Livros Adaptados =)

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Gosto de poder ler alguns clássicos que me chegam às mãos em adaptações. Não vejo problemas nisso, pelo contrário, acho válido como incentivo para começar a ler os grandes clássicos, realmente grandes em número de páginas, o que pode amedrontar um leitor iniciante.

A adaptação de Os Noivos, texto de 1827 do autor italiano Alessandro Manzoni, com 92 páginas, faz parte de uma série de livros adaptados pela editora Scipione, para as escolas. Nesta história, temos um drama com final feliz. Um casamento é impedido por um rico Senhor, que ameaça o padre de realizar a cerimônia e os noivos fogem, até todo o problema ser resolvido.

O texto de apoio conta que o imperador D. Pedro II era fã desse autor e que chegou a traduzir alguns de seus poemas para o português. Escrito em 1927, Os Noivos chegou a ser reescrito e teve várias versões.

Existe um livro de mesmo nome escrito por Umberto Eco. (Ver post Livros com Mesmo Título)

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A mulher na sociedade machista

O clássico brasileiro Lucíola de José de Alencar, com apenas 128 páginas, escrito em 1862, foi ambientado no Rio de Janeiro, contado em primeira pessoa pelo protagonista, em forma de carta-resposta à uma mulher da sociedade que usou de palavras preconceituosas para uma cortesã/mulher de vida fácil, e que ele resolveu intervir em seu favor. Nessa carta, conta a própria história e de sua paixão por Lúcia e como o amor pode redimir uma alma pura mesmo com o corpo em pecado.

Foi um livro-escândalo, proibido e em sua introdução, uma demonstração do machismo da época com a frase “…se o livro cair nas mãos de alguma das poucas mulheres que lêem neste país…”

Li este livro a primeira vez aos 14 anos, na escola e vejo que esse não deveria ser um livro indicado para essa idade! Vejo que não entendi metade da escrita, mas já gostei da história e continuo achando a escrita do José de Alencar muito fluida, apesar do linguajar culto e das rígidas normas da língua portuguesa usada por alguns escritores no Séc. XIX.

Trecho do livro: “Sempre tive horror às reticências…por isso quando em alguns livros moralíssimos vejo uma reticência, tremo!…a minha história é imoral; portanto não admite reticências…se…um editor escrupuloso quisesse dar ao pequeno livro passaporte para viajar das estantes empoeiradas aos toucadores perfumados…bastaria substituir certos trechos mais ousados por duas ordens de pontinhos.”

 

Suspense e mistério!!

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O Pálido Olho Azul, livro do autor Louis Bayard, com 426 páginas é um thriller de 2006, que começa com o testamento escrito de próprio punho pelo personagem principal. Ele decide narrar os fatos como aconteceram. Também existem capítulos que são narrativas de seu amigo e ajudante de detetive Edgar Alan Poe – esse mesmo, o poeta. Como todo bom suspense, começa com uma morte e sem um suspeito, e labirintos de buscas e caminhos que levam à outros caminhos, e o surpreendente final, porque ultimamente leio livros que deixam um mistério no ar: esse vai sendo escrito mesmo após o desfecho do crime, da punição do assassino, de todas as pontas soltas estarem unidas. E aí, pah! Vem um novo ponto de vista que muda toda a trama! Gostei da escrita, gostei das insinuações que fazem o leitor pensar; claro que tem passagens inverossímeis, difíceis de se tornar real, mas até isso faz parte do sobrenatural que envolve a história. Gosto de livros com começo, meio e fim.

E o título tem tudo a ver com o poema que vai desvendar a história. =)

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Clássicos da Literatura

Vários filmes e séries foram feitos baseados nessa história. Em 2008 a BBC lançou uma minisérie; Roman Polanski lançou o seu Tess em 1979 com uma linda Natassja Kinski aos 19 anos; e outras versões em japonês, indiano e com outros títulos mas baseado na mesma história.

História clássica, o livro que eu li foi essa versão adaptada pela Abril Coleções, do autor Thomas Hardy com apenas 215 páginas e mais um apêndice de apoio ao texto. As partes importantes foram descritas aqui nesta história que foi polêmica à época do lançamento em 1891. A personagem começa adolescente, passa por tragédias pessoais, se casa e não consuma seu casamento, tem uma família desestruturada, comete um crime e paga por isso. Acho que o texto completo poderia descrever melhor esse arco de redenção da personagem, que aqui não existe. Quero ler mais textos desse autor. Trecho do livro: “A tendência irresistível, universal e automática de procurar, em algum lugar, o doce prazer, que permeia todas as formas de vida, da mais miserável à mais elevada…”

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Para chorar litros :(

O livro Querida Sue da autora Jessica Brockmole, de 2013 com 255 páginas, se passa paralelamente em dois momentos da história: em 1912, período da primeira guerra e 1940 período da segunda guerra. Vemos a Sue Jovem se apaixonando durante a guerra e depois vivendo isso através de sua filha no cenário da Escócia. E toda a correspondência dessa época se dava por meio de cartas ❤

O título do livro me incomodou – o original remete à ilha onde mora a poetisa Sue. A casa da capa realmente parece mostrar a paisagem descrita no livro. A história tem algumas inconsistências que não desmerece todo o romance e a nostalgia de quem já viveu essa loucura de esperar um envelope por dias e dias… Chorei…os do

Trechos do livro: “Sei que eu nunca poderei enviar esta carta; ela vai acabar na lareira, no instante em que eu terminar de passar as palavras para o papel…ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma.” “um livro é um jardim carregado no bolso.”

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Desconstruindo Simone…

É meu primeiro contato com a famosa Simone de Beauvoir, no livro Memórias de uma Moça Bem-Comportada, com 335 páginas, nesta edição de 1958. O tradutor diz que é uma autobiografia. Então… choquei!! Porque a autora é conhecida por seu feminismo descrito em sua mais famosa obra “O Segundo Sexo“, e neste livro ela se mostra muito religiosa, que não tolera os pecados alheios, que mesmo após desistir da religião, continua carola e achando a pureza do casamento  como único caminho aceitável.  O começo é descritivamente chato: ela passa oitenta páginas contando dos seis aos oito anos de vida! Ninguém é tão filosoficamente chato aos oito anos! Tudo bem que ela se formou em Filosofia, mas quando conta parte de sua trajetória dos dezessete aos vinte, mostra-se alienada, como alguém que não quer saber aonde a família consegue dinheiro pra pagar seus estudos, ou como a guerra ao redor do mundo (na época) poderia influenciar vidas. Tão egoísta que plagiou seu primeiro trabalho no colégio e achou que não fez nada de mais. Pegava livros emprestados com amigos e bibliotecas e esquecia de devolvê-los! (OMG!) Suas amigas tinham namorados aos vinte e ela não gostava de imaginar intimidades com nenhum homem. Conta sua briga com a família, porque não gostava dos modos simplistas do pai e tinha vergonha da mãe, que falava-lhe verdades: ela gostava mais das amigas e faria tudo pelas amizades, mas não pela família. Ela passou pra mim uma inteligência no modo de produzir seus textos: primeiro procure saber o que está sendo mais procurado, depois escreva isso.

Vou tentar ler outros textos dela, porque esse não me convenceu como real; parece ficção.

Trechos do livro: “…proibiam-nos de brincar com meninas desconhecidas: era, evidentemente, por não sermos da mesma laia. Não tinhamos o direito de beber , como toda a gente, nas canecas penduradas às fontes; vovô dera-me uma concha de madrepérola…” “Sentava-me na poltrona de couro, ao lado da biblioteca de pereira escura, fazia estalar nas mãos os livros novos, respirava-lhes o cheiro, olhava as figuras, os mapas…” Falando de seu pai: “Ele apreciava acima de tudo a boa educação e as belas maneiras; entretanto, quando me encontrava com ele num metrô, num restaurante, num trem, sentia-me incomodada com seus gritos, suas gesticulações…”

Narrativa cult*

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Um livro escrito como um roteiro de cinema – você acompanha a câmera, os cortes, as tomadas, a luz e a sombra, as locações. A história de uma mulher de classe baixa que chega à alta classe atraves da moda. Mas começa daí, onde ela já está no meio dos ricos, das moças que nunca vão precisar trabalhar, de artistas que não precisam ver seus trabalhos reconhecidos e passam a vida em bebidas e sexo e remédios, até que uma moça tenta o suicídio. Me lembrei do filme Factory Girl, onde mostra pessoas mais excêntricas do universo da moda.

O livro é Mulheres Sós do Cesare Pavese, escrito em 1949, com 127 páginas, mostrando onde a vida imita a arte – o autor se suicidou em um quarto de hotel numa grande cidade, um ano após a escrita deste texto.

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*Cultdjetivo de dois gêneros e dois números ; cultuado nos meios intelectuais e artísticos (diz-se de pessoa, ideia, objeto, movimento, obra de arte etc.). As características em um filme cult podem incluir uma trilha sonora obscura, conceitos e ciências fictícios criados na história, ou personagens estranhos. Geralmente são filmes de conteúdo original, e de roteiro também original, que tentam passar uma mensagem inovadora, muitas vezes de forma subliminar, de múltipla interpretação e de difícil compreensão pelo grande público (habituado a visões mais convencionais da realidade). Por assim ser, geralmente são enquadrados em filmes alternativos, filmes B e undergrounds.