Um detetive diferente =)

O livro O Valete de Espadas do autor russo Boris Akunin (pseudônimo de Grigori ChKhartishvili), faz parte de uma série de livros de detetives escrita pelo autor, mas que podem ser lidos separadamente. Esta minha edição, que é uma tradução da versão francesa, conta em 187 páginas um dos casos do detetive Erast Fandórin e se passa em Moscou no final do Séc XIX, em que um vigarista que deixa uma carta do baralho após saquear suas vítimas, e o agente Erast é encarregado do caso porque o Valete está expondo alguns figurões ao ridículo.

Spoiler! Na verdade não achei o Erast um detetive, já que ele não investiga muita coisa. Além de ser uma das vítimas do Valete. O vigarista também é amador, faz alguns truques como uma criança que acredita em mágicas e acha que ninguém vai descobrir. Não há nada surpreendente, nem reviravoltas: uma história linear, com alguns “deixa pra lá”, como o caso da Condessa que ninguém sabe o que acontece. E ele desiste de “pegar” o vigarista! Não considero o tipo de história policial que me faz querer conhecer outros livros da série.

Trechos do Livro: “Todo mortal, como cada um de nós sabe, joga cartas com o destino. A mão não depende do indivíduo; nesse aspecto é a sorte que decide: um receberá apenas ases, o outro, apenas dois e três.” “Nove entre dez pessoas estão dispostas a lhe contar tudo espontaneamente…o que surpreende é que ninguém ouve  realmente ninguém…as pessoas esperam uma pausa na conversa e, tão logo aconteça, voltam a falar do que lhes interessa…”

Há outros livros com o mesmo título de outros autores:

Um Processo contra a Literatura

 

O livro Madame Bovary do autor francês Gustave Flaubert, nessa edição da Nova Alexandria, tem além do texto em 360 páginas, uma apresentação sobre o autor e o texto, uma apresentação do processo que o autor sofreu pela consideração de escrita proibida sobre sexo e adultério e também notas de rodapé da tradutora  Fúlvia M.L. Moretto.

Para nossa época é um livro até leve: conta a história de Emma que se casa com o médico Bovary e tem em sua vida muito tédio. Então seu marido muda de cidade para que ela melhore. Por ser muito bonita, chama atenção dos homens, que vêem nela, a amargura do casamento. Ela tem uma filha, que fica com a ama, e começa a aceitar a cortesia com que os rapazes conversam com ela.

Trechos do livro: “Antes de casar, ela julgara ter amor;mas como a felicidade que deveria ter resultado daquele amor não viera, ela deveria ter se enganado, pensava.”

Spoiler ! Publicado em 1856, a história não é sobre as aventuras da senhora Bovary, é sobre como os homens nunca entenderam as mulheres. No final, em cima de um leito de morte, ela vê que na verdade nunca amou nenhum dos homens que passaram em sua vida – ela amava a beleza e a ternura do momento. E ansiava por momentos novos. Ela se tornou uma mãe e esposa relapsa por causa de homem e isso ainda é imperdoável no nosso tempo. Acho que ela seria muito julgada ainda hoje. É um livro triste, de uma mulher que arriscou por amor e quando precisou de ajuda, ninguém estendeu a mão.

Vários filmes foram feitos à partir do texto e também musicais e peças e outras histórias baseadas em Emma. O filme de 1949 é o que mais se aproxima do texto na minha visão.

A Arte de Perder

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Elizabeth Bishop foi uma autora americana, considerada um das mais importantes poetisas do século XX a escrever na língua inglesa.

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

(tradução de Paulo Henriques Britto)

:

One Art
Elizabeth Bishop

The art of losing isn”t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn”t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother”s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn”t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn”t a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan”t have lied. It”s evident
the art of losing”s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

A Desconstrução do Título

O livro A Mulher do Tenente Francês do autor americano John Fowles, conta em 444 páginas a história do biólogo Charles que está prometido a uma moça rica e bonita da Inglaterra no ano de 1867 e fica curioso com o caso de uma moça que foi abandonada pelo tenente do título do livro, que fica à beira-mar à sua espera. Sarah, parece um pouco depressiva, com uns problemas de subserviência com as pessoas à sua volta. Trabalha de governanta, cuidando da educação de crianças.

Spoiler!  O personagem principal é o Charles. O nosso narrador não-confiável, anda atrás dele por todas as páginas. Não sabemos o que se passa com outros personagens, apenas quando Charles está presente. A Sarah é uma mulher forte e determinada, sabe o que quer, quando ela consegue, ela deixa toda a vida de criada pra trás e vai viver em meio a artistas. E ser livre. O livro tem dois finais: um imaginado pelo Charles e outro oferecido pelo Narrador, que passa a ser um quase-personagem. O tenente do título nunca aparece; é apenas citado, mas que depois dá pra notar que ele foi “inventado” pela Sarah.

É claro que o título é pra fazer o leitor acreditar nas palavras do narrador, mas no final, o próprio narrador desconstrói todo o suspense. Essa história é sobre a perda: perda da riqueza porque seu tio casou-se; perda da liberdade porque vai se casar; perda do status; perda da pureza porque amou; perda da dignidade, por correr atrás de quem não o quer.

Trechos do Livro: “Os únicos momentos de felicidade que tenho é quando estou dormindo. Quando acordo, o pesadelo recomeça. Sinto-me abandonada numa ilha deserta, aprisionada, condenada por um crime que ignoro qual seja.”

O filme de mesmo título foi lançado em 1981 com os famosos Meryl Streep e Jeremy Irons,  é um drama que mostra duas histórias, uma das telas e uma da vida real.

Série de Suspense Medieval

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O livro A Confissão do Irmão Haluin da autora inglesa Ellis Petters conta em 238 páginas  mais uma das histórias do monge Cadfael e se passa no século 12. Um dos internos cai de cima do telhado e em sua confissão conta para o Abade que quer fazer uma penitência que diz respeito a esse pecado. O Irmão Cadfael é indicado como seu acompanhante nessa viagem e descobre que o pecado do Irmão Haluin é mais simples do que parece.

Com um suspense leve, as histórias dessa autora podem ser lidas separadamente. Também já foi feita uma série de Tv sobre esses livros. Aqui no blog tem resenha de outros três livros da autora.

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