Leitura difícil… :/

Eu já havia iniciado esse livro algumas vezes; aproveitei o feriado para dar um fim nessa leitura difícil – o livro O Pêndulo de Focault do autor Umberto Eco com 613 páginas de texto com letras minúsculas e poucos diálogos, muitas descrições, textos em outros idiomas, explicações físicas e matemáticas, filosóficas, mística.

Tres amigos que trabalham numa editora de livros místicos, resolvem criar seus próprios mistérios a respeito de um certo mapa dos Templários. E algumas pessoas acreditam ser verdadeiro o que coloca a vida dos tres amigos em perigo. Ele me lembra a filosofia de “O Mundo de Sofia” quando fala de cada uma das religiões e seus pontos positivos e negativos. Nada é tão bom que não carregue uma maldade e nada é mal o tempo todo, que não faça alguém se sentir bem.

Os dez capítulos tem nomes em hebraico, para explicar cada início tem um texto ou em hebraico ou em latim de um outro livro. O texto mistura personagens reais e fictícios. A trama começa empolgante, depois você esquece – o quê todos estão procurando mesmo?

Trechos do livro: “…é inútil escrever quando não se tem uma poderosa motivação, é melhor reescrever os livros dos outros – como faz um bom redator editorial…” “Não é que o incrédulo não deva acreditar em nada. Não crê é em tudo. Crê numa coisa de cada vez, e numa segunda apenas se essa de certa maneira descende da primeira.” “…estamos projetando uma reforma do saber. Uma Faculdade da Irrelevância Comparada, onde se estudam matérias inúteis ou impossíveis. A faculdade tende a reproduzir estudiosos em grau de aumentar ao infinito o número de matérias irrelevantes.”

Pra lê e gosta de Dan Brown, é bom conhecer de onde ele tira suas idéias. 🙂

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Perturbador…

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Adorei a cor do livro. A história te leva a pensar coisas dos personagens e depois mudar de opinião. Esse amarelo te enlouquece, porque tudo fica meio amarelado com o tempo….

Mas vamos à história: uma mulher vive numa época em que a esposa não tinha voz ativa, apenas obedecia ao marido. Este texto foi escrito em 1892, época em que algumas mulheres começavam a lutar por direitos que não existiam. Então o médico, também seu marido, diz que a trouxe para uma casa afastada para repousar a mente cansada. Mas ela só quer escrever – e faz isso escondido. O marido se une ao irmão da mulher, também médico, que apóia essa idéia de mantê-la…trancada neste quarto com a parede coberta por um papel com grafismos que dão a ilusão de ótica de movimento.

Como leitora, não sei exatamente o que se passou na história, o que deixa uma sensação perturbadora de realidade – pode acontecer com qualquer um.

O livro da autora Charlotte Perkins Gilman, com 109 páginas, tem uma apresentação de Marcia Tiburi – de quem não li nem um livro, e posfácio e notas de Elaine Hedges.os do

Trechos do livro: “…Um desses padrões irregulares…que cometem todo tipo de pecado artístico…quando seguimos por um tempo suas curvas…elas de súbito cometem suicídio – afundam-se em ângulos deploráveis, aniquilam-se em contradições inconcebíveis.”

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Volta ao mundo, lendo livros =D

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Este ano tive a oportunidade de ler livros de vários autores, de vários lugares do mundo e também histórias que se passam em lugares diferentes.

Este livro sobre o artista Rembrandt,  Van Rijn da autora Sarah Emily Maino, mistura ficção e realidade  em 441 páginas. A história de um rapaz que não quer seguir os passos de seu pai e continuar publicando mapas. Ele quer editar seu próprio livro na distante Amsterdã do século XVII e escolhe um pintor obscuro para seguir e descobrir os mistérios de sua vida e os segredos de suas obras. A diagramação também tem um diferencial: o diário de Rembrandt é escrito em itálico e a história de como o rapaz/editor chegou até ele, em letras normais, mas em formato de peça de teatro; também temos versos e poesias na obra; temos algumas crônicas avulsas; citações bíblicas; temos cartas trocadas entre os personagens; temos listas de tarefas ou de compras; alguns capítulos possui o título no latim original; e também muitos capítulos dedicados à filosofia e à arte. O livro também fala de técnicas de pintura e de religião, talvez porque a maioria dos quadros descritos, são versões para passagens bíblicas. Gosto de ler sobre esse período e a autora fez uma pesquisa muito boa e ganhou um prêmio por este livro. Acho que a edição ficou devendo alguns dos belos quadros do pintor.

Desconstruindo Simone…

É meu primeiro contato com a famosa Simone de Beauvoir, no livro Memórias de uma Moça Bem-Comportada, com 335 páginas, nesta edição de 1958. O tradutor diz que é uma autobiografia. Então… choquei!! Porque a autora é conhecida por seu feminismo descrito em sua mais famosa obra “O Segundo Sexo“, e neste livro ela se mostra muito religiosa, que não tolera os pecados alheios, que mesmo após desistir da religião, continua carola e achando a pureza do casamento  como único caminho aceitável.  O começo é descritivamente chato: ela passa oitenta páginas contando dos seis aos oito anos de vida! Ninguém é tão filosoficamente chato aos oito anos! Tudo bem que ela se formou em Filosofia, mas quando conta parte de sua trajetória dos dezessete aos vinte, mostra-se alienada, como alguém que não quer saber aonde a família consegue dinheiro pra pagar seus estudos, ou como a guerra ao redor do mundo (na época) poderia influenciar vidas. Tão egoísta que plagiou seu primeiro trabalho no colégio e achou que não fez nada de mais. Pegava livros emprestados com amigos e bibliotecas e esquecia de devolvê-los! (OMG!) Suas amigas tinham namorados aos vinte e ela não gostava de imaginar intimidades com nenhum homem. Conta sua briga com a família, porque não gostava dos modos simplistas do pai e tinha vergonha da mãe, que falava-lhe verdades: ela gostava mais das amigas e faria tudo pelas amizades, mas não pela família. Ela passou pra mim uma inteligência no modo de produzir seus textos: primeiro procure saber o que está sendo mais procurado, depois escreva isso.

Vou tentar ler outros textos dela, porque esse não me convenceu como real; parece ficção.

Trechos do livro: “…proibiam-nos de brincar com meninas desconhecidas: era, evidentemente, por não sermos da mesma laia. Não tinhamos o direito de beber , como toda a gente, nas canecas penduradas às fontes; vovô dera-me uma concha de madrepérola…” “Sentava-me na poltrona de couro, ao lado da biblioteca de pereira escura, fazia estalar nas mãos os livros novos, respirava-lhes o cheiro, olhava as figuras, os mapas…” Falando de seu pai: “Ele apreciava acima de tudo a boa educação e as belas maneiras; entretanto, quando me encontrava com ele num metrô, num restaurante, num trem, sentia-me incomodada com seus gritos, suas gesticulações…”

Sobre Arte, Filosofia e Política

Livro teórico fácil de ler, talvez porque virei fã dessa autora. A Vontade Radical (edição de 1987) de Susan Sontag, reúne alguns de seus ensaios – eu diria suas idéias. Com o subtítulo “estilos”, acompanhamos toda a intelectualidade do estilo da Susan pra falar de erotismo, cinema literário e guerra do Vietnã. Achei que eu iria pular essa parte da guerra, mas é exatamente aí que me detive, sem conseguir parar de ler. A crítica social feita ao seu próprio país, me deixou sorrisos no rosto! 😀

A primeira parte do livro (a única que eu precisava ler) é sobre a arte. Alguns trechos: “Olhar para alguma coisa que está ‘vazia’ ainda é olhar, ainda é ver algo – quando nada, os fantasmas da sua própria expectativa.”  “…a linguagem é o mais impuro, contaminado e esgotado de todos os materiais de que se faz a arte.”

O segundo capítulo fala da literatura pornográfica. Trechos: “Ainda que o romance (citando História de O ) seja nitidamente obsceno pelos padrões usuais…a excitação não parece ser a única função das situações retratadas…somente uma noção empobrecida e mecanicista de sexo poderia levar alguém a pensar que ser estimulado sexualmente por um livro…é uma questão simples.” ” Se ainda é necessário levantar a questão de saber se a pornografia e a literatura são ou não antiéticas, se é totalmente necessário afirmar que as obras de pornografia podem pertencer à literatura…”

Nos capítulos sobre a arte do cinema, ela cita uma fala de Godard: “Mas, certamente, senhor Godard”, teria dito o exasperado Franju, “o senhor pelo menos reconhece a necessidade de ter um começo, um meio e um fim em seus filmes.” “Sem dúvida”, replicou Godard, “mas não necessariamente nessa ordem.” ❤

Marquei muitas partes deste livro, que nem poderia descrever todas! Mas me tornei fã da forma como ela não polemiza nenhum assunto, apenas impõe seu estilo em cada parte escrita. O último capítulo é um diário de viagem a Hanói, país bombardeado pelos Estados Unidos da América. Ela descreve um povo que não alterou sua consciência moral, apesar da destruição e dos “visitantes invasores”, que eram tão bem recebidos, apesar de serem “inimigos”.

Vale a pena a leitura! Resenha aqui.