O Fruto Proibido

Os-Espólios-de-Poynton

O livro Os Espólios de Poynton do autor Henry James me surpreendeu. Uma história em que os personagens mudam de hierarquiae passam de principais a secundários em poucas linhas. Em 218 páginas esta história escrita em 1897, mostra a guerra do noivo contra sua mãe, para ficar com a residência da família após seu casamento. O autor mostra a ironia da herança não ficar com a esposa viúva, mas com os filhos homens, na Inglaterra, e de regras que aconteciam no período em que o autor morou em terras britânicas.

O que é ruim? Ler o texto de apoio, já que ele conta toda a história.

O que é bom? o final se parece com meu livro favorito (Rebecca) =D

Trechos do livro: “Teria sido melhor nunca ter possuído uma casa como aquela, do que tê-la tido e perdê-la.” “…observava as modestas formas daquela ‘arte doméstica‘ pela qual sentira grande apreço antes de provar do fruto amargo da árvore proibida.” “…o ouvira muitas vezes dizer que gostaria imensamente que ela se interessasse por algo concreto.”

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Fragmentos da Escrita

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Existem vários diários compilados, editados,atribuídos a escritora Virgínia Woolf. A edição que eu li, é essa Os Diários de Virgínia Woolf, da Companhia das Letras, seleção e tradução José Antonio Arantes, com 291 páginas, de 1989. A seleção dos textos vai de 1918 à 1941. Esta edição tem uma mini biografia da autora escrita por seu sobrinho nas primeiras 25 páginas. Aqui é contado sobre sua família, seu casamento e suas amizades com escritores famosos. E depois, páginas de seus diários, em que ela descreve seu dia-a-dia, suas idéias literárias, seu trabalho de crítica literária. São apenas fragmentos, poucos textos tem uma idéia completa do acontecido, mesmo assim é fantástico “ouvir ” seus diálogos em que assume inveja da escritora Katherine Mansfield e por isso fez uma crítica destrutiva: “Realmente não vejo fé nela, como mulher ou como escritora…e escreve mal também.” falando de um livro que foi premiado posteriormente. 🙂

Ela fala do prazer em escrever algumas obras e a angústia que outros escritos lhe causaram. E o desespero que sentia ao ler as críticas aos seus livros. Várias vezes tem dúbia opinião de seus escritos: “…sou um fracasso como escritora. Estou fora de moda, velha; não vou melhorar em nada.” Adoro sua nada-intelectualidade ao falar:” Devia estar lendo Ulisses…os primeiros dois ou tres capítulos me divertiram…depois fiquei confusa, enfastiada, irritada & desiludida…iletrado e vulgar é o que este livro me parece…” “Mas ler clássico é em geral penoso. Particularmente clássicos como este, que são clássicos por causa do seu gosto perfeito, equilíbrio formal, serenidade, habilidade artística. Nenhum fio de cabelo fora de lugar. Acho muito elevada a beleza, mas difícil de avaliar.”

Agora fiquei mais animada a ler Virgínia. 🙂

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Dr. House escritor? =D

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Apesar dessa capa horrível (nada vendável) o livro O Vendedor de Armas de Hugh Laurie (intérprete do protagonista da série Dr. House), com 287 páginas, tem o mesmo humor que o ator (e escritor) Hugh Laurie passa aos seus personagens na TV. O personagem principal (um homem) é sarcástico nos seus pensamentos a respeito de si próprio, tem caráter (mesmo sem dinheiro, ninguém consegue comprá-lo). As personagens femininas são superficiais, quase clichê: bonita e burra. Parece um roteiro de um episódio de antigos seriados do tipo policial, com tiros, perseguição e o mocinho contra o bandido. Mas vale a pena fazer essa leitura no meio de uma ressaca de clássicos, por exemplo. Essa edição é de 2010, mas foi escrito em 1996, citado no rodapé pelo tradutor, que os fatos citados sobre terroristas foram descritos antes do 11 de setembro. E o livro continua bem atual.

Trechos do livro: “…Os terroristas de hoje são homens de negócios…E o terror é uma carreira bem atraente para os jovens. Sério. Boas perspectivas, muitas viagens, dinheiro para as despesas e aposentadoria rápida. Se eu tivesse um filho, sugeriria que ele fosse advogado ou terrorista…provavelmente estes causem menos estragos.”

“…um homem que foi a um psiquiatra por causa de seu enorme medo de voar…baseado na crença de que haveria uma bomba à bordo…a chance é de uma para dez milhões…de haver duas bombas, então…leve uma bomba com você quando for embarcar.”

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Autores Russos

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De novo me vejo em meio a um desconforto durante a leitura de um escritor russo. =/   Estou falando de Antón Pavlovitch Tchekhov, escritor russo que viveu de 1860 a 1904. Os “contos” deste livro A Dama do Cachorrinho e Outros contos, organizado e traduzido por Boris Schnaiderman, é uma edição revisada de 1959. Todos os contos foram escritos entre 1885 e 1899. Estou acostumada ao ritmo e ironia dos contos de autores nacionais, em que você termina o conto rindo ou surpresa. Estes contos me pareceram sem início e sem fim. Curtas partes de alguma história iniciada e deixada pra lá, e aí alguém decide colocá-los num livro como se fossem contos após a morte do autor. =/

O livro possui uma nota biográfica e um posfácio. O próprio tradutor escreve:” é verdade que eles rompiam o padrão consagrado…destronavam a tirania do enredo, a construção de toda a história.” e denomina o estilo de “não-desfecho”.

Achei o estilo complicado, pulei alguns contos e o melhor deles, é aquele que dá título ao livro.

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