A Simplicidade Através de Palavras Escritas

A minha edição de Casa sem Dono do autor alemão Henrich Böll é essa com as fotos e a carabina, devidamente citadas no texto. Aliás, essa foto é um personagem que está em toda a história contada de forma simples e “sentenças curtas”, como gostava o autor, Prêmio Nobel de Literatura. Em 314 páginas conhecemos essa casa na Alemanha pós guerra em que moram duas senhoras, uma moça com um filho e um senhor. Também aparecem os personagens vizinhos que convivem nessa casa. A avó, dona da casa, é dona de uma fábrica de conservas que sobreviveu à guerra porque “todo mundo quer estocar alimentos na adversidade”. A moça casou com seu filho, que morreu na guerra e a deixou grávida. Ela não consegue pensar em se casar com ninguém, mas sai com vários. Seu filho conhece cada namorado da mãe e os chama de “tio”. Albert, estava na guerra, era amigo do herdeiro dessa casa e veio morar aqui. O autor descreve as desventuras de ser pobre, mas saber “se virar” no pós guerra. Descreve os amigos que sempre ajudam. É um texto gostoso de ler, sem suspense, sem mistérios, como se a gente fizesse parte da história. E faz tudo como se criasse um roteiro de filme.

Trechos do Livro: “…eficaz foi uma garota de catorze anos, que…esterilizou uma tesoura com que cortou o cordão umbilical. Fez tudo tal como havia lido num livro que não deveria ter lido.” “…estava com cinco anos e meio que contribuía para o sustento próprio e de sua mãe fazendo pequenos serviços no mercado negro…” “…o menino sabia o que faria quando fosse adulto e se sentisse infeliz: faria com que aquele pequeno colibri lhe beliscasse o braço, o colibri que injetava felicidade em sua avó.” “…encantava manter longos monólogos a altas horas da noite a respeito da falta de sentido de sua vida…” “Sabe que perdê-lo não foi menos terrível para mim do que para você…Creio que há mais mulheres com quem se pode estar casado que homens de quem se possa ser amigo.” “Gostava de tirá-lo da gaveta de sua secretária, abri-lo, preencher o cheque azul…secar a tinta e arrancá-lo da matriz com gesto elegante.” “…se deixava levar pela mesma mania…situar-se num terceiro plano e sonhar com uma vida que jamais foi vivida e jamais poderia sê-lo porque o tempo que lhe havia sido concedido para isso passara definitivamente.”

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