Imagine um Final Feliz :/

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O livro Pequena Abelha do autor inglês Chris Cleave, conta em 270 páginas a história de Pequena Abelha, uma menina nigeriana que foge de seu país e vai para a Inglaterra. É presa como refugiada. No período em que passa a história a Nigéria está tendo problemas políticos por causa do petróleo. Algumas famílias não querem sair das terras e vê seu povo se vender para os brancos. Essas pessoas passam a ser alvo dos “traficantes de petróleo”. Pequena Abelha vêem sua família ser morta por esses homens e se escondem, mas acabam tendo que continuar fugindo até uma praia, onde encontram um casal de ingleses e pedem ajuda pra se esconder dos soldados. O guia que está com eles pede as meninas para ir embora, mas Sarah com grande coração tenta ajudar e os soldados chegam. Um capítulo é contado por Abelha e outro por Sarah.

Daí pra frente a história de todos eles se misturam em partes boas e ruins, um drama familiar, um drama racista, uma prisão, fugas e o uso da mídia de forma a ajudar o povo que vive aquela situação.

SPOILER! Por não ter um final fechado, dizendo o que aconteceu com cada personagem, o autor psicólogo, parece passar a mensagem que “por mais que façamos, não conseguimos ajudar pessoas.”

Trechos do Livro: “Aprendi sua língua num centro de detenção de imigrantes em Essex, no sudoeste do Reino Unido. Fiquei trancada lá dois anos. Tempo era tudo o que eu tinha.” “A primeira moça da fila era alta e bonita. O negócio dela era beleza, não era saber falar.” ” Todas as histórias eram tristes…a história dela deixara-a tão triste que ela não sabia o nome do lugar onde estava…” “…como foi possível me afogar num rio de gente e ao mesmo tempo me sentir tão imensamente sozinha.”

Autora Premiada

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O livro A Verdade Sobre Lorin Jones da autora americana Alison Lurie, ganhadora do Prêmio Pulitzer em 1984, conta em 369 páginas a história de uma mulher chegando aos 40 anos, com um filho adolescente, um divórcio em todos põem a culpa nela, decidindo escrever a biografia de uma artista que teve seus quadros super valorizados após sua morte ainda jovem. Ao fazer a pesquisa, ela se vê no lugar de Lorin a quem os homens se aproveitaram, primeiro seu ex-marido que sustentava sua criação para que ela só se preocupasse em pintar; seu marchand que vendia seus quadros caríssimos, seu pai que casou-se novamente logo após a morte da mãe. Mas ao fazer as entrevistas com os envolvidos, ela se vê odiando a personagem de seu livro e se arrependendo de ter escolhido escrever o livro. Ao conhecer as pessoas que conviveram com a artista e que elogiam seus quadros, ela descobre uma mulher bonita, egocêntrica e mimada. Muito parecida com a personagem principal da qual não gostei. E também não gosto de histórias sem finalização, do tipo que deixa pra imaginação do leitor pensar no que aconteceu. É que o que me fez continuar lendo foi a encruzilhada da escritora dizer a verdade sobre a artista ou escrever apenas sobre sua obra. E não há nenhuma explicação, decisão, resultado.

Trechos do Livro:”Você ainda acredita lá no fundo que se os homens realmente compreendessem o que sentimos eles ficariam surpresos e arrependidos….Você precisa entender que eles já sabem muito bem como nos sentimos. E eles não ligam…” “…porque bons homens eram mais raros que bons empregos.” “Só conseguimos suportar a idéia de que Van Gogh ou Virgínia Woolf, digamos, foram gênios e nós não se ficarmos lembrando que eram infelizes a maior parte do tempo. Até mesmo psicóticos.” “…você deve ter notado que as mulheres magras atraem um tipo de homem diferente do que é atraído pelas roliças.”

LolyPaisagensTT

Perturbador…

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Adorei a cor do livro. A história te leva a pensar coisas dos personagens e depois mudar de opinião. Esse amarelo te enlouquece, porque tudo fica meio amarelado com o tempo….

Mas vamos à história: uma mulher vive numa época em que a esposa não tinha voz ativa, apenas obedecia ao marido. Este texto foi escrito em 1892, época em que algumas mulheres começavam a lutar por direitos que não existiam. Então o médico, também seu marido, diz que a trouxe para uma casa afastada para repousar a mente cansada. Mas ela só quer escrever – e faz isso escondido. O marido se une ao irmão da mulher, também médico, que apóia essa idéia de mantê-la…trancada neste quarto com a parede coberta por um papel com grafismos que dão a ilusão de ótica de movimento.

Como leitora, não sei exatamente o que se passou na história, o que deixa uma sensação perturbadora de realidade – pode acontecer com qualquer um.

O livro da autora Charlotte Perkins Gilman, com 109 páginas, tem uma apresentação de Marcia Tiburi – de quem não li nem um livro, e posfácio e notas de Elaine Hedges.os do

Trechos do livro: “…Um desses padrões irregulares…que cometem todo tipo de pecado artístico…quando seguimos por um tempo suas curvas…elas de súbito cometem suicídio – afundam-se em ângulos deploráveis, aniquilam-se em contradições inconcebíveis.”

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Desconstruindo Simone…

É meu primeiro contato com a famosa Simone de Beauvoir, no livro Memórias de uma Moça Bem-Comportada, com 335 páginas, nesta edição de 1958. O tradutor diz que é uma autobiografia. Então… choquei!! Porque a autora é conhecida por seu feminismo descrito em sua mais famosa obra “O Segundo Sexo“, e neste livro ela se mostra muito religiosa, que não tolera os pecados alheios, que mesmo após desistir da religião, continua carola e achando a pureza do casamento  como único caminho aceitável.  O começo é descritivamente chato: ela passa oitenta páginas contando dos seis aos oito anos de vida! Ninguém é tão filosoficamente chato aos oito anos! Tudo bem que ela se formou em Filosofia, mas quando conta parte de sua trajetória dos dezessete aos vinte, mostra-se alienada, como alguém que não quer saber aonde a família consegue dinheiro pra pagar seus estudos, ou como a guerra ao redor do mundo (na época) poderia influenciar vidas. Tão egoísta que plagiou seu primeiro trabalho no colégio e achou que não fez nada de mais. Pegava livros emprestados com amigos e bibliotecas e esquecia de devolvê-los! (OMG!) Suas amigas tinham namorados aos vinte e ela não gostava de imaginar intimidades com nenhum homem. Conta sua briga com a família, porque não gostava dos modos simplistas do pai e tinha vergonha da mãe, que falava-lhe verdades: ela gostava mais das amigas e faria tudo pelas amizades, mas não pela família. Ela passou pra mim uma inteligência no modo de produzir seus textos: primeiro procure saber o que está sendo mais procurado, depois escreva isso.

Vou tentar ler outros textos dela, porque esse não me convenceu como real; parece ficção.

Trechos do livro: “…proibiam-nos de brincar com meninas desconhecidas: era, evidentemente, por não sermos da mesma laia. Não tinhamos o direito de beber , como toda a gente, nas canecas penduradas às fontes; vovô dera-me uma concha de madrepérola…” “Sentava-me na poltrona de couro, ao lado da biblioteca de pereira escura, fazia estalar nas mãos os livros novos, respirava-lhes o cheiro, olhava as figuras, os mapas…” Falando de seu pai: “Ele apreciava acima de tudo a boa educação e as belas maneiras; entretanto, quando me encontrava com ele num metrô, num restaurante, num trem, sentia-me incomodada com seus gritos, suas gesticulações…”

A MULHER E O FEMINISMO

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Para a antropóloga americana Helen Fisher, há duas razões para considerar o sexo feminino como o primeiro “ser” a ser formado.  A primeira razão é biológica, já que em princípio todo embrião é feminino. Para se tornar um embrião macho, a diferenciação só acontece a partir da 8ª semana de vida! É aí que o embrião recebe um banho hormonal.

No livro “Are Man Necessary?”, a autora diz que os homens preferem as mulheres tímidas, que possam ser domadas e que temem uma mulher que usa suas faculdades críticas, porque ela será crítica em absolutamente tudo, inclusive sobre suas atribuições masculinas.

Agora que estamos em pé de igualdade, cada mulher pode ser única. É isso que todas querem, mas na realidade…

1. queremos ir até a esquina bem acompanhada;

2. queremos que nossos segredos sejam bem guardados, mas que virem fofoca, por favor! (não comece você espalhando, se não quer que espalhe).

3.Queremos ser poderosas principalmente para as outras mulheres.

4. Ter na constituição um direito especificamente feminino, em todas as formas e cores.

5. copiar o vestido da famosa, o cabelo da celebridade, o estilo da it girl e mesmo assim ser considerada única.

6. Continuamos contratando homens pra fazer trabalhos “tipicamente masculinos” como trocar um pneu, um chuveiro ou mesmo uma lâmpada. :/