A liberdade de estar preso

O mangá  Na Prisão do Kazuichi Hanawa, com 234 páginas,  é uma descrição feita  de forma visual, pelo escritor, após sair da penitenciária onde cumpriu pena por compras de armas. Na introdução ficamos sabendo que ele foi preso para servir de exemplo , num Japão pós-queda da União Soviética. As imagens mostram o dia-a-dia na vida dos presidiários, mostra que é tudo muito organizado, a alimentação é muito bem elaborada e faz com que os presos se sintam bem cuidados pelo governo. A história mostra que o que ficou na mente dele foi alguns flashes do cotidiano e a comida japonesa. Minha única reclamação: as imagens em preto-e-branco. De novo. Como em “Maus” um quadrinho que fala sobre a guerra, as imagens em p&b devem servir pra mostrar o caos, a fase ruim, demonstrar coisas negativas. Mas apesar de se passar numa prisão, não senti negatividade nessa história. Devia colorir algumas figuras, deixando o tom mais alegre. Mas vale a pena. =)

Na Prisão - Kazuichi Hanawa (4)

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O Tempo é o remédio

A capa de um livro pode sim influenciar na escolha entre deixar e levar pra casa. A primeira escolha é visual. A segunda escolha pode ser a sinopse ou o nome de um autor conhecido. A terceira escolha é um título interessante, ou uma lembrança, ou a indicação de terceiros, propaganda. Então, se eu tivesse visto uma dessas capas que parecem romance de banca de revista, eu não teria nem olhado para essa lindeza de livro Dentro de Um Mês, Dentro de Um Ano da Françoise Sagan, com 110 páginas de leveza e desencontros.

Há um grupo de personagens, nenhum se destaca mais que outro. Lembra do poema “…João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.”? Esse livro é a história de amar quem não nos ama e esquecer de quem está do nosso lado. E os arrependimentos, o tempo desperdiçado e a esperança de dias melhores.

Trecho do livro: “…Quando amanheceu, Édouard abriu os olhos. Encontrava-se numa cama desconhecida e, na altura de seus olhos, sobre o lençol, jazia uma mão envelhecida, carregada de anéis…”

Quadrinhos =)

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Li os três primeiros volumes da série Street Fighter Legends. A história começa superficial, a tradução não é boa, mas os desenhos…. ❤    A arte final é linda! Não sei se esse é um extra do original Street Fighter, porque achei muito diferente da história de um jogo de mesmo nome dos anos 90.

Adoro gibis e quadrinhos e mangás , e quero incluir mais grafic novel nas minhas leituras.

Me senti assistindo um filme do Tarantino, muito mais do tipo Kill Bill. =)

Adaptação de um Clássico

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Essa adaptação do livro de Victor Hugo – Os Miseráveis – tem a tradução e adaptação de Walcyr Carrasco, conhecido autor de novelas no Brasil. Com apenas 128 páginas e ilustrado por Marcos Guilherme, esse é o número 4 de uma série juvenil chamada Literatura em Minha Casa, distribuída em escolas pelo Fundo Nacional da Educação. O próprio Walcyr diz no livro que é uma “adaptação com a história completa”, mas incentiva que todos fiquem mais curiosos a ponto de “se debruçar sobre o romance original”. Essa adaptação mostra como a história dos personagens principais se interligam e as injustiças sociais que cada um sofre.

Existe um filme de 1998, uma série de 2000 e um musical ganhador de prêmios de 2012.

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lendo infinitamente…

capa

A história não acabou. Tenho certeza. Será? Poderia continuar pra sempre, indefinidamente. Não é um livro YA, não é para adolescentes. Estou falando de Cem Anos de Solidão do colombiano Gabriel García Marquez, com 394 páginas. Nesta 52º edição de 2002, as páginas são brancas, o texto é socado nas páginas e não tem parágrafos e quase nada de diálogos. Os capítulos iniciam com ilustrações de Carybé.

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Conta sobre a esquisita família Buendía, que mora num lugar esquisito chamado Macondo, e todas as coisas esquisitas que podem acontecer: fuzilamento, morte, roubo, pedofilia, traição, orgias, e muita solidão. A história me prendeu nessa segunda tentativa de leitura, por não me acostumar com o estilo narrativo do autor. Mas depois de entender como funciona a confusão dos nomes de família, que não é o foco da narrativa, como entender cada personagem, que não é o foco da narrativa, mas que eu só consegui aproveitar depois da metade do livro. Numa escrita normal, com parágrafos e diálogos, esse livro chegaria a 600 páginas.

A história sem interrupções, pulando de um fato a outro ( com maestria), me fez lembrar (desculpem a comparação) dos episódios de A Vida Como ela é, com textos de Nelson Rodrigues.

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