Ler não te Faz Melhor que Ninguém 🤨

“Quanto ao talento alheio seremos nós também que iremos decidir quem tem e quem não tem apontando ainda quem escreve mal e quem escreve bem.”

O livro As Eruditas do autor francês Molière, conta em 146 páginas a deliciosa história de um grupo de mulheres que decidem criar regras de quem é intelectual e quem não é, de acordo com suas interpretações. Elas convidam um “tosco” poeta pra declamar em suas reuniões e suspiram a cada frase que ele diz. Essas reuniões são na casa de Filomena, uma rica dama que tem duas filhas: a mais nova se interessa por filosofia e por isso não aceita a corte de Cristovam por quem Henriqueta a irmã mais velha é apaixonada. Quando Cristovam vê que Henriqueta também acha o poeta um imbecil, descobre que os dois têm muitas afinidades e se apaixona, pedindo ao pai dela, sua mão em casamento. Mas a sua mãe, tentando melhorar o lado cultural da filha, quer casa-la justamente com o poeta. O poeta vê nesse casamento a chance de receber um bom dote.

Essa comédia escrita em 1672 ainda traz uma reflexão para o atual momento em que as pessoas se acham no direito de “cobrar” leituras das pessoas só porque elas tem um partido político diferente, ou outra religião… Vejo frases do tipo “…livro…remédio pra curar a ignorância.” Pessoas portando livros já mataram outras pessoas. Assim como letra de música, cada um interpreta conforme sua bagagem cultural. Alguns vão ler livros dos grandes pensadores, outros vão ler quadrinhos. Alguns vão ouvir audio-books. A ironia da tradução de Millôr Fernandes deixa o texto divertidíssimo. 😀

Trechos do livro:”A mim pouco me importa que quando está cozinhando, ela coloque mal concordância e regência, diga palavras grosseiras, solte palavrões, e decline de forma errada: desde que não queime a minha carne assada. Me interessa mais a língua na panela do que na boca dela.” “Em princípio, contudo, lhe adianto que meu principal objetivo é colocar a mulher na posição que merece, pois o que nos deixa mais humilhadas é a situação de inferioridade a que fomos relegadas.” ” Por natureza eu sou peripatético. Mas acho uma boa posição, não ter nenhuma.”

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