Os Confederados

O livro Por Ocasião da Minha Última Tarde da premiada autora americana Kaye Gibbons, conta em 287 páginas a história de um homem muito mau que vivia com a família numa grande casa na Carolina do Norte. A história começa em 1842 e é contada em primeira pessoa pela filha desse homem, que vê os brancos enriquecerem às custas dos serviços dos negros escravizados. Ela e a mãe não concordam com as atitudes do seu pai e ela se casa com um “abolicionista” médico.

A partir daí o livro conta os horrores vividos durante a guerra dos confederados, onde ela ajuda o marido médico a salvar vidas. O pai dela continua mau até o final do livro: nem a guerra, nem a perda da fortuna, nem a doença que o faz ficar sem andar faz com que goste das pessoas.

É um livro dramático, pesado, mas muito bem escrito. Fiquei curiosa sobre esse período após esse post que fiz.

Trechos do Livro: “Ela não afagou meus cabelos, não me acalmou, pois tais delicadezas não eram do seu feitio e porque, naquele momento, não estava com nenhuma disposição de permitir que uma menina branca ficasse choramingando…quando era um dos seus…que fora assassinado…” “O velho disse que eu poderia ficar com os meninos, pois seus cérebros já tinham sido estragados para o trabalho decente.” “Então, beijou a testa de Clarice. Sentou na espreguiçadeira no canto do quarto e chorou, o amargo fruto por ter tratado Clarice como uma criada negra, e não como a mulher que transformara Seven Oaks num lar.”

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Romance ou apenas uma junção de Contos?

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O livro Oratório de Natal do autor sueco Göran Tunström conta em 346 páginas apenas uma história, mas cada parte é a história de um personagem que vão se conhecendo e todos estão relacionados. A história se passa parte na região sueca de Värmland e outra parte na Nova Zelândia. A escrita do autor é meio fragmentada, até se acostumar com o estilo de escrita, com a realidade e a imaginação, demora. Não conseguia saber se todos os personagens eram loucos ou apenas alguns. O tal oratório do título aparece apenas no começo e depois lá nas últimas páginas. Parece que é a música que une a família de Solveig a pianista que ensaia o coral, Aron o pai que faz lápides de mármore para os túmulos e os dois filhos. Aron fica viúvo e se apaixona por uma mulher “por correspondência” Viaja à Nova Zelândia para encontrá-la, abandonando os filhos, porque pensa ser ela a reencarnação de sua mulher que morreu. Enlouquece e pula no mar durante a viagem de navio. O filho adolescente se envolve com uma mulher muito mais velha e tem um filho com ela. A moca que correspondia com seu pai enlouquece após a morte de Aron. O último da família Victor ensaia o Oratório de Natal. Uma homenagem.

Não fiquei envolvida com a história, tem partes interessantes, muito teor adulto e demorei mais de um mês pra finalizar a leitura, significando que não vou lê-lo novamente.

Trechos do Livro:”Toda a família Bach trabalhava em conjunto e não se pode distinguir a caligrafia de Johann Sebastian da de sua esposa…” “Pode perambular pela floresta de palavras onde a luz espalha beleza e atrás de cada curva, no texto, descobrir algo novo: palavras como abóbada arqueada, como coroa das árvores, como troncos e línguas de fogo.” “Existem seres humanos cuja alma é multifacetada. Conseguem duplicar, sim, ou até multiplicar por dez sua existência, sua presença.” “…Fanny suspira. Tem trinta e seis anos e nenhum ser vivente até hoje sabe que sob seu seio direito existe uma marca de nascença, uma pequena mancha negra. Tem o cabelo preso para cima, trançado, e nenhum ser jamais o vira solto e nem sabe o seu comprimento. ” ” Acontece a mesma coisa…quando penso em meu pai, que ele não tem pernas e que é um pedaço de gente que mal pode aparecer na cidade. ..Que ele é como um pequeno fardo…Mas sou eu que o carrego nos braços e não o contrário. ..” “_Com certeza, nenhuma garota vai me querer. _Você quer dizer porque você lê. ..livros e coisas assim? ” “Hoje eu sou metade de um ser humano. Talvez algo que viesse preencher o vazio de minha vida seria saber que, de tempos em tempos, haveria uma carta para ser buscada, uma terra longínqua que pode ser idealizada. ..” “. ..sigo sob um disfarce, que meu nome não é meu, que meus pensamentos, meus verdadeiros sonhos não podem ser liberados pelo meu eu verdadeiro.” ” Era como se a tivessem tirado de um quadro da renascença italiana e colocado sob a luz de um poste numa rua de Sunne e ela ainda não tivesse despertado daquela viagem.” “Ser inteligente é fingir que aquilo que se faz é muito importante. ” ” Todos os seres criados serão representantes imperfeitos da criação. “

Bonito, mas triste.

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O livro Como eu era antes de Você da autora londrina Jojo Moyes, conta em 286 páginas o drama de Louisa, uma jovem que parou de estudar para trabalhar e ajudar a família. Em seus “bicos” ela vai trabalhar em uma mansão como cuidadora de um jovem cadeirante, mimado e depressivo. Ao descobrir que o jovem quer a “eutanásia”, ela se descobre apaixonada por ele e tenta de todas as formas fazê-lo mudar de idéia.
Me lembra um filme com a Julia Roberts, que ela faz esse papel de cuidar de um paciente terminal.
A autora tenta colocar um pouco de frases divertidas, mas é um livro-clichê em que o leitor já vai descobrindo o que acontece. É interessante a forma como a autora envolve o leitor, fazendo a gente gostar até do personagem mais chatinho. Não há um aprofundamento dos personagens ou da narrativa, em alguns capítulos ela muda o ponto de vista para os personagens secundários, mas não tem um arco de grandes acontecimentos.
Trechos do Livro: “O desemprego era um conceito, algo vagamente citado nos noticiários…nunca pensei que se pudesse sentir falta de um emprego como se sente de um braço ou de uma perna…fizesse a pessoa se sentir inadequada, inútil.” “Parecia um puro-sangue. Eu já tinha visto mulheres como aquela…o tipo de mulher que me faz duvidar de que todos os humanos pertençam a mesma espécie.” “Segurei-me para não dizer que qualquer um consegue fazer com que as coisas fiquem bonitas se possuem uma carteira tão recheada quanto uma mina de diamantes.” “Falei com certa autoridade sabendo que meus pais me consideravam uma especialista em toda sorte de coisas que nenhum de nós realmente tínhamos a menor ideia.”
Trailer do filme baseado neste livro:

Novela ou Conto?

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O livro O Fantasma de Canterville do escritor Oscar Wilde, com 105 páginas, tem um subtítulo: uma novela e três contos. Qual o parâmetro que mede cada um?

NOVELA:
  1. 1.
    lit narrativa breve, maior do que um conto e menor do que um romance, e que se caracteriza por apresentar uma espécie de concentração temática em torno de um número restrito de personagens.

CONTOS:

  1. 1.
    lit narrativa breve e concisa, contendo um só conflito, uma única ação (com espaço ger. limitado a um ambiente), unidade de tempo, e número restrito de personagens.

Nesta edição da Série Reencontro numa adaptação de Rubem Braga temos a primeira história que dá nome ao livro contada em 38 páginas, portanto uma novela. Aqui uma família americana vai morar numa mansão inglesa onde mora um fantasma que costuma expulsar os inquilinos. Mas o coitado do fantasma sofre nas mãos das crianças. Até a vingança final.

A segunda história em 15 páginas é um conto fantástico onde foguetes (fogos de artifício) conversam com animaizinhos. Trecho do conto: “…Não deixarei de lhe falar só porque não me presta atenção. Gosto de me ouvir falar. É um dos meus maiores prazeres. Frequentemente passo muito tempo a conversar sozinho, e sou tão sagaz que às vezes não entendo uma única palavra do que digo.”

A terceira história é um conto de 21 páginas e conta aquelas histórias que tem uma lição de moral no fim: aqui se faz, aqui se paga.

A mais triste história é o conto final com 23 páginas onde um anão corcunda e deficiente não sabe que é feio até se ver num espelho e sofrer bullying da princesa que amava…e morre de coração partido

Vários filmes para o cinema e Tv foram adaptados; também histórias em quadrinhos e teatro. A primeira versão foi uma comédia em 1944 e o mais recente um drama de 1996.

 

As preferências da loucura

O autor Herman Melville escreveu esta short story em 1853, e em 100 páginas consegue incomodar, mostrando como a loucura pode se esconder em pessoas comuns. Um advogado tem seu escritório, onde contrata rapazes para escrever, escriturar, conferir os processos de páginas e páginas. O autor consegue descrever as diferentes características dos quatro personagens que lá trabalham. E, como o personagem de Kafka, esse rapaz se torna um peso que o advogado não consegue se livrar. Narrado pelo advogado, não sabemos o que realmente passa na cabeça do rapaz. Temos a visão única de sua loucura atravez das reclamações do advogado. E o final triste mostra o desamparo em que o rapaz é deixado. E o personagem do advogado passa o tempo todo tentando convencer o leitor de que ele fez o possível e que o rapaz escolheu esse fim.

Não vi o filme, mas fiquei curiosa sobre.

 

filme

…da cópia à inspiração…

Plágio
  1. jur apresentação feita por alguém, como de sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual etc. produzido por outrem.
    Neste livro A Marca de Uma Lágrima, com 94 páginas o autor Pedro Bandeira diz que se inspirou em Cyrano de Bergerac  para escrever sua história. Inspiração não é plágio. Realmente ele conseguiu, invertendo os papéis, onde o romântico personagem Cyrano, feio mas ótimo poeta ajuda seu rival a conquistar a mulher amada, se transforma em Isabel, adolescente que se acha feia, mas é nota dez em redação na escola. Ela ajuda sua amiga a conquistar o rapaz por quem ela acha que está apaixonada. Porque essa história tem mais personagens e tramas paralelas, o que mostra que ele apenas se inspirou em partes com a história original.
    Uma boa história para adolescentes, principalmente para incentivar o ler a versão de Cyrano de Bergerac ou mesmo ver o filme de 1990 com Gérard Depardieu, que eu assisti. =)

Para chorar litros :(

O livro Querida Sue da autora Jessica Brockmole, de 2013 com 255 páginas, se passa paralelamente em dois momentos da história: em 1912, período da primeira guerra e 1940 período da segunda guerra. Vemos a Sue Jovem se apaixonando durante a guerra e depois vivendo isso através de sua filha no cenário da Escócia. E toda a correspondência dessa época se dava por meio de cartas ❤

O título do livro me incomodou – o original remete à ilha onde mora a poetisa Sue. A casa da capa realmente parece mostrar a paisagem descrita no livro. A história tem algumas inconsistências que não desmerece todo o romance e a nostalgia de quem já viveu essa loucura de esperar um envelope por dias e dias… Chorei…os do

Trechos do livro: “Sei que eu nunca poderei enviar esta carta; ela vai acabar na lareira, no instante em que eu terminar de passar as palavras para o papel…ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma.” “um livro é um jardim carregado no bolso.”

Quer resenha? Clique aqui.

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