seu tio favorita o salva de se tornar como o pai. Ele decide despertar para a vida e para a sua música.

Mesmo eu contando o que se passa na história, o livro é cheio de detalhes, de citações e de teorias compartilhadas, que vale a pena realmente ler a história completa. Próxima semana, segundo volume. =)

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