A mulher na sociedade machista

O clássico brasileiro Lucíola de José de Alencar, com apenas 128 páginas, escrito em 1862, foi ambientado no Rio de Janeiro, contado em primeira pessoa pelo protagonista, em forma de carta-resposta à uma mulher da sociedade que usou de palavras preconceituosas para uma cortesã/mulher de vida fácil, e que ele resolveu intervir em seu favor. Nessa carta, conta a própria história e de sua paixão por Lúcia e como o amor pode redimir uma alma pura mesmo com o corpo em pecado.

Foi um livro-escândalo, proibido e em sua introdução, uma demonstração do machismo da época com a frase “…se o livro cair nas mãos de alguma das poucas mulheres que lêem neste país…”

Li este livro a primeira vez aos 14 anos, na escola e vejo que esse não deveria ser um livro indicado para essa idade! Vejo que não entendi metade da escrita, mas já gostei da história e continuo achando a escrita do José de Alencar muito fluida, apesar do linguajar culto e das rígidas normas da língua portuguesa usada por alguns escritores no Séc. XIX.

Trecho do livro: “Sempre tive horror às reticências…por isso quando em alguns livros moralíssimos vejo uma reticência, tremo!…a minha história é imoral; portanto não admite reticências…se…um editor escrupuloso quisesse dar ao pequeno livro passaporte para viajar das estantes empoeiradas aos toucadores perfumados…bastaria substituir certos trechos mais ousados por duas ordens de pontinhos.”