Um Personagem Egocêntrico

solar

O livro Solar do escritor inglês Ian McEwan, conta em 338 páginas, edição portuguesa, a história de um Prêmio Nobel de Física que recebe verba para suas pesquisas sobre energia. Ele coordena uma equipe e vê que não está dando muito certo e um de seus alunos oferece um dossiê com suas pesquisas, que ele nem olha. Após a morte desse aluno dentro de sua residência, em circunstância irônica, ele usa as pesquisas do aluno como se fosse sua e remodela suas pesquisas.

Problemática: o personagem rouba idéias; teve cinco casamentos e traiu todas elas; é gordo, baixo e calvo; um porcalhão; desleixado; usa tirinhas de bacon pra marcar livros; Ganancioso, egoísta, maquiavélico e mentiroso (segundo o próprio autor pág. 207). Tudo isso e se acha melhor que os outros.

Autêntico: a capa: linda, num tom de azul, com textura e remete à história. Os estudos científicos citados no livro, me fizeram lembrar do livro de Stephen Hawking que acabei de ler, então sei que o autor fez uma boa pesquisa sobre o aquecimento global e Mecânica Quântica.

Trechos do Livro: “…compreendendo que Beard tinha tudo pra ser um pai horrível, elas haviam se protegido…” “Se um extraterrestre chegasse à Terra e visse toda essa luz do sol, ele ficaria pasmo ao saber que temos um problema de energia.” “Às vezes lhe parecia haver pegado carona a vida inteira no trabalho de um jovem, um físico teórico mais competente e mais devotado do que ele jamais poderia ser.”

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Mais uma chance, por favor.

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O livro Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra do escritor de Moçambique, Mia Couto, conta em 260 páginas a história de uma família que se reúne na casa do avô para o velório do mesmo. Filhos, netos, esposa, amante e amigos, todos devem cumprir o ritual do enterro. Só que o médico se nega dar o laudo dizendo que o morto ainda não está completamente morto. E enquanto o morto não morre, a família resolve refazer toda a história do falecido e refazer suas próprias histórias em torno da casa da família.

Contada em primeira pessoa pelo neto do falecido, é um texto irônico, me lembrando crônicas brasileiras, com a grafia do português de Moçambique, mas com glossário nas últimas páginas, não prendeu minha atenção. Talvez eu tenha começado pelo livro  errado do Mia Couto; ainda vou dar outra chance pra mim.

Trechos do livro: “morto amado nunca mais pára de morrer.” “_Não quero sair nunca mais._Tem medo de quê?_O mundo já não tem mais beleza.” “A dor pede pudor. Na nossa terra, o sofrimento é uma nudez–não se mostra aos públicos.” “Mas a vila é ainda demasiado rural, falta-lhe a geometria dos espaços arrumados.” “Para ele era claro: Fulano tinha a sua fé exclusiva, fizera uma igreja dentro de si mesmo.” “Lá na cidade ouvi dizer que vocês já usam modos dos brancos. E dão-se às mãos e até se beijam às vistas do público.”

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Um intelectual sem personalidade.

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O livro O Ventre da Baleia do escritor espanhol Javier Cercas, com 302 páginas, mostra a história de um (péssimo) professor de literatura que encontra uma paixão da época da adolescência e se torna um adolescente irresponsável: deixa a mulher grávida, deixa de ir à universidade aplicar as provas, deixa de lado os trabalhos do doutorado, deixa de ouvir os amigos, pensa mal à respeito da velhice e dos idosos. O que acontece nessa situação é que dá nome ao livro: o personagem bíblico Jonas; como o personagem desse livro, Tomás, só consegue fazer tudo errado, mesmo com amigos que conseguem bons empregos pra ele, ajudam com artigos e a tese, tentam livrá-lo das encrencas, limpam a barra dele com a diretora da universidade onde trabalha. Mas ele é um caso perdido: contado em primeira pessoa, temos um narrador que sabe que é egoísta e sem personalidade, e não quer mudar.

O autor escreve essa história com ironia, mas o personagem principal não me conquistou, nem a história, levando para os caminhos da comédia, conseguiram me conquistar. O final escolhido pelo autor não poderia ser mais óbvio: ele continua um adolescente irresponsável. Os únicos capítulos interessantes são os que acontecem as discussões literárias, com citações de livros. O que é essa capa? Se fosse um bobo-da-corte estaria perfeita!

Trechos do livro: “…decidi contar essa história devido a uma espécie de premência profilática, para entender, contando-a e sobretudo contando para mim mesmo…” “Sei que lembrar é inventar, que o passado é um material maleável e que voltar-se pra ele  equivale quase sempre a modificá-lo.” “Cláudia também tinha um ponto de vista distinto e talvez inédito sobre os anos que passamos juntos…” “Porque o problema da mentira não é que alguém possa acabar acreditando nela, mas sim que ela impõe a quem a pronuncia uma lealdade ainda mais férrea e duradoura do que a verdade.” “A idéia de que o nosso destino não é único, de que o que acontece conosco já aconteceu com outros, de que não fazemos outra coisa além de repetir sempre, até a saciedade, uma mesma e envelhecida aventura torna-se intolerável.” “…borgianamente chamava de ‘as rigorosas aventuras da ordem’: pensar, ler e escrever.” “Quem não conhece a realidade da vida acadêmica imagina que em todo professor de literatura se esconde um homem apaixonado pela literatura; qualquer um que a conheça de perto, porém, pode desmentir essa falsa visão.” “Talvez já nem conte aquilo que lembra, mas sim o que lembra ter contado das outras vezes.”

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Me senti enganada =/

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O livro  O Olho do Mundo, da série de fantasia A Roda do Tempo, escrita pelo autor americano Robert Jordan (pseudônimo de James Oliver Rigney Jr.) foi escrito em 1990 e é o primeiro de quatorze volumes, seis deles já lançados no Brasil. Após a morte do autor no 12º livro, a série continuou a ser escrita por Brandon Sanderson. 

A história de três amigos que moram em uma vila, são perseguidos por monstros e não sabem o motivo. Então aparece uma bruxa e seu guardião para levá-los à uma cidade do outro lado mapa – literalmente – porque ela vê que o destino dos três é salvar o mundo do mal. E eles vão junto com uma amiguinha curandeira pra essa cidade tentar encontrar o “olho do mundo”. Eles passam por várias aventuras, visitam várias cidades se transformam de adolescentes pra homens em dias.

Porquê a decepção? O livro tem 798 páginas e só nas últimas cem páginas que eles chegam no tal “olho do mundo” que não é a melhor aventura deles. Se a história é sobre amizade, como muitos dizem, essa amizade fica perdida nas páginas iniciais, porque com o tempo eles se encontram e não conversam mais, ninguém conta as aventuras pelas quais passaram e  que eles sonhavam viver! Cada um passa a esconder do outro seus pensamentos, suas mudanças. Você só sabe o que acontece no pensamento deles, porque o narrador é onisciente. Num capítulo você lê o que está acontecendo com alguns deles até o fim da aventura e no outro capítulo você lê a mesma aventura pelos olhos de outros personagens. Apesar do Glossário no final do livro, o autor joga todas as informações, que provalmente vão fazer sentido nos próximos livros, deixando a história como episódios inacabados. Eu esperava que a amizade crescesse, que um dissesse pro outro: “olha amigo, agora eu posso falar com lobos!”. “Oh! É por isso que seus olhos mudaram de cor?!”  Mas não. Cada parte da história, eles encontram um povo, que conta histórias novas, com novos personagens, que não dá pra saber se é importante para a história, ou se pode esquecer esses nomes todos. Os adolescentes passam mais tempo andando, sentados perto de fogueiras ouvindo histórias de pessoas que eles não têem idéia de quem são. E sonhando com o perigo futuro. E os adultos que estão lá pra ajudar, falam por enigmas e sobre profecias e fica todo mundo boiando.

Trechos do Livro: “Os nomes por si só já eram estranhos e empolgantes. Eram lugares que ele conhecia apenas das notícias trazidas pelos mascates.” “É algo que significa a maneira como as sombras brincam num lago da floresta num amanhecer de inverno, com a brisa ondulando a superfície…” “A folha vive o tempo que lhe cabe, e não luta contra o vento que a leva embora. A folha não provoca dano algum, e finalmente cai para alimentar novas folhas.” “…a violência fere aquele que a comete tanto quanto aquele que a recebe.” “O que parece acaso muitas vezes é o padrão…”

História sem brilho

Um Mundo Brilhante

A moral da história do livro Um Mundo Brilhante é: não é porque o personagem tem um doutorado, que ele não pode ser um babaca egoísta inútil. O nível de escolaridade não te torna mais inteligente. :/  Só que não é assim! Se não definisse o personagem nos primeiros capítulos, baseado em seu curriculo, eu iria ler a história com outros olhos e talvez até gostasse do personagem. Criei antipatia com alguém que faz o errado SABENDO as consequências! Não é um persoangem pobre, sem acesso à informação, sem conhecimento, e aí faz as maiores burrices com todos à sua volta, parecendo um jovem imaturo, egoísta e egocêntrico. Só pra listar um pouco de suas atitudes, ele namora uma jovem milionária, mas faz ela viver com ele numa casinha de uma vila, deixa de ser professor de universidade pra trabalhar num bar atendendo balcão, porque perdeu a paciência com um aluno e não quer trabalhar nas empresas do pai da “noiva”, que ele enrola há muito tempo, porque ele adora a casinha e foi o pai dela quem pagou a entrada do imóvel. Aí arranja um affair com uma estudante da universidade, larga a noiva com gravidez de risco, pra ficar num trailer tendo noites românticas com a jovem de uma tribo indigena. O irmão dessa jovem morreu após um espancamento e ele insiste em ajudá-la fingindo ser detetive!! E insiste com jovens que dêem depoimento à polícia, mesmo depois que um deles sofre espancamento por fazer isso! Ele só quer ver o lado dele! Continua insistindo com os jovens em vez de deixar o trabalho com a polícia!!

A história da T. Greenwood é Irreal, com 336 páginas, conta com um final sem efeito, porque não tem reviravoltas, não tem personagem cativante -nenhum- é só mais uma história rápida para passar o tempo.

Viver ou Sonhar

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Acho que o autor Moacyr Scliar gosta muito do mar porque metade deste livro se passa em águas, numa caravela.

O livro No Caminho dos Sonhos, em 102 páginas dessa novela epistolar ele nos conta a vida de Wolf que veio da Alemanha para o Brasil, se casou e teve Paulo que teve um filho chamado Marcelo. É pra esse Marcelo que essa carta é escrita. Ele decide ir embora de casa porque não quer ser apagado igual seu avô e seu pai, então um amigo da família pede que leia a história dos dois antes de ir e veja que mesmo ficando ele pode ser tão grande quanto os dois.

Livro Ilustrado ou Infantil?

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Livro ilustrado é sempre livro infantil? Na própria contracapa deste, tem uma informação contradizendo a ficha catalográfica:

ficha

O livro infanto-juvenil “Raul Taburin” do ilustrador francês Jean-Jacques Sempé, ambienta em 92 páginas a história do consertador de bicicletas Raul, que não sabe andar nelas, só consertá-las. Ele tenta dizer às pessoas do seu problema com as bicicletas, mas ninguém o ouve. A falta de equilíbrio sobre duas rodas, traz a falta de comunicação com as pessoas que moram em sua vila. Um dia um fotógrafo, muito falante -o oposto do Raul- pede pra tirar uma foto dele de bicicleta e juntos mostram que as coincidências fazem os grandes amigos. E juntos vão guardar um grande segredo. 😉 As ilustrações são simples e fantásticamente detalhadas!

Trechos do livro: “Ele gostava do pão quente que comprava no caminho. Se deixasse de lá as inquietudes existenciais e as angústias metafísicas, poder-se-ía dizer que era feliz.”