“Cada Traço é Único.” <3

O livro O Coração do Pincel de Kazuaki Tanahashi, com 156 páginas, fala sobre a arte, poesia, escritos, idéias e vivências desse artista que gosta de inovar provocando os críticos de sua arte. Ele descreve de forma poética, como o observador da arte deve pensar e sentir para entender o processo do artista, não apenas ver a arte. Ele achava que a beleza era um obstáculo à arte.

Trechos do livro: Esse trecho mostra o quanto ele era irônico o que sua arte representa para as pessoas: “O gerente de hóspedes do mosteiro zen em Tassajara, California, telefonou-me um dia: “Acabamos de notar que a pintura do círculo que você nos deu tem escrito, no verso, o seguinte título: ‘Quadrado’. Você fez de propósito ou foi um engano?” “Ah, não me lembro”, repliquei. “Mas acho que é um título fantástico. Por favor, mantenha-o.”

“Numa pintura de um só traço não há muito espaço para a composição. Apenas desenhe uma linha em qualquer ponto de um pedaço de papel. Restam ainda assim, vastas possibilidades do que pode vir a ocorrer, dependendo do quanto o pincel ficou embebido de tinta…”

“A pintura sem espaço negativo é como música sem silêncio. Para que a música tenha intensidade, a parte silenciosa deve ser bem executada…”

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Desconstruindo Simone…

É meu primeiro contato com a famosa Simone de Beauvoir, no livro Memórias de uma Moça Bem-Comportada, com 335 páginas, nesta edição de 1958. O tradutor diz que é uma autobiografia. Então… choquei!! Porque a autora é conhecida por seu feminismo descrito em sua mais famosa obra “O Segundo Sexo“, e neste livro ela se mostra muito religiosa, que não tolera os pecados alheios, que mesmo após desistir da religião, continua carola e achando a pureza do casamento  como único caminho aceitável.  O começo é descritivamente chato: ela passa oitenta páginas contando dos seis aos oito anos de vida! Ninguém é tão filosoficamente chato aos oito anos! Tudo bem que ela se formou em Filosofia, mas quando conta parte de sua trajetória dos dezessete aos vinte, mostra-se alienada, como alguém que não quer saber aonde a família consegue dinheiro pra pagar seus estudos, ou como a guerra ao redor do mundo (na época) poderia influenciar vidas. Tão egoísta que plagiou seu primeiro trabalho no colégio e achou que não fez nada de mais. Pegava livros emprestados com amigos e bibliotecas e esquecia de devolvê-los! (OMG!) Suas amigas tinham namorados aos vinte e ela não gostava de imaginar intimidades com nenhum homem. Conta sua briga com a família, porque não gostava dos modos simplistas do pai e tinha vergonha da mãe, que falava-lhe verdades: ela gostava mais das amigas e faria tudo pelas amizades, mas não pela família. Ela passou pra mim uma inteligência no modo de produzir seus textos: primeiro procure saber o que está sendo mais procurado, depois escreva isso.

Vou tentar ler outros textos dela, porque esse não me convenceu como real; parece ficção.

Trechos do livro: “…proibiam-nos de brincar com meninas desconhecidas: era, evidentemente, por não sermos da mesma laia. Não tinhamos o direito de beber , como toda a gente, nas canecas penduradas às fontes; vovô dera-me uma concha de madrepérola…” “Sentava-me na poltrona de couro, ao lado da biblioteca de pereira escura, fazia estalar nas mãos os livros novos, respirava-lhes o cheiro, olhava as figuras, os mapas…” Falando de seu pai: “Ele apreciava acima de tudo a boa educação e as belas maneiras; entretanto, quando me encontrava com ele num metrô, num restaurante, num trem, sentia-me incomodada com seus gritos, suas gesticulações…”

Li o Livro, vi o Filme

Tanto o livro quanto o filme são divididos em três partes: Italia, India e Indonésia. No livro eu gostei dos pormenores, o detalhamento da beleza das cidades italianas, do encantamento com o modo de vida e do modo como a hora da refeição é sagrada. Na Indonésia a descrição da beleza e costumes do local onde ela viveu é fanástico – Mostra como a natureza do amar é simples, nós que complicamos. Na India, mostra que deve haver um equilibrio entre o que você pensa, sente e faz.

Mas eu fico com o filme: ele tira as partes chatas, define as personalidades de cada um – no livro todo mundo é ambíguo – e tem todo um romance no ar embalado com música brasileira! Adorei alguns trechos do livro, que nem são citados no filme:

“sou uma das formas mais afetuosas do planeta: algo como cruzamento de molusco com shamexuga.”

“o vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nuncaousou admitirque queria. Um explosivo coquetel emocional, feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa como a obsessão faminta de qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência, sem falar no ressentimento para com o “traficante” que incentivou você a adquirir esse vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom – apesar de você saber que ele tem “algum” escondido em algum lugar – do que antes ele te dava de graça e agora tem que implorar. O estágio seguinte é você esquelética, tremendo agachada em um canto, sabendo apenas que venderiasua alma só prater aquela “coisa” mais uma vez que fosse. Enquanto isso o objeto de sua adoração agora sente repulsa de você. E você tem a sensação de ser uma espéciede máquina primitiva impulsionada à moda e submetida a uma tensão muito maior para o qual havia sido construída para suportar, prestes a estourar, pondo em risco qualquer um que estivesse por perto.”

“ao mesmo tempo meu ímã e minha criptonita, em igual medida, meu farol e minha ave de mau agouro.”

“quando se está perdido na selva, é preciso algum tempo para se dar conta disso. Durante muito tempo você pode se convencer de que só se afastou alguns metros do caminho, de que a qualquer momento irá conseguir voltar para a trilha marcada. Então a noite cai e você continua sem a menor idéia de onde está e é hora de reconhecer que se afastou tanto do caminho que sequer sabe mais em que direção o sol nasce.”

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A crise dos quarenta

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Você começa a se dar conta de que:

 seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a), marido, etc..
E cada vez desfruta mais da solidão de falar ao telefone, ou no msn, ou no e-mail, ou no Facebook.

Você tem mais “amigos ” nas redes sociais do que pessoalmente
As multidões já não são ‘tão divertidas’…
E às vezes até lhe incomodam.

se da conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.

Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.

 Os Quarenta parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas todo mundo que já passou diz que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos…
Parece que foi ontem que tínhamos 20… Então, amanha teremos 50?!?!
Assim tão rápido?!?!

Cadê o Tempo?