Sobre Arte, Filosofia e Política

Livro teórico fácil de ler, talvez porque virei fã dessa autora. A Vontade Radical (edição de 1987) de Susan Sontag, reúne alguns de seus ensaios – eu diria suas idéias. Com o subtítulo “estilos”, acompanhamos toda a intelectualidade do estilo da Susan pra falar de erotismo, cinema literário e guerra do Vietnã. Achei que eu iria pular essa parte da guerra, mas é exatamente aí que me detive, sem conseguir parar de ler. A crítica social feita ao seu próprio país, me deixou sorrisos no rosto! 😀

A primeira parte do livro (a única que eu precisava ler) é sobre a arte. Alguns trechos: “Olhar para alguma coisa que está ‘vazia’ ainda é olhar, ainda é ver algo – quando nada, os fantasmas da sua própria expectativa.”  “…a linguagem é o mais impuro, contaminado e esgotado de todos os materiais de que se faz a arte.”

O segundo capítulo fala da literatura pornográfica. Trechos: “Ainda que o romance (citando História de O ) seja nitidamente obsceno pelos padrões usuais…a excitação não parece ser a única função das situações retratadas…somente uma noção empobrecida e mecanicista de sexo poderia levar alguém a pensar que ser estimulado sexualmente por um livro…é uma questão simples.” ” Se ainda é necessário levantar a questão de saber se a pornografia e a literatura são ou não antiéticas, se é totalmente necessário afirmar que as obras de pornografia podem pertencer à literatura…”

Nos capítulos sobre a arte do cinema, ela cita uma fala de Godard: “Mas, certamente, senhor Godard”, teria dito o exasperado Franju, “o senhor pelo menos reconhece a necessidade de ter um começo, um meio e um fim em seus filmes.” “Sem dúvida”, replicou Godard, “mas não necessariamente nessa ordem.” ❤

Marquei muitas partes deste livro, que nem poderia descrever todas! Mas me tornei fã da forma como ela não polemiza nenhum assunto, apenas impõe seu estilo em cada parte escrita. O último capítulo é um diário de viagem a Hanói, país bombardeado pelos Estados Unidos da América. Ela descreve um povo que não alterou sua consciência moral, apesar da destruição e dos “visitantes invasores”, que eram tão bem recebidos, apesar de serem “inimigos”.

Vale a pena a leitura! Resenha aqui.

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Um pensamento sobre “Sobre Arte, Filosofia e Política

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