As coisas boas da vida!

O livro Um fio de Azeite da autora Rosa Nepomuceno, nos faz viajar em 152 páginas por caminhos e receitas da Itália, sobre a forma como os italianos tratam seu ouro dourado também conhecido como azeite. =)

Em todas as páginas, o encontro com histórias e dados sobre a plantação e superstição e envazamento do azeite nas regiões da Umbria, Toscana e Silícia. As famílias que só plantam, outras que só vendem, e os restaurantes que utilizam.

Uma das coisas boas da vida é o alimento e esse livro alimenta a fome de boa leitura.

Trechos do livro: “As três religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo – deram ao óleo das azeitoneiras funções especiais…e lhe imprimiram os mesmos significados de prosperidade paz e fraternidade.”

“Pela idade de um olival, é possível avaliar o lastro cultural e econômico dos proprietários e seu poder na região. Como o brasão da família…as oliveiras parecem ter vida eterna, contrastando com a visão das autoestradas, onde a vida passa veloz…”

“…um vaso etrusco encontrado nas catacumbas da propriedade que à sua família à várias gerações. Depois da sobremesa, torta de pera com calda de chocolate, convidou-nos pra ver o achado arqueológico. Descemos aqueles inacreditáveis labirintos…”

 

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O que é literatura nacional?

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Este ano decidi que quero ler mais autores nacionais. O que significa isto? que o autor nasceu no Brasil? Ou apenas mora e lançou livro no Brasil? Ou a história se passa no Brasil? Ou tudo isso junto? Segundo a nota bibliográfica, este é um livro nacional. Escrito em 1995, o livro O Manuscrito de Mediavilla, do autor brasileiro Isaías Pessotti, com 333 páginas, se passa totalmente na Itália, com personagens italianos. Bem, isso porque o autor foi estudar em Milão em 1964 retornando em 1970. Com uma carreira de pesquisador (que fica evidente no livro) começou na escrita com uma atividade paralela e ganhou o Prêmio Jabuti. Esse não parece um livro nacional característico. É ficção, mas parece um relatório de pesquisas do Departamento de História de uma universidade. Para quem gosta de todas as formas de arte, aqui tem de tudo um pouco: descrições sobre arquitetura medieval, discussões sobre música e pintura em um grupo de personagens intelectuais, descrição da culinária italiana e vinhos, para deixar qualquer enófilo com água na boca e fotografia. A história não tem um arco da narrativa, mesmo com um suspense, ela é linear. O suspense gira em torno desse manuscrito que foi fotografado e várias autoridades religiosas e institucionais querem saber como e por quem. Essa capa é um quadro de Botticelli, um artista citado pelos personagens, mas este não é um detalhe muito bonito da obra. :/

Trechos do livro: “…os alunos precisam distinguir entre o poder que contestam e a autoridade intelectual de seus mestres. Que o direito de contestar a universidade, se adquire cumprindo seu papel nela, o dever social de estudar com seriedade…” “Você tem harmonia de cores, acordes de figuras, de sabores de datas. Toda forma é harmonia, é número. Sem ele tudo seria obscuro…” “Cada um de nós pertence a infinitas melodias e sinfonias. Somos momentos de processos que transcendem a nós mesmos, e nisso nós somos sons. Mas absorvemos saberes, valores e experiências. Temos desejos e aversões, virtudes e fraquezas que fazem de cada um de nós uma complexa combinação de…formas. E então somos acordes.”

Vale a pena a leitura. Quer resenha? Clique Aqui. E para fazer jus a esse post: música em taças de vinhos! =D

 

 

 

Viagem e comida

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O livro Mil Dias em Veneza de Marlena de Blasi, com 231 páginas, nos leva junto com a autora pra uma aventura em que em certa etapa da vida, todo mundo quer estabilizar e ter paz, e ela rompe os paradigmas da idade, se apaixona, vende tudo o que tem, muda de país e casa-se com um completo estranho!!

E esse italiano é um poeta apaixonado… E a autora como jornalista gastronômica, descreve os sabores de Veneza, fazendo-nos participar das refeições.  Trecho do livro: “Grande parte do meu choro é de alegria e assombro, não de dor. O lamento de um trompete, o hálito morno do vento, o som da sineta de uma ovelha errante, a fumaça de uma vela que acabou de se extinguir, a primeira luz da manhã, o crepúsculo, a claridade da lareira. Belezas cotidianas. Eu choro pela embriaguez da vida. E talvez, só um pouquinho, pela rapidez com que ela passa.”

Na página 58 ela cita uma música do Roberto Carlos!

Muito divertido. Vale a pena a leitura.

Quer resenha? Clique Aqui.

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ACHO QUE EU JÁ LI ESSA HISTÓRIA…. =/

Semana de suspenses, histórias contadas à beira da urgência. Estou nesse ritmo! 🙂

Os Crimes do Mosaico,  de Giulio Leoni, 379 páginas, é um suspense que se passa na renascença italiana. Com todos os clichês possíveis, o autor escreve o necessário sem se deter em detalhes. E usa um narrador semi-onisciente, que te faz saber o acontece em várias partes da história. Um crime, a igreja católica, vários suspeitos e um final em aberto. Bom não é um final esperado. Em várias partes, parecia que eu já havia lido aquela parte.

Trecho do livro: “… não resta dúvida que a presença dela acende o calor dos corpos masculinos e os predispõe para a cópula. E isso ocorre em virtude dos raios luminosos que, irradiando de seu corpo, penetram nas cavidades oculares…é uma virtude própria da natureza feminina. Qualquer fêmea bem-proporcionada que se ofereça ao olhar do macho provoca a mesma  resposta…”

Quer resenha? Clique aqui.

Li o Livro, vi o Filme

Tanto o livro quanto o filme são divididos em três partes: Italia, India e Indonésia. No livro eu gostei dos pormenores, o detalhamento da beleza das cidades italianas, do encantamento com o modo de vida e do modo como a hora da refeição é sagrada. Na Indonésia a descrição da beleza e costumes do local onde ela viveu é fanástico – Mostra como a natureza do amar é simples, nós que complicamos. Na India, mostra que deve haver um equilibrio entre o que você pensa, sente e faz.

Mas eu fico com o filme: ele tira as partes chatas, define as personalidades de cada um – no livro todo mundo é ambíguo – e tem todo um romance no ar embalado com música brasileira! Adorei alguns trechos do livro, que nem são citados no filme:

“sou uma das formas mais afetuosas do planeta: algo como cruzamento de molusco com shamexuga.”

“o vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nuncaousou admitirque queria. Um explosivo coquetel emocional, feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa como a obsessão faminta de qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência, sem falar no ressentimento para com o “traficante” que incentivou você a adquirir esse vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom – apesar de você saber que ele tem “algum” escondido em algum lugar – do que antes ele te dava de graça e agora tem que implorar. O estágio seguinte é você esquelética, tremendo agachada em um canto, sabendo apenas que venderiasua alma só prater aquela “coisa” mais uma vez que fosse. Enquanto isso o objeto de sua adoração agora sente repulsa de você. E você tem a sensação de ser uma espéciede máquina primitiva impulsionada à moda e submetida a uma tensão muito maior para o qual havia sido construída para suportar, prestes a estourar, pondo em risco qualquer um que estivesse por perto.”

“ao mesmo tempo meu ímã e minha criptonita, em igual medida, meu farol e minha ave de mau agouro.”

“quando se está perdido na selva, é preciso algum tempo para se dar conta disso. Durante muito tempo você pode se convencer de que só se afastou alguns metros do caminho, de que a qualquer momento irá conseguir voltar para a trilha marcada. Então a noite cai e você continua sem a menor idéia de onde está e é hora de reconhecer que se afastou tanto do caminho que sequer sabe mais em que direção o sol nasce.”

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