Leitura difícil… :/

Eu já havia iniciado esse livro algumas vezes; aproveitei o feriado para dar um fim nessa leitura difícil – o livro O Pêndulo de Focault do autor Umberto Eco com 613 páginas de texto com letras minúsculas e poucos diálogos, muitas descrições, textos em outros idiomas, explicações físicas e matemáticas, filosóficas, mística.

Tres amigos que trabalham numa editora de livros místicos, resolvem criar seus próprios mistérios a respeito de um certo mapa dos Templários. E algumas pessoas acreditam ser verdadeiro o que coloca a vida dos tres amigos em perigo. Ele me lembra a filosofia de “O Mundo de Sofia” quando fala de cada uma das religiões e seus pontos positivos e negativos. Nada é tão bom que não carregue uma maldade e nada é mal o tempo todo, que não faça alguém se sentir bem.

Os dez capítulos tem nomes em hebraico, para explicar cada início tem um texto ou em hebraico ou em latim de um outro livro. O texto mistura personagens reais e fictícios. A trama começa empolgante, depois você esquece – o quê todos estão procurando mesmo?

Trechos do livro: “…é inútil escrever quando não se tem uma poderosa motivação, é melhor reescrever os livros dos outros – como faz um bom redator editorial…” “Não é que o incrédulo não deva acreditar em nada. Não crê é em tudo. Crê numa coisa de cada vez, e numa segunda apenas se essa de certa maneira descende da primeira.” “…estamos projetando uma reforma do saber. Uma Faculdade da Irrelevância Comparada, onde se estudam matérias inúteis ou impossíveis. A faculdade tende a reproduzir estudiosos em grau de aumentar ao infinito o número de matérias irrelevantes.”

Pra lê e gosta de Dan Brown, é bom conhecer de onde ele tira suas idéias. 🙂

Quer resenha? Clique Aqui.

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Desconstruindo Simone…

É meu primeiro contato com a famosa Simone de Beauvoir, no livro Memórias de uma Moça Bem-Comportada, com 335 páginas, nesta edição de 1958. O tradutor diz que é uma autobiografia. Então… choquei!! Porque a autora é conhecida por seu feminismo descrito em sua mais famosa obra “O Segundo Sexo“, e neste livro ela se mostra muito religiosa, que não tolera os pecados alheios, que mesmo após desistir da religião, continua carola e achando a pureza do casamento  como único caminho aceitável.  O começo é descritivamente chato: ela passa oitenta páginas contando dos seis aos oito anos de vida! Ninguém é tão filosoficamente chato aos oito anos! Tudo bem que ela se formou em Filosofia, mas quando conta parte de sua trajetória dos dezessete aos vinte, mostra-se alienada, como alguém que não quer saber aonde a família consegue dinheiro pra pagar seus estudos, ou como a guerra ao redor do mundo (na época) poderia influenciar vidas. Tão egoísta que plagiou seu primeiro trabalho no colégio e achou que não fez nada de mais. Pegava livros emprestados com amigos e bibliotecas e esquecia de devolvê-los! (OMG!) Suas amigas tinham namorados aos vinte e ela não gostava de imaginar intimidades com nenhum homem. Conta sua briga com a família, porque não gostava dos modos simplistas do pai e tinha vergonha da mãe, que falava-lhe verdades: ela gostava mais das amigas e faria tudo pelas amizades, mas não pela família. Ela passou pra mim uma inteligência no modo de produzir seus textos: primeiro procure saber o que está sendo mais procurado, depois escreva isso.

Vou tentar ler outros textos dela, porque esse não me convenceu como real; parece ficção.

Trechos do livro: “…proibiam-nos de brincar com meninas desconhecidas: era, evidentemente, por não sermos da mesma laia. Não tinhamos o direito de beber , como toda a gente, nas canecas penduradas às fontes; vovô dera-me uma concha de madrepérola…” “Sentava-me na poltrona de couro, ao lado da biblioteca de pereira escura, fazia estalar nas mãos os livros novos, respirava-lhes o cheiro, olhava as figuras, os mapas…” Falando de seu pai: “Ele apreciava acima de tudo a boa educação e as belas maneiras; entretanto, quando me encontrava com ele num metrô, num restaurante, num trem, sentia-me incomodada com seus gritos, suas gesticulações…”

Hi$tóRi@ CONCEITUAL =)

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O que acontece quando você gosta de um autor? Quero ler todos os livros dele!  E quais são suas expectativas quando dois livros são bons? Que o terceiro me surpreenda! E quando a premissa é fantástica? Qual é a pegadinha? Porque essas três qualidades fazem o livro perfeito!!  O que esperar de Umberto Eco – autor que gosto – no livro de 2010, O Cemitério de Praga, com 478 páginas, que se passa em no séc XIX – meu favorito – personagens históricos reais!  Não me surpreendeu, não me decepcionou.  Teve alguns momentos instigantes, de ficar acordada lendo, alguns momentos maçantes, gzuuiss! , momentos que me parecia um outro escritor… mas valeu a pena.

O livro é conceitual: para diferenciar os três personagens que “contam” a história, a impressão do texto usa diferentes fontes pra cada um. Para o narrador, fonte bodoni em Negrito; para o abade Dalla Picolla fonte Myriad em itálico; para Simonini, fonte garamond. E ainda tem quando cada um conta algo sobre o que outra pessoa disse, porque aí a fonte tem uma ligeira mudança… Isso no começo, traz um certo caminho a seguir, já que se trata da história de um duplo. Mas depois , dá uma sensação que a história recomeça de novo, e de novo…com outro ponto de vista, que dá na mesma, para “ a vítima”.

Trechos do livro:

“Os padre…Como os conheci? Na casa do vovô, creio; tenho a obscura lembrança de olhares fugidios, dentaduras estragadas, hálitos pesados, mãos suadas que tentavam me acariciar a nuca. Que nojo.Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz padre ou frade só para viver no ócio…”

Que fique claro …que não produzo falsificações, mas sim novas cópias de um documento autêntico que se perdeu ou que, por um acidente banal, nunca foi produzido, mas que poderia e deveria sê-lo.“

o personagem cita com detalhes as refeições servidas: „…bastava colocar umas fatias de pão numa sopeira, temperando-as com muito azeite e pimenta recém-macerada; ferviam-se em ¾ de litro de água e sal umas cebolas fatiadas, tomate em tirinhas e calaminta; depois de vinte minutos derramava-se tudo sobre o pão, deixava-se descansar por uns minutos e pronto, servir bem quente.“

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Lendo o Séc. XVIII

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Será que gostar muito de autor, me fará gostar de todas as suas obras? Não necessariamente. O livro Rebecca é um dos meus favoritos da vida. E não posso dizer o mesmo de Forte é o Cristal de Daphne du Marier, com 375 páginas nessa edição de 1974. conta a história de uma familia de vidreiros, com suas fornalhas e trabalhadores do vidro, seus problemas familiares, problemas com a guerra numa Paris com a realeza se exibindo no período de 1747 a 1844. Um relato linear do ponto de vista da personagem principal Sophie Duval. Não tem um relato envolvente, não tem nada que me prende à história ou aos personagens. Mas tenho que admitir que a escrita da autora é muito bem elaborada e sem deixar nenhuma ponta solta, tudo muito bem amarrado. Vale a pena conhecer outras obras dos autores que gosto. Farei isso mais vezes. =)

 

Leitura Compartilhada #6

Finalizando o volume dois de Jean-Christophe, do autor Romain Rolland com 542 páginas, temos na parte III o livro chamado Antoinette. Essa moça JC conhece na Alemanha, a convida para ir à um concerto e ela perde o emprego e volta para Paris. Eles não travam uma amizade. Eles nem se conhecem. Na orelha do livro está escrito “…Antoinette é o único dos dez romances da série que não trata diretamente da biografia do herói.”  Aqi vamos conhecer uma moça que apenas cruzou o caminho de JC. Antoinette tem uma vida breve. Filha da rica família Jeannin, tem todos os estudos e todos os bons partidos aos seus pés, já que é muito bonita. Tem um irmão mais novo. seus pais criam um ambiente perfeito em volta dos dois. Seu pai banqueiro, cai nas lábias de um aproveitador e gasta o dinheiro dos clientes, não conseguindo saldar suas dívidas. Então ele se suicida e deixa a mulher pra resolver os problemas da família. Ela vai procurar uma irmã também rica que lhe vira as costas. Ela adoece e morre. Então Antoinette se torna a responsável pelo irmão mais novo e faz de tudo para que ele chegue à universidade. Trabalha muito, cuida pouco da saúde e esquece de si. Um doença faz com que tenha uma vida curta, mas consegue deixar seu irmão com uma bolsa de estudos. Após sua morte, seu irmão lendo seus escritos, descobre que ela nunca esqueceu Jean Christophe por tê-la convidado para aquele concerto. E aí Oliver faz tudo para encontrá-lo.

Terminamos aqui o segundo volume. Trecho do livro: “A pior desgraça, para as almas fracas e ternas, é terem conhecido, uma vez, a maior das felicidades.”

Trecho do comentário no Blog do Escriba: “Só lê Jean-Christophe, o romance do francês Romain Rolland, quem tem fôlego de alpinista e ama de fato as Letras. Ou então, é viciado em literatura e livros clássicos imortais. E, especialmente, quem dispõe de tempo, artigo de luxo nos dias corridos que vivemos hoje. Sim, porque a obra é bela, indubitavelmente, mas muito extensa. São, nada mais nada menos, que cinco volumes de quatrocentos e tantas páginas cada um. Em peso, deve dar uns cinco quilos ou mais de literatura fina e fluida, embotada de sentimentos humanistas e filosóficos interessantíssimos que, realmente, validam sua dilatada estatura e extensão, e com certeza encantará os leitores mais sensíveis que se aventurarem a lê-lo. Sem dúvida, vale a pena. No romance existem centenas de belas passagens, que dariam, com certeza, para encher todo um Blog com seu conteúdo…”.

 

Leitura Compartilhada #5

 

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Entramos no segundo livro do Volume II, de Romain Rolland,  onde Jean Cristophe pensa que Paris vai ser sua salvação. Tem umas páginas de diálogos do narrador com o personagem, que não acrescenta nada e depois o trem chega à Paris. O livro se chama A Feira na Praça. A primeira visão que JC teve de Paris, foi de desânimo, mas tentava imaginar que havia uma “outra Paris”. Não consegue trabalhar sua música, mas consegue dar aulas para alguns da sociedade parisiense, que vive numa anarquia. JC vive em conflito com a moral elevada por pensamentos religiosos, e a naturalidade os vícios, as trocas de parceiros, a falta de moralismo. Trecho do livro:” Essa plebe musical enojava-o…que todo verdadeiro músico vive num universo sonoro… a música é o ar que ele respira, o céu que o envolve. Mesmo a sua alma é música.”

JC também travou contato com a sociedade literária e também ficou chocado com textos “a respeito de um pai que dormia com a filha de quinze anos…sobre um pai e seu filho de doze anos que dormiam com a mesma moça…um irmão que dormia com a irmã…” e achou essa sociedade doente. Um desse escritores se chama Lucien Lévy-Coeur e JC detestava-o: “…ele representava o espírito de ironia e decomposição que atacava brandamente… a família , o casamento, a religião, a pátria…tudo lhe servia de matéria de literatura: suas conquistas, seus vícios e os vícios dos amigos…narrava a vida privada de seus pais…”

Nessa época os defensores da República desejavam retirar os ainda poucos poderes da igreja sobre o Estado. Então JC pensa que no meio de grupos políticos pode haver melhores pensadores do que nos grupos de música e literatura. Mas também aterrorizou-se com as conversações hipócritas e suas idéias sobre a França ficaram abaladas.

Então ele conhece o poeta Olivier Jeannin e começa a gostar de Paris. Trecho do livro: ” A deliciosa luz de Paris!…pouco a pouco transformava seu coração, sem que ele o percebesse. Era para ele a mais bela das músicas.”

Música que ouvi durante a leitura:

 

 

 

 

 

Leitura Compartilhada #4

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Com as férias de Janeiro, pude fazer uma maratona literária e terminar vários livros que havia começado, bem como adiantar o desafio da Leitura Compartilhada. Nada difícil, se tratando de uma obra com Jean-Christophe, de Romain Rolland.  =)

Nesse segundo volume temos então o livro IV chamado A Revolta. Aqui encontro JC tentando provar pro mundo que suas idéias são geniais e, diante da recusa em que os cidadãos o recebem, ele se revolta contra a cidade, contra as emoções, contra a própria música, deixando de admirar os grandes mestres: “…a melancolia opulenta de Mendelssohn…era Litz…comediante de feira e…virtuosidade enfadonha…Era Shubert…submerso…de água…insípida. Até mesmo Bach…não estava isento de mentiras.”. E decide não mais aceitar imposições, o que traz vários problemas, já que é pobre e necessita trabalhar e sobreviver de música. Tentou tocar suas músicas e não foi bem recebido. O fracasso de sua obra, a hostilidade dos críticos e a arrogância da platéia que conversava durante a apresentação, mostra que JC tinha aquela confiança ingênua dos dezoito anos, que acredita no sucesso fácil e rápido. Precisando de trabalho, aceita a oferta de um judeu para fazer crítica musical em uma revista. suas críticas o tornam mais indesejado entre os cidadãos da cidade. e deixa seu emprego. Sua vontade é ir para Paris onde pensa que sua música será bem recebida, mas tem que ficar por causa de sua mãe.

A realeza rompe com JC e ele afunda em suas decisões sem conseguir colocar a cabeça fora d’água. Ele fica sem emprego, sem amigos, sem amor, sem sua música. Resolve imprimir uns livretos com suas canções conhecidas como Lieder. Alguns respeitáveis críticos viram ali sua genialidade, mas não decidiram por ajudá-lo e uma briga com soldados para defender uma moça, precipita sua fuga para Paris, sem mesmo despedir de sua mãe.

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